segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Próxima aventura: empreendedora

 Então, gente... Sou MEI agora!

Faz um tempo que estou para contar que na finaleira do ano passado abri meu CNPJ como redatora, desde que a fantástica Maria Vitória me mostrou que era possível viver de escrita e se tornou alguém que quero ser quando crescer.

Apesar de todas as minhas inseguranças, é melhor fazer trabalho de formiguinha do que esperar que as coisas caiam do céu. É por isso que venho compartilhando minha história por aqui e dando um passo de cada vez.

A verdade é que eu fugi do meu destino por tempo demais, e esse destino é escrever. Quem liga que não seja por literatura? Lidar com palavras é o que sei fazer de melhor, ainda mais quando se trata das que vem de mim. Se elas podem ajudar alguém e me dar sustento, é o que pretendo fazer.

Independentemente do que ainda me falta, eu não vou esperar estar “pronta” para abraçar as oportunidades... Ganhar experiência e habilidades e criar hábitos ao longo do caminho parece ser a coisa certa para alguém como eu, do contrário a hora da verdade nunca chega.

Então acho que esse texto sou eu “botando minha cara no sol”, como a Maria costuma dizer. Dizendo quem eu sou e a essência do que posso fazer. No próximo a gente vê quanto ser eu há de custar... Por ora, me desejem sabedoria.


08/02/2021

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Minha querida impostora

 Não sei se posso dizer que sou impostora quando se trata de literatura. Talvez o mais correto seja dizer que sempre considerei que existe muita gente por aí que escreve com um estilo muito mais bonito do que eu, o que não quer dizer que o meu não seja, de acordo com suas limitações.

Gosto de pensar que estou sendo humilde e reconhecendo a beleza no trabalho do outro, que pode vir a influenciar o meu e contribuindo para que melhore cada vez mais. O escrever desde que consigo me lembrar me faz enxergar tanto a qualidade no momento do que faço e também naquilo que consumo.

Tenho quase certeza que o confiar nas minhas habilidades e capacidade de aprender com teoria e prática são o que faz a minha escrita o que ela foi, é e será. Assim como a reconhecer e respeitar o processo de criação em geral e dentro de cada gênero. Eu sei o custo de escrever um poema, um conto e um romance.

Também sei o que cada trabalho nos ensina sobre os pontos fracos na execução de cada gênero. Eu escrevo prosa poética e versos melhor que escrevo histórias. Mas nada disso me impede de tentar um pouco de cada, nem ambicionar redação para a web. Então a minha impostora está não na falta de confiança, mas de autoestima.

Eu não sou impostora naquilo que sei que sou boa e no que sei que pode ser ainda melhor. Cada vez mais tenho consciência das minhas habilidades e que é loucura da minha parte não encontrar um jeito de usá-las para meu proveito e dos outros. Se eu não fosse inteligente e pelo menos um pouco louca, não estaria aqui agora.

Eu sou impostora por causa daquilo que não me foi ensinado. Sou impostora porque fui armada para ambicionar ter o mundo nas mãos, mas não para saber o que fazer com isso. Sou impostora porque quero pensar fora da caixa, fazer o que os que vieram antes de mim não fizeram, agarrar as chances… Mas tenho medo.

Por mais que eu deseje que as possibilidades do meu intelecto me façam transcender os limites do corpo e da geografia, eu carrego um medo que talvez nem seja meu. Medo disfarçado de cautela, mas que sei que é medo. E ele me faz questionar até o que no fundo sempre foi verdade. Mas é tudo barulho, eu sei agora.

Medo que me faz ter que correr atrás de tanta coisa completamente sozinha, nem que seja para tentar. Porque sem tentar, nada acontece, não se chega em lugar nenhum, nem mesmo no errado. Medo que me faz duvidar que conseguirei crescer, ter disciplina, dar conta do tempo que passa e viver. Mas os mentores estão aí para isso...

