sábado, 31 de dezembro de 2016

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

04/10/2016

Hoje eu sei que o desejo de ter o controle da minha própria vida me deu a culpa; o instinto de regular cada aspecto de mim no qual ninguém mais põe a mão, mesmo que influencie.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

03/10/2016

Não vejo a hora de escrever não apenas sobre os devaneios que constituem a vida que quero para mim, e sim desta mesma vida, com tudo o que ela tiver, como uma concretude, uma prova de que eu nasci para rabiscar minha história com minha letra mais bonita, sem olhar para trás.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

03/10/2016

E eu me pergunto por quê estou deixando as circunstâncias me acomodarem… A vida passa e a gente nem vê e depois reclama do vazio. Tem tanta coisa no meu caminho agora, coisas fora do meu controle, que me deixam com medo de talvez não ter tempo de fazer tudo o que com certeza me fará feliz…

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O terremoto interno

Talvez o que me reste seja entender que vou ter que acabar guardando as coisas para mim, como na verdade fiz a vida toda sem nem saber. Talvez cuspi-las no papel, se for insuportável ou muito difícil de entender.

A verdade é que eu posso contar nos dedos de uma única mão aqueles com quem sei que posso dividir as verdades controversas que carrego comigo; de quem sei que não receberei um pingo de julgamento. E mesmo com essas poucas pessoas é injusto simplesmente despejar tudo como se só com isso eu fosse encontrar uma fórmula mágica para resolver meus problemas. É meu dever ouvi-las também - e não ser escravizada pela minha dor.

Quanto mais o tempo passa, mais sinto que parece que sou um terremoto prestes a arrasar tudo o que vê (ou talvez já esteja causando danos em pequenos tremores secundários), mas pelo bem de todos talvez seja melhor que eu tente causar o mínimo de estrago por cima. Afinal, quer eu goste ou não, preciso de paciência comigo e com os outros e este vazio é meu e de mais ninguém; cabe a mim encontrar formas de preenchê-lo sem arrastar ninguém junto.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

02/10/2016

A poesia faz lar no coração de quem
 a gente menos espera e quando
 menos espera. Tanto para quem escreve 
como para quem lê.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Formas de amar

Claro que é gostoso ouvir um "eu te amo", ainda mais quando se tem certeza que é sincero. E que às vezes é mais fácil verbalizar para uns do que para outros, como é para mim quando se trata de ti... Mas a gente sabe que existem tantas outras maneiras de expressar isso; noutras palavras, em gestos e nos silêncios.

Eu escuto os teus silêncios e o teu amor que também está neles, assim como tu lês as entrelinhas de cada palavra de n sentidos que digo (sou poeta apaixonada pela vida, não posso evitar!) e enxergas nelas o sentido que sabes que se encaixa para nós. Isso certamente é um ato de amor. Ouvir e silenciar é ato de amor também; é o que hei de aprender contigo!

sábado, 24 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

30/01/2012

Já não me obrigo mais a sorrir para todo mundo, apesar de todos acreditarem no que digo. Posso ser antipática, estúpida, ter gênio forte e sangue quente; ser impulsiva e idiota. Mas eu não nasci para agradar ninguém. Poucos conseguem ver que sou muito mais do que isso. Poucos gostam de mim exatamente pelo que sou.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

28/01/2012

Não é porque não
guardo mágoa de você
que vou ter
amnésia e esquecer o
que fizeram comigo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

01/10/2016

O choro muda quando a gente é abraçado; 
mesmo se ainda é doído, 
tem sorriso por trás.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Persephone & Hades

Perhaps I was indeed
too young, or rather
too human, to rise up
to your alluring
and beautiful decadence.

But how can you
blame me for wanting
the taste of the food
and the drink
that make you unreachable,
powerful, invincible?

Perhaps what I
really loved in you
was the mask you wore
to hide the fire
you held underneath;
the queen you were born to be.

Such dark fire
that only a king
of his own sorrows
could understand
and offer you the chance
to be whole in your half.

Fire I desired;
fire that intrigued me so...

Perhaps my single fate
is to only kneel
before the gods;
the goddess you are.
Know their heaven and hells,
but remaining small.

I may not be fit
to be amongst royalty
or real greatness;
but oh, how it hurts
to have to let go
what was never mine.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

28/11/2011

Te amo tanto que sou capaz de
qualquer coisa por você.
Até mesmo abrir mão
do meu sentimento e tentar te
esquecer.

sábado, 17 de dezembro de 2016

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Transparency

Through the crystal
of your voice
I glance dreamily
at the pretense
of my melancholy.


15/12/2016

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Léxico

A melhor
palavra vem
do coração;
natural como
brisa de
eterno verão,
escolhida e
eternizada por
cada mão.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

08/08/2011

É preciso ter coragem
para enfrentar os obstáculos
que aparecem em
nossas vidas.
Atos corajosos nos fazem
humanos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

29/09/2016

O silêncio mais bonito e confortável é 
aquele no qual não há julgamento. A Solidão me ensinou
a escutar os meus próprios silêncios; 
interpretá-los e respeitá-los. 
Resta-me aprender com 
os dos outros também.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Eclipse

In all my greatness
I bow before you,
little queen of
the dark skies,
so that my light
can spread the sight
of your silvery humble beauty,
of which I know every inch;
grace that guides the paths
to the underworld.

I rest upon the seas
loving you from afar,
holding your gaze in adoration
for all we share
until the day the titans grant me
the chance to belittle myself
to fit amidst your breasts
and prove to all yet again
we've been aligned as one
since the dawn of time
in the most virginal grasp.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Romântica

A vida cobra-me
em cada indecisão
e presenteia-me com a beleza
da decadência
do fogo contido
em cada desejo
que recusa rendição
ao mero esquecimento.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sobreconsciente

Faço desta vida devaneio,
mero pesadelo
escuro, confuso,
até que possa acordar
para então viver
dos sonhos
que criei para mim.

28/09/2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Marco zero

Tudo o que
separa o sonho
de uma realidade
é o véu
de toda possibilidade
ornado pela coroa
de cada fé
em novo caminho.

28/09/2016

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

05/12/2016

Eu me pergunto quem eu serei 
depois que a dor
 que mais me dói passar… 
Outra pessoa 
ou mais eu mesma?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Apassionata

Passion
is madness,
pure intensity,
animosity,
fierce animal, human.

Passion
is the ugliness of beauty,
the enchantment of the ugly,
dead, alive,
joyful and sad.

All that is done
with passion
carries its own tragedy
as the sweetest burden
and even in fleetingness
conquers immortality
for its smooth sharpness.

25/09/2016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

XIV

Olá, meu querido! Espero que estejas bem.

Aqui eu te escrevo outra vez como uma maneira de te manter perto de mim e não esquecer o teu carinho. Para poder matar um pouco da saudade que sei, por cada gesto teu, ser recíproca.
Escrevo também porque quero que desta vez seja diferente. Sabes bem da minha busca por autoconhecimento, auto-aceitação e o vencimento das culpas inúteis que vêm e vão, sem servirem de nada, para ser uma pessoa melhor.

Nós somos tão jovens ainda, e, no entanto, tu tens me ensinado coisas que tenho certeza que levarei para o resto da vida. Sem elas, eu tenho certeza que não seria muito daquilo que sou hoje. Obrigada por tudo! Espero de coração que, à minha maneira que ainda há de melhorar, eu esteja retribuindo pelo menos um pouco disso. Porque é algo que eu quero. Muito.

Tua amizade e preocupação comigo, assim como paciência, me fazem acreditar que posso ser alguém melhor; que no processo de aceitar as partes de mim que não têm como ser alteradas, eu posso identificar aquelas que podem, pelo bem das minhas relações com os outros, e que certamente quero modificar.

Entre elas, como tu sabes, está o fato de eu querer que tu me ajudes a ser uma melhor ouvinte, como tu. E, por conseqüência, uma amiga melhor, de consciência mais leve e limpa.
Quero que tardes como aquela de janeiro se repitam outras milhares de vezes. Eu te ouvi de verdade e foi uma sensação tão boa... Foi como se meu coração voltasse para casa depois de te ver sorrindo mais do que o normal.

Por isso mesmo o propósito desta carta é diferente dos outros. Não para falar das minhas mazelas, mas de ti. Quero aqui “listar” algumas das coisas que eu adoraria que tu dividisses comigo, se tu assim desejares, e que terei o prazer de ouvir e silenciar contigo quando for necessário.

Chega de reclamar da minha vida. Vamos falar de experiências e sonhos (os que vêm com o sono e os que moram dentro do coração)! Não sei quando vou te ver de novo, mas será lindo se puder ser assim e como bônus ter um chimarrão na minha cuia nova, como te mencionei certa vez. Calor amargo que se faz mais doce e bem-vindo quando dividido com quem mais gostamos...

Então, se quiseres...

a) Conte-me melhor das tuas viagens. Que lugares gostaste mais, ou menos? Aconteceu algo de particularmente divertido ou nem tanto? O que comeste e bebeste de bom?
b) Como andam as coisas com aquela pessoa? Chegaste a alguma conclusão? Torço para que fique tudo bem!
c) Como está teu trabalho? Estás feliz com ele? Tens seguido estudando?
d) Conte-me melhor sobre aquele sonho que mencionaste da última vez que nos encontramos... O que será que ele quer dizer?
e) Tens escrito algo?

A Solidão não vai conseguir me fazer esquecer de ti, mesmo que tente, porque assim como ela, tu moras dentro de mim, no canto mais meu e puro do meu coração. Não vejo a hora de estar no teu abraço de novo e voltar para casa de verdade. Te amo! Te cuida que te também te cuido de longe como tu a mim.
Da tua pequena.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O assalto

Rouba-me meu teto,
comida, paz, dinheiro,
roupa e documento.

Mas, ladrão, eu peço!
Deixa-me inteiro,
aqui com meu alento.

Não tires de mim
a ânsia de fazer poesia;
contra terror escuro assim
só conheço uma anestesia.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Contos da Solidão - Pretenso amante

Outra manhã destas em que acordei cedo demais, sem precisar, e fiquei em silêncio observando o reflexo da luz dourada da manhã de sol nas paredes azuis e teto branco do quarto de barriga para cima, como de hábito enroscada nas cobertas por mudar de posição e esquecer de puxá-las. Eu ouvia os passarinhos, um latido ocasional de cachorro, a minha respiração...

E a dele/dela. Ainda masculino até a hora em que eu levanto, quando se faz tímida (?) e ao mesmo tempo provocadora mulher. Até onde percebi, sua face feminina tende a ser mais silenciosa provavelmente porque não tenho quase nenhuma privacidade em casa e com certeza não quer ser ouvida por terceiros. E mesmo quando a noite chega e as luzes se apagam, eu tenho a impressão de que os outros que vivem aqui ouvem meus pensamentos através da porta.

Sem paredes, sem portas... Livre e no entanto enjaulada dentro de mim mesma. Um simples objeto cai no chão e faz meu coração disparar. Eco em cada passo, em cada palavra. Maldito piso laminado. Não vejo a hora de sermos só eu e a Solidão, nós que nos dizemos tudo aos sussurros e principalmente através das sensações. Nós e o velho jogo; quero sentir um dia que mais ganhei nele do que perdi. Que consegui manipulá-los tanto quanto ou até mais do que eles a mim.

