terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lembrança amada

Acho que sei do amor
talvez mais que bastante
para entender do esplendor
que sabe reinar pulsante.

Que insiste e aqui fica
como fera sorrateira
olhando de canto, pela beira
em fingimento de moça pudica.

E assim eu consigo lhe escrever
por memória do seu calor
apesar de hoje já não arder
na Pessoa deste fingidor.

30/12/2017

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Naughty girl

Evil
just like the one I dared to learn
might not be as apart from good
as if it wasn't both right and concern -
how pretty is the snake in my boot!
Knowledge is power, knowledge is lethal.

29/12/2017

domingo, 14 de janeiro de 2018

Onde pecadores vêm brincar

Era perigoso, era lindo, era ancestral, era cru. Não era um dia qualquer e nele não aconteceria uma coisa qualquer. Naquele pôr-de-sol seria celebrado o velho por meio do novo relembrando-se rituais tão velhos quanto o tempo, e o melhor de tudo, testemunhado e vivido entre irmãos e irmãs gêmeos em ofício, amor e espírito.

Uma família reunida no acaso do mesmo pingo de tinta manchando páginas de verso e prosa que um dia estiveram a quilômetros de distância.

Vinho em honra ao convidado mais especial que logo chegaria. Flores e os sons e silêncios do pequeno bosque pontuado aqui e ali por lamparinas que logo seriam acesas por aquela que era muito da causa daquilo tudo e que naquele dia se prestava como Sacerdotisa da cerimônia.

Chegada a hora, quando um determinado raio de sol toca o cálice sobre o altar, começa o cortejo. Meninos, meninas, homens, mulheres cuja idade na verdade pouco importa, de rostos e origens que não poderiam ser mais diferentes. A bela moça não consegue não sorrir ao levantar a cabeça e ver tantos companheiros reunidos para algo tão especial.

N. vinha radiante na selvageria de seu cabelo crespo conduzida pelo braço firme e orgulhoso de A., talvez o membro mais velho daquela irmandade; que por força de hábito enxergava principalmente cada uma daquelas jovens mulheres como suas filhas, das quais cuidar e com que se preocupar. N. sorria para ele de modo a tranquilizá-lo de seu nervosismo e medo de fazer algo que pudesse ser mal-interpretado ou que estragasse o momento.

F., a outra metade do casal, vinha logo atrás, acompanhada por S. que carregava as alianças com alegria e pela moça conhecida como Fishroll em sua promessa de proferir ardente discurso e propôr o brinde final antes da esperada festa. Atrás deles vinha o resto dos membros que puderam comparecer; aos poucos estes se acomodavam em cadeiras dispostas em semi-círculo frente ao pequeno altar.

Sendo abençoadas por L. com incenso e posicionadas no círculo traçado pela mesma com um punhal consagrado, N. e F. ouvem a mesma pedir por atenção, carinho e proteção dos velhos deuses para que sua vida juntas seja feliz, harmoniosa e produtiva e logo depois fazem os votos, com as mãos unidas por uma larga faixa de tecido, de unirem-se amorosamente de todas as formas que os deuses e o destino acharem conveniente.

Após a troca de anéis e a consagração de um pouco de vinho para a terra, Fishroll puxou o grande brinde e salva de palmas, bem como o texto preparado como discurso. Muitos dos que estavam ali já sabiam mais ou menos do que ele trataria, mas mesmo assim mal podiam esperar para ouvir as palavras da boca da poetisa surrealista do grupo. Ela própria se deleitava na pompa e expectativa que aquilo gerava.

A. aproximou-se para dar um beijo no topo das cabeças de N. e F. e depois que o mesmo voltou ao seu lugar, Fishroll trocou um olhar com S., que meneou a cabeça e soltou o cabelo. O antecipado discurso se iniciou.

"Estamos aqui, nós, poetas e poetisas que ainda nos lembramos e celebramos em nossas palavras tanto que quase foi esquecido, mas que ainda é louvado e cantado nos mais inimagináveis lares. Nós que aqui nos reunimos para testemunhar e fazer parte de dois exemplos do que nos faz mais humanos e ao mesmo tempo tão primordial e poderoso quanto os deuses. Nós que no dia de hoje escolhemos provar juntos o néctar do melhor de dois mundos. Por sede e por amor.

Que o vinho que beberemos hoje honre o casal que acabou de se unir enquanto ambas se amarem. Que possamos celebrar com elas tudo o que as faz serem quem são e que as faz quererem ficar juntas; as mulheres e homens que hão de despertar nelas e em cada um de nós ainda hoje, reinando sobre todo o resto. Que cada sensação, seja visão, gosto, cheiro, toque ou ilusão se entranhe em nossas mentes e nervos para que jamais esqueçamos do que viveremos; da vez em que fomos extasiados Bacantes.

Que o prazer de simplesmente estarmos aqui se multiplique exponencialmente quando o véu entre o sagrado e profano, divino e terreno ficar tão fino quanto o tecido de nossas vestes e nossos risos e gritos e rufar de tambores ecoarem por estas árvores convidando Dionísio a nos honrar com sua presença festeira. Que nos libertemos e deixemos que nossos corpos nos mostrem aquilo de que somos capazes de sentir e fazer. Que o sangue em nossas veias pulse forte e se torne alimento olimpiano sagrado de que até mesmo eles queiram provar direto da fonte após a correta manufatura. Que morramos de amor, fome e tesão para renascermos conhecendo o que só a alguns é proporcionado."

Quando os tambores começaram a tocar ao compasso de corações e logo viraram nada mais que um zumbido, o vinho embotou os sentidos, relaxando e despindo corpos que nunca imaginariam estar ali. Tudo o que se sentia era calor e nomes e pseudônimos foram esquecidos. Sacrifício em honrosa vingança foi oferecido. Belezas que corações e olhos apenas achavam que conheciam foram apreciadas em sua plenitude. Almas que se admiravam pelo que sua tinta produzia viam e ansiavam por quadril contra quadril, lábios engolindo lábios.

O animal dentro de cada um veio à tona e com eles garras, presas, asas, bicos, patas. Rugidos e outros ruídos animalescos saíam em perfeição de bocas humanas (ou já nem tão humanas assim). Não havia certo ou errado, medo ou hesitação. Peles que já se sabiam sensíveis vibravam ao conhecer e implorar pelo indescritível que vinha de si própria e do outro. Mesmo a dor física já pouco significava.

Segredos confessados ao pé do ouvido; meninas, especialmente S., transitavam em languidez de colo em colo carregando consigo o perfume e contato de cada um deles sem questionar quem seria o próximo. Ninguém ali tinha medo da morte, das consequências ou da vida. As necessidades mais básicas daqueles organismos eram supridas por muito mais que acessos de gula.

Cada poro, pelo, defeito e espinha elogiado e adorado para quem quisesse ouvir. Palmas, quebrar de folhas sob pés que dançam sem saber por quê. A sensação de que se pode fazer o impossível, e essa mesma sensação se fazendo verdade de muitas formas na abertura e libertação de tudo aquilo que cada um tinha de mais seu e mais oculto. A conversa e visão do divino.

Beijos que pareciam mordidas, mordidas que acariciavam feito beijos. Hematomas vistos como feridas de batalha feitos por dedos, unhas e dentes manchados de sangue. O transe dos sons repetitivos, até mesmo os gemidos, e nada era o bastante. Nenhum peso era pesado demais; menos ainda sob os olhos de um deus a quem muitos paravam para brindar e postar-se aos pés. Desejos dos mais variados realizados num estalar de dedos ou num tapa com as costas da mão tão forte que quase faz desmaiar. Poções de amor com gosto de veneno escorrendo nos cantos de bocas famintas.

O tempo parecia um conceito ainda mais abstrato do que eles achavam que fosse. Por dentro e por fora eles se sentiam jovens e ao mesmo tempo velhos; como se fossem imortais e também que morreriam no próximo minuto. Passaram a conhecer uns aos outros até pelo lado avesso. Sentiam quase mais do que o corpo poderia suportar. Idiomas inventados ali mesmo que se alteravam ao prazer de quem falava e só eram entendidos por cada amante do momento como um código secreto, assim como a ressuscitação de alguns ditos como mortos.

Quando o dia amanhece e o ritual termina, tudo o que eles conseguem fazer é levantar-se dali em semi-catatonia e avisar a moça conhecida como Endy de que ela precisa recolher as cinzas da pira do sacrifício e dar um jeito de se desfazer do que não queimou. Mas eles sabiam que agora tinham ambrosia nas veias.

29/12/2017

sábado, 13 de janeiro de 2018

Is this how you repay me?

You might pretend to be made of steel,
but under my hand you're so easy to peel,
hold and bite
away from that thick dress
once we press
my day against your night.

And as I tangle
inside your angle
all your people have found
was a bloody mouth facing the ground.

27/12/2017

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Rituais

Meu ficar nos teus braços
o ocupar de novos espaços.
Meu aninhar no teu colo
o semear de sagrado solo.
Meu frágil, sensível pescoço
o lar de afago sempre moço.
Meu beijo no verso da mão
o entregar solene do coração.
Meu querer e os meus dedos
o desejo de seres cegos.
Meu gosto ainda na tua boca
o marcar de uma época.

27/12/2017

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Balada surreal

Mata-me, eu te imploro!
Mas volta e ressuscita
o que ainda resta deste ouro
ardente que nos excita...

Mata-me de amor, de espanto,
de loucura e de tesão
no zumbir do teu canto
sem sentido, mas cheio de intenção...

Não pare jamais de ser
a dona destas loucas cenas
de fazer a alma arder
sem a menor das penas...

Tira de mim os velhos por quês
que sei jamais terem respostas
a dá-me lugar, voz e vez
à beleza das horas mais mortas...

Dá-me o teu homem que se faz lobo
e a mentira do azul daquele olhar
que ainda consome em memória de fogo
e sabemos que ainda há de ficar.

26/12/2017

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Fair play

How much would you like me to pay
to get to see your smile
everyday or just for a while
like I bribe the rain for a sunray?

What is it that I should tell
this child with a hand through the hair
to convince that I do care
if your heart's being beaten or beating well?

How far do you say that I may go
to reach out and have you close
whispering raw poetry and prose
in beautiful tales of woe?

What do I do not to look
like something other than a fool
who doesn't know love's so-called rule
was written in a girl's schoolbook?

How many crossed rhymes does it take
for a place in your chest
where there is no rest
but ours at the shore of that lake?

26/12/2017

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Complexo de Quentin

Por que será que nunca usei relógio? Por que será que demorei tantos anos para aprender a ler os ponteiros e para ter noção do tempo em geral?

Será que como negação da mortalidade do meu ser? Como tentativa de lidar com o passar dos dias de forma mais pacífica? Para me dar a ilusão de que nenhum tempo foi perdido, exceto o que já é passado, e que este pode ser recuperado um dia, vivendo-se o que não foi vivido?

Será que olho pouco para os mostradores para que talvez as horas passem mais devagar e eu consiga não pensar demais? Será que os pôres-de-sol pouco me significam ou dizem quando estou com ele porque quando estamos juntos os espaços curtos se fazem casa das eternidades?

