domingo, 4 de abril de 2021
It's the little things
sábado, 3 de abril de 2021
Flor de calçada
O que já me tornei me assusta porque não sei se serve de alguma coisa e é por isso que sinto enjoo. Enjoo pra mim é dor de estômago, fígado bichado ou excesso de dor. Quem dera que fosse dor de amor.
O que foi que me tornei mesmo? Será que ainda estou fugindo? Será mesmo que adianta querer o que quero? Será que tem sentido saber da verdade?
Eu quero ir embora daqui. Pelo menos desta casa e desta vida. Ou talvez a resposta nem esteja aqui onde nasci, mas para onde eu iria? Que outro lugar nessas calçadas vazias e esquecidas por deus pode abrigar o que se faz de grande, mas no fundo é pequeno?
Será que adianta não querer repetir padrões quando eles ainda me prendem aqui? Acho que na verdade é de mim que sinto asco. De mim e do meu dom para obedecer. De mim e da minha preguiça. De mim e da minha indecisão que parece que nunca acaba, mas que sempre acaba em tinta.
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Comédia da vida escancarada
As batatas que assei ficaram duras e quase quebraram de novo o dente que quase arranquei na semana passada. Eu nunca tomo jeito mesmo, parece que nunca aprendo. Perco o tempo do forno, mordo do lado errado. Logo eu, que amo batata. Mais fácil ficar desdentada e fazer purê.
O Lucca veio aqui em casa hoje e me pediu dois adesivos. Custou muito pra eu lembrar que ainda tinha aquele caderno velho da faculdade que lá pela metade tem o diário da minha descoberta da depressão. Ele não especificou o tipo de adesivo então vai de praia mesmo.
Agora há pouco choveu granizo e quebrou uma das janelas da vizinha que, tentando fechar o basculante, cortou a mão. Tomou remédio e quando liguei pra ela, falou toda grogue que tinha certeza que o Michael Jackson ainda era vivo. Também me perguntou se a dor era real. Boa pergunta, D. Damiana. Com remédio não se discute.
Foi um dia insano. Vou tomar um banho e ler o livro da Ana Cláudia pra ver se rio um pouco da desgraça alheia. Coisa boa ver uns palavrão de vez em quando. Gente caretona, viu? Ninguém diz o que pensa.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
New old lovers
quarta-feira, 31 de março de 2021
Sincericídio
Respiração acelerada, passos apressados. A bolsa escorregando pelo ombro, por pouco não derruba tudo. Sempre foi um desastre, esquecendo o zíper aberto e a aba levantada, largada de qualquer jeito nas cadeiras. Hoje não. E mesmo assim…
Estação lotada, um frio do cão, gente se esbarrando mesmo sem querer. Esperava que não tentassem puxar a alça da bolsa porque não queria ter que usá-la para bater em alguém. Ainda que pesasse, aquele peso estava ali para tudo menos manter posição de defesa.
Não queria pensar no que carregava como um fardo, por mais que às vezes parecesse tão fácil de se quebrar. Não importa o que dissessem, aquilo estava sempre pronto para ser usado, para ser compartilhado, sem medo, no seu tempo, apesar dos riscos.
Sentou no banco da estação assim que encontrou um espaço, com a bolsa no colo e as mãos sentindo o calor que vinha dali através do tecido. Olhou para frente e achou ter visto um vulto do outro lado dos trilhos. Percebeu que a hora estava chegando e sorriu para consigo. Abriu o zíper da bolsa e enfiou o punho dentro dela num gesto tão delicado quanto decidido enquanto caminhava em direção ao trilho.
Contou até dez sem desviar os olhos e lentamente foi retirando a mão cheia, mas firme, apesar da pegada estranha, de dentro da bolsa… E ouviu o grito chocado de quem notou o que pulsava frenético entre os dedos, quase como se quisesse saltar e ir embora por vontade própria. E quem disse que não queria?