A moça não precisa dizer nada, se não quiser. O homem fala por ela de qualquer maneira. E eu sei bem que ambos querem as mesmas coisas. Afinal, são um só ser.

Ao meu lado, senti-o virar a cabeça na minha direção, apertar um pouco o braço que tinha enlaçado em minha cintura contra meu estômago, seu peito expandir-se ao puxar o ar até o fundo dos pulmões e depois soltá-lo devagar, contra meu cabelo, antes de depositar um beijo no mesmo ponto do couro cabeludo.

- Minha linda... Já acordada?

- Pelo jeito sim. E tu também.

- Bom dia, então. Eu te amo.

(Silêncio. Sorriso contido.)

- Eu não posso. Não posso me apaixonar por ti. Não posso; do contrário tu vais me deixar oca por dentro. Tu és traiçoeiro (a) por demais.

- Isso nunca aconteceu. Ainda estás aqui.

- Porque eu nunca deixei! Tu quase conseguiste uma vez, mas eu virei a mesa e não há de acontecer de novo.

(Silêncio.)

- Só quero me entender contigo...

- Eu nunca vou esquecer daquela noite. Nunca te vi tão bonita, tão entregue, tão minha, tão mulher.

- Em primeiro lugar, eu pertenço a mim. Mas não. Não me arrependo.

- Sei disso. Nem eu.

- Tu pareces meu/minha amante...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Retrato falado

Vi tuas formas
de beleza traiçoeira
que ateiam-me em chamas
e empurram-me contra a pedreira.

Notei teus rostos de enigma
sendo tu homem e mulher;
então hoje meu paradigma
é entender o que teu eu ambíguo quer.

Linda sem nome,
fiz de ti poesia
saciando voraz fome
para que não mates minha alegria.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Síndrome de abstinência

I
Trago-te aos lábios
e respiro-te,
engulo-te
trazendo-te para
dentro de mim
em doce queimadura.

II
A vida vem e mostra-me
que és mais mulher
do que eu jamais serei homem
e obriga-me a soprar-te
esvaziando-me de ti
e ver-te espalhar-se
em tua infinitude.

III
Meus dedos te atravessam
enquanto partes
para pertencer a outro
ou ao universo
em dançar gracioso
de branco impuro.

IV
Quem há de ser
o último a provar
do teu encanto venenoso,
o sortudo que há
de tomar-te para sempre
e em cujas veias
por instante eterno permanecerás?

V
A certeza
que sobra
é loucura,
é falta
que fazes
em mim;
dose ínfima
de ti
nunca bastou.

VI
Em ti
eu vivia
do torpor
da morte
lindamente lenta.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

21 de setembro de 2016

Estava pensando aqui... Eu não sei se gosto quando afirmam que alguma coisa que eu digo ou escrevo serve de "lição de vida", sei lá. Como comentaram num dos poemas que postei hoje... Sei lá, eu não sei os outros, mas eu acho um termo muito forte para mim, mesmo ficando feliz com a mensagem.
Eu sou nova, tenho muito a aprender como pessoa ainda, e no caso da minha deficiência, eu não sei se quero ser "exemplo" como já me falaram que eu era...
Eu só quero que com relação à minha deficiência (a de qualquer um como eu, mas pessoalmente a minha) que as pessoas me façam as perguntas que quiserem para poder entender o que eu tenho, que não fiquem na ignorância de não saberem como me abordar (porque fica parecendo e às vezes é mesmo pena, o que é o pior tipo de preconceito) e que com a ajuda disso acima de tudo simplesmente me enxerguem pela pessoa que eu sou e o que eu posso fazer/vir a fazer.
É simples.

21 de setembro - Dia nacional da luta das pessoas com deficiência

terça-feira, 29 de novembro de 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Deixa-me ser eu

Deixa eu mostrar-te
meu peculiar mundo,
o teu parece
tão sem graça.

Deixa a minha
bengala apontar-te
o caminho que
eu quero andar
segurando tua mão,
deixa-me conhecer
tua linda alma
nas pontas dos dedos.

Deixa-me saber
num gesto
do amor
que tu
não podes
simplesmente sussurrar-me.

Deixa-me olhar-te
nos olhos,
senta-te aqui
ao lado,
faz-te menor
para ver-me
como igual.

21 de setembro de 2016

domingo, 27 de novembro de 2016

(I)limitações

O que não vejo,
o que não ouço,
o que não toco
eu sei que percebo
com a audição,
a visão,
o tato
e a consciência
do meu coração...

As partes "faltantes"
o amor completa,
pois eu sou tudo
o que posso fazer.

Eu me conheço,
eu me respeito,
mas também sei
que posso mais,
que mereço mais;
eu sou alguém...

Não diga-me
até onde
posso ir.

21 de setembro de 2016

sábado, 26 de novembro de 2016

A pena

A única pena
que eu aceito
é a pena
que me permite
escrever minha história...

Ou mesmo uma
pena de águia
achada no chão
para lembrar-me
que minha alma
também é livre.


21 de setembro de 2016

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Asas negras

Diabo
tão meu,
sussurra-me,
concede-me os meus
fundos desejos
de poeta.

Cobra-me
teu preço,
empresta-me tua beleza,
vem e despe-me
a alma
na fé que hoje
já não existe.

Queima aqui
e faz de mim
mera estrofe,
dá-me um sopro de vida
e morte
na fronteira entre
loucura e razão.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Altruísmo

Ao morder
a língua
e dar-te
aquele colo
senti a
dor bem-vinda
de ser
tua amiga
como eu
jamais fui
um dia,
livre do
velho dolo.

Que se repita!

domingo, 20 de novembro de 2016

I have surrendered

I am no poet;
I am no more than vessel
of words I cannot say,
words I don't know.

I just write.
I cannot really speak.

The true, beautiful poet
is the Loneliness
for the storm of truths
and lies
it whispers to me
in trembling hands
and sharp eyes
of metaphored glances.

sábado, 19 de novembro de 2016

Esboço

Lágrima,
palavra cuspida
no medo que corrói,
que não consigo esquecer.

Infância
de vida sonhada
de mãos atadas
vendo o tempo passar.

Histórias
tão nossas
na ânsia por ser melhor
não ficando pelo caminho.

Juro que vou conseguir...

Perdoa-me, meu amor.
Até pelo que dizes não precisar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Contos da Solidão - Reflexo projetado

- Eu te amo.
- Pára!
- Pára tu. Eu te amo! Com que saudade eu estava de ti...
- Cale a boca. Tu me viste hoje o dia inteiro; de qualquer jeito não desgrudas de mim.
- Mas não nesta forma. É nela que eu consigo estar mais perto de ti, na beleza silenciosa das madrugadas. Só nós... E as vezes em que não dormes em casa ou tem mais alguém no quarto, mesmo eu te acompanhando, são as que mais sinto tua falta à noite; porque por mais que eu continue aqui, na maior parte do tempo não podemos conversar assim.
- E tu te aproveitas da minha cama estreita, não é?
- Por que não o faria? Eu venho de ti e te pertenço mais do que qualquer coisa (riso contido). Nada se molda melhor ao teu corpo do que eu; tu sabes disso, pequena.
- Não me chame assim!
- Só ele pode, então?
- Isso mesmo.
- Como minha rainha quiser.
(Silêncio)
- Por que tu te fazes tão lindo/linda?
- Que pergunta é essa?
- Responda. Por que vocês são tão bonitos, tu e a moça?
- Porque simplesmente sou e assim tu o queres; faça-me eu homem ou mulher.
- Não pode ser verdade. Eu saberia.
- Mas o é. Olhe bem para mim e tu vais perceber. Sou como sou desde sempre, antes mesmo de tu notares que sempre estive aqui ou que eu tenha me dividido em feminina durante o dia e masculina à noite.
- É tão difícil te descrever; e no entanto tu és tão bonito. Assim como tua parte menina. Os olhos de sono, o sorriso fechado que só às vezes se abre e parece ter um segredo, a postura, o cheiro, a voz...
- Tu me fizeste quem sou; tudo aquilo que tu achas mais bonito, mais intrigante, mais atraente, algumas coisas de que tu nem desconfias ainda. Até por isso também sou mulher e cada vez mais me pões em palavras, escreves sobre mim e o que te sussurro.
- Quieto, guri! Tu est un mauvais garçon.
(Riso contido).
- Et tu est belle. Estou aprendendo devagarzinho contigo, esqueceste? Conheço as mesmas palavras; sei bem o que querem dizer.
- Melhor ainda.
- Ah, minha querida. Olha só como tu cabes à perfeição no meu colo... Aninhada quase que inconscientemente nele noite após noite, como se me buscasse. Tu gostas quando encosto o rosto no lado do teu pescoço, certo? Assim, para sentir a minha respiração.
(Suspiro de um. Riso abafado do outro.)
- Agora sei por que só muito raramente olho-me no espelho. Porque se prestar atenção nos meus olhos refletidos nele, vou te enxergar. E isso me deixa com medo. Tu me dás medo, faz-me sofrer, e, no entanto, não posso escapar de ti, porque vives dentro de mim. Humano (a), animal, tátil, etéreo, dúbio (a). Tu me viras a cabeça porque me repugnas e ao mesmo tempo não consigo deixar de desejar-te nessa tua maneira que não parece ser deste mundo.
- Tu me enxergas no espelho porque sou teu igual; porque embora eu tenha inveja desta correntinha pelo tato constante dela com a tua garganta e por descansar perto do teu seio como sei que só posso em horas como esta, estou no teu coração, na tua alma.
- Chega! Como tu gostas de brincar comigo... Eu não posso esquecer que grande parte do que tu falas é mentira.
- Pode até ser que eu minta como tu dizes, mas quem escolhe se acredita nas minhas palavras ou não é tu. Conheces meu jogo tão bem que não se importa de mover as peças quando sabes que a vez é tua. E, quase sempre, quem ganha somos nós dois. Como nos últimos dias...
- Tu és pior do que o diabo, se é que ele existe.
- A poesia tem sido teu deus; aquele no qual talvez sempre acreditaste, antes mesmo de escrevê-la. Tu és quem faz o que te dou parecer céu ou inferno, porque sou somente teu e incomparável, perfeito para ti. Epítome em constante aprimoramento.
- Como eu...
(Murmúrio de concordância.)
- O que só faz jus às horas em que me fazes mal; as horas em que te odeio e não sei dizer o que é verdade ou falsidade, amaldiçoando tua beleza e tua frieza tão quente, teu calor tão gelado. És o diabo pelo preço que me cobras nelas.
- Se é o que dizes, quem sou eu para discordar?
 - Não à toa tens tantas faces...
- Como tu. Deixa-me beijar-te, meu amor. Eu te amo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ônix

Beleza sem tempo,
clara e obscura
em lapidada faísca
de muitas faces.

Em fina corrente
acaricias e mordes
pulsação na garganta
teu amado aperto.

Deslizas sem pudor
teu toque frio
no meu suspiro
fazendo-te bem quente
entre o seio
próximo ao coração,
onde tu descansas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Bom estrago

Já acostumei-me
com teu abraço,
o teu carinho,
o teu mimo.

