domingo, 31 de janeiro de 2016

Uma das partes mais difíceis de escrever sobre o que sinto, 
o que realmente está me afetando, 
é pinçar uma coisa de cada vez
 e conseguir não fugir do assunto 
para discuti-lo com sinceridade.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Se um espelho pudesse
mostrar qual o
maior desejo do meu
coração,
acho que seria liberdade e
paz de espírito.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

10 de janeiro de 2015

Tecnicamente, sou filha única. Só tecnicamente. Só soube que tinha uma irmã gêmea fraterna que faleceu pouco depois de nascermos aos 11 anos de idade, porque uma colega me questionou se minha irmã estudava no colégio público que frequentei, quando na verdade a pessoa era eu.
Se alguém me pergunta se me sinto mal por causa dela, na verdade não sinto nada. Como vou sentir falta de alguém que nem conheci e só soube da existência vários anos depois? Mas é claro que fico chateada pelos meus pais. É muito difícil perder um filho.
É muita pressão, é como se uma bomba fosse estourar a qualquer minuto. Detesto essa sensação de opressão e expectativas de perfeição.
O fato de eu ter e ao mesmo tempo não ter irmãos nunca havia me afetado como o faz há algum tempo. Eu observava meus amigos que possuem irmãos e até mesmo meus pais, vindos de famílias grandes, e achava interessantíssima essa coisa de ter outra pessoa na mesma casa, mais nova ou mais velha, que divide tantas coisas contigo. A fronteira entre amor e ódio, brigas e similares.
Eu ainda observo e fico fascinada com o quão peculiar isso é. Isso passou a me afetar porque eu entendi o tamanho da minha solidão. Não que necessariamente ser um dos filhos signifique que uma pessoa não se sinta solitária, mas eu sei lá. Ter alguém com quem rir, brincar, conversar e até brigar por outras razões parece algo que me agradaria.
Me pego pensando em como as coisas seriam se minha irmã estivesse aqui. Se teríamos nascido sem nenhuma deficiência e poderíamos andar, ir a festas juntas, correr…  Como ela seria na aparência, se seríamos amigas… Se ela faria diferença na minha vida ou seria só mais uma pessoa.
Se ela sentiria o mesmo que eu. Se a presença dela nos faria mais livres em vez de me prender na gaiola da superproteção.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As janelas destrancadas

