segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

As canções que eu ouvia durante a adolescência e com as quais achava que me identificava pelo simples sentimento de rebeldia e desajuste se encaixam muito melhor com a minha vida agora. Porque agora eu entendo o real significado que elas têm para mim, mesmo depois de tanto tempo. Entendo como realmente me sinto. Tudo o que eu venho engolindo todos esses anos.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

As perdas

Não sei o que é mais estranho. Desde que comecei a realmente perder entes queridos e entender o conceito da morte, da perda e do luto, tem sido mais ou menos assim: depois de remoídas todas as fases do luto com maior ou menor intensidade, a sensação é que com o tempo eu sigo em frente como se nada houvesse acontecido, embora eu saiba que isso não é verdade; acho que essa é a definição da expressão ‘fulano (a) está vivo no meu coração’. Talvez porque as lembranças sejam o que sobre e elas sempre estejam lá, no fundo da gente, talvez não tão sólidas, mas sempre ao alcance da mão.

É como se de certa forma eu agisse como se aquela pessoa ainda estivesse fisicamente viva. E aí vem o bizarro: de vez em quando, aparece algum detalhezinho, uma coisinha qualquer que traz para as memórias uma cor e textura diferente, que não se pode ver, mas se pode sentir, a da saudade.

Com a saudade, vem o lembrete da perda real, que ela realmente aconteceu e que não tem volta, e às vezes dói, não importando quão maduro a gente seja. E aí só nos resta deixar que doa, como quando a gente mexe numa feridinha que está querendo sarar, porque uma hora ou outra a casquinha nasce de novo.

A perda é uma facada na alma que as recordações em geral cicatrizam. Cicatriza, mas não some. Fica pra sempre. Nós muitas vezes nem notamos, mas segue no mesmo lugar, do mesmo tamanho. Só não sangra, embora fique dolorida nos tempos tempestuosos. E como o sol sempre vem, esperamos que o tempo melhore e possamos ir vivendo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Tu me aceitaste mesmo com estas minhas lágrimas 
que parecem não acabar nunca… Me viste para além delas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Se o coração é o órgão do amor, 
será por isso que muitas vezes 
morremos de tristeza?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Vida crua

Eu cozinho
minha raiva
a fogo
bem lento.

Temperada com
o ressentimento
de estar,
no fim,
de mãos
completamente atadas...

E não
conseguir saber
quanto tempo
ainda aguento
esperar para...

Agarrar a
vida cozida
que mais
me apetece
já fria

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

30/12/2014

Talvez eu seja mesmo uma lutadora de algum modo, como ele diz. Não só pela minha condição e tentativa de viver uma vida o mais normal possível, mas provavelmente porque eu ainda tenho esperança.
Esperanças de que as coisas mudem e eu não sinta a dor que sinto hoje.
No fundo, em muitos aspectos, não me sinto boa o bastante. Talvez justamente por eu guardar dentro de mim essas pequenas coisas ditas pelos meus pais que são simplesmente excruciantes. Algumas mais particularmente ofensivas.
Eu vivi a vida inteira fazendo e sendo o que os outros esperavam de mim e isso só me tornou uma pessoa insegura e medrosa para muitas das escolhas que hoje tenho a oportunidade e até mesmo a obrigação de fazer.
Eu não percebia que mesmo mais jovem do que hoje eu já deveria ter começado a me impor para lutar pela minha própria vida. E hoje é claro que ninguém vai tirar isso de mim. Mesmo com as dificuldades que eu ainda enfrento para fazê-lo. Não quero que os anos passem por mim sem que eu tenha sentido que vivi de verdade uma única vez que seja.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Houve uma época em que eu andei a cavalo quase sozinha. 
É linda essa visão de cima para baixo que se tem 
montado quando se passa tanto tempo olhando no sentido contrário. 
E pra quem pode com certeza a sensação é 
de liberdade… Ah que palavra linda!