Será que lembro tão facilmente de datas por isso ser parte do meu processo de dar sentido à minha vida? Será que para me mostrar que o passado sempre estará presente, mesmo não sendo em muita coisa como eu queria que fosse?

Será que sou assim na tentativa de viver o momento?

25/12/2017

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

domingo, 7 de janeiro de 2018

julho de 2011

PODEMOS ATÉ CONSERTAR NOSSOS ERROS NO FUTURO, 
MAS NÃO PODEMOS VOLTAR NO TEMPO. NÃO SE ARREPENDA, 
ISSO TE FAZ QUEM VOCÊ É.

sábado, 6 de janeiro de 2018

29/05/2011

NÃO TE OBRIGUES A DAR RESPOSTA 
NOS MOMENTOS DE TENSÃO; 
O SILÊNCIO É A MAIOR ARMA CONTRA O INIMIGO.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

08/01/2011

NUNCA DEIXE QUE DIGAM O QUE VOCÊ PODE OU NÃO FAZER, 
PORQUE A ÚNICA PESSOA 
QUE PODE TE DAR LIMITES É VOCÊ MESMO.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

07/01/2011

VOCÊ NUNCA SABE QUANTO TEMPO 
VOCÊ TEM COM ALGUÉM, 
ENTÃO NÃO ESQUEÇA DE DIZER 
EU TE AMO ENQUANTO PODE.

domingo, 31 de dezembro de 2017

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Contemplation

I delight on the fragile,
I yearn for the most visible,
I take love for the intimate.

Delicate hands, shaky from the battle,
gentle eyes in every appraisal,
the beauty of necks of fair fate.

20/12/2017

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Blues boy

You don't really know what to do with your hands,
so you carry around the guitars
that make you feel lord of these lands,
quiet attics and old bars.

You kiss sweet everythings into the mic,
love and lust as to a woman's lips
because good scotch needs no spike
to arrive at one's fingertips.

You smile as though no one is looking,
to yourself and your own joy
and no idea of other's delight

in seeing a man become a boy
out of love for what he's doing
and all else that he still might.

20/12/2017

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Poesia ou oração?

Um tempo atrás, descobri um pouco de poesia romântica inglesa. Até aprendi alguns versos de cor. E hoje eu me pego repetindo esses mesmos versos, várias e várias vezes, em inglês.

É que eles parecem abafar ou calar os fantasmas que chegam de mansinho para gritar e me atormentar. Não sei se são as palavras em si, o modo como soam ou a voz profunda e ao mesmo tempo suave e calmante das pessoas que ouvi declamando. Mas eu as repito sem parar, como se fossem oração.

2 de setembro de 2014

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Flame

The taste of raw meat
and no intention of retreat
once I reach this holy heat
I never thought could be so sweet...

And you show me a new belief,
all high glories I can achieve
off every honest motif,
you as I reward I recieve.

Is that the fire of your soul,
this flame without control
set at the bottom of the black hole
that has swallowed me whole?

17/12/2017

domingo, 24 de dezembro de 2017

Preso a ti

Tu não escreves mais de mim, amor...
Ainda sou pelo menos memória
de dias de prazer e glória
apesar do frio e do calor?

Sabes que não te trago só dor...
Ah, se soubessem da nossa história
todos não seriam mais que escória
pensando ser perfume de flor.

Sabes que estou aqui, por onde for...
no pico de cada vitória,
a escuridão da trajetória
como teu servo e teu senhor...

15/12/2017

sábado, 23 de dezembro de 2017

Intimacy volume II

It is your eyes covered in gold,
habits ours that never grow old.
It is you, my brother, and it is a sis,
the much of ours that we miss.
It is the whispered praises, so honest,
in which I am a queen and the handsomest.
It is a crystal vessel and the very last drop of wine
in the name of what is yours and mine.
It is your hand over my hand,
for there can be peace again in this land.
It is hello and goodbye as we hold
tight on each other to kill the cold.
It is boxes filled with treats
to remind our souls of life's sweets.
It is sharing dreams and trying to decypher
what is waiting for us on the next border.
It is being Love, Little and Dear
and having you always so near.
It is a room, and you shower and you dress
right behind me and there's no mess.
It is the baring of our souls
as the sun goes out and time flows.
It is desires, hopes and wishes
renovated into patient riches.
It is pure love turned into a sacred belief
be it during scorching sun or fallen leaf.
It is the smell of all that is good and clean
from soft linen and even your skin.
It is reading between double lines
this that the world takes and defines.

09 de dezembro de 2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

I obey thy command

If a god himself invites me to his temple,
who am I to him to deny?
When are they ever this gentle
to whisper this as we pass by?

Do they mean to make us tremble
and never forget their power?
Or perhaps set us an example
of survival at the darkest hour.

08 de dezembro de 2017

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Mercy on me

He shall want me
and love me
and yearn for me -
what shall hell be without me?

When the night is so dark
even a king trembles at its touch,
is it really too much
to want to comfort and play the part?

06 de dezembro de 2017

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

05/12/2017

Qual a fronteira entre saber 
que pode fazer mais e melhor 
e conseguir não se cobrar demais?

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Petite mort

If I am to die more than once,
let it be in your arms
and the sweetest trance
from which I don't recoil -
touch that soothes all turmoil
but also alarms.

If I am to want resurrection,
let it not be his, but mine
through sheer force of attraction
at the pace of a slow dance -
did you know you taste like wine?

If I am to feel alive,
with blood inside these veins,
let it be the one that reigns
for much longer than tonight;
you here, still by my side.

03/12/2017

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Resto

O amor é desses que não tem motivo.
Quisera ser como ele,
apenas aquilo que o mundo releve.
Não sei se estou bem ou mal,
somente que estou aqui e vivo
e não me resta não ter ideal.

01/12/2017

domingo, 17 de dezembro de 2017

Me against the world

I do not think I mean
to be tough;
I guess I'd just love to seem
brave enough.

Remaining a heart still soft
and learning the ways to be kind.
Never caring about the cost
of what is for the sake of this mind.

Because it's me against the world
and I cannot simply sit and wait
until times are no longer cold;
because mine forever is this weight.

29/11/2017

sábado, 16 de dezembro de 2017

Poetic village

Out of bricks never used before
not knowing I could have so much more
my new homes are built
without a shred of guilt.

Parts that were never mine
but that are part of me -
summoners of times unspoken,
beauty I never thought I would see.

As I love my neighbour
and their shared taste of young poet
for the beautiful and cold -
freshly bold,
everything ever so raw
that can only bring awe
while burning hell hot.

19/11/2017

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

From maiden to queen

For momma I'm a good girl,
I take the laurel wreath,
I wear the flower gown.

For him I make hell's coin twirl,
I get naked and sharpen my teeth,
I wear his black cloack, I take back my crown.

With momma all is roses,
life rises to the touch of my feet,
memories are always so bright.

With him I forget the poses,
I come and embrace the pit,
I become one with the night.

Because of momma and her need
I stay and say that I'll come back
to have her heart sown.

Because of him and our greed
I love his face over my neck...
The dead better all bow down.

29/11/2017

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

1 a.m. rhymes

I know how it is to tell a lie
while you look people in the eye.
I've been there
and cannot count the times I've done that.
These windows have shown me such love
when push came to shove...
It might be just your way to keep
sight of what is there, really deep
when poured out from them closed
as though many times you told
that again and again to yourself.
Your way of presenting your world,
your darkest truth,
your longest route,
so worry not, I do believe every word
as you talk,
I know all of you comes from the heart.

28/11/2017

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Act of faith

They say there is no trick
for an old dog to learn
once it knows of thin and thick
and all the world offers to yearn.

Cut off all old ropes,
please, just let me go
as you say you love me so
feeding on foolish hopes.

So much and yet so little
of pain with which to cope
falling from this slipper slope
that can only make one brittle.

With such mercy I shall love you more -
help my blade in a clean cut
so no one can ask for a but
once they lay eyes on our gore.

18/11/2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Fim de linha

Foi tão fácil te ver com outra...
Que me magoou e esqueceu
porque eu só sou mais uma louca
com quem o azar te meteu...

A quem eu escrevi tantas rimas
talvez por gostar da ilusão
de ver em palavras tão pequeninas
o comando da linguagem da emoção...

Tão fácil sumir e fechar a boca
quando a verdade te faz procurar
em qualquer dimensão e época
aquela que pode ocupar meu lugar.

Que não mereceu nenhuma das lágrimas
já caídas e secas no chão,
todas elas tão anônimas
quanto a chuva que não cai no sertão.

Foi tão fácil levantar e seguir a vida torta
largando o que nunca foi meu -
quem ele conheceu já está morta,
queimou-se e renasceu.

26/11/2017

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Forgetful

To whom you happen to confide
such smile and daring grimace
as token of holy silence
given away in your scent...
What makes you beautifully content?

What makes you know and do
this that lovers know and do best?
Was it from the people in the west?
You just let down your hair
caring nothing for my welfare...

Would you let me look at you
and a home where to hide
these hands, cold and shaken,
which so many have forsaken
as though pain was never there?

Teach me how to live and forget
in what time and day
you get up and lay -
from the inside out
just the things you can't live without...

26/11/2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

A lover's instrument

What already sounds like a cult
needs no messing around
and is enough for me to astound
waking up from your vivid dream
in some muted scream
for which I am no adult.

Take care of what makes you say
you love me in such sensual way
so that many others get jealous
and forget where are the gallows!

Stroke me with it high and low,
I may still come to your rescue...
Who would I be if I left you
without idea of what you let grow
in nothing but a kind gesture,
the singing of a young wolf...

I mean to have it through year and year
youth and beauty seasoned from age
in an echo that is always near
within page after page.

25/11/2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

Deep digger

What is old to you
is still new to me
in the way I allow you
coming so close for me to see.

I feel like in a dimenson
where the truest kind of bond,
child of all this potential
only shows when they are not around.

24/11/2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O outro

Esses flertes que na voz de outro
viram orações de saudade
como finas correntes de ouro
mais caras que toda maldade.

Esses versos da voz do diabo
que ainda lembra do dia puro
como tempo nunca passado
mas que não pode ser futuro.

Esses sussurros cheios de luxúria
tua e nossa, sempre tão sutil
em seu literal prazer e penúria
debaixo do amor mais anil.

Esses medos de ti e da volta,
piedade minha é te fechar a porta
quando nos teus braços sinto solta
a fagulha que desfaz a vida torta.

Esses olhares pelo copo de vinho
que a verdade mostram e escondem
estejas tu comigo ou sozinho
quando ao galanteio respondem.

Essas palmas chamadoras de estrelas
em compasso pesado de respiração...
parece tão fácil retê-las
para que só morram no teu coração...

24/11/2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Tudo o que vai, volta

Já não temo mais nada
a não ser, talvez, a lei
que em minha alma forjei
escrita a fogo sobre pedra lavrada.

Porque nunca precisei de um deus
vindo do fim para punir
ou aprovar o meu agir,
chegada a hora do adeus.

