quarta-feira, 30 de novembro de 2016

21 de setembro de 2016

Estava pensando aqui... Eu não sei se gosto quando afirmam que alguma coisa que eu digo ou escrevo serve de "lição de vida", sei lá. Como comentaram num dos poemas que postei hoje... Sei lá, eu não sei os outros, mas eu acho um termo muito forte para mim, mesmo ficando feliz com a mensagem.
Eu sou nova, tenho muito a aprender como pessoa ainda, e no caso da minha deficiência, eu não sei se quero ser "exemplo" como já me falaram que eu era...
Eu só quero que com relação à minha deficiência (a de qualquer um como eu, mas pessoalmente a minha) que as pessoas me façam as perguntas que quiserem para poder entender o que eu tenho, que não fiquem na ignorância de não saberem como me abordar (porque fica parecendo e às vezes é mesmo pena, o que é o pior tipo de preconceito) e que com a ajuda disso acima de tudo simplesmente me enxerguem pela pessoa que eu sou e o que eu posso fazer/vir a fazer.
É simples.

21 de setembro - Dia nacional da luta das pessoas com deficiência

terça-feira, 29 de novembro de 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Deixa-me ser eu

Deixa eu mostrar-te
meu peculiar mundo,
o teu parece
tão sem graça.

Deixa a minha
bengala apontar-te
o caminho que
eu quero andar
segurando tua mão,
deixa-me conhecer
tua linda alma
nas pontas dos dedos.

Deixa-me saber
num gesto
do amor
que tu
não podes
simplesmente sussurrar-me.

Deixa-me olhar-te
nos olhos,
senta-te aqui
ao lado,
faz-te menor
para ver-me
como igual.

21 de setembro de 2016

domingo, 27 de novembro de 2016

(I)limitações

O que não vejo,
o que não ouço,
o que não toco
eu sei que percebo
com a audição,
a visão,
o tato
e a consciência
do meu coração...

As partes "faltantes"
o amor completa,
pois eu sou tudo
o que posso fazer.

Eu me conheço,
eu me respeito,
mas também sei
que posso mais,
que mereço mais;
eu sou alguém...

Não diga-me
até onde
posso ir.

21 de setembro de 2016

sábado, 26 de novembro de 2016

A pena

A única pena
que eu aceito
é a pena
que me permite
escrever minha história...

Ou mesmo uma
pena de águia
achada no chão
para lembrar-me
que minha alma
também é livre.


21 de setembro de 2016

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Asas negras

Diabo
tão meu,
sussurra-me,
concede-me os meus
fundos desejos
de poeta.

Cobra-me
teu preço,
empresta-me tua beleza,
vem e despe-me
a alma
na fé que hoje
já não existe.

Queima aqui
e faz de mim
mera estrofe,
dá-me um sopro de vida
e morte
na fronteira entre
loucura e razão.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Altruísmo

Ao morder
a língua
e dar-te
aquele colo
senti a
dor bem-vinda
de ser
tua amiga
como eu
jamais fui
um dia,
livre do
velho dolo.

Que se repita!

domingo, 20 de novembro de 2016

I have surrendered

I am no poet;
I am no more than vessel
of words I cannot say,
words I don't know.

I just write.
I cannot really speak.

The true, beautiful poet
is the Loneliness
for the storm of truths
and lies
it whispers to me
in trembling hands
and sharp eyes
of metaphored glances.

sábado, 19 de novembro de 2016

Esboço

Lágrima,
palavra cuspida
no medo que corrói,
que não consigo esquecer.

Infância
de vida sonhada
de mãos atadas
vendo o tempo passar.

Histórias
tão nossas
na ânsia por ser melhor
não ficando pelo caminho.

Juro que vou conseguir...