Alguns desmaiaram, outros fugiram, outros ameaçaram chamar a polícia. Mas tudo o que fez foi abanar a cabeça e afirmar com serenidade que aquele bem era seu e que podia fazer com ele o que quisesse. Que nada no ato era novidade; a única diferença era a frieza do lugar, o idioma diferente. Alguns dos que ouviram as palavras se perguntavam o que aconteceria e pararam para observar.
Mais por medo da própria pontaria do que do ato em si, aproximou-se com cuidado da beirada, mas não o bastante para pensarem que estava bancando Anna Kariênina. Apreciou por mais um momento o peso do que estava em sua palma e se pegou numa espécie de transe que só foi quebrado por ter visto o vulto outra vez.
Lutou contra o espasmo do próprio punho, agachou-se e rolou o que segurava pelos trilhos com os olhos apertados… Bem na hora em que o trem passou e parou, fazendo seus muitos barulhos que induziam aos susto e ao corpo encolhido. Podia ter dado tudo errado.
Depois da eternidade que encheu os vagões e que o levou embora, quem ficou achou tudo aquilo loucura maior ainda depois que ouviu uma risada histérica misturada com choro de um lado, e um som parecido com ronronar do outro, vindo de quem agarrava o que foi jogado com as duas mãos - como um gato faz com novelos de lã. Empoeirado pelo caminho percorrido, mas intacto e que arrancou um suspiro de alívio.
“É teu agora, bichano. Fica com ele. Mas não é brinquedo, tá?”
“Eu sei, amor. Valeu esperar pra juntar esse coração com o meu.”
30/03/2021
- exercício de escrita proposto pela Maria Vitória do blog A Estranhamente
terça-feira, 30 de março de 2021
O basta há muito já veio
Não importa o que chegasse perto da casa. Não importava quem saísse. Ele fazia barulho, ele gritava, esperneava, atormentava, sem ter noção da própria voz ou da própria força. Ele se assustava com o que nem tinha a ver com ele e pobre de quem ouvia. Dava vontade de mandá-lo embora. Dava vontade de questionar por que ele veio pra cá.
Ele era grosseiro. Se estourava fácil, dizia coisas sem sentido, achava que podia dizer o que passasse pela cabeça. Não me conhecia de verdade e eu estava há muito já cansada de tentar. Só queria que ele parasse, que não falasse comigo, que parasse de achar que o que é só meu também é dele pra dar pitaco. Que ele parasse de achar que manda.
Não tem tato. Não tem noção das consequências do que diz, que mesmo as pequenas coisas ficam e machucam. Acho que foi assim que aprendi a ser cruel. No fundo quer ajudar, mas a verdade é que só atrapalha, porque quer tomar meu lugar fazendo tudo e tudo do próprio jeito. Não sabe ensinar, não sabe dar espaço, não sabe quando parar de se envolver. Dane-se quem esteja ouvindo - despeja ordens e põe a mão no que não é seu. E quem não faz é mal-agradecido e burro.
Só o que eu quero é que pare. Só o que eu quero é ir embora.
segunda-feira, 29 de março de 2021
Vida de segunda
Mais uma segunda. Na segunda eu tento ter disciplina. Na segunda eu tento ser adulta, ainda que digam que eu ajo como uma criança, nem que seja só um pouquinho.
Nem que seja pra gastar os dedos mandando emails que provavelmente não serão respondidos. Nem que seja só pra receber um não. Nem que seja pra tentar construir um futuro onde, olhando lá pra fora, parece não haver nenhum.
Gastando os dedos com variações das mesmas palavras, quando eles poderiam estar fazendo carinho no inesperado que veio pra mim. No que quer o que quer mesmo de longe, mesmo com a loucura, mesmo com o medo, mesmo com o contexto insano.
Na segunda eu levanto e tento de novo. Quero pelo menos um fim de semana. Dois dias e meio pra lembrar das histórias largadas, das profundidades necessárias, de que existe mais nesse mundo, do formato da lua e das estrelas do céu, nem que seja pela voz do inesperado.