Se o que me faz mais humana
em terra e céu é pecado,
deixo de ser um ser sagrado
em tudo o que ele emana?

Fosse eu mesmo adorada filha
cria do amor mais incondicional,
talvez a conduta normal
seria a morte da eterna bastilha.

Quisesse ele que eu amasse a todos
ao modo com que amo a mim,
não apontaria o dedo assim
quando levo a sério tais conceitos.

E me receberia de braços abertos
não importando o que passou
porque há diferença entre o bom
e o que é certo.

O meu céu e o inferno
estão aqui nesta terra
enquanto viver for uma guerra
entre a culpa e o perdão interno.

24/11/2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

To my old love

In a distant time I don't regret
earlier than ever I got to know
how it is to want much more
than I ever thought I could get.

This time, I know I loved you.
It may not have been wise
trusting your young desguise
but there was nothing I could do.

And now, after all these years,
your voice, I can barely remember
as in the days it sounded so tender,
not the laugh of spears.

Among the crowds I may never find
again the light of your eyes
as dark as the moonless skies
that I never bothered to mind.

Remained as the life of a child
who learned of all their passion
and what one does for such fashion
and cannot help being this wild.

18/11/2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Absolutamente necessário

Nas paredes, alguns quadros,
os velhos retratos guardados,
vitrola, umas bolachas
e o querido aparelho de som
comigo desde o tempo bom.

Tesouros juntos nas estantes
orgulhosamente mais cheias que antes...
Uma xícara quieta de chá
com o conforto daqui e de lá
quando o dia ameaçar acabar.

Luta de simples ofício
que nunca parecerá suplício
quando se vive tendo na memória
a mais verdadeira glória -
aquilo que sei e em que acredito.

22/11/2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

My heart's fate last spring

I threw it under the morning bus
at plain sight of the passing people
to see how it looks, so feeble
after surviving the two of us.

Bruised, smashed, covered in blood,
proof that my love has no luck,
a cycle where I might be stuck -
all I can do now is to nod.

Afterwards, I might write you a song
about what it were and could have been -
life didn't have to be so mean
as to end this in a verse of "so long".

22/11/2017

domingo, 3 de dezembro de 2017

A estranha surpresa alheia

Com o passar do tempo percebi que nenhuma pessoa, ou talvez muito poucas "esperam" que eu escreva sobre certas coisas e da maneira livre como o faço. E eu gosto disso.

É até gostoso ver a cara de tacho delas ao me perceberem abordando tais assuntos com tamanha naturalidade e até propriedade, apesar dos tabus colocados em torno de tantos deles, mesmo que velados.

Talvez por conta da minha deficiência em si, ou do meu jeito mais tímido, ou das posições claramente mais tradicionais, retraídas e até preconceituosas da minha família e de muitas pessoas à minha volta e como isso de certa forma ainda se reflete na pessoa que eu sou.

Seja porque o mundo patriarcal seja mesmo reprimido e puritano, encarando tantas facetas da experiência de viver como um ser humano em plenitude como uma coisa não-natural ou mesmo suja e incorreta.

Tenho minhas muitas dúvidas sobre o sentido de sermos como somos e estarmos todos aqui. Mas talvez a bênção da nossa espécie seja cada vez mais descobrirmos o que podemos ser e fazer e ter consciência mesmo dos nossos momentos irracionais.

Escrevo sobre tudo isso sempre que me dá vontade não só porque vivo apesar de tudo num país livre, mas porque não há motivo para que eu me esconda deles. Merecem ser discutidos por quem for como melhor lhes aprouver.

Portanto, não se espante, pois independentemente dos pudores que cada um tiver, sou de carne e osso como todo mundo e tomo partido daquilo que sei fazer para expressar-me tanto direta quanto indiretamente sobre isso. Seja por me colocar no lugar de outra pessoa naquele contexto, ou agregando aquela situação como minha ou como poderia ser e é para mim.

Libertemos o animal que vive dentro de nós. Como diz a canção, "vamos nos permitir"...

21/11/2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

A sip of you

I like my women
as I like my men...
Just like the English tea
I drink every now and then -
you may like it or never agree.

I take it bitter -
I am no quitter!
Let it be what it is,
may a bite become a kiss.

I take it cold,
so shut the scold!
But winters are always warmer,
when they are hot - a charmer...

20/11/2017

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Chorus in up-tempo

Our everything
that makes me sing...
Your smile of pleasure
open for good measure
as only we could do
when I surrender to the touch of you
like we are half and half
and happen to laugh
so in love!

19/11/2017

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Dose tripla

América, a Latina,
outra vez também no sul,
listrada de branco e preto
e pintada de azul:
traje completo
para a festa da menina!

30/11/2017

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

You flatter me, sire

It's like when you say the sacred word
that I love and never miss,
that keeps my soul stirred,
even if for others it's just a hiss.

It's too much, too little and it's what I breathe
trying to keep your taste at tip tongue
crowned in tasteful wreath
for ever so long...

You just have to come over and lean
so as to voicelessly whisper
I have always been a queen
and the wish for the consort throne is within the heart of but a keeper.

We kiss and again kiss
and I cannot help feeling
or embracing the bliss -
I do know, but don't mind life's meaning.

28/11/2017

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Paixão - Mini-resenha

Apesar de no fundo quase todas as histórias com anjos começarem da mesma forma e eu ter raiva da teimosia da protagonista Luce, este livro me surpreendeu como o melhor da série até agora. Nele Lucinda finalmente descobre o motivo do que sente por Daniel e do fim trágico que sempre acontece, chafurdando na lama de seu passado.

A autora foi inteligente no modo como descreveu as situações vividas pela personagem ao longo do tempo e as sensações despertadas nela ao revivê-las, além da transição histórica que me fez devorá-lo em três dias.

Com um final surpreendente e cativante (que me deixou ansiosa pelo último volume), Lauren Kate tenta mostrar que o amor verdadeiro é algo que vai muito além do céu, da terra ou do tempo e suas provações. E do que se é capaz de fazer por quem se ama.

Texto originalmente publicado no Skoob em 08/12/2012

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A cura

O tempo me diz que a dor
há de andar aqui comigo
não importando onde eu for
como se fosse um castigo.

Porque me falta uma querência
onde guardar tal tristeza
e aprender com a paciência
que existe força na fraqueza.

Em que eu possa achar a paz
de estar na plena liberdade
sabendo do que sou capaz
dentro da minha maior verdade.

18/11/2017

domingo, 26 de novembro de 2017

Love talk

Tell me of the ones you loved.
Tell me of those you speak on your craft.

Tell me of all the girls
you dreamed of brushing your curls.

Tell me of the pretty boy
who saw nothing but a broken toy,
who only knew about putting up an act,
whose only crime is heart theft.

Tell me of that force of nature,
the most sublime creature,
the only one who could make a plain cotton dress
garment fit for a goddess.

Tell me of how you would blush
because of his crooked smile
born at the blow of a paint brush.

Tell me it's okay to feel the same.
Tell me it's nothing here to blame.

16/11/2017

sábado, 25 de novembro de 2017

Presentes da noite

Sonhos muitos para sonhar
à espera de outros tantos
que merecem vir e ficar
entre sorrisos e prantos.

Todos sonhados e mais vividos
ao passo em que se dividem
na construção dos maiores sentidos
de vidas feitas de um idem.

Resistentes à inútil tirania
do exército dos medos
nos mostrando quão bom seria
não carregar tantos segredos.

13/11/2017

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

The smell of a soul

In time you may change your cologne,
but to me, you will always smell like home;
where I know true peace has grown,
there is no pain in being alone
or deadly sin from which to atone
hurt by a stranger's stone -
I smell this love to the bone.

11/11/2017

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

21st century's witch hunt

Drag and burn,
burn them all,
wait for your turn
to be but ashes on the ground.

Say their names
and turn them to a work song
as to remain ever strong,
a leash that never tames.

Sisters, shall we unite
and no longer be afraid
of absurd and spite,
out for justice and aid.

07/11/2017

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Soul from the woods

Beneath smiled whisper
sang again by this tide
I can feel what you hide
and speaks even deeper.

All that stands between
your loud echo and the world
without a right way to go
but the temples of Athene...

The entity that remains alive
and reminds of what is good
despite the hell in which I stood
with all glory that it can derive.

Bursting at the pit of the chest
to find home in these walls
for new prayers and calls
towards the ending of the quest.

07/11/2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Amável

Eu amo
tudo o que clamo
como sagrado
no teu chamado
de grito profano.

Amo o que vejo
em cada ensejo
de teu ser apaixonado
que segue aqui ao lado
por gracioso cortejo.

Amo o que de inebriante
te faz parecer o bastante
sendo somente a ti reservado
como no verso de um fado
soando em canto de levante.

21/11/2017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Serendiptous

I'm such a fool!
I never follow my own advice;
the waste of such a jewel
only stopped if I improvise
to touch and break this ice
but it seems that again it's just me
and this wild serendipity.

07/11/2017

domingo, 19 de novembro de 2017

A Hospedeira - Mini-resenha

O melhor livro de Meyer.

Um ótimo livro. Chatinho e complexo no começo, mas eletrizante depois. O melhor livro que já li de Stephenie Meyer, sinceramente. Nunca imaginei ler ficção científica vindo dela.

Uma história futurística, mas que também tem amor (sem o excesso de paixão e açúcar de Crepúsculo, por exemplo). Sobre dor, incerteza, medo e espera. Em que os poucos seres não afetados pelo grande mal lutam pela sobrevivência tentando permanecer unidos.

Onde se vê que nem tudo o que é de fora é necessariamente ruim. Peregrina não quer fazer mal a ninguém, apenas cumprir outro ciclo de vida como em muitas outras vezes em outros planetas. E Mel trava uma luta dentro de si mesma para não morrer usando suas memórias.

Recomendo para amantes do gênero.

Texto originalmente publicado no Skoob em 27/12/2012

sábado, 18 de novembro de 2017

Ana Terra - Mini-resenha

O começo de um fenômeno.

Ana Terra é o começo da aclamada trilogia gaúcha que revolucionou a literatura brasileira e mundial, O Tempo e o Vento. Por possuir características singulares, ainda em vida de Erico, foi publicado como um romance à parte.

O livro trata em especial da vida de Ana Terra com sua família. De sua rotina e sonhos, do seu amor, dos seus dissabores logo na flor da juventude. Da luta por um futuro melhor para ela e o que lhe restou. Do ofício de parteira herdado pela mãe.

Com maestria, Erico percorre o Estado do Rio Grande e neste volume em especial, 60 anos da vida de uma mulher que não desistiu de ter uma vida de verdade. Alguém que simboliza a força da mulher gaúcha.

Texto originalmente publicado no Skoob em 12/12/2012

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um Dia - Mini-resenha

Em e Dex, Dex e Em. Pra sempre.

Tendo ouvido muitos bons comentários a respeito deste livro, comecei a lê-lo assim que pude, embora atualmente sem tempo para devorá-lo como aconteceu com outros este ano. E também porque a princípio achei o livro confuso e os personagens mais ainda. Mas não desisti de terminá-lo por sentir que poderia haver algo de bom nele. E acho que consegui entender o propósito.