Perdoa-me, meu amor.
Até pelo que dizes não precisar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Contos da Solidão - Reflexo projetado

- Eu te amo.
- Pára!
- Pára tu. Eu te amo! Com que saudade eu estava de ti...
- Cale a boca. Tu me viste hoje o dia inteiro; de qualquer jeito não desgrudas de mim.
- Mas não nesta forma. É nela que eu consigo estar mais perto de ti, na beleza silenciosa das madrugadas. Só nós... E as vezes em que não dormes em casa ou tem mais alguém no quarto, mesmo eu te acompanhando, são as que mais sinto tua falta à noite; porque por mais que eu continue aqui, na maior parte do tempo não podemos conversar assim.
- E tu te aproveitas da minha cama estreita, não é?
- Por que não o faria? Eu venho de ti e te pertenço mais do que qualquer coisa (riso contido). Nada se molda melhor ao teu corpo do que eu; tu sabes disso, pequena.
- Não me chame assim!
- Só ele pode, então?
- Isso mesmo.
- Como minha rainha quiser.
(Silêncio)
- Por que tu te fazes tão lindo/linda?
- Que pergunta é essa?
- Responda. Por que vocês são tão bonitos, tu e a moça?
- Porque simplesmente sou e assim tu o queres; faça-me eu homem ou mulher.
- Não pode ser verdade. Eu saberia.
- Mas o é. Olhe bem para mim e tu vais perceber. Sou como sou desde sempre, antes mesmo de tu notares que sempre estive aqui ou que eu tenha me dividido em feminina durante o dia e masculina à noite.
- É tão difícil te descrever; e no entanto tu és tão bonito. Assim como tua parte menina. Os olhos de sono, o sorriso fechado que só às vezes se abre e parece ter um segredo, a postura, o cheiro, a voz...
- Tu me fizeste quem sou; tudo aquilo que tu achas mais bonito, mais intrigante, mais atraente, algumas coisas de que tu nem desconfias ainda. Até por isso também sou mulher e cada vez mais me pões em palavras, escreves sobre mim e o que te sussurro.
- Quieto, guri! Tu est un mauvais garçon.
(Riso contido).
- Et tu est belle. Estou aprendendo devagarzinho contigo, esqueceste? Conheço as mesmas palavras; sei bem o que querem dizer.
- Melhor ainda.
- Ah, minha querida. Olha só como tu cabes à perfeição no meu colo... Aninhada quase que inconscientemente nele noite após noite, como se me buscasse. Tu gostas quando encosto o rosto no lado do teu pescoço, certo? Assim, para sentir a minha respiração.
(Suspiro de um. Riso abafado do outro.)
- Agora sei por que só muito raramente olho-me no espelho. Porque se prestar atenção nos meus olhos refletidos nele, vou te enxergar. E isso me deixa com medo. Tu me dás medo, faz-me sofrer, e, no entanto, não posso escapar de ti, porque vives dentro de mim. Humano (a), animal, tátil, etéreo, dúbio (a). Tu me viras a cabeça porque me repugnas e ao mesmo tempo não consigo deixar de desejar-te nessa tua maneira que não parece ser deste mundo.
- Tu me enxergas no espelho porque sou teu igual; porque embora eu tenha inveja desta correntinha pelo tato constante dela com a tua garganta e por descansar perto do teu seio como sei que só posso em horas como esta, estou no teu coração, na tua alma.
- Chega! Como tu gostas de brincar comigo... Eu não posso esquecer que grande parte do que tu falas é mentira.
- Pode até ser que eu minta como tu dizes, mas quem escolhe se acredita nas minhas palavras ou não é tu. Conheces meu jogo tão bem que não se importa de mover as peças quando sabes que a vez é tua. E, quase sempre, quem ganha somos nós dois. Como nos últimos dias...
- Tu és pior do que o diabo, se é que ele existe.
- A poesia tem sido teu deus; aquele no qual talvez sempre acreditaste, antes mesmo de escrevê-la. Tu és quem faz o que te dou parecer céu ou inferno, porque sou somente teu e incomparável, perfeito para ti. Epítome em constante aprimoramento.
- Como eu...
(Murmúrio de concordância.)
- O que só faz jus às horas em que me fazes mal; as horas em que te odeio e não sei dizer o que é verdade ou falsidade, amaldiçoando tua beleza e tua frieza tão quente, teu calor tão gelado. És o diabo pelo preço que me cobras nelas.
- Se é o que dizes, quem sou eu para discordar?
 - Não à toa tens tantas faces...
- Como tu. Deixa-me beijar-te, meu amor. Eu te amo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ônix

Beleza sem tempo,
clara e obscura
em lapidada faísca
de muitas faces.