02/02/2021

 

02/02/2021

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O prazer na minha escrita

 Talvez o que eu considere mais bonito no escrever sejam os processos e as mudanças que acontecem (e digo isso sendo uma pessoa que tem dificuldade com mudanças). A evolução que se enxerga nas entrelinhas do que se faz e, com o tempo, perceber os padrões em como a criação acontece.

Como a coisa mais mundana, seja uma imagem, uma memória ou uma conversa com alguém traz poesia dentro de si... E basta que a gente preste atenção. Como às vezes as palavras simplesmente vêm de uma só vez, meio que prontas, ou são filhos que se revelam a nós aos poucos, mas sempre como precisa ser.

Como os hábitos são tão fáceis de se perder quando podem ser difíceis de se adquirir e, ainda assim, são o que facilita tudo. Como as histórias que contamos revelam mais sobre nós do que gostamos de admitir, porque crescem conosco, consciente ou inconscientemente. Que o ato de criar é cíclico.

Que ainda que se tome uma direção específica na intenção do texto, a escrita mais honesta, eficiente e natural acontece no deixar os pensamentos fluírem e serem expressados sem censura. Sentir que a vontade de dizer algo, ainda que pela palavra escrita, é mais forte do que qualquer coisa.

01/02/2021

domingo, 31 de janeiro de 2021

Delicacies

 My flower,
I wish I had the wings and the grace of a hummingbird
to perhaps kiss you better
than every love letter
you write me without saying a word.

30/01/2021

sábado, 30 de janeiro de 2021

Fates

Warm water
that holds and caresses
like the waist of the prettiest dresses...
Red flower.

You love me, no?

If that is the path you choose to go,
just remember
that just like you musn't drown
me to make me clean
you shouldn't break while bent
down
just to mark me with the most pleasing scent
any god has ever seen.

30/01/2021

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Chiaroscuro

Is it to your taste
if I happened to strip
off the white flower of my dress
just so I can better feel your grip
on my waist
as your warmth steps close against
my skin and our loneliness,
much hotter
than a night of summer,
like a young king 
offers willing,
kind hands
to a distant princess,
swallowed by dark golden lighting? 

25/01/2021

sábado, 23 de janeiro de 2021

De memória e de Mar

te revela
na primavera
e te consagra
no verão.

se te aprouver,
escuta o chamado,
vem delicado,
enrodilhado,
curvado
sobre o dorso do que te foi reservado
e dizem ser depravado
no que lhe é desejado
e, assim, sejas elevado.

faz a ele tua saudação
e escreve nele teus bilhetes
de amor entre os filetes
desta terra alheia
que, como areia,
os conserva
no seu desfazer
em canção.

faz destas raízes
de solo pela tua mão
revirado
teus tapetes
de oração
onde, sem posses,
a testa encostes,
e dos nomes
sussurrados
que moram no coração,
de reis, princesas
e coisas tão puras
quanto as tuas juras,
as minhas presas
e nossas garras...

entre talvezes,
se assim quiseres,
tenhas mais que uma religião.

23/01/2021

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A vós que me fizestes

 talvez eu sempre tenha sido semente
plantada 
inconscientemente 
em árido solo
depois que já não cabe, tão somente,
num colo.

talvez meu destino daninho
seja ser cacto
coroado de espinho
que guarda a sede ardente
do ato
em tempo e tato
de chama declarada
e água derramada
que não canta as letras do amor.

e, mesmo assim, não sendo rosa,
olha só, que coisa estrondosa,
quando em mim se vê uma flor!

22/01/21

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

sábado, 16 de janeiro de 2021

Cadence

 You are a storm
and I say this for they are strong
and were born
since the dawn of the age
to move as they desire,
light an unabashed fire
only to smile at the damage.

14/01/2021

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Pequenez

 Só quero voltar para casa,
abraçar minha vida,
ser acolhida 
em brasa
e percorrida.

14/01/2021

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Livro de presença

Sou papel importante,
marcado,
rasgado,
alinhado,
espinhado
no crescer abundante.

Onde o poeta se vê gravar
com os dedos
e selar com os lábios
cartas de amar
e devotar
perpétuos.