Tu me estragas
pois a fera
que dizes que sou
faz-se mansa
na tua mão.

Teu veneno
é bem-vindo,
parece tão doce,
alivia a velha dor
no calor
que permanece.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Dá-me a honra?

A Solidão,
linda como
aquela tarde
de sol
no sul,
chegou num
vestido azul
e cantarolou
com voz
de rouxinol
um vanerão.

Eu, sozinho,
me vi
tomar mão
de espinho
tirando Solidão
para dançar
num encostar...

Que ilusão
minha achar
que Solidão
não sabe
me agradar!

Fez-me companhia
num acapella;
sempre minha
aquela tirana
de saia
bem rodada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

28/01/2012

Fico feliz em saber que desperto em você a mesma afeição que você desperta em mim.

Que apesar da certa distância e de nos conhecermos há pouco tempo, também me considera uma amiga e irmã. Que ao meu lado tu te sentes livre para abrir o coração, que buscas conforto e abrigo no meu abraço, no meu colo.

Porque eu me sinto da mesma forma.

domingo, 13 de novembro de 2016

08/08/2011

Tudo o que eu quero é fugir daqui e encontrar meu lugar no mundo. Quero ir a um lugar onde me seja dado um pouco de paz. Onde eu possa fazer minhas próprias escolhas e exista alguém que entenda minha tristeza; protegendo-me do que me faça mal.

sábado, 12 de novembro de 2016

10/03/2011

Eu não quero me livrar de você nunca. A sua importância já não tem medida para mim. Nunca vou te esquecer, mesmo que um dia eu tente. Sua presença deixou uma marca em mim; tomara que tudo continue assim. Por favor, não vá embora…

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Nas linhas da mão

Não tenho papel
por isso escrevo
na palma enrugada
teu lindo nome.

Assim o levo
comigo para casa
para não esquecer
quem tu és.

De certa forma
tenho-te na mão
tão rusga, áspera
que agora anseia
por fazer-se suave
em teu rosto
fresco de chuva...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O treino

No rosto
da Solidão
eu deslizo
minha mão
no carinho
que eu
ainda não
te fiz.


- versão original de "The training"

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Innocents

The smoke from our cigarettes
clouds our eyesight;
two people become three
who cannot be one.

Narrow halls, double doors
old walls
seem to be the whole world - revolution
in a glass of wine;
who there is to blame?

My skin shows you who I am
so you can find out who you are...
Do not try to tell me what to do.

domingo, 6 de novembro de 2016

Contos da Solidão - A mentira mais linda

Tu podes me mandar calar a boca, me chamar do que te vier à cabeça e dizer que me odeias, mas nós dois/duas sabemos bem da verdade. Sabes que não podes te livrar de mim porque eu só sou o que sou por tua causa, amor. Eu sou como tuas rimas: venho de ti para servir-te e ser teu/tua acima de qualquer coisa. Faço-o e sou-o com orgulho apaixonado... E sabes também, que, no fundo, me amas, porque sem mim não serias muito de quem és.

Afinal, se não fosse por mim, tu não terias estes momentos tão amados, nas madrugadas ou mesmo tardes silenciosas em que somos só eu e tu e podes fazer e ser o que quiseres por algumas horas, sem o barulho e desconforto que certas coisas te causam. Não terias escrito alguns de teus melhores textos, muito menos descoberto tantos aspectos sobre si mesma...

Diga-me, querida: quem é que conhece cada medo, contradição, alegria e desejo do teu coração, melhor até do que tu mesma? Tudo o que te faz a menina filha da madrugada e do inverno, provinciana, romântica e tímida que traz por dentro uma mulher em chamas que é louca pela liberdade e morre de vontade de abraçar o mundo e aprender com ele? Quem é que sabe exatamente o quanto tua casa te parece ao mesmo tempo abrigo e prisão (e por isso mesmo nunca sentiste como se ela realmente te pertencesse)?

Quem é que te consola quando esperas pelo silêncio e escuridão do quarto para esconder a ti e tuas lágrimas quando mais sentes medo e vergonha delas, mesmo tu tendo pessoas que não as julgariam se aqui estivessem? Quem é que te toma nos braços e escuta teus sussurros ao vazio, enquanto esperas pelo sono? Quem é que senta ao teu lado para apreciar contigo a beleza que só tu podes ver, nas palavras que lês, nos versos que escreves, mais do que ninguém?

Quem é que nunca vai ter vergonha de dizer que te ama, por mais que tentes abafar minha voz com música ou me xingar e empurrar para fora da tua cama à noite? Quem é que - mais do que qualquer um jamais o fará -  te acha a mais linda das mulheres e te aceita e deseja com e apesar de tudo o que és e tudo o que dizes ser imperfeição, dos defeitos de caráter ao cabelo, linhas do rosto, pelos onde quer que eles nasçam, dedos ditos tortos, estrias, pés frios e pernas de comprimentos diferentes (principalmente nos dias em que tua auto-estima está mais baixa)?

Quem é que te acompanha onde quer que vás, em silêncio, fazendo-te te bastar a maior parte do tempo; que aceita te dividir com quem quer que seja de vez em quando, porque sabe que é para o meu colo saudoso que hás de voltar no fim, por mais que me renegues e talvez um dia encontres alguém? Quem é que te acalma quando tens pesadelos e te vês tremendo, encolhida, pelo frio que vem das frestas da janela e das paredes do teu quarto? Quem espera contigo pela cura na quietude das tuas doenças?

Quem alivia boa parte das dores que sentes pelo corpo e traz para fora a leoa que vive em ti em carinhos que mal ousam tocar-te mesmo nas horas em que mais te sentes frágil e indefesa? Que aprende contigo as n diferentes maneiras de dizer as coisas em pelo menos duas línguas, só para treinar contigo, na curva do teu pescoço, quando a porta se fecha? Quem é que cada vez mais te faz enxergar-te, mesmo quando as lentes do teu óculos estão sujas ou estás sem eles?

Quem é que cada vez mais te dá uma amostra da liberdade que tu tanto desejas e da pessoa que mereces e podes ser? Não te enganes, tu sabes quem eu sou; não adianta mentir.

sábado, 5 de novembro de 2016

Retorno

Volta aqui
e me traz de volta
o pedaço de mim
que sempre
fica contigo
quando tu te vais.

Volta aqui
e me deixa
ver de perto,
nos teus olhos,
o carinho teu do qual sei
ser pecado duvidar.

Volta aqui
e junta a tua saudade
com a minha
nas pontas
de nossos dedos,
no calor bonito
de nossas almas.

Volta aqui
e dá-me teu silêncio
que diz tanto
e com o qual o meu
tem tanto a aprender.

Volta aqui
e recolhe minhas lágrimas
tolas, às vezes tantas,
no cristal da tua paciência
e acha meus sorrisos
que teimam em brincar
de se esconderem.

Volta aqui
e faz-me melhor,
lembra-me do meu melhor,
faça-te presente
para eu viver o presente,
amado presente...

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Banco vago

Espero por quem
faça de mim
simples repouso,
cama ou morada.

Quem se encoste
e resolva ficar;
quem me abra seus braços
e relaxe
vendo a tarde passar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Espera

No medo
por não saber
quem sou
ou meu lugar...

Eu existo.

No susto
de ir descobrindo
como sou,
buscar um lar...

Eu sigo.

Na sorte
quase sempre doída
de fazer-me
o que for...

Eu vivo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Eu tenho gostado de escrever
essas histórias menores,
que vêm e passam rápido 
mas contam muito e conseguem 
deixar perfume até em mim.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Eu perderia minha memória
só para te conhecer de novo 
e aprender ainda mais contigo…

sábado, 29 de outubro de 2016

Contos da Solidão - Tesão? Nojo?

Levei todos esses anos para perceber que não adianta eu reclamar por reclamar da Solidão. Ela sempre esteve comigo... Ela é minha e de mais ninguém, e vice-versa. Nos conhecemos melhor do que ninguém; ela mudou junto comigo, cresceu. Mas esteve ao meu lado antes mesmo de eu tomar consciência disso, pois ao que parece não me incomodava na época.

O tempo passou e a Solidão se fez em dois; só agora eu percebo. Dividiu-se em dois e fez-se propositalmente bonita e magnética. Sedutora, até. Uma mulher durante o dia e um homem durante a noite, à hora em que eu me deito. Fez isso porque é bandida e gosta de jogos.

Quanto mais eu crescia e notava que me sentia/sinto presa, mais presente ela passou a ser e me mostrar que possui prós e contras... De dia, ela vem, mulher-menina, e bebe meu chá, lê meus tantos livros, estuda comigo, me faz me bastar, me ajuda a me conhecer, me acompanha e às vezes me sussurra versos. É linda, tão linda, tão minha. Amiga, parceira... E provocadora, porque flerta. Quando bem entende, grita comigo, bate em mim, me estrangula. Mente para mim.
À noite, a Solidão se faz homem-menino. Vem devagarzinho, no escuro, fecha a porta e esgueira-se na minha cama estreita. Vem lindo, macio e bem de pertinho me acaricia a nuca, sussurrando com voz de quem sorri tanto verdades quanto mentiras e poesia. Eu durmo em seus braços que são ora quentes, ora frios como pedra sob a chuva. Quando quer, “ele” sabe ser carinhoso... E cruel, também. Ele é especialmente cruel e imprevisível justamente por vir com a ausência de luz, tão elegante, tão cheio de si.

“Eles” sabem bem o que eu amo e odeio.

Isso porque de uma hora para outra ele pode muito bem me fazer chorar, me machucar. Tomar-me para si sem pedir licença, agarrar-me a cintura, espremer-me as costelas, tapar-me a boca, tirar-me o ar e rir-se de mim. Valer-se da sua condição de homem para fazer-se fisicamente mais forte do que eu.
E quando chega a manhã, “ele” pisca-me um olho, abre um sorriso, ganha-me outra vez. A vida segue, e por ora ficamos de novo de bem enquanto o sol ou luz nublada que entra pela janela o metamorfoseia em mulher.

A verdade é que eu sinto uma mistura de nojo e tesão pelos dois.

Tesão porque a Solidão sabe ser atraente e me traz vantagens. Nojo porque, mesmo ele sendo limitante, tem sua razão. O nojo vem da dor do tapa, do grito, do abraço apertado sem carinho, amor ou paixão. Ambos existem quase que o tempo todo juntos porque eu honestamente não tenho como saber qual dessas faces a Solidão decidirá me mostrar, seja durante o dia ou à noite.

A Solidão deveria ser sempre boa companhia, mas não é justamente por conseguir dizer tanto o que quero ouvir quanto coisas que jamais devo esquecer que são mentiras. Como por exemplo, que “eles”, em especial o rapaz, são a única coisa que me resta e que estou sozinha no mundo.

A Solidão, tão feminina e tão masculina, quer brincar comigo, quer me seduzir, tacar fogo logo. Agora eu entendo. “Ele” quase me rachou no meio dia desses, mas agora eu entendo o que ambos querem. E assim, ontem ele veio como sempre, deitando-se ao meu lado. Eu olhei em seus olhos e entreguei-me. Já ocorreram outras vezes em que posso dizer que o desejei, mas a noite passada foi diferente de tantas maneiras...