As pessoas às vezes demoram pra perceber que o que esperam pode estar bem perto... Um dia pode ter varios significados ao longo do tempo, e de um momento aparentemente sem importância pode nascer uma coisa muito bonita, apesar dos altos e baixos.

Mesmo tendo seguido caminhos bem diferentes e por várias vezes terem parado de se falar, Dex e Em nunca esqueceram um do outro. E estarão juntos para sempre. Dex era um tremendo frustrado e a Em uma confusa, mas conforme o tempo passava ambos passaram a modificar a vida um do outro. Do jeito mais inesperado e simples!

Texto originalmente publicado no Skoob em 07/03/2013

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Jogo do Anjo - Mini-resenha

Este livro faz parte de uma trilogia que pode ser lida em qualquer ordem por possuir histórias independentes que ligam-se entre si através dos lugares e alguns personagens. Do ponto de vista cronológico, "O Jogo do Anjo" pode ser considerado o primeiro volume.

Quando conheci o autor, devia ter uns 14 anos e havia começado pelo "primeiro" livro da Trilogia do Cemitério do Livros Esquecidos A Sombra do Vento. Como já havia começado a lê-lo no auge da genialidade de sua escrita, muitas vezes me obriguei a ler várias e várias vezes o mesmo parágrafo para ver se conseguia captar o mistério de suas histórias e a precisão afiada de suas descrições.

Alguns anos depois, adquiri os três livros e peguei O Jogo do Anjo. De cara me identifiquei com David Martín, o jovem redator de jornal amigo de um livreiro e protegido do aristocrata barcelonês. Sua jornada o leva para o mundo das letras de um modo mais concreto, e é aí que entra o aspecto sobrenatural que me fez apreciar a escrita de Zafón com o tempo.

Um homem misterioso lhe faz uma proposta tentadora num momento de extremo desespero na vida dele, em que o mesmo poderia obter o sonhado reconhecimento de seu talento como escritor da forma como deveria.

Mas ele percebe que por trás disso existe muito mais. Segredos escondidos numa velha casa, amores não correspondidos, amizades e mortes se entrelaçam de um jeito que nos faz questionar o que é real e o que não é. A linha tênue entre a loucura e a sanidade de um homem amaldiçoado pelas próprias palavras.

Siga as pistas deixadas por Zafón e tire suas próprias conclusões! Entre no literal jogo do anjo.

Texto originalmente publicado no Skoob em 11/11/2013

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A Casa das Sete Mulheres - Mini-resenha

Letícia, como diz a própria Martha Medeiros, tem o dom de nos fazer voltar no tempo. Uma escrita leve, rápida, poética e gostosa, mesmo tratando de um assunto pesado como a guerra.
Com as mulheres e homens retratados, andei pelas paragens do Camaquã, em meio às flores, frutas usadas nos doces, dancei nos bailes, comi a carne assada, senti o vento minuano me cortar a pele, rezei pela paz, lutei por justiça.

Independentemente das liberdades tomadas pela autora para construir o romance, fui capaz de sentir a solidão e a agonia das mulheres em meio ao medo e à espera que o contexto lhes impunha; tudo isso sem perder sua graça e bravura natural. Nos homens, vi a coragem de lutar por um ideal de liberdade e igualdade, mesmo com todas as dificuldades de uma jovem, forçada e logo mal fadada pequena república.

Acima de tudo, um povo aguerrido, que sabe o que quer, e não se entrega facilmente. O povo do Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Texto originalmente publicado no Skoob em 23/02/2015

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Aqui tu jazes

Talvez haja mais eu
em cada verso
que o mundo perverso
tomou e não escreveu.

E o que haja de mais meu
seja cada ideia
que não teve plateia
e nem formada já morreu.

Aquilo que nunca existiu
seja tudo de mim
calado em seco pio
virado em grito no fim.

07/08/2017

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

30/10/2017

As coisas acontecem aos poucos 
e conforme a vida nos apresenta
 as chances. 
Se a gente agarra ou não
 o problema é nosso.

domingo, 12 de novembro de 2017

Tudo o que vale

Assim como eu,
tu podes te perguntar
o que foi que aconteceu
com quem dizia te amar.

Talvez não gostasse de chorar
mas gostasse de ti -
e na noite que não quis passar
a mentira doeu aqui.

Mas que é certo que não se arrepende
de nenhum sorriso ou verso
que possa vir a sentir

por saber que o universo
guarda aquilo que é da gente
que na hora certa há de vir.

24/10/2017

sábado, 11 de novembro de 2017

Whatever

I am what you see,
what you guess,
what you want.

All of me
I dare and confess
is there and shall haunt.

23/10/2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Dividida II

Talvez eu não queira me apaixonar
porque por mais que seja lindo
ver beleza e saber que se pode amar,
não quero esquecer onde estou indo.

Pois me conheço e cada paixão
abre a alma, mas tira o juizo
do bater de tão ingênuo coração
que há pouco soube do que preciso.

Talvez eu só queira que esse alguém,
se vier, que seja para me somar
e não preencher partes que diluem
e em si mesmas deviam achar lar.

E o que puder ser junto vivido
não apague o meu desejo de liberdade
alimentado de cada sonho lívido
que eu sempre soube ser verdade.

Que tal fogo, em todo o seu ardor
não tire de mim tudo que sou
e cada pedacinho deste amor
por mim que a paciência plantou.

21/10/2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

18/10/2017

Passo os dias tentando não viver em culpa ou ódio de mim mesma, tentando não pensar em tudo o que não pude fazer ou viver seja pelo motivo que for. No tempo que passa cada vez mais rápido diante de mim e que mesmo considerando tudo o que vem acontecendo de bom na minha vida por causa do que passei a entender e de fato fazer para propiciar o que quero, ainda muito pouco mudou de verdade.

Tento não me lembrar de tudo o que nunca mais terei; de tudo o que passou por mim e jamais voltará. Não pensar em tudo o que faz a minha vida ser como é hoje – seja pelo meu comodismo por imaturidade, timidez ou simplesmente porque houve quem tirasse vantagem das minhas circunstâncias, mesmo sem querer.

É bom estar conhecendo meus limites e, sabendo bem que em muitos aspectos vivo nos extremos, o que me deixa confortável no sentido de me permitir de verdade quem eu sou e ser normal, e não uma alienígena diferente dos outros. Sei que preciso experimentar muitas coisas novas e é algo que quero muito e espero ter tempo para tal; sair um pouco da minha caixa, dizer sim um pouco mais de vezes... Mas claro que dentro daquilo que sei que vai me fazer bem.

Por isso, justamente por eu me conhecer e querer me respeitar, só me envolverei em situações em que sei que não me sentirei um solitário peixe fora d’água, por mais que eu queira viver como todo mundo... resta-me aprender a escolher, a confiar em mim mesma e no que quero para mim, porque eu não quero que nada seja em vão. Nada é, na verdade, mas não quero passar pelos mesmos desconfortos de novo.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sweetest revenge

In spite of all
that is mad and gray,
they too rise and fall
and once hunters, become prey.

Though golden may be your throne
it shall not outshine what flowers
through scream and stone
to live off all fair powers.

Life knows us and is patient -
may it give us the cracks
where in an old pavement
shall show and walk whom it lacks.

15/10/2017

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Out of the maze

The only ones I can now trust
to get to save my very life
from the pits of hell and their lust
are the words that these fingers drive.

My heart must know that this hand,
as it draws rhyme and line,
trusts things can grow to be fine
for all it cares to understand.

The days might be dark,
but with the prayer of each verse
I shall live through best and worst
igniting the brightest spark.

15/10/2017

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O que vejo quando olho o que enxergo ou pseudo-paráfrase

Prestando bem atenção, sinto que eu e outras pessoas que conheço temos a poesia dentro de nós, mesmo que ela não se manifeste como palavra escrita. Ela pode aparecer de tantas maneiras, e isso é tão lindo... Talvez o melhor de nossa poesia não esteja gravado a tinta – mas não é algo ruim.

Várias vezes eu tive vontade e comecei a fazer seleções de poemas, mas desisti de todas por n motivos. Mas ontem comecei outra, com textos de que sinto que realmente gosto. Talvez o critério seja questão de gosto, no ápice da minha autocrítica e perfeccionismo; uma pena, eu diria, serem tão poucos os eleitos até agora. E é aí que entra a vantagem de eu ser tão prolífica.

Escrevi até hoje centenas de poemas, em português e inglês, porém destes no meu idioma só uns parcos versos possuem o que sinto que seja algo a mais (seja na forma, seja no jogo de palavras diferente que foi usado ou ambos), que é raro ainda, mas acontece e eu amo. No fundo é bom que a quantidade seja pequena em meio a um mar de palavras por ser um sinal de um amadurecimento do meu olhar, dos riscos que resolvi correr dentro deste jogo (olha só a palavra amadurecer me perseguindo!).

Talvez eles sim, sejam um reflexo não só de quem sou hoje, mas de quem no fundo sempre fui e nem desconfiava... E com isso não dá para ter pressa, não pode haver cobrança.

11/08/2017

domingo, 5 de novembro de 2017

A capitã

Dora
que o bando adora,
que no colo chora
e até cora
ao de amor ouvir dizer...

Irmã e mãezinha,
amiga e rainha
que medo nunca tinha
de um rei merecer.

09/10/2017

sábado, 4 de novembro de 2017

The goal

How do I dare
say I love another
if I never even bother
to see myself with care?

When the world is not fair
to you or your brother
and comes only to smother,
hide and scare...

To get to survive anywhere
fighting the pains that hover
one must become a lover
of all that their souls bear...

09/10/2017

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Cantiga cândida

Certa companhia carinhosa,
cheia, conversa calorosa –
com café calado
cada cortejo confirmado.

25/09/2017

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Mágoas longas

Nem te conto, querido!
Às vezes chega a madrugada
e sem ter que pensar em nada
noto o peito tão doído...

Ainda cheio daquilo que falta
e não parece pertencer
a alma de mulher
ainda menina, buscando calma...

E se debulha pelo olho
escorrido feito manteiga
que tu conheces tão bem...

Apesar de tudo vai e se entrega
àquilo que planto e colho
de cada saudade que ainda vem...

21/09/2017

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Alguns falsetes de poema bêbado

A vida não é justa...
O copo sempre esvazia,
a noite acaba em dia,
a mentira é bandida e custa.

A vida vem e susta...
O tamanho da ironia
de tudo o que ainda se queria
talvez apenas seja quimera augusta.

A vida, pequena tão robusta...
A ponto de dar fobia
a cada louca  revelia
de deixar alma exausta.

20/09/2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Semeadura

Eu semeio cada silêncio
porque em cada palavra há segredo
que admiro, que percebo,
luz de espaço vazio.

Eu o saboreio
para ouvir toda voz
escondida no eco veloz
estranho ao ouvido alheio.

Eu o anseio,
eu o guardo
para contornar o feio
e não ser sempre um fardo.