14/01/2021

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Aparências

Ainda bem
que não preciso me fazer de forte
no meu jeito que se mostra
e não se nega
se digo o "vem"
que o prostra
para ser flor no meu peito
desfeito
em pele exposta
a quem eu tomo
a pleno palmo
na hora da morte
como quem lê um salmo.

05/01/2021

sábado, 2 de janeiro de 2021

Cycles

 If I stayed this young for much longer,
how could I get wiser?
How could I become stronger?

If I never learn the laws
of Earth and time
and their mark
how will I know that in truth their claws
are as sharp
as mine?

31/12/2020

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Acoustic versions

 What is it about you
that touches me so
that I'm a cat,
I blink slow
as if our souls had already met?

The only so much and small
that makes you this all
where I could hear you forever
about trivial
and vital,
and not say a thing, ever.

Where there's such things I could do
and you only have to ask
my breaking dawn and my dusk,
and this will have many and no name
always said as a prayer, never a shame.

31/12/2020

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Truth's song

 Who knows what language a lover speaks?

As long as hands and lips
are silken,
devoted, shaken
and hungry
and kind
even when the land is barren...

The stars won't mind,
mostly when aligned
whether they come from mountain peaks
and their songs are from bird's beaks
or they are but a siren
here to deceive you and me.

30/12/2020

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Cômodo

 O jeito
como o meu acento
se perde
de ouvido
e flutua
depois toma assento
na tua língua
tão linda
é de corpo que pede
por leito
ou a minha cabeça
se tocasse sem pressa
o teu peito.

28/12/2020

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Amor

 I care neither what this is
in its many types
nor where this will go
as stars care not about rhymes
except to please
you and let you know
I just love you, love you, love you...


24/12/2020

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Wish-making

Just like light is for sunsets,
darkness is for secrets

and I could use some focus,
some rest,
a kiss on the neck
and maybe even sex...

Ah, ma fleur canadienne,
better if I could care for you with my own hand
and you filled with your scent
the warmth of my bosom where you'd take the stand.

23/12/2020

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Oi, Carolina

 Saudades de ti.

Que bom saber que tudo deu certo. Que tu falou o que tinha que ser dito, ainda que parecesse impossível. Que alívio que ao que parece tua mãe lida bem com isso e vai te ajudar com o resto.

A verdade é que hora certa não existe porque o pior é não fazer nada. O pior é esconder esse tipo de coisa de certas pessoas quando a gente sabe que o melhor seria contar, ainda que no nosso tempo. Com as consequências a gente aprende a lidar, e é claro que o desejo de todo mundo é uma resposta como a que tu recebeu.

Eu não tenho a melhor das relações com a minha mãe e há muitas coisas sobre mim que ela não sabe, embora goste de achar o contrário. Mas ela também escondeu informações de mim, então acho que estamos quites. O que eu espero é ter tua coragem.

Talvez ela já saiba, até porque deixo cair indícios pelo chão de vez em quando. Como quando ela descobriu só pelo meu jeito que eu estava apaixonada e que tinha sido magoada, há tantos anos, e sem querer.

Não faço ideia se ela sabe, mas acho que quando eu contar quero que seja assim. Eu e ela durante o café da tarde ou a janta de quarta que a gente costuma comer só as duas e que pra mim é sagrado. O pai por perto só vai me travar. Não que o que ele diga me afete mais, porque eu sei o que ele pensa. Só não quero discutir na hora da comida. As refeições têm mesmo poder.

Coragem de dizer e de me afastar de quem for preciso, não importa quem seja e nem se ela acha que estou sendo teimosa igual o pai. Isso sou eu defendendo o que é meu e exigindo respeito. Não que eu ache que precise contar, mas é algo que quero. Até a hora chegar, me deseje sorte.


21/12/2020

Pode levar tudo, menos o meu direito de sentir

Me deixa chorar pelo que eu perdi e pelo que eu posso perder. Me deixa não me arrepender de absolutamente tudo o que digo. Me deixa escolher...