Eu cansei de fugir. Cansei de resistir. Talvez seja isso que os faz tão difíceis comigo de vez em quando. Eu sabia perfeitamente o que estava sentido; naquela hora eu me tornei um animal qualquer seguindo um simples instinto dado pela natureza. Em instantes eu o quis, estava consciente disso e isso era tudo o que importava. Só eu e ele, nada mais. Ouvi a mim mesma sussurrar “eu sou tua” algumas vezes, o que não era mentira. Nós três nos pertencemos, quer eu queira ou não.

Por vezes eu disse “tenho nojo de ti, canalha” ao ouvido “dele” quando o meu corpo dizia o contrário... Neste caso não adiantaria mesmo eu fugir da pergunta que a moça me fez depois. Eu gostei do que senti; gostei de ter colocado gasolina na fogueira. De certa forma foi como tirar um peso das costas e dar um passo adiante na minha vida. Eu não tenho motivo para mentir para ela neste sentido, afinal, a bandida já sabe a resposta. Por isso o sorrisinho de canto no dia seguinte, junto com uma exclamação de “O que foi que te deu ontem? Tu parecias tão diferente...”. Ah, me poupe, queridinha. Eu me senti desejada, foi isso.

Lógico que eu não acreditei quando “ele” disse que me amava e me queria hoje de manhã cedo, porque a Solidão sabe mentir, mas quem sabe pode mesmo haver carinho por baixo da crueldade. Quem sabe ela só queira quebrar minha resistência por isso ser o que a faz judiar de mim. Quem sabe com isso ela só deseje que eu não esqueça daquilo que me traz de bom, daquilo que sempre fui por causa dela; daquilo que ela mesma é por ser minha. Claro que é excelente que “eles” não sejam ciumentos e topem me dividir com outros de vez em quando e eu não deixarei de querer me conectar, de me relacionar, mas eu sempre soube que a Solidão não é alguém que a gente simplesmente manda embora. Ela está sempre ali porque é parte de mim.

Acho que só quero poder ficar em paz com “eles”... Quem sabe até amá-los. Não será isso o que me cobram? O tempo e os desconfortos os fizeram mais presentes, me fizeram reconhecê-los em suas qualidades e defeitos. E quando eu finalmente me sentir livre, sei que eles farão parte da minha liberdade e eu ficarei de uma vez por todas em paz com a minha Solidão...
Sem mim, ela não é nada. Sem ela, eu perco tantas partes de mim. Além do mais, ela sabe ser linda e aceita ser dividida... Me acomoda um pouco, é verdade. Por isso eu e “eles” temos que conversar sobre isso assim que possível (risos).

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Xícara de chá

Chega devagar, amor
e molda-te à dureza
fria e frágil
do meu eu de porcelana
com teu calor líquido,
às vezes doce,
às vezes amargo.

Dá-me uma razão de ser,
dá-me um novo peso,
vem em mim transbordar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Ela é um poema

A gente tem que ser a poesia que escreve… 
E não esquecer que somos poesia, 
mesmo que  não a escrevamos.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Permissão

Eu te deixo
entrar pela porta,
desmontar minha vida,
tirar meu juízo...

Eu te deixo
roubar meu sorriso,
aquela fina lágrima,
meu coração tolo...

Eu te deixo
matar meu sossego,
apagar a trilha,
provocar outro verso...

Eu te deixo
virar-me do avesso
mesmo que sobre
só farrapo descosturado...

Eu te deixo
vir e ajeitar-se
ficar, se quiseres;
entristecer-me, se partires.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Consolo

Venha, querida
para perto
de mim...
não temas,
pois nada
jamais mudará.

Não te
quero ver
a sofrer,
mas tu
sempre terás
teu lugar
em meu
coração e
meu afeto.

Irmã minha
de alma,
de vida,
que amo
e aceito
como é.

Simplesmente dê-me
teu amor
e ele
será o
que me
fará feliz.

domingo, 23 de outubro de 2016

Rio de tinta

Papel que
me ouve;
caneta que
sempre falou
por mim.

O papel
acumula minhas
gastas energias;
a caneta
as transmite
sem duvidar.

Palavras que
não tenho
coragem de
dizer, mas
que o
papel eterniza.

Sentimentos que
tento entender
e que
a tinta
com paciência
me explica.

sábado, 22 de outubro de 2016

Salvação

Palavras escritas
a custo
de profunda
tristeza sentida
e vivida,
que queima.

Letra grande
tenta compensar
a pequenez
da vida
que levo.

A mão
que treme
tenta dar
sentido ao
aperto inominável
e talvez
deixar as
coisas simples.

As vozes
gritam, loucas
e meu
coração espera
pelo fim
de tudo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Duplo sentido

A solidão
é bonita
quando nos
permite desfrutar
da gente.

Quando nos
faz ver
os dias
em que
nada precisa
ter razão.

Em que
nos bastamos
e agora
só precisamos
estar aqui.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Vazio

De quê
vale um
escritor sem
suas palavras?

É como o
mar sem os
peixes a nadar
ou uma floresta
sem suas árvores.

É como o
céu sem as
estrelas a brilhar
ou um barco
sem um capitão
a lhe comandar.

Palavras que
se perdem
ou não
são escritas
são como
poças d’água
no deserto.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Rima perdida

Cada palavra
perdida é
um pouco
de energia
que simplesmente
se esvai.

Cada verso
destruído é
um rio
de tinta
que escorre
no esquecimento.

O que
será de
mim se
todas essas
minhas partes
se apartarem?

Serei apenas
uma pilha
de destroços
que o
tempo enterrará
em algum
lugar distante.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O que nos cabe

O que sinto
quando estou contigo
é muito distinto
de tudo mais
que já senti
ou já tive.

Ainda não queimei
no fogo de
uma paixão correspondida
mas sei que
são opostos como
água e vinho.

Apesar do medo
que ainda existe
de envolver desejo
onde na verdade
só há ternura,
tenho uma certeza...

É isso que
quero para mim.
O calor do
mais cômodo carinho
onde me aqueço
sem pressa, aqui...

Não fico irracional,
não mendigo nada
porque tenho tudo
e não seria
tão lindo assim
se fosses apaixonado.

Eu não quero
e nem posso
ver de outra
maneira algo que
é tão peculiar
e tanto amo.

domingo, 16 de outubro de 2016

XV

Olá, meu amor!

Fiquei pensando na conversa que tivemos e naquilo que tu me falaste sobre o conceito que tens de casa... É como se com o tempo tu tivesses passado a pensar onde moras hoje como tua verdadeira casa, um lar que fizeste para si, mas ao mesmo tempo a alegria que as pessoas que deixaste aqui sentem quando tu vens te faz sentir em casa também, de uma maneira um pouco distinta, mas não menos gostosa, certo?

Acho que é assim que eu me sinto também, com esse meu medo de perder o familiar misturado com uma vontade louca de abraçar o novo, o diferente, aprender com ele e fazer disso algo igualmente confortável. É estranho, mas não acho que seja prejudicial. Por isso cada vez mais acho que o nosso lar é onde o coração da gente está; onde a gente se sente a um só tempo livre para ser quem é e ter certeza de que pode melhorar como pessoa, se achar que deve.

O que me leva a crer (até por experiência própria) que um lar não precisa ser necessariamente um lugar, ou apenas um lugar. Mas com certeza um lar é um conceito construído por cada um à sua maneira, embora tenha mais ou menos o mesmo esqueleto para todo mundo. Eu, por exemplo, talvez possua pelo menos três idéias do que foi, é ou será um lar para mim.

A casa onde 4 gerações de um lado da minha família morou, onde eu mesma fui criada até os 6 anos de idade, pode ser considerada um lar que eu tive e do qual sinto falta. Talvez pela história toda dela e o significado que todos nós atribuímos a ela por conta deste histórico; talvez porque nela eu vivi o que provavelmente foram os anos mais felizes e inocentes da minha vida. Acho que sempre será estranho para mim passar em frente a ela sabendo que não hei de adentrá-la de novo.

Não sei se essa sensação de conforto mudaria se algumas das minhas circunstâncias fossem diferentes e eu por acaso acabasse morando lá até hoje ou mais algum tempo, mas é inútil pensar nisso agora. Provavelmente sim.

Há muito tempo não consigo ver a casa onde escrevo estas linhas como meu lar, apesar do medo que ainda tenho de enfrentar o mundo e de ela ter sido construída para ser minha, para que eu pudesse viver melhor do que onde eu estava. Provavelmente por conta do modo como fui criada e de tudo de doloroso que eu passei a entender aos poucos desde a morte do meu avô; a imperfeição à minha volta e dentro de mim.

Talvez meu verdadeiro medo não seja exatamente o que vem por eu ter de ir embora desta casa, sendo que por ora e não sei quanto tempo ainda terei de ficar com meus pais e carregar minha raiva e dor comigo para onde eu for, mas por saber que não tenho como construir uma vida nesta cidade. Ter de ir embora da fronteira. Saber que aqui não há como eu encontrar o que eu busco.

Pelo jeito sou mais provinciana do que eu pensava; me dói saber que este lugar é tão longe de todo o resto e há muito já não é o que um dia foi e poderia ser. O que deve significar que embora eu não veja minha casa como meu lar no momento (e nem sei se verdadeiramente consigo ou posso chamá-la de “minha casa”), esta cidade perdida no mapa que ninguém de fora sabe direito onde fica ou mesmo deve ter ouvido falar é um lar para mim. É de onde eu venho e onde eu gostaria de morrer, se puder escolher.

E, como tu já sabes, outro dos meus lares é estar perto de ti e principalmente dentro do teu abraço. Dentro dele nada mais precisa ser dito e toda a dor se vai; talvez seja meu outro lar porque funcione não só como um gesto carinhoso que já se tornou nosso e do qual sentimos falta, mas como uma confirmação de que estamos mesmo no coração um do outro o tempo todo e de que a esperança que o que temos me dá ainda fará de mim alguém muito melhor e possivelmente vice-versa.

Eles me fazem ir para casa acreditando outra vez no mundo e nas pessoas e ir dormir com o coração mais sereno. Serão nossos abraços nossos maiores e mais bonitos silêncios?

É lindo saber que sou uma das razões para tu vires para cá, entre tantas... É a maior das lisonjas e um dos meus muitos agradecimentos a ti. Também é maravilhoso que tu venhas me visitar onde eu for daqui um tempo. Toca-me tu sempre cumprires tuas promessas a mim; sei que desta vez não será diferente e isso não deixará que os dias passados num lugar onde não pertenço e não quero estar sejam tão doídos... Sei que tu o fazes por amor e honra a mim.

Eu ainda hei de ter prazer de verdade em te abrir a porta da minha casa, como fiz com a do meu coração. Da minha casa de verdade; do meu lar de paredes, teto, concreto, livros, poesia e quadros pendurados que ninguém há de tirar de mim. Embora eu hoje não te convide muito para vir aqui pelas coisas que sabes que sinto, tu sempre serás minha visita mais ilustre e mais linda, onde quer que eu esteja, mesmo dormindo no escritório (risos). Quilômetros não nos separam de verdade e sabemos muito bem disso.