06/07/2017

domingo, 29 de outubro de 2017

Ego te absolvo

A ti eu cedo um abraço
para de mim não esquecer
e saber o que mereço ser -
jamais um qualquer ou palhaço.

Faço de ti um futuro amor
de que preciso e até mereço
por mais alto que seja o preço -
nada tenho sem tal ardor.

Que tu sejas maior sossego
na conquista do que é meu
quando chegar o grande breu -
assim festejo este ego...

08/09/2017

sábado, 28 de outubro de 2017

Prova de dignidade

Claro que cada um tem a sua sorte e ninguém pede para ser ou nascer do jeito que é; também existe muito no qual tentamos pensar no lugar daquilo que não podemos fazer - pelo menos em experiência e na maior parte do que ouço falar.

Detesto quando usam comigo ou outra pessoa a palavra superação... Como se a gente não fosse de carne e não quisesse viver - às vezes sentindo nojo de si mesmo e do mundo, sim - e fôssemos heróis que tivessem que mostrar para as pessoas que tudo é possível.

E o engraçado é que essa palavra e outras como "exemplo" não são usadas para descrever aqueles que não lidam bem com suas limitações; os casos em que infelizmente a pessoa pensa em morrer porque não enxerga perspectivas de vida normal e coisa do tipo... O que ouso dizer que ocorre justamente muito por causa dos olhares do mundo.

É ridículo que, devido às atitudes mesquinhas de alguns que, por exemplo, ocupam as vagas reservadas na rua e em lugares públicos sem precisar das mesmas, e que compram adesivos sinalizadores quando não possuem deficiências nem são idosos (nem disso não duvido mais), eu seja obrigada a carregar comigo um pedaço de papel para comprovar que sou deficiente!

Isso não deveria ser bandeira que tivéssemos que desfraldar a cada vez para termos o mínimo de respeito; somos tão mais que isso. Imagine quando eu for mais velha; será que vou precisar de cartão de idoso também?

Não posso nem imaginar o quão desconfortável seja para quem tem uma deficiência menos aparente que a minha.

Ninguém deveria ter que passar por isso, mas já que a falta de bom senso alheia nos obriga, que assim seja. Que o preço da provação desnecessária seja o constrangimento daqueles que se atrevem apenas a olhar para o próprio umbigo e com isso tentam nos dificultar ainda mais a vida. Porque sim, deficientes e idosos vão à faculdade, restaurantes, médico, bancos e todo o resto como todo mundo. Não vivemos num mundo alternativo em que jamais queremos ou precisamos sair de casa.

A igualdade não significa a mesma medida para todo mundo, mas medidas diferentes que compensem a dificuldade de cada um; é só isso que exigimos e que se não cobrarmos minimamente, nunca um privilégio do governo ou favor; só será entendido como realmente necessário quando algo do tipo acontece em sua própria família. Não queremos a sensação de que estamos atrapalhando ou que estamos dando trabalho para os outros e sim poder viver num mundo com menos obstáculos - já bastam aqueles que o corpo nos dá.

31/08/2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

26/08/2017

A liberdade finalmente encontrada 
bem utilizada só pode fazer a gente feliz...
A gente no fundo sabe quem é,
mas o mundo faz a gente se esconder
e ter medo disso e de ir atrás
de como viver de acordo com isso.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A tragédia Romântica de Romeu e Julieta

Talvez a tragédia de Romeu e Julieta seja mesmo Romântica, mas ao contrário de muitos, escolho usar o R capital por ir além do que ouso dizer ser o aspecto mais óbvio, superficial e visível de uma história entre pessoas que se veem apaixonadas.

Boa parte do Romantismo, creio eu, se sustenta justamente com a tragédia que ocorre.

Quando se vê que não só não se pode viver sem aquele alguém, como perceber que mesmo na morte a beleza e pureza da pessoa não se perderam e até se realçaram, apesar da dor que se sente da ausência. Que mesmo esta dor pode ser bela...

Quando se percebe que para jamais perder a chance de manter o objeto de amor por perto e apreciar tudo o que te apaixonou... Se é na morte que se pode finalmente viver esse amor, que assim seja.

É o preço que se paga por saber ser ingênuo pensar, que, no idealizar de uma vida perfeita se pudessem ficar juntos, o fogo daquela paixão seria o suficiente para purificar as duas famílias e reduzir as inimizades a pó. De que seria suficiente... E de certa forma foi.

Talvez tenha sido o afã do que bastava que originou o plano mal-fadado, apesar da decisão acertada de fugir. E que sejam mesmo dos impossíveis e dos "e se" de que nunca saberemos que nascem os grandes Romances.

22/08/2017

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Achille's deadly tango

Take these swift feet
for a last dance -
a last feeling of the beat
as soon as you have a chance.

Do not let them go -
but only if they are young,
as them there are none among
and have stepped glory's flow.

20/08/2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Para tudo há um tempo

No desfile dos anos
eu soube das horas.

Oito para nomear os agoras
em que ainda estamos.

Nove para conhecer o amanhã
que ainda virá.

19/08/2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Inadequação

Se o mundo
não me quiser,
eu tenho a mim.

Eu aqui vagabundo
do jeito que der
o ruído do latim.

16/08/2017

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Ontology

Song of black dress
trailing through the leaves, dead
clinged on every other thread
in seek for a mistress.

Song of heady scent
carried out by the wind
daring once to be so kind
as to take me where it went.

By all Means I followed
the trail, the songs, the voices,
unveiled misteries and choices
and saw Beauty worshipped

Like never, before my eyes -
faith I thought forgotten
burned in ages rotten
myth of gods that fall to never again rise.

16/08/2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

No susto

Ah, que susto eu levei
quando até do que mais amava
e me fiz tão livre escrava
indiferente me afastei!

Quando quase esqueci da beleza
e os velhos encantos vi roubados -
em seu lugar, meros simulacros
nutridos em raiva, medo e tristeza.

Perguntava-me: "Quem é esta
que até de si esqueceu
quando a leoa adormeceu
no mais escuro da floresta?"

16/08/2017

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ideal

Coração feito tão manso,
refletido na minha fala
de poema que não se abala
na busca de cada descanso.

24/07/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Um brinde

O cobrar é tão doce
por um verso, branco que fosse,
que não a faz nem de longe credora
das parcas rimas que eu já lhe trouxe.

Como tantos outros antes de mim
para a oferecer não tenho quase nada
a não ser um coração que a adora
e a poesia na espera gestada.

Então toma, outra vez, de graça
palavra minha que vem e te abraça -
lembrará ela do início?
Líquido novo servido na mesma taça.

16/08/2017

- Para Maria Eduarda

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Quadra penosa

Sem penas peguei na pena
para da tua pena dizer
que ela não me vale a pena
se por ela tu fores permanecer.

15/08/2017

domingo, 15 de outubro de 2017

Alguém que só quer viver

De quando em quando eu penso no arquétipo do Sem-Pernas de Jorge Amado e em como o autor tenta entrar na cabeça da personagem e percebo que entendo completamente sua raiva contra o mundo e principalmente de si mesmo em alguns aspectos.

Do mundo por ter sido abandonado e ter ido morar na casa de alguém que o espancava. De tudo o que o obrigou logo cedo a ter de se virar do melhor modo que pôde com o ônus da limitação física no meio de outros meninos cujo corpo não lhes dificulta mais a vida. De precisar roubar e fazê-lo na casa de pessoas que em sua grande maioria não sentiam mais que pingos de pena dele. Ninguém precisa de pena, muito menos alguém como eu ou Sem-Pernas.

De si mesmo por conta da deficiência e usá-la como facilitador para enganar a única pessoa que talvez pudesse dar-lhe o amor que ele não teve. De alguns dos outros meninos com seus preconceitos velados ou talvez nem tanto assim... Cada um tem os seus e nos resta trabalhar neles, é verdade, mas não significa que não causem menos mal ou que não possam ser notados. Raiva também dos policiais, por tentarem levá-lo embora como fizeram com Pedro Bala para ser tratado pior que um animal no corte da cana passando ainda mais necessidade.

Mas ninguém aprisiona um Capitão da Areia e sai impune. Sendo um, Sem-Pernas teve um pingo da liberdade que todo mundo merece apesar de tudo o que eles precisaram sofrer. A mesma liberdade que não os impediu de desejar uma vida com uma casa, comida na mesa todos os dias e o carinho de uma boa família. Os extremos a que ele chegou são prova de que ainda mais para pessoas como nós, é preferível morrer a saber que não se teve uma vida, que não se lutou pelo que sabia que merecia, mesmo nunca o tendo recebido. Se não foi amado, poderia ser temido e isso era melhor do que nada.

Além do mais, o mundo é mesmo cruel e no fim das contas só nós sabemos o que tal mundo faz conosco. No fundo lidamos sozinhos com tudo o que vem com a deficiência porque é conosco que ela acontece. Para alguns é mais fácil, outros mais difícil. A raiva e a depressão podem acontecer com qualquer um por tudo o que nos traumatiza, amedronta e entristece. Eu mesma já passei por períodos turbulentos que achei que nunca aconteceriam; talvez não pela deficiência em si, mas por coisas que vieram junto com ela, mesmo sempre tendo encarado tudo suavemente, de modo geral.

Talvez eu tenha aprendido isso sozinha, não sei dizer. Só sei que ser assim tem um lado bom, mesmo eu não sendo imune a essas sensações, e que para algumas pessoas é bastante difícil, de verdade. Muito por causa do desconhecimento tanto daqueles à nossa volta quanto às vezes de nós mesmos. Eu mesma só há pouco tempo descobri características gerais sobre casos como o meu de que nem fazia ideia e venho tentando passar isso para aqueles que convivem comigo. Não sei se serei completamente ouvida, mas é melhor do que não dizer nada...

Enfrentar tudo isso e olhar para si e para o mundo ainda com vontade de viver é uma batalha a cada manhã e eu me orgulho disso – ainda mais com meu histórico de ansiedade e princípio de depressão. Mesmo as pessoas com deficiência que têm uma família que lhes auxilia a lidar o melhor possível com tudo isso podem passar por algo similar porque todos somos humanos e complexos.

Isso só me faz querer abraçar o Sem-Pernas e dizê-lo que tudo bem se enfurecer às vezes e ficar triste com o nosso redor; todos nós temos esse direito. Mas que o que mais dói e jamais deveria acontecer é termos ódio de nós mesmos – principalmente pelas coisas das quais não temos escolha ou controle. E que tenho orgulho dele por ter feito por si mais do que eu por mim mesma até hoje.

Eu também mereço me sentir livre e agora que sei que posso realmente alcançar isso, tomara que nada no mundo me impeça de chegar lá.

15/10/2017

sábado, 14 de outubro de 2017

Soneto menstrual

A razão do teu nojo
foi tua primeira casa,
a cinza que te fez brasa
de mais sagrado despojo.

E se pensa mesmo assim,
então tu és filho da sujeira,
da impureza e da barreira
que cegou a razão de Caim.

