quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Síndrome de abstinência

I
Trago-te aos lábios
e respiro-te,
engulo-te
trazendo-te para
dentro de mim
em doce queimadura.

II
A vida vem e mostra-me
que és mais mulher
do que eu jamais serei homem
e obriga-me a soprar-te
esvaziando-me de ti
e ver-te espalhar-se
em tua infinitude.

III
Meus dedos te atravessam
enquanto partes
para pertencer a outro
ou ao universo
em dançar gracioso
de branco impuro.

IV
Quem há de ser
o último a provar
do teu encanto venenoso,
o sortudo que há
de tomar-te para sempre
e em cujas veias
por instante eterno permanecerás?

V
A certeza
que sobra
é loucura,
é falta
que fazes
em mim;
dose ínfima
de ti
nunca bastou.

VI
Em ti
eu vivia
do torpor
da morte
lindamente lenta.

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