quinta-feira, 16 de junho de 2016

XIII

Olá, meu anjo!

Dia desses, tu me falaste em expectativa. Do quanto não te sentes ainda preparado para o que as pessoas à nossa volta chamam de vida adulta. Eu entendo isso perfeitamente. Vivo esse medo todos os dias, principalmente estando num lugar e ligada a pessoas que não me deixam confortável, se entendes o que eu quis dizer. No fundo isso só alimentou meu conformismo e a sensação de que posso estar reclamando de barriga cheia.

Talvez o que mais me assuste sobre crescer é não conseguir me comprometer com as coisas em geral. Cometer erros grandes demais, que acabem afetando outras pessoas. Não conseguir ser alguém melhor ou mesmo… Ah. Conseguir equilibrar a logística obrigatória com aquilo que possa fazer de mim o que eu realmente for. As coisas simples, sabe.

Não conseguir voltar a acreditar em mim mesma. Fico feliz por mim em saber que realmente tenho meios práticos de ir atrás da vida que desejo para mim. Quero ter paz de espírito e para isso tanto eu como tu precisamos de paciência; tanto conosco mesmos quanto com as nossas circunstâncias.

Temos de pensar naquilo que mais importa para nós. Qual a expectativa que mais vale, que parece mais razoável. Por melhor que nossos pais nos queiram, ninguém nasceu para corresponder às expectativas de ninguém. Cada um tem o seu caminho e ninguém pode interferir.

Eu até hoje vivo com base nelas, como uma máquina programada, e isso só me fez infeliz e vazia. Não vejo a hora de me sentir livre de tudo. Principalmente da sensação de dívida e vazio. Talvez seja a única forma de eu conseguir aprender a não me cobrar tanto também. Aproveite o espaço que tu tens para pensar nisso, porque eu ainda não tenho esse luxo.

Que a gente dê nosso melhor em ser o que pudermos ser; sentindo que os dias valem a pena. Vamos ficar bem. Quando for a hora, tomaremos de vez nossas vidas nas mãos.

Obrigada por confiar em mim. Sinto saudades e te amo muito.

Da tua pequena.

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