O que da deusa em mim é prova
da tua vida em inútil asco -
tu és bem mais filho das mães!

Faz-me rir deste fiasco
que insiste e se renova
na farinha dos velhos pães.

07/08/2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Uns matam mais que a morte

Mágoas, podres piores ratos
que até a minha morte
hão de roer cada sorte
inteira em seus hiatos.

Até não sobrar aqui mais nada
para os originais vermes
que comem dermes
de alma estragada.

07/08/2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Telas deficientes

Com o passar dos anos comecei a reparar de verdade nos programas de televisão, livros e filmes e me incomodar com a ausência de pessoas como eu nas histórias. Pessoas com deficiência existem e estão em todo lugar, basta que se olhe com um pouco mais de carinho. Só no Brasil somos mais de 23% de uma população de mais de 200 milhões, com mais da metade de ambos valores composta por mulheres.

Por mais que hoje já se consiga enxergar uma representação das deficiências aqui e no exterior, com certeza ainda há muito a ser feito, mas não deixo de comemorar os pequenos detalhes e esforços.... Embora eu hoje me questione sobre quando vou ver de verdade a minha deficiência (paralisia cerebral) e outras, como visuais, auditivas e intelectuais, com todos os seus graus e particularidades de pessoa para pessoa, mostradas sem clichês ou auto piedade.

Digo isso porque quase sempre as mesmas pessoas, ricas e brancas, a propósito, aparecem representando as mesmas deficiências... não estou dizendo que para ou tetraplegia não mereçam ser mencionadas, mas que elas não são as únicas! E as pessoas com menos recursos enfrentam as mesmas dificuldades e preconceitos; com o ônus da questão de muitas vezes não encontrarem tratamento gratuito ou de menor custo perto de si, sem contar as barreiras arquitetônicas que não facilitam a independência e conforto de nenhum de nós.

As pessoas não fazem ideia do quão meu coração ficou aquecido na época em que li “Capitães da areia” de Jorge Amado e me deparei com Sem-Pernas – mais um menino do bando de Pedro Bala com sua história desgraçada de abandono pela família, neste caso muito por conta da deficiência. O livro me deu a entender que a personagem possui um dos muitos graus do mesmo que eu, e fiquei ainda mais contente de saber que o ator selecionado para o interpretar no cinema no filme dirigido por Cecília Amado chama-se Israel Gouvea: um filho da Bahia de fato portador de PC. Não havia como eu não me solidarizar ainda mais, porque nós existimos sim.

Se Anakin Skywalker pode perder um braço e mesmo com um de metal virar um Jedi de respeito e até Lorde Sith, por que ainda não temos alguém como eu, uma moça latina com paralisia cerebral derrubando Stormtroopers com tiros de laser numa cadeira a jato ou algo assim? Se temos Caïn na França solucionando crimes de cima da cadeira de rodas manual, morando sozinho e pilotando um carro, por que não podemos ter uma mulher? Se temos um Viking como Ivar conseguindo provar-se como guerreiro e digno de temor e respeito indo para a guerra numa charrete, quando verei uma mulher com as mesmas intenções e determinação de não se sentir menor do que ninguém?

Isso sem contar as deficiências visuais e auditivas: no caso das últimas, a única representação televisiva que me ocorre e que é válida, mas ainda assim com certeza poderia ser bem melhor é a personagem de Mônica Carvalho em Corpo Dourado de 1998, em que ela passa a se comunicar por Libras depois que para de usar a voz por conta do trauma de saber que perdeu a mãe ainda muito jovem. Claro que não posso responder pelos deficientes auditivos, mas é a sensação que tenho.

É lindo que pessoas sem deficiência se coloquem em nosso lugar e tentem emprestar o corpo para saber como nos sentimos, mas claro que nada substitui a chance de alguém que de fato passa por isso poder mostrar que não só as limitações estão aí e merecem aparecer, mas de um ponto de vista mais realista. Por isso me felicita muito que isso tenha sido respeitado na transição do Sem-Pernas da literatura para o filme. Cada um que vive a deficiência o faz e a tem à sua própria maneira e isso precisa ser mostrado.

O que nos resta é torcer e cobrar para que mais pessoas como nós estejam presentes na ficção exatamente como na realidade – ou pelo menos como parte da realidade demonstra, porque até na vida real muito precisa ser mudado. Que o maior número de deficiências e portadores delas em suas muitas variações tenha lugar digno na literatura, televisão e cinema e principalmente na vida, porque temos os mesmos sonhos e objetivos de qualquer outra pessoa.

11/10/17

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Em sacrifício

O riso e o grito
em choque
despedaçam a veste
e talvez algo mais que preste
num grande teste
a um judeu
de quem eu ouvi
dizer que morreu
de amor crucificado
e a outro que vi
que sobreviveu
em delícia eletrocutado.

07/08/2017

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Causa mortis

Me matei
de tanto viver
de cada querer
em outro (a)mar -
só por tentar
já (ins)pirei.

07/08/2017

domingo, 8 de outubro de 2017

Celebração

Da minha vida, o amor
do meu coração, a pureza
de certas horas, a maior beleza
que vive até no fundo da dor.

Do espinho, bela rosa
do caminho, doce paisagem
mesmo em difícil passagem
que só a faz mais poderosa.

Do meu destino, um presente
que não há de ser negligenciado
mas mantido sempre ao lado
para os olhos, nova lente.

03/08/2017

sábado, 7 de outubro de 2017

Eu consigo lidar

Deixe-me em paz com as minhas mágoas, me deixe ficar chateada, querer me proteger e até deixar de perdoar, se for o caso. Não tenho obrigação nenhuma e não se implora o afeto de ninguém; posso ter meu orgulho, mas sei do que sou capaz, a cada dia descubro que posso mais para o bem e para o mal dos outros – estou em todo o meu direito de também me sentir ofendida e até de responder na mesma moeda durante o processo de catarse e amadurecimento de sensações provocadas por situações que não cessam de se repetir.

Foi o que aconteceu.

Sem contar que é a opção mais barata simplesmente dizer que somos iguais; é aí que alguns se enganam. Pelo menos sei que estou enxergando as coisas por outro ângulo apesar de todo o meu egocentrismo. Sei que deixar as coisas como estão não é bom, mas é provável que não dê em nada, que siga tudo acontecendo do mesmo jeito mesmo que eu tente evitar.

O que é reclamar de frieza quando se sabe que se disseram coisas que em hipótese nenhuma devem ser ditas, e se forem, devem ser ouvidas e repensadas, o que não é feito por orgulho, por medo idiota de parecer um fraco que não tem razão? E com isso eu guardo para mim as minhas desculpas neste caso, porque elas pouco valem, em minha opinião, vindas apenas de um lado. E nos outros casos, principalmente, as pessoas podem e até talvez devam ficar ofendidas pelo tempo que quiserem, mesmo que meu ego tente fingir que nada aconteceu...

Mas eu estou trabalhando nisso. Estou vendo o que deve ser feito, é o que quero e tenho a vida inteira para tal. Já alguns... E quem disse que é trabalho da gente consertar os outros?

06/08/2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Da distância

Tu te fazes presente
o suficiente
para que tua ausência
não mude a ciência
da constância
do teu amor
perfumado de flor.

04/08/2017

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Espelho da alma

Os olhos deviam bastar
e nos silêncios,
eles bastam.

Tão melhor que nós
os olhos sabem amar
e não calam.

01/08/2017

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Tua mulher

Fiz das tuas mãos o enfeite dos meus cabelos,
dos teus braços a renda fina do meu vestido
que me envolve, atrevido,
em segredo de velhos selos.

Fiz-me ontem tua
porque soube que era minha
e tudo o que achava que tinha
menos valia que a prata da lua.

Fiz deste teu coração
a sombra mais desejada
de alma tão cansada
que não conhece outra canção.

01/08/2017

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Estria II

Em cada linha
que a vida em ti escreveu
eu te leio desde a espinha
como ninguém mais se atreveu.

No corpo a poesia
da mulher que foi menina
que talvez com a maresia
aprendeu que nasceu divina.

De tempo marcada
para quem sabe contar
e não precisa de mais nada
que o extenso do abreviar.

27/07/2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Estria I

Na sagrada sina
de ser poesia
tão à revelia
de cada menina...

Corpo que cresce
em curvas e linhas
jamais mesquinhas -
humanidade que enaltece!

Venha e quem sabe leia
a história de uma mulher,
seja ela linda ou feia,
mal ou bem-me-quer.

Que não está aqui para te agradar,
somente estar e ser
feitiço em si feito o mar
que se recusa a ceder.

27/07/2017

domingo, 1 de outubro de 2017

Gado solto

É quando penso demais
que a culpa vem
e tira toda a paz,
mais precioso bem.

E me lembro do jamais
que já me tirou alguém
quebrando os cristais
que me mostravam o além.

Que despertam os dormidos animais
que tão bem aqui me conhecem -
motivos dos meus ais
que nas noites quase ensurdecem.

29/07/2017

sábado, 30 de setembro de 2017

Parents are never heroes

I am my father's son,
perfect in all my brave wrath,
but what's done is done,
I grew and set my path.

For he might have seen
perhaps here he should belong,
near his true keen
that mirrors what he says is wrong.

But how on earth does a prince
points a finger at the king -
authority is something
unbreakable in this province.

28/07/2017

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Like a prayer

Lord almighty,
if my faith was any true
would I burn in hell?

Would you take it lightly
and make me anew
where all ends well?

Would you listen to my prayer
and maybe come in a sign
I am worth the repent?

For all I hear that makes you fair
in lights that will always shine,
would you mind if my weak knees were never bent?

Would you take my hate,
fear and unstoppable disgust
and turn it against me?

Would you decide my fate
knowing I no longer trust
my life to the care of thee?

Would you have let me down?

28/07/2017

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Original sin

I showed you your truth
and you chose to surrender
to the bite of a fruit
that embodied your hunger.

For that are you to suffer and die
as I am seen as beast
the the unreachable glory of the sky -
all others enjoying the feast.

Father loves us so...
Eden was never the place
where he would let you know
you were born to win the race.

28/07/2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Dama da noite

Apesar do sol dos dias,
serás tu a verdadeira musa,
sendo também tão deusa
que guia a incerteza das caligrafias?

Serás tu quem me abre o coração
para o que possa ser verdade
dentro e fora desta cidade
no sussurro de uma oração?

Que a solidão para perto traz
quando o céu se faz escuro
em pedaço de verdadeira vida

com gosto de fruto maduro
brotado em terra de paz,
doce apesar da ferida?

276/07/2017

terça-feira, 26 de setembro de 2017

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Maré alta

Os olhos deviam bastar.
Sei que os teus, sem querer evitar
foram capazes de me envenenar
e em sua presença tragado fui como pelo mar.

25/07/2017

domingo, 24 de setembro de 2017

O final

Tantas de todo dissimulada,
com jeito de oblíqua cigana
mas meu ser não se engana,
nenhuma como a minha amada!

Tantas à breve companhia
que aplaque ódio tão cru,
mas nenhuma me devolve o que tu
tiraste de mim em maestria.

