sábado, 30 de abril de 2016

O estalo

A morte levou o meu melhor
Tirou de mim, de repente
A mais bela e viva flor
Que já viveu sob o sol poente.

E assim, desde então
Tento entender o movimento
Que meu Romântico coração
Não aceita como em si mesmo um evento.

A genialidade faz de mim um deus
Que virou a ampulheta da natureza
E do perecido fez outra vida.

Mas também à sanidade deu adeus
Ao contemplar minha baixeza
Na absurda monstruosidade surgida.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O frio interno

Depois de dias de um calor fora do normal e chuvas irritantemente quase incessantes, o inverno parece ter chegado mais cedo por aqui. Por um lado é bom, pois traz de volta ao céu, agora azulado como os olhos do rapaz por quem um dia fui apaixonada, o calor do sol, mesmo que o vento
que veio com ele seja gelado. Apesar de eu quase não sair de casa, ter mais luz natural vinda das janelas com certeza é um consolo.

O frio intenso chegou de repente e meu corpo não gostou; meus pés estão mais gelados, acho que já fiquei um pouco doente e sinto mais do que nunca o frio rastejar pelas minhas pernas e penetrar em meu coração, meus ossos. e me lembra de que o vazio que sinto sempre esteve aqui; antes eu
nem tinha consciência dele. Agora que nos conhecemos, às vezes fica mais forte do que eu, como uma fera melhor alimentada assim como a minha raiva, que moram na jaula do meu subconsciente.

Às vezes eu consigo domá-los. E eu outra vez espero sobreviver conseguindo sentir o sangue correr nas veias a outro inverno que nunca poderei amar e que só deixa tudo mais latente.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

terça-feira, 26 de abril de 2016

Lembra quando, no Alto da minha arrogância, eu te dizia que tu deverias mudar ou do contrário as pessoas acabariam se afastando? Pois eu não entendia que não faz sentido mudar simplesmente porque alguém disse. Nem que esse é um processo lento e constante. Muito menos que o que eu te dizia acontecia comigo também. Quem sou eu pra falar?

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não sou responsável pelas emoções dos outros, nem pelo 
que pensam de mim. Nunca fugi a pagar os 
preços pelos meus erros, 
mesmo que eles signifiquem solidão. Afinal, acho que 
no fundo sempre fomos bem próximas.

domingo, 24 de abril de 2016

Acho que tenho medo de ser amada porque temo machucar os outros
 além do reparável e não saber o que fazer.

sábado, 23 de abril de 2016

Já não falo mais, não tento explicar mais nada, mesmo o que precisa de explicação, porque sei que ninguém vai me ouvir. Que pensem o que quiserem de mim. E aí todo mundo se fecha no seu mundinho e meus erros ficam como fins em si mesmos.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Lembrete: não aceitar sintomas de depressão
 como uma coisa natural, inata, como parte de si.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Talvez o melhor a fazer não seja exatamente mudar 
nossos defeitos, e sim conseguir controlá-los.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

27/12/2014

Se tem uma coisa com a qual eu realmente preciso lidar é a culpa, esta sensação horrível que me mata por dentro a cada dia e que não sei de onde vem.
Com o passar do tempo eu criei uma paranoia que faz com que, por exemplo, eu me sinta culpada por toda e qualquer coisa ruim ou desconfortável que acontece comigo. E ela é só um dos aspectos.
Talvez ela se origine de coisas que eu achava que não me afetavam, mas que na verdade tenha guardado para mim bem no fundo, no meu inconsciente. As pequenas coisas ditas pelas outras pessoas, tipo “você está com x porque deixou de fazer ou fez y ou z”.
Ele está certo. Tenho que fazer uma faxina. Me livrar de todo o lixo e ver o que ainda posso aproveitar. Não posso me deixar afetar tanto assim pelas situações e pessoas. Tenho que amenizar todo este peso antes que ele me ponha no chão.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A doença das relações

Algumas coisas simplesmente mudam a ponto de se acabarem. E não há muito que, quase sempre, a gente possa fazer por elas.

É, eu acho, como uma pessoa com uma doença terminal que decide viver seus últimos momentos em casa, perto das suas coisas, daquilo que lhe é cômodo e familiar.

O que se pode fazer, no mais, é aliviar a dor quando ela vier, aproveitar o tempo que resta, tentando reter as partes boas que sobrarem e esperar que a Grande Cadela, a Magra, como dizia Erico Veríssimo, venha aprontar a última das suas sacanagens.

Acho que já me acostumei com esse tipo de morte, a das relações. De certa forma, até espero por elas, em alguns casos. O tempo vem com seu hálito de doença e infecta o que parecia imune, incólume. Mas nada escapa da mão do tempo, não é mesmo? De um jeito ou de outro tudo o tem como seu algoz final e definitivo…

O assunto se esvai, os silêncios aumentam, as diferenças maiores se sentam ao sofá também. Isso porque a Vida e o Tempo põem cada um pro seu lado. Em muitas das vezes, primeiro fisicamente, ou não, depende. Depois, o que é mais triste em ambas ocasiões, porque acontece mais devagar e que é mais palpável, as mentes e almas também se distanciam ao ponto de não haver nada além de estranheza e desconforto quando se tenta verificar se a paciente tem chance de melhora.

Claro que muitas vezes os sintomas acabam mesmo negligenciados de um lado ou outro, o que permite que a enfermidade atinja seu pico. Mas de vez em quando, por mais saudável que tenha sido, sua vida é curta e simplesmente expira.

Não posso negar que é triste. Tem coisas que não são mesmo feitas para durar para sempre. Mas nem por isso necessariamente não produzem boas memórias. São essas que prefiro guardar. Quero mesmo é me preocupar com aqueles que ainda não estão doentes e os que não estão em estado grave, para que não piorem. E também os que nasceram em ambientes contaminados. Não deixar que nossas casmurrices nos aborreçam.

Afinal, o que eles precisam e posso oferecer agora e sempre é um cobertor, uma sopa, um comprimido e um cafuné. Se não melhoram de todo, pelo menos não pioram. E até quem sabe renasçam ao receberem um sopro de ar fresco…

terça-feira, 5 de abril de 2016

Uma data, uma conta no banco. Minha assinatura num papel, um ciclo acabado. Uma escolha entre muitas, uma certeza que não era tão forte quanto parecia. Uma vontade de mudar tudo que só aumenta; uma expectativa. Obrigações que espero poder cumprir. Puf, sou adulta. É o que dizem.