Em fina corrente
acaricias e mordes
pulsação na garganta
teu amado aperto.

Deslizas sem pudor
teu toque frio
no meu suspiro
fazendo-te bem quente
entre o seio
próximo ao coração,
onde tu descansas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Bom estrago

Já acostumei-me
com teu abraço,
o teu carinho,
o teu mimo.

Tu me estragas
pois a fera
que dizes que sou
faz-se mansa
na tua mão.

Teu veneno
é bem-vindo,
parece tão doce,
alivia a velha dor
no calor
que permanece.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Dá-me a honra?

A Solidão,
linda como
aquela tarde
de sol
no sul,
chegou num
vestido azul
e cantarolou
com voz
de rouxinol
um vanerão.

Eu, sozinho,
me vi
tomar mão
de espinho
tirando Solidão
para dançar
num encostar...

Que ilusão
minha achar
que Solidão
não sabe
me agradar!

Fez-me companhia
num acapella;
sempre minha
aquela tirana
de saia
bem rodada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

28/01/2012

Fico feliz em saber que desperto em você a mesma afeição que você desperta em mim.

Que apesar da certa distância e de nos conhecermos há pouco tempo, também me considera uma amiga e irmã. Que ao meu lado tu te sentes livre para abrir o coração, que buscas conforto e abrigo no meu abraço, no meu colo.

Porque eu me sinto da mesma forma.

domingo, 13 de novembro de 2016

08/08/2011

Tudo o que eu quero é fugir daqui e encontrar meu lugar no mundo. Quero ir a um lugar onde me seja dado um pouco de paz. Onde eu possa fazer minhas próprias escolhas e exista alguém que entenda minha tristeza; protegendo-me do que me faça mal.

sábado, 12 de novembro de 2016

10/03/2011

Eu não quero me livrar de você nunca. A sua importância já não tem medida para mim. Nunca vou te esquecer, mesmo que um dia eu tente. Sua presença deixou uma marca em mim; tomara que tudo continue assim. Por favor, não vá embora…

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Nas linhas da mão

Não tenho papel
por isso escrevo
na palma enrugada
teu lindo nome.

Assim o levo
comigo para casa
para não esquecer
quem tu és.

De certa forma
tenho-te na mão
tão rusga, áspera
que agora anseia
por fazer-se suave
em teu rosto
fresco de chuva...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O treino

No rosto
da Solidão
eu deslizo
minha mão
no carinho
que eu
ainda não
te fiz.


- versão original de "The training"

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Innocents

The smoke from our cigarettes
clouds our eyesight;
two people become three
who cannot be one.

Narrow halls, double doors
old walls
seem to be the whole world - revolution
in a glass of wine;
who there is to blame?

My skin shows you who I am
so you can find out who you are...
Do not try to tell me what to do.

domingo, 6 de novembro de 2016

Contos da Solidão - A mentira mais linda

Tu podes me mandar calar a boca, me chamar do que te vier à cabeça e dizer que me odeias, mas nós dois/duas sabemos bem da verdade. Sabes que não podes te livrar de mim porque eu só sou o que sou por tua causa, amor. Eu sou como tuas rimas: venho de ti para servir-te e ser teu/tua acima de qualquer coisa. Faço-o e sou-o com orgulho apaixonado... E sabes também, que, no fundo, me amas, porque sem mim não serias muito de quem és.

Afinal, se não fosse por mim, tu não terias estes momentos tão amados, nas madrugadas ou mesmo tardes silenciosas em que somos só eu e tu e podes fazer e ser o que quiseres por algumas horas, sem o barulho e desconforto que certas coisas te causam. Não terias escrito alguns de teus melhores textos, muito menos descoberto tantos aspectos sobre si mesma...