Ele entrou outra vez naquele lugar bagunçado, empoeirado, com portas empenadas e goteiras, sentou-se e ficou em silêncio… Também disse que algum dia a moça teria de arregaçar as mangas e limpar aquilo tudo e principalmente não deixar que ninguém depositasse lixo, para não piorar as coisas.
Depois de um tempo, foi a vez dele a convidar para seu território, o que a deixou feliz e diminuiu sua sensação de egoísmo ao se ver disposta a entrar de todo, quando na verdade de alguma forma sempre acabava só no portal sem nem entender por quê. Era algo próximo e ao mesmo tempo distante… Ela se sentia mal porque era como se uma minúscula parte de si não achasse que deveria. Tanto convidá-lo como aceitar seu convite, seu amor sem restrição nenhuma.
Aquilo precisava mudar… E antes que ela percebesse, mudou, e agora precisava continuar assim.
Aquele lugar também tinha sua tormenta, que também levaria tempo para ser arrumada, mas era aconchegante à sua maneira. O sol escaldante que aos poucos se punha como uma coberta dourada fazia com que ela usasse os óculos de sol comuns dele sobre os olhos míopes, pois os seus com grau embutido não estavam à mão. Apesar do contorno desfocado das coisas, ela o podia ouvir e sentir perto dela, feliz por se notar realmente disponível para ele como ele sempre fora para ela.
Ela o via ali, aos borrões, sentado em posição de Buda num velho e duro banco de praça, à sombra de uma grande árvore. E se via olhando diretamente para ele, para o castanho dos olhos que sabia que estava lá. Como para ter certeza de que aquilo realmente estava acontecendo, trocou o nublado do óculo escuro pela nitidez suja dos de grau por um breve instante.
E lá estavam eles, iluminados por uma bela faísca de fogo. Ela já o estava enxergando mesmo sem ver. Por fora e por dentro, pelas janelas daquela alma leve e amiga na qual na verdade já havia adentrado. E ele a via também, pelas janelinhas surradas que ela nem se lembrava de ter aberto de vez, apesar das frestas.
Talvez o medo dela não fosse de ver o que os olhos dos outros mostravam, mesmo os dele, mas sim de deixar que os seus próprios deixassem algo escapar, mesmo para ele, que há tempos havia chegado tão fundo. O medo da completa intimidade e aceitação que aquela pequena parte dela sentia mesmo sem querer.
Apesar de terem entrado logo pelas portas da alma um do outro, ambos se viram conseguindo espiar pelas janelas. Ela permitindo que as suas fossem perscrutadas de mansinho e também apreciando o que via pelas dele como jamais o fez antes. Para ter um apanhado do lado de dentro e uma vez dentro, apreciar o jardim do lado de fora. O dela, por sinal, andava seco e judiado, mas tinha esperança de outra vez ver flores e árvores de fruto. Ele sabia bem disso.
- Eu estou olhando pros teus olhos… - ela disse, ainda surpresa.
- Sim, está. Eu estou aqui. E tu também olhaste para mim aquela hora, quando me falaste aquelas coisas…
- É mesmo? Eu nem tinha percebido…
Ele apenas sorriu, sem desviar o olhar. Ela ficou feliz. Algum golpe de vento deve ter aberto os trincos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cansaço

De viver num ciclo vicioso que parece que nunca vai terminar. De, mesmo sem perceber, deixar que outros determinem o modo que quero viver. De acabar vendo pena nos olhos de quase todo mundo porque sinto que incomodo. De me pegar duvidando até das coisas mais sólidas. De chorar, de sentir raiva, de permitir que o que alguns dizem nas entrelinhas determine como vejo a mim mesma e meu comportamento.

Da autopiedade, da tortura que parte de fora e de mim mesma, de me desculpar por tudo o que não precisa de desculpas. De não ter espaço para pensar nas coisas com cuidado e ter que ficar me provando pros outros fazendo coisas das quais tenho pouca certeza se quero. Da minúscula parte de mim que acha que o o amor que recebo só devia existir nos meus sonhos. Do medo dos olhos das pessoas.

domingo, 24 de janeiro de 2016

XII

Olá, meu irmão.

Não sei como aconteceu, mas de alguma forma maravilhosamente difícil de entender, eu passei a confiar em ti praticamente de olhos fechados.

O que foi isso que de repente me fez me abrir tanto em tão pouco tempo e hoje me tornou alguém que passou a olhar de verdade para si mesma, por mais doloroso que seja?

Será que foi aquele pôr-de-sol na varanda, a rua vazia, o calor do verão, o vento manso sussurrando segredos que nenhum de nós conhecia ainda? Será que foi a solidão, que naquele dia não era tão doída, por ser compartilhada e cheia dos nossos sonhos?

Talvez um pouco de tudo isso. Os meus versos tolos, porém sinceros, teu ouvido tranquilo e paciente na cadeira ao lado... Teu abraço apertadinho e carinhoso, tua mão que até hoje me puxa gentilmente de volta à clareza. Foi quando isso aconteceu que entendi que era por isso que eu procurava e nem sabia. E agora é algo nosso, nossa forma de expressar esse carinho, esse amor que nasceu tão rápido e tão aos poucos.

Não é só meu corpo que abraças quando nos vemos. O aperto (às vezes mais forte) dos teus braços não me sufoca. Pelo contrário, deixa que minha alma respire. Não é só minha mão que guardas entre as tuas, mas também meu coração. Agora eu sei que um toque pode dizer muito, e do quanto eu precisava disso...