29/03/2021
- exercício de escrita criativa proposto pela Maria Vitória do blog A Estranhamente
sábado, 27 de março de 2021
Projections
quarta-feira, 24 de março de 2021
Faun's labyrinth
segunda-feira, 22 de março de 2021
A pelican's wound
sábado, 20 de março de 2021
Of the sublime
sexta-feira, 19 de março de 2021
Homecoming
quinta-feira, 18 de março de 2021
Work anew
segunda-feira, 8 de março de 2021
08/03/2021
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Deprimida e poeta
Escrevo desde que consigo me lembrar e desde antes de entender o que estava fazendo ou o que eu dizia. Era e é de certa forma automático colocar no papel o que me passasse pela cabeça sempre que houvesse a oportunidade… E isso em parte forjou quem eu sou hoje.
Isso não mudou quando desenvolvi ansiedade e depressão. Muito pelo contrário, só se intensificou. Foi quando questionei absolutamente tudo e enfrentei uma das piores épocas da minha vida que eu me agarrei a tudo o que me restava e hoje percebo ser o que tenho de mais valioso.
Por me sentir sozinha, eu escrevia. Por me sentir um fardo e um fracasso, eu escrevia. Ainda que estivesse exausta, eu escrevia. Mesmo tendo largado tudo e estivesse estudando para um vestibular que não fiz, eu escrevia. Preferia escrever a fazer qualquer outra coisa, na verdade.
Escrevia para me ocupar. Escrevia porque não sabia que tinha tanto a dizer. Escrevia para entender o que acontecia comigo. Vi minha poesia mudar, ficar curta, grossa, perder o enfeite, ficar calculada e ao mesmo tempo sem rumo. Aprendi sobre ser brutalmente honesta. E é por isso que ainda estou aqui.
domingo, 14 de fevereiro de 2021
Feito para (a)mar
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Fontes de inspiração
Uma amiga que tive o gosto de fazer há alguns anos e que influenciou muitos dos riscos que passei a tomar como poeta costuma dizer que a inspiração está dentro do poeta… E concordo com ela. Acredito que isso vale para independentemente da forma de expressão.
As coisas acontecem de acordo com intenção, método, tipo de conteúdo que se consome e, principalmente, do olhar que se tem sobre o mundo. Afinal de contas, a obra final vem de nós, não importa o quanto nos distanciemos dela a nível pessoal.
Acredito que a minha obra seja fruto da minha vontade de deixar algo para trás. E, dentro disso, das minhas memórias, experiências, contato com outras pessoas, o observar daquelas que estão à minha volta e escolhas literárias, musicais e no cinema, que se expandem gradualmente e deixam seu rastro.
Quanto mais velha fico, mais conscientemente busco conteúdo que vá além da superfície, que me faça pensar e que tenha honestidade por trás. Que tenha uma história para contar e que me induza a refletir sobre a minha a partir do entendimento da perspectiva do outro.
Talvez a verdade seja que, como costureira de palavras e amante dos detalhes, eu busque as histórias por trás de tudo. A beleza por trás da feiura e a verdade debaixo da bravata. O que é e poderia ter sido a partir da possibilidade de mudança onde ela se faz presente.
12/02/2021
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Próxima aventura: empreendedora
Então, gente... Sou MEI agora!
Faz um tempo que estou para contar que na finaleira do ano passado abri meu CNPJ como redatora, desde que a fantástica Maria Vitória me mostrou que era possível viver de escrita e se tornou alguém que quero ser quando crescer.
Apesar de todas as minhas inseguranças, é melhor fazer trabalho de formiguinha do que esperar que as coisas caiam do céu. É por isso que venho compartilhando minha história por aqui e dando um passo de cada vez.
A verdade é que eu fugi do meu destino por tempo demais, e esse destino é escrever. Quem liga que não seja por literatura? Lidar com palavras é o que sei fazer de melhor, ainda mais quando se trata das que vem de mim. Se elas podem ajudar alguém e me dar sustento, é o que pretendo fazer.
