quinta-feira, 23 de julho de 2026

Ser diferente é nomal, mas ah, como dói...

 Dói cada vez mais se dar conta de que aquela sensação repentina de infância de “preciso ir embora daqui” não era ilusão de uma criança com raiva. Dói a consciência de se ver preso numa gaiola de paredes e medos que não são seus e não saber para onde ir. Dói se ver operando numa frequência completamente diferente das pessoas mais próximas e não conseguir se desprender delas.

Dói sentir a ânsia visceral por amor e saber que tornar a solidão em solitude é o que constrói as relações mais saudáveis. Dói perceber que por mais que a gente se cobre e que a vida externa nos cobre, cada um tem um relógio muito específico dentro de si. Dói passar uma vida sem saber quem são seus verdadeiros amigos. Dói entender que durante anos se fugiu do próprio caminho.

Dói lembrar do que nos prometeram e não se cumpriu. Dói ter chegado perto do que se queria só para que aquilo se mostrasse irreal. Dói não saber se é melhor conviver com gente mais jovem, mais velha ou da nossa idade. Dói presenciar pessoas que a gente gosta passando por desrespeitos que não toleramos mais, e poder fazer muito pouco ou quase nada.

Dói se trancar e afastar de quem a gente ama e achar que eles nos odeiam. Dói não saber direito o lugar que ocupamos na vida dos outros. Dói amar com profundeza e, ao mesmo tempo, duvidar do amor que sentem por nós e também do amor que sentimos. Dói precisar que gente de fora nos lembre que somos humanos. Dói quebrar os moldes nos quais tentam nos colocar. Dói notar-se com inveja de bicicletas e crianças que sobem em árvore.

Dói saber que se é amado, mas não sentir esse amor chegar até nós. Dói sentir medo de rejeição e de desamparo. Dói compreender que, do mesmo modo em que ninguém vive sozinho, ninguém poderá nos conhecer ou entender melhor que nós mesmos. Dói não fazer ideia de quem estará junto de nós nos momentos de maior dor e confusão. Dói estar mudando sem que aqueles que mais te amam nem te conheçam direito.

21/07/2026 

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