Agora chegamos bem perto do âmago um do outro, não é?

Seja lá o que tenha me trazido tanta paz de espírito, me alegra que seja recíproco. Minha lealdade é tua para além desta vida; obrigada por algo tão bonito e natural.

Da tua irmãzinha.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Aos 9 anos

Quando olho para trás hoje, percebo que a morte do meu avô foi um divisor de águas na minha vida. Não apenas por eu ter apenas nove anos à época ou porque o amava. Mas também porque tal fato abriu meus olhos para muitas circunstâncias.
A morte do meu avô, repentina como foi, me deu consciência da minha própria mortalidade. Da loucura que é ter alguém de que se gosta perto de si, e no segundo seguinte, encontrar o luto e ter de se bastar apenas com as memórias. Manter esse alguém vivo nessas lembranças e dentro de nós.
Claro que outros parentes haviam falecido ao longo da minha vida e até antes de eu nascer. Como ainda era muito jovem, a morte não me parecia nada especial, muito menos o passar do tempo. As ausências não me afetavam. Mas desta vez foi diferente; o fim de alguém tão próximo de mim me mostrou que um dia, querendo ou não, o mesmo acontecerá comigo.
Eu fui crescendo e, por mais que eu tenha deixado de realmente pensar na morte da maneira assustadora com que o fiz antes, ela passou na verdade a me intrigar.
A partir do momento em que nascemos, começamos a morrer; uma reação química de cada vez. Todos os dias nos olhamos no espelho e algo muda, algo vem e também se perde.
A perda do meu avô me fez perceber que o tempo realmente passa. De que na verdade eu nunca soube o que realmente fazer com a minha vida; que ela não é fácil e que talvez eu nem mesmo sei quem sou. Eu notei que tinha paixões, sonhos e esperanças, mas que elas não parecem ser o suficiente para me fazer sentir viva e útil.
Entendi que não tenho uma vida totalmente minha e que não sei quando vou poder ir atrás dela. Me fez querer ser alguém melhor, por mim e pelos outros. Prestei atenção em padrões e depois de anos consegui admitir a mim mesma que há anos me sinto sufocada e preciso de liberdade.
Liberdade e espaço para fazer escolhas com mais sabedoria e não desistir daquilo que desejo. Que para crescer de verdade, como o mundo cobra, preciso ter a chance de cometer erros e encarar as consequências sem me torturar, muito menos com gente que me torture por eles. Que eu consiga conviver com outras pessoas e elas me façam querer ser menos egoísta, menos cruel...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

15/01/2015

Ainda vai chegar o dia em que vou me livrar de tudo o que não serve para mim. Que não sentirei mais toda esta raiva oprimida que me faz ser cruel com as pessoas. Que todas essas crenças maléficas enfiadas em minha cabeça ao longo do tempo sumirão e me sentirei mais livre. Sem tantas inseguranças. Com condições de pensar de verdade no que quero para mim.

Em que conseguirei ser aquilo que sou e não o que esperam de mim. Em que poderei dizer o que penso e fazer o que minha cabeça e coração mandarem sempre que necessário. Que entenderei que não é ruim mostrar fragilidade.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