Independentemente do que ainda me falta, eu não vou esperar estar “pronta” para abraçar as oportunidades... Ganhar experiência e habilidades e criar hábitos ao longo do caminho parece ser a coisa certa para alguém como eu, do contrário a hora da verdade nunca chega.
Então acho que esse texto sou eu “botando minha cara no sol”, como a Maria costuma dizer. Dizendo quem eu sou e a essência do que posso fazer. No próximo a gente vê quanto ser eu há de custar... Por ora, me desejem sabedoria.
08/02/2021
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Minha querida impostora
Não sei se posso dizer que sou impostora quando se trata de literatura. Talvez o mais correto seja dizer que sempre considerei que existe muita gente por aí que escreve com um estilo muito mais bonito do que eu, o que não quer dizer que o meu não seja, de acordo com suas limitações.
Gosto de pensar que estou sendo humilde e reconhecendo a beleza no trabalho do outro, que pode vir a influenciar o meu e contribuindo para que melhore cada vez mais. O escrever desde que consigo me lembrar me faz enxergar tanto a qualidade no momento do que faço e também naquilo que consumo.
Tenho quase certeza que o confiar nas minhas habilidades e capacidade de aprender com teoria e prática são o que faz a minha escrita o que ela foi, é e será. Assim como a reconhecer e respeitar o processo de criação em geral e dentro de cada gênero. Eu sei o custo de escrever um poema, um conto e um romance.
Também sei o que cada trabalho nos ensina sobre os pontos fracos na execução de cada gênero. Eu escrevo prosa poética e versos melhor que escrevo histórias. Mas nada disso me impede de tentar um pouco de cada, nem ambicionar redação para a web. Então a minha impostora está não na falta de confiança, mas de autoestima.
Eu não sou impostora naquilo que sei que sou boa e no que sei que pode ser ainda melhor. Cada vez mais tenho consciência das minhas habilidades e que é loucura da minha parte não encontrar um jeito de usá-las para meu proveito e dos outros. Se eu não fosse inteligente e pelo menos um pouco louca, não estaria aqui agora.
Eu sou impostora por causa daquilo que não me foi ensinado. Sou impostora porque fui armada para ambicionar ter o mundo nas mãos, mas não para saber o que fazer com isso. Sou impostora porque quero pensar fora da caixa, fazer o que os que vieram antes de mim não fizeram, agarrar as chances… Mas tenho medo.
Por mais que eu deseje que as possibilidades do meu intelecto me façam transcender os limites do corpo e da geografia, eu carrego um medo que talvez nem seja meu. Medo disfarçado de cautela, mas que sei que é medo. E ele me faz questionar até o que no fundo sempre foi verdade. Mas é tudo barulho, eu sei agora.
Medo que me faz ter que correr atrás de tanta coisa completamente sozinha, nem que seja para tentar. Porque sem tentar, nada acontece, não se chega em lugar nenhum, nem mesmo no errado. Medo que me faz duvidar que conseguirei crescer, ter disciplina, dar conta do tempo que passa e viver. Mas os mentores estão aí para isso...
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
O prazer na minha escrita
Talvez o que eu considere mais bonito no escrever sejam os processos e as mudanças que acontecem (e digo isso sendo uma pessoa que tem dificuldade com mudanças). A evolução que se enxerga nas entrelinhas do que se faz e, com o tempo, perceber os padrões em como a criação acontece.
Como a coisa mais mundana, seja uma imagem, uma memória ou uma conversa com alguém traz poesia dentro de si... E basta que a gente preste atenção. Como às vezes as palavras simplesmente vêm de uma só vez, meio que prontas, ou são filhos que se revelam a nós aos poucos, mas sempre como precisa ser.
Como os hábitos são tão fáceis de se perder quando podem ser difíceis de se adquirir e, ainda assim, são o que facilita tudo. Como as histórias que contamos revelam mais sobre nós do que gostamos de admitir, porque crescem conosco, consciente ou inconscientemente. Que o ato de criar é cíclico.