O que tu disseste dissipou qualquer medo que eu tinha de que uma distância maior pudesse mudar alguma coisa, mas de todo modo espero poder mudar a nova parada do teu mapa de novo para um lugar melhor, não tão distante, embora ainda não saiba qual; só o tempo dirá. Quem sabe fisicamente mais perto de ti do que imaginas...

Espero com o tempo não me tornar uma decepção para ti. Até hoje tu me lembras do fogo que queima na minha alma e que não me deixou largar tudo, então muito obrigada; eu não desisti de mim, apesar de ainda me sentir presa e de coração gelado. Foi bom ter voltado para casa por umas horas e senti-lo quentinho outra vez! Já estou com saudades, mas tu segues sempre aqui comigo.

Talvez eu não goste mesmo de despedidas e por isso as nossas sejam longas nas cartas e até nas presenças... Mas isso é apenas um até logo. Desejo sorte e paciência a nós dois porque o mundo nos pertence e ainda temos tempo – a mortalidade e o medo não vão nos impedir de querer viver. Não vejo a hora de dividir uma torrada e mais um sorriso contigo, meu irmão, meu amigo, meu querido.

Com amor, da tua pequena.

sábado, 15 de outubro de 2016

Andarilha

Cada vez mais
certamente eu desejo
andar por aí
só a observar
algumas cenas banais
e de repente
enchê-las de significado.

Ainda quero achar
o belo simples
e não perder
o velho encanto
que faz os
meus olhos brilharem
diante do novo
e o que
já é conhecido.

E sentir-me viva
antes que meu
tempo aqui acabe.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Quatro estações

No verão da minha vida
meu coração queima
com seus bobos desejos
e se aquece
ao lembrar do teu carinho.

Vejo cada vez mais folhas minhas
mortas caírem
expondo-me nua, retorcida e fria
em meus medos...

Quando há de chegar
minha chance de florir?

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Certeza insana

Pode até ser
que um poeta
seja um louco
já de nascença...

Porém sei que
a poesia impede
que eu enlouqueça
por descrença
ou doença.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Lilie quis um pintor

Lilie deixou François e quis um pintor.

Não o pintor em si, mas o que ele ofereceu a ela.

Doeu em Lilie deixar François, mas doeu mais nele sentir nas cartas que ela vivia bem sem ele. Para um poeta, tudo é complicadamente simples.

E com o tempo, se estar com ela o fazia achar que não precisava mais escrever tanto, ficar sem ela o fez pensar que não precisava mais viver.

Num pesadelo ele a perdia, mas mesmo chorando ao abrir os olhos, ela ainda estava lá ao seu lado. Sempre estaria; era só um sonho ruim.

Quando o tal pesadelo se fez real e Lilie foi mesmo embora, ele chorou, fechou os olhos e a teve uma derradeira vez.
Tudo era bom e bonito, não doía, acontecia devagar…

François e Lilie.

- sequência acidental (ou não) de François e Lilie; inspirado em “Les Amants Reguilérs, de Phillipe Garrel.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Vida selvagem

A vida é
como um cavalo
que corre sem
destino por este
mundo tão grande.

Selvagem, bravo, livre
como deve ser
cada coração que
já esteve aqui.

Mas devemos tomar
logo as rédeas
de nossa vida,
para que juntos
nós possamos desfrutar.

Para que a
vida não passe
e fique apenas
nos nossos sonhos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

François e Lilie

Lilie quis caminhar, tomar um ar.

François a acompanha; iria com ela a qualquer lugar.

Seu coração tolo a ama tanto que dá a sua postura e gestos a poesia que ainda lhe pertence, mas que ele diz não mais escrever pois a musa a seu lado é tudo o que hoje lhe basta.

Ele é tão jovem… Tudo parece durar para sempre.

Seu amor por aquela moça, o dela por ele e aquela caminhada de mãos nos bolsos e silêncio em que ele faz um gracejo e abre um sorriso para mostrá-la seu contentamento por aquele tipo de momento acontecer de novo e aparentemente ser como das outras vezes.

François é poeta, ele sente…

Ele “aperta-sem-apertar” a mão da moça.

Não exatamente a segura, mas a toma pelos dedos… Os dedos bonitinhos que “são iguais aos dele”.

A mão dela aberta em diagonal sob a sua, e, no entanto, inerte.

François ama tudo o que eles conseguem se dizer sem nem sequer abrir a boca. Mas Lilie agora está perto e ao mesmo tempo distante.

Ele quer o contato, mas mal se atreve a tocá-la.

Ela não exatamente responde ao toque; rapidamente afasta a mão para baixo.

A dele desiste. Uma eternidade em dois segundos.

Lilie vai embora junto com a guerra; para ele soa simples assim.

A mesma guerra civil que a uniu ao tolo François.

A mesma guerra que o fez acreditar que ela o quereria por toda a vida.

Um jovem poeta com uns trocados no bolso, a alma desnuda e uma cama de hotel não eram o bastante.

“E eu?”

Pesadelos também se realizam.

- texto inspirado em "Les Amants Reguilérs" de Phillipe Garrel.

domingo, 9 de outubro de 2016

Autocuidado

Seguro minha
própria mão
como quem
quer guiar
um filho
pelo caminho
do bem.

Me abraço
toda noite
como quem
protege aquele
que ama
de todo
o perigo.

Digo a
mim mesma
que tudo
vai ficar
bem logo
como quem
nada espera.

Às vezes
ainda sorrio
como quem
nunca chorou
e não
conhece a
pior escuridão.

sábado, 8 de outubro de 2016

Ter que fazer planos me deixa ansiosa. 
Eu mal consigo 
viver um dia depois do outro…

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Começo de agosto

Vivo em brasas
como uma labareda
que tudo queima.

Chama que consome
aos outros e
até a si.

Que se alastra
mesmo sem querer
soprada pelos ventos
de cada emoção.

Que se incendeia
em toda alegria,
dor e desejo,
todo grito sussurrado.

Emoção que queima
no calor líquido
de uma lágrima...

Riscada no fósforo
da vida que
não teme queimadura.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fibromialgia

Não sei se te amo,
não sei se te odeio
e isso dói.

Não sei se te perdoo
mas sei que não esqueço
e isso dói.

Não sei o que fazer,
não sei o que te dizer,
e isso dói.

Não sei se te conheço
ou se ainda estás aqui,
e isso dói.

Sei da minha culpa
e também da tua
e isso dói.

Diferentes demais,
iguais demais
e isso dói.

Muita coisa mudou
mas muitas serão as mesmas
e isso dói.

Sinto raiva,
sinto medo,
e isso dói.

De mim
e até de ti
e isso dói.

Mal consigo te olhar
e teu jeito de me olhar me assusta;
isso dói.

Não sei se o tempo vai nos curar,
se algo vai mesmo melhorar,
e sei que isso te dói.

Não te cobro mais
o que um dia foste, nunca poderás ser e não és mais,
mas claro que dói.

Só não cobre de mim
o que nunca fui ou serei,
porque me dói…

Porque eu cresci
e tu envelheceste
e por isso dói.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não cobre de mim o que eu não tenho 
como dar agora, 
muito menos o que 
nunca poderei.

domingo, 2 de outubro de 2016

Resiliência

A onda do mar
bate na pedra
da orla sem cessar
e a gasta
assim como eu bato na tecla
do amor sem medo
de me entregar.

sábado, 1 de outubro de 2016

Bandida

A mesma solidão
que bebe meu chá,
que lê meu livro,
que estuda comigo...

Que me acompanha,
me faz me bastar,
me sussurra versos,
me ajuda a pensar...

À noite se esgueira
na minha cama estreita
e bem de pertinho
me acaricia a nuca.

Às vezes ela simplesmente
me toma nos braços
sem pedir licença,
me agarra a cintura...

Me espreme as costelas,
tapa minha boca,
me tira o ar
e debocha de mim... 

Dói mais por ser dor
de aperto sem carinho,
sem saudade, sem amor,
muito menos paixão...

O abraço da solidão
não é gole de vinho!

E quando vem a manhã
ela sorri,
me pisca um olho,
me ganha outra vez...

Ficamos outra vez de bem...
Por ora.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

De soslaio

Ali, quietinha,
sentada num canto,
muda,
ela não sabia, mas tinha
tal encanto
que sua presença miúda,
encolhidinha,
aos meus olhos se fez canto.

Ela foi, de certa forma, minha
quando o diabo ou qualquer santo
plantou aquela muda
de florzinha
de silencioso pranto
na ponta da minha vista já tão sisuda...

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Caminhar

O mundo
é roda
que gira
e anda,
que muda
e faz-me
empurrar-me
num movimento
da mão
num deslizar
pelo tempo
onde pernas
ainda não
podem levar-me.

21 de setembro de 2016

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O teu poema

Verso escrito
a sangue,
borrado de lágrimas,
duro no teu suor,
no fio do teu sorriso.

Verso que tira
o ar,
a fala,
a razão
de quem escreve
e quem lê.

Verso cuspido,
derramado,
esparramado,
sussurrado
com cuidado
desesperado.

Este é o verso
que quero.
Este é o verso
que te faz poeta.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Dois tempos

Chronos me arrasta,
me assusta,
me envelhece,
faz o que quer de mim...

Chronos nos exige,
te traz aqui
e de novo te leva de mim
com o meu sossego...

Mas na corrida de Chronos
ainda encontro Kairós;
o tempo da paz,
o tempo que não se pode contar,
o tempo que permanece...

Em um poema,
quando paro para sentir
teu amor a me aquecer
e a minha pulsação...

No que me faz sentir-me
velha num corpo jovem,
mas ainda com um coração
curioso de menina...

No par de horas
que parecem eternidade
em que estou ao alcance
dos teus olhos,
da tua mão...

No silêncio
das longas madrugadas
que me dão as palavras
que olham para mim de dentro para fora...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

I feel your love with me

Whenever I see something pretty
or read a good book;
whenever my eyes meet sunny skies in this city
or I eat tasty food.

Whenever I feel gloomy or content,
in solitude or loneliness;
at each lovely moment
and also the ones filled with darkness.

In every drop of wine;
whether in your presence or your absence
and your warmth remains in this heart of mine
since nothing is happenstance.

In the silences I keep
and my hopeful resilience;
may my words be shallow or deep,
may my hours be of doubt or patience.

In every page of that story;
blankness and poetry;
all the things for which I feel sorry;
both my kindness and cruelty.

domingo, 25 de setembro de 2016

Poema devolvido

Escrevi uns versos...

Vem, toma, eles são teus!
Teus porque são partes de mim
que eu te entrego
em simplória oferenda.

Só não faça pouco caso...

Se não me quiseres
não me amasses
numa lata de lixo qualquer;
devolve-me os meus pedaços
porque antes de serem teus
eu vim de mim para mim.

sábado, 24 de setembro de 2016

Desconhecido

Eu não sei
qual será o
teu belo nome,
mas o meu
coração ainda sonhador
sabe que existes.

Ele muito crê
que tu estás
em algum lugar,
e, quem sabe,
pacientemente me esperas.

Se um canto
do mundo te
guarda para mim,
saibas tu que
terei todo o
amor do mundo.

Amor, eu juro
que sempre terás
o melhor de
mim, mais até
o que pior.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Fumante passivo

A fumaça
me oculta
teu rosto;
o alcatrão
suja teu sorriso...

