quinta-feira, 8 de abril de 2021
Waterfalls
quarta-feira, 7 de abril de 2021
Efeito borboleta
terça-feira, 6 de abril de 2021
Motivos
Me diz, minha flor.
Por que foi que eu fiz aquilo? Por que foi que eu atravessei céus inteiros e fui parar na beira duma água que nunca vi? Por que foi que eu abanei a cabeça e sentei perto dum fogo que tuas mãos fizeram e deixaram aceso, vendo o pôr-do-sol, a lua e cada pontinho que se atreve a brilhar no escuro?
Por que foi que me embrenhei no mato ao teu lado só pra voltar pro silêncio da falta de televisão e finalmente ler, num sofá alugado, o calhamaço com letra pequena emprestado da minha mãe que há anos não termino? Por que é que as canções começaram a fazer sentido de novo?
Por que foi que te convidei dia após dia para passar as horas nos meus braços; o máximo possível da vida vivida e resolvida no calor da cama? Por que diabos fizemos amor como se cada vez fosse a última, e minha pele quis que tu dormisses contra ela e tu fizeste das minhas tolices fantasiosas as tuas?
Tomara que não tenha sido só porque não te incluis entre aqueles que se atrevem a pensar que são meus donos, dando pitacos sobre a minha vida e o meu corpo. Ou só pela atenção e pelo prazer. Tomara que seja por paixão… Por amor.
Diz pra mim que foi por amor.
domingo, 4 de abril de 2021
It's the little things
sábado, 3 de abril de 2021
Flor de calçada
O que já me tornei me assusta porque não sei se serve de alguma coisa e é por isso que sinto enjoo. Enjoo pra mim é dor de estômago, fígado bichado ou excesso de dor. Quem dera que fosse dor de amor.
O que foi que me tornei mesmo? Será que ainda estou fugindo? Será mesmo que adianta querer o que quero? Será que tem sentido saber da verdade?
Eu quero ir embora daqui. Pelo menos desta casa e desta vida. Ou talvez a resposta nem esteja aqui onde nasci, mas para onde eu iria? Que outro lugar nessas calçadas vazias e esquecidas por deus pode abrigar o que se faz de grande, mas no fundo é pequeno?
Será que adianta não querer repetir padrões quando eles ainda me prendem aqui? Acho que na verdade é de mim que sinto asco. De mim e do meu dom para obedecer. De mim e da minha preguiça. De mim e da minha indecisão que parece que nunca acaba, mas que sempre acaba em tinta.
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Comédia da vida escancarada
As batatas que assei ficaram duras e quase quebraram de novo o dente que quase arranquei na semana passada. Eu nunca tomo jeito mesmo, parece que nunca aprendo. Perco o tempo do forno, mordo do lado errado. Logo eu, que amo batata. Mais fácil ficar desdentada e fazer purê.
O Lucca veio aqui em casa hoje e me pediu dois adesivos. Custou muito pra eu lembrar que ainda tinha aquele caderno velho da faculdade que lá pela metade tem o diário da minha descoberta da depressão. Ele não especificou o tipo de adesivo então vai de praia mesmo.
Agora há pouco choveu granizo e quebrou uma das janelas da vizinha que, tentando fechar o basculante, cortou a mão. Tomou remédio e quando liguei pra ela, falou toda grogue que tinha certeza que o Michael Jackson ainda era vivo. Também me perguntou se a dor era real. Boa pergunta, D. Damiana. Com remédio não se discute.
Foi um dia insano. Vou tomar um banho e ler o livro da Ana Cláudia pra ver se rio um pouco da desgraça alheia. Coisa boa ver uns palavrão de vez em quando. Gente caretona, viu? Ninguém diz o que pensa.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
New old lovers
quarta-feira, 31 de março de 2021
Sincericídio
Respiração acelerada, passos apressados. A bolsa escorregando pelo ombro, por pouco não derruba tudo. Sempre foi um desastre, esquecendo o zíper aberto e a aba levantada, largada de qualquer jeito nas cadeiras. Hoje não. E mesmo assim…
Estação lotada, um frio do cão, gente se esbarrando mesmo sem querer. Esperava que não tentassem puxar a alça da bolsa porque não queria ter que usá-la para bater em alguém. Ainda que pesasse, aquele peso estava ali para tudo menos manter posição de defesa.