Que ainda que se tome uma direção específica na intenção do texto, a escrita mais honesta, eficiente e natural acontece no deixar os pensamentos fluírem e serem expressados sem censura. Sentir que a vontade de dizer algo, ainda que pela palavra escrita, é mais forte do que qualquer coisa.
domingo, 31 de janeiro de 2021
Delicacies
sábado, 30 de janeiro de 2021
Fates
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
Chiaroscuro
sábado, 23 de janeiro de 2021
De memória e de Mar
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
A vós que me fizestes
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
sábado, 16 de janeiro de 2021
Cadence
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
Livro de presença
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
Aparências
sábado, 2 de janeiro de 2021
Cycles
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Acoustic versions
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Truth's song
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Cômodo
quinta-feira, 24 de dezembro de 2020
Amor
24/12/2020
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
Wish-making
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Oi, Carolina
Saudades de ti.
Que bom saber que tudo deu certo. Que tu falou o que tinha que ser dito, ainda que parecesse impossível. Que alívio que ao que parece tua mãe lida bem com isso e vai te ajudar com o resto.
A verdade é que hora certa não existe porque o pior é não fazer nada. O pior é esconder esse tipo de coisa de certas pessoas quando a gente sabe que o melhor seria contar, ainda que no nosso tempo. Com as consequências a gente aprende a lidar, e é claro que o desejo de todo mundo é uma resposta como a que tu recebeu.
Eu não tenho a melhor das relações com a minha mãe e há muitas coisas sobre mim que ela não sabe, embora goste de achar o contrário. Mas ela também escondeu informações de mim, então acho que estamos quites. O que eu espero é ter tua coragem.
Talvez ela já saiba, até porque deixo cair indícios pelo chão de vez em quando. Como quando ela descobriu só pelo meu jeito que eu estava apaixonada e que tinha sido magoada, há tantos anos, e sem querer.
Não faço ideia se ela sabe, mas acho que quando eu contar quero que seja assim. Eu e ela durante o café da tarde ou a janta de quarta que a gente costuma comer só as duas e que pra mim é sagrado. O pai por perto só vai me travar. Não que o que ele diga me afete mais, porque eu sei o que ele pensa. Só não quero discutir na hora da comida. As refeições têm mesmo poder.
Coragem de dizer e de me afastar de quem for preciso, não importa quem seja e nem se ela acha que estou sendo teimosa igual o pai. Isso sou eu defendendo o que é meu e exigindo respeito. Não que eu ache que precise contar, mas é algo que quero. Até a hora chegar, me deseje sorte.
21/12/2020
sábado, 19 de dezembro de 2020
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Resposta
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Casting
sábado, 5 de dezembro de 2020
Nostalgia
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
Precious thing
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Água
Tu és água. Água em ondas sobre mim, mas sem o gosto de sal. Tu és água em que se banha e de que se bebe. Que se oferece a mim em goles esparsos, porém sôfregos, que me fazem arfar e querer mais na sede de que me lembras.
Água funda mas limpa para que se veja muito do quanto é mostrado. Água nova e boa que me lava, que me acaricia, que se derrama, que escorre lenta ora desde os cabelos, ora do pescoço para baixo, como numa purificação, ora desde os lábios porque neles não se contém.
Furtiva, se guarda em certos lugares, certas taças, até morrer em outros, entre pétalas de flor, entre folhas e linhas. De mãos trêmulas e quentes, faz estremecer a finura que toca com misto de devoção e rotina. Água que canta, que sussurra, que recebe. Água.
26/11/2020
terça-feira, 24 de novembro de 2020
A liberdade (e talvez única escolha) de SER
Tudo tem mais de uma faceta. O que fazemos com isso depende da nossa visão de mundo, das nossas experiências e das escolhas que fazemos. E, dependendo do que acontece conosco e à nossa volta, isso só fica mais evidente. Somos forçados a voltar a encarar o que talvez nunca tenhamos superado e que se torna maior diante de certas circunstâncias novas e do que elas nos impedem de fazer... E de ser.