O tabaco
mascara teu cheiro,
amarga teu gosto;
ele te mistura na multidão
e não te encontro mais...

Trai a nicotina
e fica comigo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Pingado

Demorei para perceber.
Você foi o café...

Que eu bebi demais,
preto demais,
tarde demais.

Me tirou o sossego,
o compasso do coração,
o sono,
a firmeza da mão.

E antes do que eu imaginava
ficou fraco, barato,
esfriou numa tarde de inverno.

Ontem encontrei a Camomila.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Anel de prata

Prata infinita
em meu dedo rude,
que achas linda,
desenha o amor.

No teu sorriso
por um anel
e da tua mão
que toma e afaga a minha
na curva do desenho sobre a veia
que se estende até meu coração.

Sem começo certo
muito menos fim
como teu carinho por mim
e aquele que esperamos
na tolice de merecemos.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Psicotrópico

Tu estás chorando muito,
toma um remédio para acalmar.
Não é mágica, no entanto
pode te ajudar a se controlar.

Nunca!

Prefiro me afogar em lágrimas
purgar todo meu veneno
do que depender de pílulas
para ter instante sereno.

Se sou eu que tenho que me ajudar,
pode deixar, eu me viro,
o meu fogo só vai apagar
no meu último suspiro.

Não vou deixar que nada
mexa com a minha mente, minhas memórias;
que me deixe “desligada”
das dores necessárias.

Eu conheço cada um dos meus demônios
então mesmo no fundo do poço
hei de acalmar o pandemônio
porque meus sonhos sempre serão o maior esboço.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Algumas pessoas vêm e vão simplesmente porque é assim que tem que ser, por mais que doa. Elas não ficariam mesmo; pelo menos não fisicamente, embora permaneçam em memória. Com outros, é diferente. Precisamos é resgatar e saber manter os nossos laços… Trazer aquele alguém de volta com o cuidado certo e também plantar em conjunto as raízes daquelas relações que não murcharam ainda.

domingo, 18 de setembro de 2016

Hoje me olhei ao espelho e não me reconheci. 
Que homem é esse? 
Prestei atenção em meu próprio rosto e olhos 
e o que vi foi assustador. 
Vi minha alma. A escuridão da minha alma.

sábado, 17 de setembro de 2016

A:Tem tanta escuridão dentro de mim... Eu tenho medo. Ela não te assusta?
B:Não, porque eu também tenho a minha.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O presente

Dá-me flores,
ou melhor ainda,
sementes para o jardim
do meu coração.

Dá-me buquês de versos,
pois eles nunca murcham.
Se não os tiver,
tua mão vazia
cheia de carinho
e teu amor
terão um lugar
onde repousar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Sem óculos

Foi a minha miopia
que me fez te olhar,
foi a visão embaçada
que me fez te enxergar.

Eu não tenho mais medo,
aquilo já não dói mais...

Obrigada por me amar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Costura

Temos sorte.

Eu conheço tua poesia,
tu, a minha,
qualquer coisa vira verso
por acidente ou não.

As histórias se misturam
e as tuas estrofes
geram as minhas...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Saudade

Os cheiros
e gostos
têm memória.

Têm saudade,
muita saudade.

A saudade daquilo
que somos, fomos
e poderíamos ser.

Daquilo que
nossos corações
chamam de lar.

Letícia B. Silva e Yurgen Maas

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As mesmas razões

O sol voltou a brilhar.
Por acaso abri a porta
e olhei para fora...

Ele me mostrou
que as coisas ainda
são como são.

O céu ainda é azul,
a rosa do vizinho
ainda é branca,
o mundo ainda é grande,
meu coração ainda bate.

Posso voltar a sorrir, então.

domingo, 11 de setembro de 2016

Braille

Na minha cegueira
de amor
as pontas dos meus dedos
devagarinho,
com carinho leem
a poesia contida
em teus pontos,
relevos,
em cada célula tua.

sábado, 10 de setembro de 2016

Escrito na cinza

A poesia
nasce e morre
na dor.

Nasce na beleza,
morre no absurdo…
E renasce na luta
dos inconformados.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Andar errante

Nunca andei,
não de verdade.

Nunca consegui
andar para trás.

Será um sinal
de que minha paz
fica logo em frente?

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Mario Quintana

Meu poeta favorito
escrevia tão melhor que eu...

Fazia poeminho
até sem papel e tinta
e seus sons eram e são
os pássaros da manhã.

Meu verso é tão simplista,
talvez porque a vida
seja em si linda e complicada demais...

Mas tanto faz.
Eu também sei que a vida
sem poesia e amor é mais vazia
e que as ruas
também sentem medo.

Dois tolos
que escrevem uns versos,
conseguem umas rimas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Vamos embora, pequena

Numa tarde de janeiro
ele me levou dali
porque ninguém mais entenderia
aquelas verdades.

Ele me levou dali
porque o vento quente
me secaria as lágrimas
e sopraria nossas palavras.

Ele me levou dali
porque os bancos de praça
são colos de mãe
para os poetas de boteco.

Ele me levou dali
porque o silêncio da rua barulhenta
é também o nosso
e acolhe a solidão dividida.

Ele me levou dali
porque eu me desculpava
por sempre me desculpar
e por chorar.

Ele me levou dali
porque nos entendemos bem
e ainda melhor quando
somos só os dois.

Ele me levou dali
e me deu coragem
de finalmente vê-lo
e enxergá-lo.

Ele me levou dali
porque eu já vivo presa demais
em mim mesma
e anseio por paz de espírito.

Ele me levou dali
e eu ouvi,
silenciei,
compreendi também.

Ele me levou dali
e por umas horas eu estive em casa;
espero ter voltado pro mundo cruel
alguém melhor.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Verborragia

Deixe-me falar
do amor,
da raiva,
do simples,
do complicado.

Deixe-me falar
do sujo,
do limpo,
do bonito,
do feio.

Deixe-me falar
do interessante,
do entediante,
em metáforas,
ou curto e grosso.

Deixe-me falar
do que deu certo
ou errado,
da dor,
da alegria.

A mesma boca
que sussurra poesia
também sabe gritar palavrão;
nem a alma mais bravia
escapa da podridão.

"A boca fala
do que o coração
está cheio..."

O meu
vive cheio
de tudo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

domingo, 4 de setembro de 2016

Tento sempre manter a esperança 
de que neste novo dia eu encontre 
mais um pretexto 
para acreditar no mundo e nas pessoas.

sábado, 3 de setembro de 2016

Tudo o que tenho

Eu te ofereço
o meu melhor
e o pior
para não esquecer
que o melhor existe.

É tão fácil
amar certas pessoas...
Que a minha frieza
não te congele.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Besta enjaulada

Calma, coração!

Não se deixe
envelhecer,
não se deixe
endurecer,
não se deixe
entristecer.

Não se permita
parar de sonhar,
porque o mundo
te pertence.

Calma, coração!

Não ouse esquecer
o que é ser criança
ou o que o amor
pode fazer.
Nem a esperança
que te faz acreditar
que você pode
ser o que quiser.

Calma, coração!

Não perca a paciência
porque tudo acontece
a seu tempo
nem a resistência
de correr atrás
porque nada cai do céu.

Calma, coração!

Tu ainda tens tempo
e um dia ainda vais
te sentir livre,
sereno e limpo,
porque nada mais
vai te faltar…

terça-feira, 30 de agosto de 2016

14/06/2011

Eu definitivamente não
entendo este meu coração.
Sempre digo para ele
se dar valor e
gostar de quem
gosta dele,
mas é muito difícil.
Não aguento mais não ser
correspondida e ser
assim com outras
pessoas também.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Acho que o que me trouxe a depressão
foi tudo o que passei a enxergar;
tudo o que eu passei a admitir;
tudo o que eu passei a conhecer.
E era só o começo.
E isso me fez sentir tanto medo…

domingo, 28 de agosto de 2016

26/07/2011

Não corra atrás do amor. Ele pode se 
assustar e fugir. Busque-o, 
mas deixe-o vir. 
Espere. 
Ele pode acontecer 
quando você 
menos imaginar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Tudo o que eu preciso é de uma 
chance para viver de verdade 
e parar de me sentir presa.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O meu caminho incerto

Não importa
para onde
eu vá
depois daqui...

Contanto que
seja um
caminho meu,
só meu...

Não me
importarei com
os espinhos
ou pedras.

Eu saberei
o que
fazer,
eu aprenderei...

Aos poucos
as coisas
se encaixarão,
farão sentido...

Pode ser que
o que faço
hoje ainda seja
a minha vida
nas mãos
de outros...

Mas é
um começo,
o melhor
que tenho.

Mas hei
de escrever
o final!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

(In)solidez

As coisas
que podem
ser medidas
me parecem
as mais abstratas.

Aquilo que
não se
pode tocar
me é
bem mais visível...

domingo, 21 de agosto de 2016

Quando toda esta dor acabar, 
é provável que eu não seja 
exatamente feliz. Mas com certeza 
serei MAIS feliz.

sábado, 20 de agosto de 2016

Ler, para mim, é mais que um escapismo, uma mera forma de ocupar a cabeça. A literatura me ajuda a me enxergar melhor. Às vezes pode ser que o espelho esteja um pouco embaçado, mas ele sempre mostrará alguma coisa, mesmo que pequena. Os anos me ensinaram a ver os pormenores das palavras, o que posso tirar delas. Porque é nas entrelinhas que residem os significados.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Só ele sabe o quanto é importante para mim que eu enfrente meus demônios e este, com certeza, é um dos maiores. Ainda preciso pensar em como fazê-lo, mas não custa tentar. Só ele sabe o quanto isso dói e não me julga.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Haras e Leinad - Ato 2

O homem
em mim,
minha mente.
A menina
em mim,
meu coração.

Retalhos
do que sou.
Pedaços
do que seria.
Partes
do que fui.
Eles têm
mais certezas
do que
jamais possuirei;
mais sonhos
do que
sequer imaginei...

Menino
e menina
que cresceram
rápido demais,
assim como
eu.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Haras e Leinad - Ato I

Homem que
sabe sorrir
como menino;
menina que
tem coragem
de mulher.

Duas pessoas
em si mesmas,
mas que representam
apenas uma;
minhas metades
e alter egos.

Cada uma
num canto,
porém juntas
no fim,
como poesia
e prosa.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Saudade

Os cheiros
e gostos
têm memória.

Têm saudade,
muita saudade.

A saudade daquilo
que somos, fomos
e poderíamos ser.

Daquilo que
nossos corações
chamam de lar.

- Letícia B. Silva e Yurgen Maas

domingo, 14 de agosto de 2016

12 de janeiro de 2015

Além de me sentir culpada por causa das coisas ruins que me acontecem, me sinto muito ansiosa e neurótica. Sinto uma coisinha e já penso em besteiras. Estou muito irritada.

Por conta da minha situação de filha única, nem que eu quisesse teria em quem botar a culpa sobre muita coisa. Questões como responsabilidade e outras que teoricamente os pais nos ensinam por conversas e exemplos, aprendi sozinha, só observando o que acontece com os outros. É como se meu código fosse “tudo tem uma consequência boa ou ruim; lide com ela e vire-se”.