Não queria pensar no que carregava como um fardo, por mais que às vezes parecesse tão fácil de se quebrar. Não importa o que dissessem, aquilo estava sempre pronto para ser usado, para ser compartilhado, sem medo, no seu tempo, apesar dos riscos.
Sentou no banco da estação assim que encontrou um espaço, com a bolsa no colo e as mãos sentindo o calor que vinha dali através do tecido. Olhou para frente e achou ter visto um vulto do outro lado dos trilhos. Percebeu que a hora estava chegando e sorriu para consigo. Abriu o zíper da bolsa e enfiou o punho dentro dela num gesto tão delicado quanto decidido enquanto caminhava em direção ao trilho.
Contou até dez sem desviar os olhos e lentamente foi retirando a mão cheia, mas firme, apesar da pegada estranha, de dentro da bolsa… E ouviu o grito chocado de quem notou o que pulsava frenético entre os dedos, quase como se quisesse saltar e ir embora por vontade própria. E quem disse que não queria?
Alguns desmaiaram, outros fugiram, outros ameaçaram chamar a polícia. Mas tudo o que fez foi abanar a cabeça e afirmar com serenidade que aquele bem era seu e que podia fazer com ele o que quisesse. Que nada no ato era novidade; a única diferença era a frieza do lugar, o idioma diferente. Alguns dos que ouviram as palavras se perguntavam o que aconteceria e pararam para observar.
Mais por medo da própria pontaria do que do ato em si, aproximou-se com cuidado da beirada, mas não o bastante para pensarem que estava bancando Anna Kariênina. Apreciou por mais um momento o peso do que estava em sua palma e se pegou numa espécie de transe que só foi quebrado por ter visto o vulto outra vez.
Lutou contra o espasmo do próprio punho, agachou-se e rolou o que segurava pelos trilhos com os olhos apertados… Bem na hora em que o trem passou e parou, fazendo seus muitos barulhos que induziam aos susto e ao corpo encolhido. Podia ter dado tudo errado.
Depois da eternidade que encheu os vagões e que o levou embora, quem ficou achou tudo aquilo loucura maior ainda depois que ouviu uma risada histérica misturada com choro de um lado, e um som parecido com ronronar do outro, vindo de quem agarrava o que foi jogado com as duas mãos - como um gato faz com novelos de lã. Empoeirado pelo caminho percorrido, mas intacto e que arrancou um suspiro de alívio.
“É teu agora, bichano. Fica com ele. Mas não é brinquedo, tá?”
“Eu sei, amor. Valeu esperar pra juntar esse coração com o meu.”
30/03/2021
- exercício de escrita proposto pela Maria Vitória do blog A Estranhamente
terça-feira, 30 de março de 2021
O basta há muito já veio
Não importa o que chegasse perto da casa. Não importava quem saísse. Ele fazia barulho, ele gritava, esperneava, atormentava, sem ter noção da própria voz ou da própria força. Ele se assustava com o que nem tinha a ver com ele e pobre de quem ouvia. Dava vontade de mandá-lo embora. Dava vontade de questionar por que ele veio pra cá.
Ele era grosseiro. Se estourava fácil, dizia coisas sem sentido, achava que podia dizer o que passasse pela cabeça. Não me conhecia de verdade e eu estava há muito já cansada de tentar. Só queria que ele parasse, que não falasse comigo, que parasse de achar que o que é só meu também é dele pra dar pitaco. Que ele parasse de achar que manda.
Não tem tato. Não tem noção das consequências do que diz, que mesmo as pequenas coisas ficam e machucam. Acho que foi assim que aprendi a ser cruel. No fundo quer ajudar, mas a verdade é que só atrapalha, porque quer tomar meu lugar fazendo tudo e tudo do próprio jeito. Não sabe ensinar, não sabe dar espaço, não sabe quando parar de se envolver. Dane-se quem esteja ouvindo - despeja ordens e põe a mão no que não é seu. E quem não faz é mal-agradecido e burro.
Só o que eu quero é que pare. Só o que eu quero é ir embora.
segunda-feira, 29 de março de 2021
Vida de segunda
Mais uma segunda. Na segunda eu tento ter disciplina. Na segunda eu tento ser adulta, ainda que digam que eu ajo como uma criança, nem que seja só um pouquinho.
Nem que seja pra gastar os dedos mandando emails que provavelmente não serão respondidos. Nem que seja só pra receber um não. Nem que seja pra tentar construir um futuro onde, olhando lá pra fora, parece não haver nenhum.