Mas é justamente por isso que no fundo nada para. O mundo tem o seu próprio ritmo, assim como nós temos e é nossa obrigação respeitá-lo. Não importa o que acontece conosco ou com o mundo, tudo passa. A passagem dói menos quando a gente não esquece quem é e daquilo que nos é importante. Quando vivemos a dor e incerteza que nos prende no lugar sem deixar que ela nos engula porque encontramos maneiras de compartilhá-la e expressá-la, estreitando as relações positivas nas nossas vidas.
É por isso mesmo que não conseguimos evitar nos imaginarmos em melhores contextos, com outros resultados ou pelo menos os bons de antes. E não há nada de mal nisso. Assim como é válido celebrar o que ainda existe de bonito mesmo dentro do caos, porque ela ainda segue lá ainda que não se possa apreciá-la da mesma forma. Aquilo que temos e que somos que nada exterior conseguiu modificar.
Histórias seguem sendo contadas, e aqui não poderia ser diferente, porque é de nós que elas dependem para existir. O apenas SER é uma liberdade que vai se conquistando conforme nos conhecemos melhor. Que não perde o valor quando parece ter se tornado a única opção disponível... E por que não usar essa chance para tentar algo novo, para tomar de vez as rédeas de si mesmo, aceitar o imperfeito, olhar as coisas de outro ângulo e fazer o que é possível?
24/11/2020
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Obrigada, pai
Obrigada, pai, por andar por aí e do nada acordar tremendo, com febre, e ainda ter a audácia de ser teimoso. Obrigada por fazer a mãe se preocupar, ter que te levar ao médico como se tu fosse criança e força-la a dividir o quarto comigo. Obrigada pela incerteza.
Obrigada por sair quando, como nós, deveria estar em casa desde o começo, e acabar sendo ralhado pela mãe porque podiam te processar se te vissem. Obrigada por não se cuidar e ainda ousar reclamar quando se sente mal. Obrigada por arruinar minha ida ao cabeleireiro. Obrigada por colaborar com esse ano estranho.
domingo, 22 de novembro de 2020
Moonshine, sunlight: the process
This one was written in February 2018, and it happened as a sort of stream of consciousness - I just let the words flow as they pleased.
I don't know if it's obvious by my wording but my initial intention was to reference and sort of pay homage to Apollo and his sister Artemis, two great figures of the greek mythology.
Apollo for his influence on poets and light as some of his attributes, and Artemis for her association with the moon, wilderness, and young femininity...
I as a poet and lover of the moon who always had these godly siblings at the back of my mind, hope I did them justice for what they represent as a whole and maybe even in my own life.
22/11/2020
sábado, 21 de novembro de 2020
Side-effects may include
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
18/11/2020
My unshed tears are the fire of my love
that burns neither the pages
nor your mouth,
but my eyes only.
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
Velvet claws
oh, the irony
of a hand that hurts
and breaks
fragile things
so easily
but is also hungry
for guilding kings
and knows sweet holding,
even kissing...
you are poisonous,
your every petal
burns
so much
making me curious,
it is more than lethal
in your brushing
yet it is i
who fears you may die
under my touch,
red poppy...
18/11/2020
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Fortunes
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
11/11/2020
if we are to be flowers
and other people the gardeners,
may we pay them back with beauty and perfume.
terça-feira, 10 de novembro de 2020
17/05/2020
Por mais distintas que as pessoas sejam,
crescemos e aprendemos uns com os outros
quando nossas almas falam
o bastante do mesmo idioma
e portanto estão abertas o suficiente.
- trecho do meu diário
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
Reverse
domingo, 8 de novembro de 2020
Better treatment
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
Untitled
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
Out of reasons
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Mardi Gras
terça-feira, 3 de novembro de 2020
Dois pesos, mesma medida
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Nightwalkers
domingo, 1 de novembro de 2020
30/10/2020
É só entendendo como se faz,
ainda que tenha que ouvir
mais de uma voz,
que eu saberei falar com a minha.