É complicado quando põe em ti uma coisa que não é tua… mas pior ainda é se sentir culpado, porque nem tudo está sob meu controle. A vida que tenho me fez amadurecer muito cedo; ao mesmo tempo não sei lidar com muitas coisas por elas serem novas para mim. Por isso, ultimamente qualquer coisinha tem me deixado louca. Estou pirando por coisas que não me assustavam. Pelo menos, não ainda.

Ele tem razão quando diz que não posso me deixar dominar…

Mesmo que logicamente não se possa conversar muito com os pais, no fundo tive que aprender a me virar sozinha e guardar as coisas para mim, como eles o fazem, porque nenhum dos dois nunca foi de conversar e querer saber como eu me sentia de verdade. Por isso, se digo hoje alguma coisa do gênero para minha mãe, lá vem ela com um “para com isso, neurótica”.

Talvez eu esteja mesmo sendo neurótica, mas é muito difícil de controlar!

Se falo em sintomas físicos, que na maioria das vezes acabo exagerando, ela sempre ri da minha cara. Não me ajuda nada sendo assim; ela sabe que estou estressada.

Ou pelo menos, eu tento fazer ela saber.

Claro que muitos dos meus sintomas físicos, principalmente agora, tem origem no estresse. Como por exemplo queda de cabelo e unhas ruins. Talvez algumas de minhas dores físicas também, muitas devido à falta de exercícios. Algumas vêm de antes desta paranoia, voltando agora e estão me assustando além do necessário, me fazendo pensar que podem ser algo grave; como a dor no tornozelo que tenho a cada dois séculos que quando volta me faz perder a cabeça.

Sei que é tudo coisa da minha cabeça e talvez isso me console… Mas presto bastante atenção à dor, exagerando sua causa e consequência.

Como apalpar o pé do tornozelo que dói, com medo de que possa ficar frouxo e eu não consiga pisar. Ainda bem que tenho me esforçado para não fazer mais isso. Ele tem razão quando me diz que isso só aumenta o problema. Claro que eu devia ter falado com alguém sobre meu tornozelo, mas tenho isso só muito de vez em quando e há muito tempo sem motivo aparente, o que nunca me incomodou de verdade… até agora. Não deve ser nada grave, é só falta de atividade. Sou só eu enlouquecendo.

Tenho que me lembrar de averiguar meu corpo de modo geral (e neste caso nunca lembrei de fazê-lo por haverem coisas maiores na frente e nunca dei bola), mas POR QUE DIABOS ESTOU ENLOUQUECENDO POR QUALQUER COISINHA? Ele acha que posso estar desviando alguma questão maior para as menores, como estresse ou sofrimento. Talvez esteja certo.

Tenho vontade de chorar quase o tempo todo. Dessas que vem lá do fundo e a gente engole. A primeira vez que falei tudo isso com tanta franqueza foi pra ele, numa dessas muitas madrugadas insones. Estou basicamente transcrevendo. Na época eu já deveria estar na cama enquanto o fazia, mas como minha avó estava hospedada aqui em casa, a tensão andava bem grande e de qualquer forma eu me sentia meio desconfortável.

Naquele contexto, pelo menos na sala eu ficava sozinha e podia chorar com alguma privacidade…
Na época eu me mudaria para Santa Maria e isso pode ter me dado sensações de desconforto que sinto até hoje, mesmo sendo Porto Alegre. Quero poder conversar sobre tudo isso com um profissional o mais rápido que puder. Não quero ter uma depressão das brabas. Não sei como isso começou; sempre fui estressada, mas ultimamente tudo tem sido muito difícil.

Só não quero enlouquecer. Tem o fato de eu não conseguir acalmar o meu cérebro, com essa insônia, e me pegar pensando na morte, sendo que nada disso faz sentido ou é benéfico para mim. É como se eu estivesse dividida e uma parte quisesse detonar com tudo, exagerando as coisas e vendo o lado ruim; mesmo eu sendo em geral racionalmente positiva. Não consigo controlar ver isso em mim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Por mais que você tente
encontrar o homem perfeito,
nunca vai conseguir, pois
a perfeição é almejada por todos e inalcançável
em igual proporção.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A esperança

Sei que sou uma menina comum, que gosta de escrever. Alguém que aprendeu a valorizar as coisas simples da vida, e que não esquece dos próprios sonhos. Me conforta saber que, apesar de meus tantos defeitos, existem pessoas que me aceitam como eu sou, como por exemplo minhas amigas, e que posso contar com elas pra qualquer coisa.
Também me conforta saber que outras pessoas passam pelas mesmas coisas que eu. Afinal, mesmo quando tu pensas que está sozinho (a), sempre tem alguém verdadeiro no mundo, mesmo que seja raro. Por isso, não perca a esperança no amanhã!

domingo, 7 de agosto de 2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A maior prova da
intimidade de um
casal é que ambos compartilhem
suas vidas sem invadirem
o espaço um do outro.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Não importa quantas nem quais
as dúvidas presentes
em seu coração. Mais cedo
ou mais tarde as
respostas chegam.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Nunca sofra por antecipação, 
paciência é uma virtude.
Apenas espere pelo futuro,
mas nunca desista dos seus sonhos.
Corra atrás deles. Sonhar e errar
são atitudes humanas,
dadas pelos deuses para
que sejamos únicos.

domingo, 31 de julho de 2016

sábado, 30 de julho de 2016

sexta-feira, 29 de julho de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Carta ao menino que dormia embaixo da escada

Pois é meu guri, o tempo passou, pra ti e pra mim também. Tu cresceste e eu cresci também. Desde que eu era bem pequena, tu esteves presente na minha vida; hoje és um homem e eu quase uma mulher. Éramos crianças e sabíamos pouco sobre a vida lá fora, mas hoje já não é mais assim.
Eu sei quem eu sou, e se não sei, sei quem posso ser um dia; tu já sabes quem és e com certeza tem orgulho disso. Em meio a toda a magia com que convives todos os dias e pude acompanhar, com o passar do tempo entendi que tem muito mais, e isso tudo é muito importante pra mim.
Certa vez, quando Dumbledore e Minerva te deixaram ainda tão pequeno na soleira do nº 4, ele disse que um dia todos saberiam quem és. E hoje todos sabem. Muitos, como eu, hoje entendem teu exemplo de amor e coragem e tentam segui-lo; quem dera se todos fossem assim. Henrique, o tempo pode passar, mas sempre irei lembrar com carinho do que me ensinaste e do quanto fizeste minha infância feliz.
A magia nunca acaba se vive dentro de nós. Eu nunca vou te deixar, nunca vou te deixar ir embora da minha vida! Meus filhos um dia conhecerão O Menino que sobreviveu e vão saber o quanto fui feliz por ter te conhecido, já que crescemos juntos. Obrigada por tudo, meu anjo. Seja feliz porque tu mereces.

Letícia Bolzon Silva

terça-feira, 26 de julho de 2016

Se você não me
aceita como sou, não posso
fazer nada. Se eu mudar,
não vai ser pra te agradar.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Eu vou achar meu caminho. 
Só me dê espaço e 
não faça perguntas. 
Deixe-me fazer as coisas 
do meu jeito.

sábado, 23 de julho de 2016

Cansada

Estou cansada de ir aos mesmos lugares, ver as mesmas pessoas, ouvir as mesmas palavras, de fazer as mesmas coisas… estou cansada de um monte de coisas!
De ter que fingir ser algo que não sou por causa do que os outros vão pensar (apesar de não me importar de fato com isso), de por causa disso e outros motivos não poder dizer o que realmente penso sobre coisas que me incomodam. É difícil ter que conviver todos os dias com a hipocrisia das pessoas obsoletas de pessoas que se acham superiores, quando na verdade não são absolutamente nada; tão comuns e insignificantes quanto eu…
Eles podem encher o peito e a boca para dizer que sabem tudo sobre mim, mas na verdade só quem me conhece de verdade sou eu! Eles não sabem nem metade da minha vida, que é o que de fato se passa na minha cabeça.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

terça-feira, 19 de julho de 2016

segunda-feira, 18 de julho de 2016

domingo, 17 de julho de 2016

Prisão

Não caibo
mais dentro
desta casa…

Muito menos
dentro de
mim, dos
meus pensamentos.

A fera
que vive
no meu coração
anseia por liberdade.

sábado, 16 de julho de 2016

Não me espanta que eu escreva sobre as mesmas coisas nos últimos tempos. Os ciclos continuam os mesmos, o cerne da minha dor permanece do mesmo jeito, no mesmo lugar. Mas eu espero ser forte para não perder a paciência, muito menos deixar de lutar para que isso termine.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Eu não suportaria perder você, de jeito nenhum; os deuses não seriam assim tão injustos comigo. Eu esperei pela tua amizade por uma vida inteira! Por isso, a tua tristeza é a minha tristeza e alegria também. Não deixe ninguém te dizer que você não é capaz. Por favor, não me abandone! Se você cair, eu vou te levantar como você faz comigo com apenas um sorriso, todos os dias. Você não está sozinho; eu estou bem ao teu lado.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Quando é que você vai parar de duvidar de mim me diminuindo tanto, e entender que quando eu quero uma coisa, vou atrás e consigo? Quando é que você vai se importar de verdade com os meu sentimentos? Será que você só vai me dar o devido valor por todos os meus esforços quando eu já não estiver mais aqui? Se for assim mesmo, é triste demais.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Se você não me aceita
do jeito que eu sou,
eu não posso fazer nada.
Se eu mudar, não vai ser
para te agradar.

sábado, 9 de julho de 2016

Quando recebemos uma
segunda chance
na vida, temos outra
oportunidade de
mostrar quem somos.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Ser corajoso não significa
não ter medo. Significa
assumi-los e enfrentá-los por
um bem maior.

terça-feira, 5 de julho de 2016

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Não quero ser um exemplo de vida para ninguém. Mas tenho em mim o desejo de mostrar aos filhos que os deuses me derem, o valores mais importantes, para que a sociedade seja menos hipócrita e exista mais igualdade entre os homens.

domingo, 3 de julho de 2016

sexta-feira, 1 de julho de 2016

quinta-feira, 30 de junho de 2016

My companion - Fanfiction

Everything that’s happened in the last few days made Victor think through his deeds. Perhaps he was indeed a sexist and also had been too hard on Henry by throwing truths at his face that must have hardened his heart with anger and sarcasm. He wanted to apologize and, if possible, start over with him.

After finding the adress of Lord Jekyll’s estate, he knocked at the door and was welcomed by a butler that reminded him of Sembene. Victor was told to wait for a bit and by the time he was kept standing at the doorstep, Henry seemed to have deliberated for quite a while before letting him in. Victor walked through a hallway in whose walls hanged paintings of landscapes in India, a full-body-half-profile portrait of Henry and another of a beautiful woman of oriental features who wore a colorful party gown before arriving at the office from where he could hear Henry’s voice in whispers.

By approaching the door, he saw a Henry bent over a desk before piles of paper with a pen on his hand raise his gaze towards him... A shadow of a smile passed through Henry’s face, but once he noticed his own escapade, he closed his expression, making the lines of age of his forehead show. Everything in the new lord’s body language indicated he was already a master of his domain and Victor couldn’t help but think he liked to notice that, deep down.

- Dr. Frankenstein... I see you wanted to know my new home. You couldn’t help yourself after the news I’ve told you at Bedlam. - whispered Henry, sitting straight at the high-backed chair.