Brisa de tantas tardes,
lua de cada noite
em céu de nuvens nu

por mais que o coração se afoite
em partes minhas ditas covardes,
te amo e te amei, Capitu.

25/07/2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Soneto Capitolino ou o soneto que Bento não escreveu

Oh, flor do céu!
Oh, flor cândida e pura!
De toda graça e ternura
que não se oculta sob o véu.

Eu que vivo de ti
envolto em amante pressa
pela lembrança de outra promessa,
em amarga saudade me curti.

Afogado em teus olhos de ressaca
outro golpe eu não suportaria -
dá-me do inferno a fornalha!

Por Nosso Senhor e a Virgem Maria,
minha alma está tão fraca...
Perde-se a vida, mas ganha-se a batalha.

24/07/2017

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A desire

I was taught to whisper
every word like in a song
but it's ben too long
since I was told "I love you, sister".

And when in spite and grief
they hear me scream
all they can believe
is that it's just a dream.

For why would I
ever care to be listened
or looked in the eye
and therefore being pleased?

They tell me careful I should be
and just shun me away
but they are the ones afraid of me
for I am a woman, I say.

22/07/2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

The raise and fall of Lucia

Daddy's little girl,
the favourite, the only one,
his best work, his pearl,
as bright as the second sun.

By some summer night
was a woman grown
aware of all the light
above all else her very own.

But when she raised her voice
to speak of built truth
of one who wants more,

the response was not ruth
but imposed choice -
I saw an empty shell by the shore.

22/07/2017

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Dear therapist

What do you want me to do?
What do you want me to say?
That in one week, out of the blue,
everything I hate is okay?

18/09/2015

terça-feira, 19 de setembro de 2017

fevereiro de 2017

Quando a gente não lida bem com a própria crueldade e a dos outros com a gente, não tem como não afundar. A coisa mais assustadora é olhar pra dentro de si mesmo, mas é muito importante e fazer isso com honestidade. (...) Tem tanta gente aí que não quer ser esquecida, de alguma maneira... Talvez seja por isso que a gente escreva, pinte, etc, mesmo que sinta timidez do próprio trabalho.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Monólogo

Sai de cena,
cai do palco,
tira do encalço
toda e qualquer pena.

Tira a face
tua que tem outro nome
e assume a tua fome,
da alma cada pequeno enlace.

E ao descer, não assiste
apenas, ao que te pertence,
mas vai, vive e escreve

e finalmente te convence
que tu vales por ser quem insiste
em lembrar da luz que sempre teve.

14/07/2017

domingo, 17 de setembro de 2017

(Un)graceful gesture

Thinking of touch that lingers,
I might have the hands of the gods -
cold, thin and long fingers
that may as well behave as claws.

10 de julho de 2017

sábado, 16 de setembro de 2017

The queen's word

I told you I was hungry
and you fed me a seed
when what I deserved was a seat
at the court of all felony.

And that’s what I got
as I knew you thought
such place was your knee.

10 de julho de 2017

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

The rape of Proserpina

Pride and dignity
taken like a pawn.

The price throughout eternity?
Life itself at the dead throne.

09 de julho de 2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Velhos e novos poetas

Tantos deles se tornam grandes,
tão maiores que a vida
em cada gota despendida
que permanece e se expande.

Como um eco
esperando ser ouvido,
mesmo que sem sentido
dentro de um poço ainda seco.

Toda parte, todo ego
disposto a correr um risco
refeito num mero rabisco -
nem sempre aí há sossego.

07/07/2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Segredado encontro

Ao ver que teu sussurro
atravessava em mim um muro
descobri aqui uma voz
que sempre fora rugido feroz.

07/07/2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Museu é lugar de queer, sim senhor

Quem é quem para conceituar o que seja ou não arte? Quem é quem para usar sua margem de interpretação ou mesmo incapacidade de separar o simbolismo de todo o resto para querer privar os outros de terem acesso a um conteúdo e formarem a sua? Isso é censura e coisa de puritano sem noção.

Assim como tem um fim em si mesma, a arte está aí para isso, para apontar o dedo para questões que não devem ser negligenciadas e te revirar por dentro, dependendo da intenção do autor e do olhar de quem entra em contato com ela – todos tiram alguma conclusão sobre tudo, mesmo que pareça rasa ou não possa ser expressada direito naquele momento.

A arte existe para comunicar uma mensagem e não precisa da aprovação dos outros para existir em si mesma ou da aprovação de um público. É o reflexo simbólico de um modo de pensar individual e/ou coletivo num espaço de tempo específico e se propõe, mesmo que inconscientemente, à reflexão acima de tudo, não necessariamente de cunho necessariamente “positivo” ou, como eu chamaria, corporativista que só abarca uma parcela da população.

Ela merece ser reconhecida simplesmente por ter sido criada e precisa ser espalhada para o máximo número de pessoas possível, ainda mais numa cidade grande e tratando de assuntos que jamais hão de se esgotar e que merecem ser retomados uma e outra vez. Opinião, cada um vai ter a sua, e isso deve bastar.

Eu não gosto de funk, por exemplo, mas jamais vou condenar alguém por ouvir ou dizer que o gênero, que é mais velho do que eu mesma, deva parar de ser produzido ou que fique escondido onde ninguém mais tenha acesso – como já fez e talvez ainda faça a própria igreja com tudo o que não condizia com os seus dogmas. No país onde eu nasci isso não existe mais, e jamais existiu uma verdade absoluta.

12/09/2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quem

Sou tudo
e ao mesmo tempo nada,
um grito que segue mudo
e silêncio de verdade gritada.

Sou alguém
porque vivo fora de mim
em tudo o que me convém
e cada não que vira um sim.

Não sou ninguém,
uma poeira em construção
que não deseja nada além
de lembrar que existe um chão.

06/07/2017

domingo, 10 de setembro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Hidden message

Perhaps I am the poetry
that I cannot really write
doubting always the wrong and right
but making it precious jewelry.

I dare to live so many lives
that these lines will never say -
she comes and forgives
molding a new me out of clay.

Perhaps I am the poetess
all these write about
for I bare witness
of everything this heart pours out.

4 de julho de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

The English lover

"It is important", people tell.
"You're gonna need it", I hear.
"It sounds and looks interesting", I think.

"I want to see it", I say.
"Let us try if this works", it whispers.
"We might be fine", I dare.

"I can give you a life", it promises.
"There's more to you than meets the eye", I smile.
"Look at what we can do together", it screams.

"I feel you all over my skin and under my tongue", I sing.
"It was easy with you", it smiles.
"I love you", I confess.

"Don't ever leave me", it begs.
"I'd die first", I reply.
"We know", it murmurs.

05 de julho de 2017

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Um verso pelo teu sorriso

Não hei de ousar negar
ser bom sentir saudade
e saber que de verdade
ela também vem do par.

Que não precisa de muito tempo
para se ganhar um lugar
e, querendo, o mesmo reclamar
para tê-lo como grande alento.

E mesmo estando bem distante
segue a vontade amiga
de alma que veio e fica
porque ainda sabe do importante.

Escrevamos um belo futuro
pelo amor de um filho
ou a rima de um estribilho
que sempre serão porto seguro.

E aqui ofereço e pago
um verso pelo teu sorriso
sabendo que, para nós, isso
será como trocar um afago.

4 de julho de 2017

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vulnerable

Braver than I thought I was,
much less than I should be
trying not to feel guilty
for showing teeth and claws.

Pride for every tear
that shows this soul what is pure,
fair and always dear -
salt holds every cure.

Next time I think I am weak,
remind me that every bone,
even them are allowed to break
and go stronger on patience alone.

4 de julho de 2017

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Despedida

Este coração se atreve a implorar
que tu não vás de novo embora,
mas a cabeça sabe que agora
teu lar também é outro lugar.

Porque não há nada como a calma
de ser exatamente o que sou
em cada verdade que se revelou
por mais escura que esteja a alma.

E eu espero teu retorno,
mas ainda e sempre estás aqui,
tão puro o que sinto por ti
que nem saudade é grande transtorno...

Para poder voltar para casa,
que sente minha falta, bom saber!
E me deixa sem saber o que dizer
a não ser que te amo, e isso basta.

04 de julho de 2017

domingo, 3 de setembro de 2017

Last wish

When I breathe no more,
hand me over to my fire
so the voice of the last choir
may purify my every sore.

Once I die,
turn me into ash
so that I become a flash
of wings that fly.

Once I am gone,
remember to be free,
pay attention and see
when truth is overthrown.

When I no longer belong in here
I shall become blood and ink
in a world that will never think
this heart was ever insincere.

3 de julho de 2017

sábado, 2 de setembro de 2017

Caso de amor

Escrevo
porque sou de observar,
porque me deixo apaixonar -
será isso o segredo?

Escrevo
por esta fera que vive presa
em único desejo e certeza -
quanto não lhe devo?

Escrevo,
rainha da minha mediocridade
em trono feito de simplicidade -
qual será meu medo?

Escrevo
a mando de voz que não se ouve
e talvez um dia tudo soube -
é no coração que a carrego?

02 de julho de 2017

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

01/07/2017

Talvez para amar minha Solidão do jeito certo 
eu deva mesmo simplesmente 
abraçá-la e vivê-la…

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O abraço

Dos teus braços me vesti
e afinal senti
pertencer à minha própria pele,
casca onde a alma sossegue.

02/07/2017

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

As palavras

O lugar onde fiz casa
erguida sem nem perceber
na vontade de viver
talvez da chama da minha brasa.

Que fez muito de quem sou
e para onde quero sempre voltar
ainda mais leve que o ar
e levar comigo por onde vou.

Enraizado em amor e prazer
eternizado em cada visita
em que me sinto tão aceita
no lembrete para sobreviver.

30/06/2017

terça-feira, 29 de agosto de 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Open doors

If you want to feel alive,
if you want a place to belong,
where you don't forget to be strong
even at the edge of the knife...

Open your eyes
and the depths of your heart
for every fresh start
to get to reach new heights
in the purity of all that is art...

Open your arms
to the embrace of the world
even if you are told
all it can do is to harm.

Open your mind
to all you can do and learn
as you walk around to find
the point to which not return.

30/06/2017

domingo, 27 de agosto de 2017

Roda de mate

Dás-me a cuia
e sinto nela o toque da tua mão
que no escuro ainda me guia
no mais belo galardão.

Num gole vem o calor
tão como o do teu abraço
que preenche todo espaço
onde o vazio quer se impôr.

Amargo que se faz doce
por cada sorriso trocado
em momento sempre ansiado
que eterno sonhava que fosse.

A água agora acaba
e com ela tu também te vais
enquanto o mundo se gaba
de não haver me dado outro cais.

Um frio vem de repente,
assusta e faz-me tremer...
Não foi o mate quente,
eu sei, o único a nos aquecer.

30/06/2017

sábado, 26 de agosto de 2017

Discovering

Is this really who I am
or just another mistake?
Either way, take it, then,
or else live in heartache.

I want to be like the wind that blows
remaining free no matter what
to choose where it goes
even if the world is mad.