Diga-me, querida: quem é que conhece cada medo, contradição, alegria e desejo do teu coração, melhor até do que tu mesma? Tudo o que te faz a menina filha da madrugada e do inverno, provinciana, romântica e tímida que traz por dentro uma mulher em chamas que é louca pela liberdade e morre de vontade de abraçar o mundo e aprender com ele? Quem é que sabe exatamente o quanto tua casa te parece ao mesmo tempo abrigo e prisão (e por isso mesmo nunca sentiste como se ela realmente te pertencesse)?

Quem é que te consola quando esperas pelo silêncio e escuridão do quarto para esconder a ti e tuas lágrimas quando mais sentes medo e vergonha delas, mesmo tu tendo pessoas que não as julgariam se aqui estivessem? Quem é que te toma nos braços e escuta teus sussurros ao vazio, enquanto esperas pelo sono? Quem é que senta ao teu lado para apreciar contigo a beleza que só tu podes ver, nas palavras que lês, nos versos que escreves, mais do que ninguém?

Quem é que nunca vai ter vergonha de dizer que te ama, por mais que tentes abafar minha voz com música ou me xingar e empurrar para fora da tua cama à noite? Quem é que - mais do que qualquer um jamais o fará -  te acha a mais linda das mulheres e te aceita e deseja com e apesar de tudo o que és e tudo o que dizes ser imperfeição, dos defeitos de caráter ao cabelo, linhas do rosto, pelos onde quer que eles nasçam, dedos ditos tortos, estrias, pés frios e pernas de comprimentos diferentes (principalmente nos dias em que tua auto-estima está mais baixa)?

Quem é que te acompanha onde quer que vás, em silêncio, fazendo-te te bastar a maior parte do tempo; que aceita te dividir com quem quer que seja de vez em quando, porque sabe que é para o meu colo saudoso que hás de voltar no fim, por mais que me renegues e talvez um dia encontres alguém? Quem é que te acalma quando tens pesadelos e te vês tremendo, encolhida, pelo frio que vem das frestas da janela e das paredes do teu quarto? Quem espera contigo pela cura na quietude das tuas doenças?

Quem alivia boa parte das dores que sentes pelo corpo e traz para fora a leoa que vive em ti em carinhos que mal ousam tocar-te mesmo nas horas em que mais te sentes frágil e indefesa? Que aprende contigo as n diferentes maneiras de dizer as coisas em pelo menos duas línguas, só para treinar contigo, na curva do teu pescoço, quando a porta se fecha? Quem é que cada vez mais te faz enxergar-te, mesmo quando as lentes do teu óculos estão sujas ou estás sem eles?

Quem é que cada vez mais te dá uma amostra da liberdade que tu tanto desejas e da pessoa que mereces e podes ser? Não te enganes, tu sabes quem eu sou; não adianta mentir.

sábado, 5 de novembro de 2016

Retorno

Volta aqui
e me traz de volta
o pedaço de mim
que sempre
fica contigo
quando tu te vais.

Volta aqui
e me deixa
ver de perto,
nos teus olhos,
o carinho teu do qual sei
ser pecado duvidar.

Volta aqui
e junta a tua saudade
com a minha
nas pontas
de nossos dedos,
no calor bonito
de nossas almas.

Volta aqui
e dá-me teu silêncio
que diz tanto
e com o qual o meu
tem tanto a aprender.

Volta aqui
e recolhe minhas lágrimas
tolas, às vezes tantas,
no cristal da tua paciência
e acha meus sorrisos
que teimam em brincar
de se esconderem.

Volta aqui
e faz-me melhor,
lembra-me do meu melhor,
faça-te presente
para eu viver o presente,
amado presente...

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Banco vago

Espero por quem
faça de mim
simples repouso,
cama ou morada.

Quem se encoste
e resolva ficar;
quem me abra seus braços
e relaxe
vendo a tarde passar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Espera

No medo
por não saber
quem sou
ou meu lugar...

Eu existo.

No susto
de ir descobrindo
como sou,
buscar um lar...

Eu sigo.

Na sorte
quase sempre doída
de fazer-me
o que for...

Eu vivo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Eu tenho gostado de escrever
essas histórias menores,
que vêm e passam rápido 
mas contam muito e conseguem 
deixar perfume até em mim.