- It’s really a beautiful estate and you seem to be taking good care of it. I’m glad for you, truly. - Victor clutched the coat he carried over his arm against his body and moved cautiously towards Henry, who crossed a leg over the other and followed him with fiery eyes.

- Are you afraid of me, old man? - asked Henry when Victor grabbed himself a chair and sat before him. The other denied with his head, but it didn’t convince him. After a few seconds, Henry stood up in a single move, went to the double door and closed it behind him, leaning his back against it.

- No, I’m not. I came here to speak to you. I’ve been thinking of some things... In truth, I’m afraid we cease to be friends due to my last deeds and I’m sorry for it.

Henry slowly pushed himself away from the door and squinted his brown eyes.

- Ah, so now you think of my friendship for itself, after fetching for me with hidden agenda, getting in the way of my research to achieve your own ends rocking the results at my face like a glass of water in front of a thirsty man, judging me for wanting that for myself, although using it to shape a woman into your liking.

- It’s not my right or anyone else’s to interfere in one’s pain. Now I see that I could neither do that to Lily nor let you do it to yourself. Days ago you’ve told me we’re all both light and dark... As complicated and scary as it is, we cannot hold our pain against others or deny it for what it really is: part of who we are.

 - But I still can interfere in my own! - shouted Henry when he approached Victor. - And it’s too late for you to stop me; I’ve been using your method with my serum upon myself since the last time we spoke. It was the only way I could handle myself, even more so because even you are condescendant with my issues, have no idea how hard it is for me and also step on me like a bug just like all others.

Henry took a glass with a furious and trembling hand, trying to keep the other as steady as possible while getting the water jar to fill it. Frankenstein shifted nervously on his chair with his heart sped up with nervousness. He’s never seen such anger in his friend’s eyes and it looked like it has just begun. Henry looked like another man.

- You’re mad! What are you doing? What are you talking about? You look so different...

- I was mad when I thought that with the years you’d see your wrongdoing and would do some justice to the efforts I’ve done for you so as to never forget my own goodness! How many times have I pulled you out of the mud and cleaned your veins of the cocaine, ignoring your insults? I want to care for you and by consequence help myself, but all I recieve in return is someone who can only bring me down, you inconsequent racist!

Henry drank the water, but it certainly couldn’t calm him down. The young man closed his grasp around the glass and when he made a sudden move so as to put it back on the table, it shattered, cutting a few of his fingers. Victor motioned as one would to check what happened, but Henry turned away and took care of the wound himself.

- But... I had no idea! Henry... I... - Victor threw himself back to his seat as if he were tired.

When he raised his eyes, Victor heard Henry breathe with effort and suddenly his appearence began to change. He seemed to shrink, for his clothes folded over and looked loose in his body; his hair went frizzy, his handsome face got hollow and scary with saggy skin, his teeth usually impeccable looked rotten by the dacays. He looked older and crueler. Victor called out for Henry but a laugh was all he was given.

- Not Henry... Edward Hyde now, and you shall pay! - the creature within Henry’s clothes took a hot fireplace poker and pointed it towards Victor’s neck.

- But what... Henry would never hurt me! Where is he? - Victor felt tears over his eyes when the heat from the poker touched his face.

- Unavailable at the moment, old man. And part of the blame goes to you.

- Please, Henry, I know you can hear me. Whoever this thing is, I can help you deal with it. I’ve seen something similar happen to a friend. I know you don’t want to do this. I sincerely thank you for saving my life once more and ask for your forgiveness. I’ll never hurt you in that way again, I swear! - Victor moved his hand towards the one of Hyde’s wich held the glowing poker.

The part of Henry that was opposite of Hyde, both being inhabitants of the same body pretty much literally, didn’t want to get carried away by Frankenstein’s words, they seemed too good to be true... The resentment he had for the other felt strong enough and Hyde would’ve settled the scores very soon...

If Henry had not allowed himself to believe in them. Although he deep down only accepted to get into Victor’s absurd game because he missed his old mate and wanted his attention and then thought he was a coward for not going through with Lily and the serum, Henry still hoped things could be as they were; that Victor would treat him better after all and get to see what’s been obvious in his eyes for all these years. Henry loved Victor the same way Victor thought he loved Lily.

Henry’s expression changed a bit, as though he were feeling some sort of deep pain. He moaned and his eyes popped; slowly his face started to go back to normal, as did his posture... The fright made Henry drop the poker on the floor and turn his back on Victor so as to unable the other to see him change and mostly cry.

- Henry, look at me. - said Victor quietly, breaking the overwhelming silence. He got up and stretched a hand to touch Henry’s shoulder

- I am so sorry, old boy... I’m scared! - Henry turned back to face Victor and clinged to his touch.

 - I know, Henry. But we’ll figure it out, eventually. - Victor made the other sit down and gave him some water, crouching down before him.

Victor saw Henry take one of his hands into both of his, looking him straight in the eyes with an intensity and tenderness never seen before. F.’s known those eyes for a long time and at that moment there was something that stopped him from breaking the contact. As though they were black holes whose gravity made him fall into them with no fear.

- Victor... Perhaps I am making a mess of everything, perhaps I am really mad for seeing things where there is nothing, but even if so I feel them and they already make it worth it for what they make me feel and remember, even if I don’t have it back. They remind me that despite my wrath, my darkness, I can still love and be gentle, care for another person as I loved and tried to take care of my mother and love myself. Aside from everything you do to hurt me. I must be freed of this, talk about this.

“For years I’ve been trying to squeeze into a little corner of my heart something that is much bigger than me that hasn’t changed despite all, being always here... That’s never given me calm or peace and that only strengthened after we’ve met again, for I could see you once more, reliving my hopes. We don’t choose these things, old man. What I’ve carried within me all this time is the hope that not only you are able to see the times when you mistreat me, which I know you can do, for all our history together. I know that you can be sweet, generous and kind when you want to...

“But also the sincere wish that you notice what I’ve been trying to deny and supress, but that today I know is written all over my eyes, my face right now. Something that does me as much good as your company or the memory of you at school with me, reading poems with great passion at night so as to help sleep after fighting the bullies and as bad as the same offenses coming from you or your arrogance...

“What you saw minutes ago is complicated, but what kept my fury from killing you was... The fact that I love you. I love you, Victor, that’s exactly what you heard. I love you, although your deeds don’t make you worthy of my love in theory. Because it’s not about deserving; I offer you my love freely because I want to and because I know you want to be loved.

Henry’s tone made Victor feel he referred to something more, something that went beyond what they already had.

- Please, Victor. Say something... Take me out of this misery, I cannot handle it anymore... - Henry ran a hand through Frankenstein’s face, resting it over his neck. He felt Victor’s pulse speed up from under his fingertips.

The craving for physical contact and some sort of response from Victor made Henry stop caring about the consequences. He brought the other’s face closer to his, whispering a shaky “I need you”. Victor didn’t seem to marvel at the attitude and surprisingly let himself go; he shifted on the floor to stand on his knees for a metter of comfort. Henry leaned his cheek against one of Victor’s, depositing little tear-tasted kisses; kisses that tasted like the tears from both of them, which were so soft that barely dared to touch him.

- Do you remember, old boy? Of that daybreak when the hooka’s smoke had the opposite effect and ourged our greatest truths from us? I haven’t forgotten... But what about you? - Henry turned his face over so as to whisper towards Victor’s mouth before kissing it with the sensual and yet tender thirst with which a hummingbird tackles princess earrings. Henry’s breath was fresh like summer rain.

Victor let himself be kissed; it felt so sweet, so comfortable, so familiar that, although he went breathless, he noticed his own hands were tangled in Henry’s hair and that he responded to the gesture with as much intensity. Victor himself felt that not even when he gave in to Lily the sensation was the same as now... Or as in the day Henry spoke of. It felt better, much better. Nothing could make him push Henry away, even if he tried or wanted to.

- I remember... Henry. - whimpered Victor when they set apart for a milimiter. He heard a cuckle come from Henry’s chest. - But I didn’t know that...

- Open your eyes, Victor. I’m the one who’s always wanted you. And you love me too. Or are you denying what’s happening? - Henry’s tone was that of someone who’s laughing as they speak; which was true, for he tried to swallow a laugh as he grabbed F by the waist again.

- I get so worried in being someone unshakable, who’s got control over everything, that I don’t know how to acknoledge my ephemeral parts. The poets did that for me, it was easier. - Victor took a deep breath, feeling Henry’s cologne run through his lungs. He looked like a small child in Henry’s arms. - I entered med school because I felt empty since my mother’s death; I wanted to spare others of such pain so badly and was so drowned in my own sorrow that I couldn’t admit to myself that you brought me that life.

“The truth is that I’ve always been afraid of confessing I was attracted to you. Despite everything you’ve suffered and suffer even from me, which I’m deeply sorry for, you’ve always fought to stand your ground, to be recognized and well-treated. Such  humble posture, and yet as righteous and haughty as a king’s; I’ve always found it beautiful. Even those who always humiliated you for your color couldn’t deny that. And also because you are... A very handsome man. You’re beautiful, Henry.

For a second, Henry thought he would hear Victor say something like “for a wog”, but a weight slipped out of his chest when nothing else was spoken. Henry wanted very much to believe Victor was being honest, just like he was. Henry loved him and hoped all of that was a proof Victor would retribute his love and patience.

- Thank you, old man. Likewise. - Henry felt his face blush and held Victor tighter. - I love you.

- I love you too, Henry. Forgive me for everything, I’m really sorry.

- If I hadn’t forgiven you, you’d be dead already. - Henry looked away, but quickly changed the subject. - If this is what it is... Will you stay with me for the night?

- Henry! I... What do you mean?

- Come on, you fool. Are we together or not? Was all this for nothing, like smoke in the wind?

- We are together, yes. I want to be with you. But are you sure that me moving in is wise? There’s my lab at the boarding house, all my things... What will the others think of this? You built yourself a reputation at Harley Street and...

- For God’s sake, Frankenstein! I’ll find a way later. How I hate that bunch of hypocrites! But I won’t let you live any longer in that slum smaller than a pilchard’s tin. I’ll send for your things right away; from now on, if you so desire, this is your home as well. The lab I have here is tremendous, we can share its space without trouble. Do you want it?

Victor’s eyes sparkled; his body language and way of speaking were the same as when he talked about Lily at Bedlam. But now it was because of Henry and he couldn’t help but love that.

- I do! I want it, old man. You know what? I just found out that a few friends of mine are spending a season in Cairo, at another friends’ who’s living there now. I’d love you to meet them some day... We can wait for their return and have a tea together....

- So you have other friends aside from me now, huh? HAHAHAHAHA I’m joking, Victor, that’s excellent. I can’t wait. By coincidence or not, my boss at Harley Street told me I could take leave for a while if I want to. We can get aboard tomorrow. But I doubt you can handle the heat of the desert.

- Go on, mock me. I want to go there to introduce you to them, as my old college mate and...

- But now I’m more than that, am I not, old boy? - Henry’s face was frowned, his voice sibilant, but firm.

- Yes, you are. You are my companion.

Henry noticed the euphemism but chose to remain silent for now. Victor was with him, it was all that mattered.