Se a chave
é o prazer...
Que não seja sempre
apenas prazer.
- trecho do meu diário
Medo de não viver tanto quanto mereço por covardia
e falta de força para terminar o que inicio.
Medo de, por conta disso, viver apenas de impulsos de vida curta
ou que levem a erros graves.
De querer demais a grandeza e não apreciar a quietude.
De perturbar por conta do que quero.
De não amar nem ser amada.
De ficar completamente sozinha no mundo.
- trecho do meu diário
além dos declives, depois das pontes
acima dos vales
e por trás dos ramos
não encontrarás Jocasta
(sua sina já se cumpriu)
e ainda assim terias abrigo
dentro de tudo o que sou
e o que fizeste de mim
para orações sem fé
o cansaço a quem não deram nome
o amor que me tens
as certezas que hão de chegar com a próxima lua
e quem sabe olharemos nos olhos da eternidade
ainda que estas colunas desabem
sobre nós dois.
25/01/2022
percebes as outras formas
da tua sede
no poço infinito da minha língua
e por uma chance de matá-la
acomodada e renascida
na tua boca
oceanos e conceitos de tempo
te perpassam
reconhecendo-as
como outras de si
na terra onde todos os desejos veem a luz.
24/12/2021
A semana foi cheia de boas-novas para o livro!
Esta
é a capa oficial do meu livro "Quando o risco vale a pena", que me foi
enviada no dia 7 de dezembro junto com o miolo oficial.
Estou muito contente com o resultado. E vocês, o que acharam?
Depois de uma última correção no miolo e de mais alguns detalhes acertados, na sexta-feira o pessoal da @editorapenalux me contou que o livro já foi pra gráfica pra produzir as primeiras cópias que vou receber em casa!
Logo logo ele começará a ser vendido e não vejo a hora de contar pra vocês. O jeito é esperar mais um pouco...
Quer
reservar a tua cópia com autógrafo? Me manda uma mensagem que te ponho
na lista! Quando chegar eu te aviso, separo uma e acertamos o valor
depois.
Serão poucos exemplares, tá? Reserva o teu que o autógrafo vai junto quando for a hora. :)
Todos têm seus demônios
que precisam ser
tratados com sutileza,
porque nenhum sofrimento
é menos válido.
- trecho do meu diário
é no escuro e no silêncio,
no quase vácuo
que, por fração de segundo, ele vem.
passa por ti e olha
na tua direção -
não anda por ela.
e, exatamente como antes,
apenas segue.
o que quase foi apagado
mas em mais de um lugar ainda permanece
cala as palavras,
talvez porque não haja nada a ser dito.
entre sons e cores frias
te dá um breve eco de sonho que nunca se realizou
e te arranca o sorriso agridoce
que não chegou a ver.
não mais te prende e outra vez se vai,
mas é de ti que a verdade escapa,
sendo simplesmente o que é -
e quem se importa?
ah, se soubesse
do que te faria atirar-se às chamas...
mas, assim como tu, de certa forma
ele sabe.
talvez seja um defeito,
ou apenas uma maneira de não fugir
do que acena de volta de vez em quando...
o passado tem dessas coisas.
30/08/2021
em ondas sobre mim,
mas sem o gosto de sal.
em que se banha
e de que se bebe.
que se oferece a mim em goles esparsos,
porém sôfregos,
que me fazem arfar e querer mais
na sede de que me lembras.
que se derrama, que escorre lenta
ora desde os cabelos,
ora do pescoço para baixo como numa purificação,
ora desde os lábios
porque neles não se contém.
furtiva, se guarda em certos lugares, certas taças,
até morrer em outros -
entre pétalas de flor, folhas e linhas.
de mãos trêmulas e quentes,
faz estremecer a finura que toca
em um misto de devoção e rotina.
canta, sussurra e recebe.
porque tu és água.
24/08/2021
atravessei céus inteiros
e fui parar na beira de uma água que nunca vi -
abanei a cabeça e sentei
perto do fogo que tuas mãos fizeram e deixaram aceso
vendo o pôr do sol,
a lua
e cada pontinho que se atreve a brilhar no escuro.
me embrenhei no mato só pra voltar pro silêncio
da falta de televisão
e finalmente ler, num sofá alugado,
o calhamaço com letra pequena
emprestado da minha mãe
que há anos não termino
e de repente as canções de amor
começaram a fazer sentido de novo.
te convidei dia após dia
pra passar as horas nos meus braços -
o máximo possível da vida
vivida e resolvida no calor da cama
fizemos amor
como se cada vez fosse a última
das tolices fantasiosas
escritas no espaço entre duas peles
por saberes que não és dono
da vida nem do corpo em tuas mãos.
por atenção,
pelo prazer,
pela espera.
talvez por paixão.
tomara que por amor.
24/08/2021
Talvez o que faça com que as palavras
se misturem e se tornem inúteis
seja quando se resumem a apenas uma.
o templo se abre e recebe
o sentimento, a oração,
a rendição
abraçada
e una
dito o nome,
a terra morna deste
aceita
e come
o mel que deita
sobre as pérolas dadas
e bebe
o cálice de lágrimas
da libação
até que, derrubada
cada coluna
só sobre a ti e a deusa que de mim fizeste.
07/08/2021
na distância entre duas línguas
se pinta a imagem
e se sente
e se vê
a mão que se estende e toca
trêmula,
a oferenda,
o instante do eclipse
alterado no escuro
do que pensam as duas cabeças
da hidra
e do que respondem os tantos lábios
das coisas desfeitas.
05/08/2021
Talvez o grande problema
seja olhar para as outras pessoas
e pensar
que todo mundo tem pena de mim,
o que provavelmente
é um sinal
de que eu sinto pena
de mim mesma.
- trecho do meu diário
Me deixa chorar pelo que eu perdi e pelo que eu posso perder. Me deixa não me arrepender de absolutamente tudo o que digo. Me deixa escolher...