sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

10 de janeiro de 2015

Tecnicamente, sou filha única. Só tecnicamente. Só soube que tinha uma irmã gêmea fraterna que faleceu pouco depois de nascermos aos 11 anos de idade, porque uma colega me questionou se minha irmã estudava no colégio público que frequentei, quando na verdade a pessoa era eu.
Se alguém me pergunta se me sinto mal por causa dela, na verdade não sinto nada. Como vou sentir falta de alguém que nem conheci e só soube da existência vários anos depois? Mas é claro que fico chateada pelos meus pais. É muito difícil perder um filho.
É muita pressão, é como se uma bomba fosse estourar a qualquer minuto. Detesto essa sensação de opressão e expectativas de perfeição.
O fato de eu ter e ao mesmo tempo não ter irmãos nunca havia me afetado como o faz há algum tempo. Eu observava meus amigos que possuem irmãos e até mesmo meus pais, vindos de famílias grandes, e achava interessantíssima essa coisa de ter outra pessoa na mesma casa, mais nova ou mais velha, que divide tantas coisas contigo. A fronteira entre amor e ódio, brigas e similares.
Eu ainda observo e fico fascinada com o quão peculiar isso é. Isso passou a me afetar porque eu entendi o tamanho da minha solidão. Não que necessariamente ser um dos filhos signifique que uma pessoa não se sinta solitária, mas eu sei lá. Ter alguém com quem rir, brincar, conversar e até brigar por outras razões parece algo que me agradaria.
Me pego pensando em como as coisas seriam se minha irmã estivesse aqui. Se teríamos nascido sem nenhuma deficiência e poderíamos andar, ir a festas juntas, correr…  Como ela seria na aparência, se seríamos amigas… Se ela faria diferença na minha vida ou seria só mais uma pessoa.
Se ela sentiria o mesmo que eu. Se a presença dela nos faria mais livres em vez de me prender na gaiola da superproteção.

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