30/01/15

Apesar de escrever poemas e ter tido a coragem de começar a divulgá-los na internet aos treze anos de idade, bem como os pensamentos aleatórios que passei a registrar a partir dos quinze e ter publicado um livro aos dezoito, não me considero uma escritora, como minha mãe e outras pessoas muitas vezes enchem a boca para falar.
Talvez as coisas tenham acontecido desta forma porque eu sinta certa necessidade não de me mostrar e vangloriar, mas de que os outros saibam quem sou e que de alguma maneira eu não me sinta sozinha no barco dos sentimentos misturados e loucos, porém sinceros. De que, como já tinha escrito antes, eu não seja esquecida, mesmo querendo ser só mais uma, invisível na multidão.
Mas não, não gosto do rótulo. Até porque sou muito mais do que isto e esta não é a carreira profissional que quero seguir depois de formada. Claro que fico feliz com o feedback positivo e até mesmo negativo que meus textos recebem de vez em quando, mas nem se nada disso fosse assim eu pararia de escrever.
Talvez eu tenha escrito meu romance e esteja pensando em suas continuações como uma maneira peculiar de expressar meu ponto de vista sobre certas coisas, principalmente relativas ao modo como penso que vivo, minhas insatisfações, o que sou e o que gostaria de ser. Como um catalisador de raiva e mágoa que os destinatários nem se deram o trabalho de perceber quando a coisa foi publicada.
Já nem sei mais a quê isto me levou e leva.
Por mais que às vezes me dê vontade de virar tudo de ponta cabeça e sumir com tudo o que já publiquei que já não esteja na mão de alguém e guardar minhas palavras só para mim, possivelmente este já seja um caminho sem volta. É impossível desfazer tudo agora, tem material demais por aí. Só me resta parar agora ou seguir com o baile.
Quanto mais o tempo passa, mais percebo que divulgando ou não, escrever seja meu destino. Como uma maneira de ser honesta comigo mesma e tentar dar nome para o indescritível. Cada vez mais sinto que, quem quer que eu seja hoje ou seja amanhã, esteja nas palavras que deixo pelos cantos, sejam elas lidas ou não. Eu dependo delas mais do que nunca.
O que eu escrevo não são só palavras. Sou eu. Mesmo quando até para mim pareça bobo e inútil. Concordo com Ed Sheeran quando diz que pior do que ser criticado é ser menosprezado. Em minha opinião, não sou escritora, mas alguém que depende bastante das palavras.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Um coração

Como vai
esse coração
de passarinho?
Coração apaixonado
ou indeciso.

Que bate
rápido e
bem forte,
na velocidade
do voo
da emoção,
do instinto...

Que teme,
se esconde,
age devagar,
mas ainda
assim, deseja.

Esse coração
é de
um passarinho
não por
faltar grandeza,
mas por
transbordar leveza
e luz...

Então deixe
que gravite,
que aflore,
se entregue
ao desconhecido.

Pense bem,
mas não
se acanhe,
de qualquer
forma tu
não perdes
em nada...

Dói muito
se esconder
dos outros
e de
si mesmo!

Só saberás
as respostas
se olhares
aí dentro
e jogares
os dados...

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A maior fraqueza de
uma pessoa
é fazer você se
sentir ainda mais
fraco.

15/11/2011

Tenho que parar de viver num mundo de frases feitas e tentar escrever minha própria história. Sei que não ganho nada por chorar, mas o que posso fazer se é mais forte do que eu? Se choro é porque sou humana e tenho um coração.

Quero alguém que me mostre o caminho para que eu possa aprender a navegar na minha mente e entender as minhas emoções. Para que eu possa ir embora daqui com a certeza de que não vou mais chorar.

domingo, 10 de janeiro de 2016

27/11/2011

Acredite, eu não queria me apaixonar, mas aconteceu.

Sei muito bem que você não é perfeito e que nunca seria meu; por isso tomei coragem pra escrever o que eu escrevi; porque o que eu sinto não importa. E mais uma vez você não entendeu que não te quero mal e que você nunca vai conseguir me magoar.

Mesmo que eu queira, mesmo que você tente. Não preciso que você me empurre, porque já estou afundando. Não se preocupe, eu vou conseguir sozinha, apesar de não ser fácil. Pelo menos você me deixou algo de bom: mostrou-me que eu ainda posso amar, mesmo que no final eu sofra de novo.

Desculpe por qualquer coisa, eu não queria que tudo tivesse terminado assim. Você não vai conseguir me fazer sofrer. O tempo vai me ajudar a te esquecer.