quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Lilie quis um pintor

Lilie deixou François e quis um pintor.

Não o pintor em si, mas o que ele ofereceu a ela.

Doeu em Lilie deixar François, mas doeu mais nele sentir nas cartas que ela vivia bem sem ele. Para um poeta, tudo é complicadamente simples.

E com o tempo, se estar com ela o fazia achar que não precisava mais escrever tanto, ficar sem ela o fez pensar que não precisava mais viver.

Num pesadelo ele a perdia, mas mesmo chorando ao abrir os olhos, ela ainda estava lá ao seu lado. Sempre estaria; era só um sonho ruim.

Quando o tal pesadelo se fez real e Lilie foi mesmo embora, ele chorou, fechou os olhos e a teve uma derradeira vez.
Tudo era bom e bonito, não doía, acontecia devagar…

François e Lilie.

- sequência acidental (ou não) de François e Lilie; inspirado em “Les Amants Reguilérs, de Phillipe Garrel.

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