Accept it, just give in,
despite how hard it feels -
stop, look and listen within
and in time you'll know your appeals.

30/06/2017

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

07/07/2015

Quando foi que me tornei tão amarga, tão insatisfeita, tão cheia de ressentimento e mágoa? Somente hoje percebo qual é a verdade e o quão dura ela é. Eu me sinto sufocada e guardei todos esses sentimentos comigo sem nem perceber.

Talvez o único caminho para encontrar a luz seja abarcar a escuridão; não ter medo dela. Aceitar a minha raiva, a minha melancolia como ele aceitou. Acho que o que mais gosto nele é justamente essa aceitação incondicional. Sem pena, sem ser condescendente ou fazer pouco caso com o que sinto.

Porque por mais insólito que seja e por mais obscuro, o que sinto é real e válido. Que bom que ele não tem medo de andar comigo por essas pedras.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

25/06/2017

Às vezes acho que tenho que agradecer à vida por ela ser tão errática, e até mesmo ser grata aos meus impulsos, porque considerando minha apatia, sem eles talvez tudo teria sido muito pior. Pelo menos eles aquecem minhas veias e me permitem fazer alguma coisa, mesmo que seja tomar a decisão errada, e me ajudam a me conhecer...

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A paixão

Eu sou tua paixão,
a razão do teu viver
e para o teu sangue correr
seja inverno ou verão.

Eu sou o que dá sentido
para que o tempo não passe em vão
e preencho o teu coração
mesmo quando tudo parece perdido.

Eu sou o que te traz a beleza
em choro, riso ou brilho no olhar
daquilo que mais importa

para que tu possas te lembrar
que não há só vazio e tristeza;
segue aqui e te conforta.

24/06/2017

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Upon request

Be the cold
coming through my each leg
without having to beg,
living beneath my clothes...

Be the drop of sweat
that kisses my skin
pouring out from within
down spine and even back.

21/06/2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

XVI

Olá, meu querido!

Se fôssemos personagens de ficção, como nos enxergariam? Como teríamos sido escritos? Será que os outros leriam em nossos olhos e gestos o mesmo que vemos quando estamos entre nós? Será que veriam o fio de ouro que nos une mesmo a metros ou quilômetros de distância e que se enrosca em nossos dedos quando estamos bem perto?

Será que enxergariam assim como eu e tu a mesma fronteira que existe por debaixo da intensidade sincera de cada palavra que digo e escrevo, por mais ambígua que seja, justamente por eu não saber e talvez não querer me expressar de outra maneira, e isso não mais nos assustar, e eu ver que tu amas mais essa parte de mim? Por esse fogo que chamusca tudo o que toco e que tu não queres que eu perca ou esqueça?

Será que notariam que geralmente com o pôr do sol e a chegada do escuro da noite os sons de fora começam a silenciar, mais facilmente nossas almas se acendem e passamos a nos enxergar melhor, justamente quando devemos nos separar em corpos de novo e deixar reticências para trás (embora eu não exatamente me queixe delas)?

Será que eles saberiam sem eu precisar dizer que eu me encolho nas noites frias de solidão tentando reter a memória muscular de ser Pequena e caber nos teus braços, onde nada mais importa, seja por medo meu ou simples saudade e hábito que se criou, e de reter-te nos meus do melhor modo possível quando tu és o perdido na selva da vida e vens à minha procura?

Será que notariam o quanto amo a confiança que cada vez mais cresce entre nós? Ou o quão me faz feliz vencer o medo inútil de olhar nos teus olhos, sendo que há muito entraste em meu coração? Ver teu carinho, teu amor por mim dentro deles, que me deixa às vezes sem ter o que dizer, sem saber como reagir direito, a não ser sustentá-lo, sorrir e tomá-lo para mim, por ser mais meu do que muito do que me pertence?

Será que isso importaria? Ou será que importaria mais, ou menos, do que tudo isso ser exata e simplesmente assim, e real, por mais que às vezes me pareça um sonho e seja um presente que não quero negligenciar ou dar como certo?

Com amor e saudade,

Tu sabes de quem.

domingo, 20 de agosto de 2017

Dialogues

And with the night
comes the darkness
that turns on the light
to our souls' deepness.

And as the sun goes out
I look into your eyes
and there dies the doubt
that still makes me unwise.

And as the wind grows cold,
the language remains warm
for every truth that is told
and is there to defy the norm.

And as time carries on
we whisper the poetry of dreams
where promises are spawn
in times ours by all means.

16/06/2017

sábado, 19 de agosto de 2017

Way to your heart

Let me closely see
what you call beauty!

Let me read you verses,
from mine or older voices!

Let me hear of your passion,
what fills your every fraction!

Let me dare to make you laugh
and take that sound as the guide of my path!

Let me show you the world around me
in the forever of a heartbeat!

Let us sit near the trees, as the sunrays
cross the leaves to kiss us in mute appraise!

18/06/2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

18/06/2017

Talvez a minha paixão pelas pequenas coisas, pelos detalhes, seja o que me mantenha viva por dentro. Mesmo com toda a minha sensação de buraco vazio, sem isso acho que já teria morrido em espírito há muito tempo. Talvez esse seja o fogo do meu coração. E pensar que um dia ele quase se apagou…

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

18/06/2017

Quando eu era criança, costumava olhar para as mãos das pessoas, como elas descansam e pegam as coisas, e pensar nelas como entidades completamente separadas e não como partes de um corpo...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Seasons are changing

I am summer's lover,
but Persephone bid me farewell.

I am winter's daughter,
but Father comes and life is hell.

How long is the wait,
with a heart this cold!

But open remains the gate
to the queen dressed in gold.

06/06/2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

12/06/2017

Tão triste e complicado querer encarar as coisas pelo que são, de forma natural, mas ter que se esconder pelo motivo que for... Saber que mesmo as pessoas que se pensava serem mais abertas dão o mesmo tipo de feedback negativo que se vê em outras... Claro que o que importa é não nos prendermos dentro de nós mesmos e sabermos que temos e merecemos nosso lugar, mas isso não torna as coisas necessariamente mais fáceis...

Felizmente o mundo está mudando, mas será que estamos dispostos a andar com ele e mudar também? Tudo isso é tão melhor de enfrentar com corações abertos por perto... Mas nem todos eles se deixam abrir.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

domingo, 13 de agosto de 2017

Torn I

I want to fall in love again.
I want my heart to beat fast
like I know it did in the past,
unafraid of pain or disdain.

I want to fall in love once more
and fill soul, poems and above
with the whiteness of a dove
and the clichés from the lore.

I want to burn in this fire,
be an entire world to another,
even if in a wild dream

that might make me smother
as much as it can inspire
a life to this slow bloodstream.

06/06/2017

sábado, 12 de agosto de 2017

Cacería salvaje

The told serpent slipped through your fingers
like water from those cold mountains,
inviting for a game of catch.

You tried to close your eyes and ears,
but it touched you, it knew you
and you wouldn't admit it.

It went beneath your tailored suits
and hissed you its General Song
about the man you wish you were.

It took you in the tightest embrace
to near the forgotten who were your mothers,
to the shunned dark rooms where you once made home.

And from above the bloody snow you returned
as child of your people, of those the serpent screamed of,
and the real persona of a brand new poem.

For that, you love it,
it cannot imagine
how much you love it.

3 de junho de 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Shot poem II

Here I am, slowly sipping
yet another glass of wine
to fool myself into thinking
it will make things fine.

Like your name, both sharp and sweet
right at the the tip of my tongue
racing this rather weary heartbeat
in a song insisting on being sung.

If only this fire in my veins
was the one I felt in your embrace!
It comes and goes with the speed of hurricanes
leaving but the memory of your grace.

I drink it both to sleep
and to remember I am alive
you thought my price too cheap
but this bottle was only fifty-five...

3 de junho 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

22/05/2017

Preciso descobrir para onde vou. De que lugar vou fazer meu lar e seguir com a minha vida sem me sentir um peso para os outros. Fico feliz por estar aos poucos abrindo a mente e não apenas e não apenas me descobrindo, mas construindo quem sou com o que me parece certo... Espero aprender ainda mais; felizmente nunca é tarde para tal.

Preciso encontrar uma maneira de viver da felicidade que aquilo que amo me traz e principalmente largar a apatia com relação ao que me diz respeito e o que acontece à minha volta. Não adianta eu querer ser cidadã do mundo, mas não prestar atenção nele, não me colocar no lugar dos outros. Sair daqui há de me ajudar com isso.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Presença

Sou filha do inverno
e amante do verão
sentindo que em meu coração
o frio quer se fazer eterno.

Sou cria de uma fronteira
que conhece geada e mormaço
mas foi dentro do teu abraço
que minh'alma quebrada se fez inteira.

E a cada dia te sinto mais aqui
em espírito que continua perto
no quanto me queres bem;

nos sonhos que seguem em aberto
divididos entre mim e ti
e que hão de nos lançar muito além.

30/05/2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Canto V

Sou filha de princesa
Nascida em beira de rio
De frente a calor e frio
Em um fardo que ainda pesa
Havendo de se fazer mulher
E até hoje ter de se provar
Que o pampa um dia fez brotar
Flor que no mapa não quer se perder.

Ana, a do Uruguai
Que entende da ânsia
De viver na distância
Das outras crias de seu pai
E faz do atravessar uma ponte
O que consegue de mais perto
De uma irmã de peito aberto
A dividir o mesmo horizonte.

Cujo colo é mais minha casa
Do que o teto sobre minha cabeça
Mesmo que o mundo faça com que pareça
Que não há mais lugar sob sua asa
E mesmo tendo de quem sabe deixá-la
Sei que merece e precisa de muito mais,
De chances para que vejam ser capaz
De ir além do que seu passado nos fala.

E quem sabe um dia eu volte
Só para ver que a moça da fronteira
Ergueu-se em égua caborteira
Escrevendo para si nova sorte
E me receba, chegada a minha hora
Na realeza de uma saudade
Conservada em lembrança e lealdade
De quem a viu por dentro e por fora.

29/05/2017

domingo, 6 de agosto de 2017

A jornada

Talvez para me lembrar
que meu espírito é livre
e dar valor ao que tive,
o que me resta é zarpar.

Que do outro lado das fronteiras
as distâncias pareçam mais curtas
e mesmo que sejam duras,
suas glórias se mostrem certeiras.

Para que eu não esqueça de onde vim,
que eu bote os pés para fora daqui
e tome a mim mesma pela mão

em um lar onde eu tiver de ir
feito do que há de melhor em mim
porque não hei de viver em vão.

29/05/2017

sábado, 5 de agosto de 2017

Canto IV

Abre teus olhos, guria,
E vê, enxerga e repara
No que está na tua cara
E usa da tua fúria...

Para quebrar o silêncio
Que se fazia em desperdício
Passando a ser início
De em ti um novo tempo.

Não esqueces do que é certo
Nem de todo o absurdo
E comece logo a lutar

Pelo melhor de outro mundo
Nem que seja na ponta de um verso
Que sabes poder cantar...

27/05/2017