- trecho do meu diário
sábado, 31 de outubro de 2020
Costume
sexta-feira, 30 de outubro de 2020
Rito de passagem
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
Cancioneiro
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Translúcida
Era um dia ensolarado e quente, e eu estava usando uma roupa branca, talvez um vestido. Me vi em um jardim grande, do lado de arbustos que alcançavam minha altura sentada e com algumas árvores aparecendo distantemente do lado esquerdo. Não havia flores por perto.
Meu vestido não tinha mangas ou algo assim, porque quase todo o meu braço era visível; principalmente quando estendi a mão talvez para olhar para minhas unhas ou o contraste da pele clara contra o verde escuro das folhas. Não tenho certeza, mas me lembro que eu quase luzia debaixo do sol forte.
Foi quando, para minha surpresa, uma borboleta de tamanho médio voou na minha direção e tentei segui-la com os olhos sem me mexer para não espantá-la. Até que ela pousou no meu braço e andou um pouco por ele antes de ir embora – uma borboleta monarca.
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
Cantada de bar
Cigarro em copo americano, café no canto da boca. O que pensava esse homem quando fez essa loucura de se envolver com ela? Era só mais um arrependimento por não ter dito o que deveria, e por medo de si mesmo. Assim como no mundo literal, o corpo entrega o que a cabeça não consegue admitir, a intenção que não se quis ou se esqueceu de passar... E tudo meio que sai do lugar.
É isso que acontece quando não se sabe direito o que se quer ou o que se está fazendo, e se é forçado a dizer a verdade. O que era mais visível, sólido e de cheiro óbvio vai pro segundo plano e o que só tinha forma por ter ficado guardado num recipiente deixa seu rastro e gosto do lado de fora... Mas pelo menos cumpre sua função e, assim, tudo se arruma, ainda que para isso seja necessário empurrar contra a parede para parar de brincar.
domingo, 25 de outubro de 2020
Do todo e nada menos
sábado, 24 de outubro de 2020
São Paulo, 23 de outubro de 2020
Estou com o coração pesado. Pesado de um jeito estranho, por uma dor que nem é minha e ainda tive que voltar pra pegar o guarda-chuva; era dia de feira e vi uma mulher perguntando o preço de uma flor. Como se beleza genuína tivesse preço que dinheiro pudesse pagar. A meia que eu usava ficou encharcada por causa da chuva e a dor que eu não esperava sentir talvez seja minha também porque poderia ser só minha, e muito pior.
Que raio de dia. Quando voltei pra casa, tinha uma barata no quintal. Matei a barata com raiva, chorando por causa dele. Tomei banho e um barulho enorme me assustou... A porta da minha casa se abrindo com o vento como se fosse uma folha de papel. Parece ele dizendo o que me diz. De uma vez só, com toda a vontade, e eu que lide com o estrago que pode vir a fazer e com o susto que dá. Desarmada... Ou quase.
Foi por ele ou por mim que chorei? A raiva era da barata ou dele? Nem sei direito. Agora só quero poder dormir e sonhar com ele me dizendo a verdade depois dessas horas que ele usou para pensar no que quer, e eu para ir à feira, sendo que nem sou do tipo que faz isso. Talvez as coisas estejam mesmo mudando.
- exercício de escrita criativa proposto pela Maria Vitória do blog A Estranhamente
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Dark side of the moon
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Routines
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
Of parties and wars
sábado, 17 de outubro de 2020
Efeito colateral
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Breaking bread
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Old knowledge
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Nox
sábado, 10 de outubro de 2020
17/05/2020
Estou aprendendo aos poucos
que toda vez que penso
no quanto as coisas estão levando
para acontecer na minha vida,
devo me lembrar que antes da primavera
há o inverno e, às vezes,
ele é mais longo...
Pelo menos não estou mais hibernando.
