Me deixa chorar pelo que eu perdi e pelo que eu posso perder. Me deixa não me arrepender de absolutamente tudo o que digo. Me deixa escolher, cometer erros e aprender com isso. Me deixa ser desagradável. Me deixa pensar no que é certo para mim. Me deixa rir e chorar pelo que eu acho lindo e que enche meu coração. Me deixa permanecer menina. Me deixa virar mulher.
Me deixa entender como amar e ser amada, como desejar e ser desejada. Me deixa questionar o que é bom e o que é ruim. Me deixa ter medo e permanecer apesar dele. Me deixa mudar de cabelo, de roupa, de ideia, talvez até de país. Me deixa ir embora de onde eu não caibo e ficar com aquilo que é realmente meu. Me deixa viver não só na mente e no espírito mas também com todo o meu corpo.
Me deixa ter ciúme de todas as coisas que eu nunca tive e nunca poderei ter. Ter saudade do que quase esteve nas minhas mãos. Me deixa desfrutar da pouca autonomia que possuo. Me deixa botar para fora a raiva que defende tudo aquilo que é importante para mim. Me deixa entender e praticar a gentileza genuína. Me deixa acreditar na pureza e verdade de todos os meus sentimentos e emoções.
Me deixa ser como todo mundo, mesmo sabendo que, de muitas formas, isso nunca vai ser possível. Me deixa encontrar significado tanto na flor quanto na floresta e beleza no cinza que vive entre o preto e o branco. Me deixa respeitar minhas necessidades e vontades e honrar as partes de mim que não são tão bonitas assim. Me deixa não só reconhecer, mas absorver os paradoxos e feiuras que eu carrego.
Faz o que quiser comigo. Mas não tira de mim o que me faz humana.
24/10/2026