Gastando os dedos com variações das mesmas palavras, quando eles poderiam estar fazendo carinho no inesperado que veio pra mim. No que quer o que quer mesmo de longe, mesmo com a loucura, mesmo com o medo, mesmo com o contexto insano.
Na segunda eu levanto e tento de novo. Quero pelo menos um fim de semana. Dois dias e meio pra lembrar das histórias largadas, das profundidades necessárias, de que existe mais nesse mundo, do formato da lua e das estrelas do céu, nem que seja pela voz do inesperado.
29/03/2021
- exercício de escrita criativa proposto pela Maria Vitória do blog A Estranhamente
sábado, 27 de março de 2021
Projections
quarta-feira, 24 de março de 2021
Faun's labyrinth
segunda-feira, 22 de março de 2021
A pelican's wound
sábado, 20 de março de 2021
Of the sublime
sexta-feira, 19 de março de 2021
Homecoming
quinta-feira, 18 de março de 2021
Work anew
segunda-feira, 8 de março de 2021
08/03/2021
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Deprimida e poeta
Escrevo desde que consigo me lembrar e desde antes de entender o que estava fazendo ou o que eu dizia. Era e é de certa forma automático colocar no papel o que me passasse pela cabeça sempre que houvesse a oportunidade… E isso em parte forjou quem eu sou hoje.
Isso não mudou quando desenvolvi ansiedade e depressão. Muito pelo contrário, só se intensificou. Foi quando questionei absolutamente tudo e enfrentei uma das piores épocas da minha vida que eu me agarrei a tudo o que me restava e hoje percebo ser o que tenho de mais valioso.
Por me sentir sozinha, eu escrevia. Por me sentir um fardo e um fracasso, eu escrevia. Ainda que estivesse exausta, eu escrevia. Mesmo tendo largado tudo e estivesse estudando para um vestibular que não fiz, eu escrevia. Preferia escrever a fazer qualquer outra coisa, na verdade.
Escrevia para me ocupar. Escrevia porque não sabia que tinha tanto a dizer. Escrevia para entender o que acontecia comigo. Vi minha poesia mudar, ficar curta, grossa, perder o enfeite, ficar calculada e ao mesmo tempo sem rumo. Aprendi sobre ser brutalmente honesta. E é por isso que ainda estou aqui.
domingo, 14 de fevereiro de 2021
Feito para (a)mar
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Fontes de inspiração
Uma amiga que tive o gosto de fazer há alguns anos e que influenciou muitos dos riscos que passei a tomar como poeta costuma dizer que a inspiração está dentro do poeta… E concordo com ela. Acredito que isso vale para independentemente da forma de expressão.
As coisas acontecem de acordo com intenção, método, tipo de conteúdo que se consome e, principalmente, do olhar que se tem sobre o mundo. Afinal de contas, a obra final vem de nós, não importa o quanto nos distanciemos dela a nível pessoal.
Acredito que a minha obra seja fruto da minha vontade de deixar algo para trás. E, dentro disso, das minhas memórias, experiências, contato com outras pessoas, o observar daquelas que estão à minha volta e escolhas literárias, musicais e no cinema, que se expandem gradualmente e deixam seu rastro.
Quanto mais velha fico, mais conscientemente busco conteúdo que vá além da superfície, que me faça pensar e que tenha honestidade por trás. Que tenha uma história para contar e que me induza a refletir sobre a minha a partir do entendimento da perspectiva do outro.
Talvez a verdade seja que, como costureira de palavras e amante dos detalhes, eu busque as histórias por trás de tudo. A beleza por trás da feiura e a verdade debaixo da bravata. O que é e poderia ter sido a partir da possibilidade de mudança onde ela se faz presente.
12/02/2021
Pode levar tudo, menos o meu direito de sentir
Me deixa chorar pelo que eu perdi e pelo que eu posso perder. Me deixa não me arrepender de absolutamente tudo o que digo. Me deixa escolher...
-
Muitas vezes, ficamos tanto tempo estagnados numa condição que a possibilidade de mudança é encarada com um misto de estranheza ...
-
Hoje olho para ti e penso que até certa primavera eu nem moça o era, mas mera menina de pouco senso do melhor para si. Tu, círculo de...
-
Não precisa se explicar, só não cala essa carícia no ar, queimadura doce de bala... Deixemos para depois os erros e acertos dos heróis...