- trecho do meu diário
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Serenata
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
O impacto do inglês na minha escrita
Talvez por ser um os idiomas mais falados e ser o idioma do mundo globalizado desde que me entendo por gente, acho que minha ligação com a língua inglesa existe meio que de modo automático. Absorvi de modo inconsciente de que estudar o idioma de um modo ou outro faria diferença na minha vida e isso se estendeu em termos emocionais a eu sempre ter tido vontade e facilidade em estudá-lo.
As circunstâncias fizeram com que eu prestasse cada vez mais atenção nisso e que o conhecimento que na época eu recebia na escola regular não me parecesse o bastante. Por isso, me ocorreu pleitear uma vaga numa escola de idiomas, principalmente para ter noção do quanto eu sabia e não sabia. Tudo o que eu tinha em mente era que não estava mais no nível básico.
Até por ter um tempo depois entrado para a faculdade de Letras, logo compreendi de verdade que toda língua é uma criatura viva e cheia de particularidades, que nasce e se molda com o tempo e o povo que a usa. Que pode ser imposta, roubada e extinta justamente por se tratar de uma convenção.
Foi ao estudar inglês num contexto em que estou realmente imersa nele que me fez notar no primeiro dia que meu repertório era muito maior, mas também que ele está em constante expansão. Usando-o fora dali, entendi o poder daquilo como ponte, como gentileza, como parte de mim, como respeito para com o outro que também se aplica a outros idiomas. Ter me apaixonado pelas estruturas que tinha diante dos olhos, entrando pelos ouvidos e saindo pela boca com cada vez mais facilidade, foi arrebatador.
Ele realmente me abriu portas. Me fez correr riscos. Me fez pensar de forma mais sólida numa profissão. Me deu jeitos novos de expressar as mesmas coisas, a capacidade de ler autores que nunca tinha ouvido falar e me deixar inspirar por eles. Me deu amigos novos que talvez eu leve para a vida toda…
Entre eles, pessoas tão fascinadas pelo poder das palavras quanto eu, que fomentaram uma beleza e uma verdade que minha poesia não possuía, ou só não tinha sido descoberta. Talvez um eu que estivesse oculto em mim. Me faz usar com orgulho um nome que sempre foi meu e, como bônus, ter passado por um batismo. Ter noção do impacto daquilo que sai da minha mão e, em parte, da minha boca. Deixou ser mais fácil falar sobre certas dores e se tornou um amor que veicula amor.
Notar as nuances e diferenças entre esses dois rios que correm aqui dentro, e ver ambos como água bendita que no fim mata a mesma sede. Água que muito mais gente pode beber comigo. Água em cujo reflexo finalmente me reconheci como isso que vocês veem por aqui, mais do que nunca.
terça-feira, 6 de outubro de 2020
Lençóis freáticos
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
Ciclos
domingo, 4 de outubro de 2020
Coisa da juventude
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
Nivelamento
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Maturity
30/09/2020
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Conquistador
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
06/05/2020
Às vezes eu olho pra minha vidinha tão pacata
e rasa e fico insatisfeita, lógico.
Mas aí eu me lembro das coisas que eu aprendi,
das pessoas com quem eu interajo,
das coisas que eu já consegui e fico feliz de novo...
Pelo menos mais feliz.
- trecho do meu diário
domingo, 27 de setembro de 2020
Comunhões
sábado, 26 de setembro de 2020
Pode levar tudo, menos o meu direito de sentir
Me deixa chorar pelo que eu perdi e pelo que eu posso perder. Me deixa não me arrepender de absolutamente tudo o que digo. Me deixa escolher...
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Muitas vezes, ficamos tanto tempo estagnados numa condição que a possibilidade de mudança é encarada com um misto de estranheza ...
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Hoje olho para ti e penso que até certa primavera eu nem moça o era, mas mera menina de pouco senso do melhor para si. Tu, círculo de...
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Não precisa se explicar, só não cala essa carícia no ar, queimadura doce de bala... Deixemos para depois os erros e acertos dos heróis...