As pessoas dizem que o tempo está passando rápido demais e que elas não têm tempo para si mesmas. Na verdade, isso é só uma impressão. O tempo ainda passa normalmente, mas o ser humano não vive este tempo como se deve, porque perdeu a capacidade de admirar as coisas simples da vida; que nos aproxima da efemeridade do tempo e sua função no mundo.
Não deixe o tempo passar na sua frente, mas não o acelere. Viva, não exista apenas.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
28/06/2011
De vez em quando, sozinha em meus pensamentos obscuros, me pergunto se um dia vou poder dividir o tanto de amor que guardo dentro de mim com alguém que me ame de verdade e não duvide nunca do que significa na minha vida.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
25/06/2011
O que é mais importante?
Será que o corpo não é
mais importante do que as
roupas, ou a alma mais
importante do que
o corpo?
sábado, 21 de maio de 2016
26/06/2011
Tudo o que eu queria era
que as pessoas me ouvissem
e parassem de me tratar
como criança.
sexta-feira, 20 de maio de 2016
29/07/2011
Tudo o que eu preciso é de liberdade. Liberdade real, não só a que vivo nos meus sonhos mais profundos. Quero ser livre para ser a mulher que estou me tornando, de atender aos meus desejos, para escolher novos caminhos no silêncio das ruas; sem medo do que possam dizer, nem que seja por um único dia na minha vida.
Quero ser tudo o que eu puder ser, dizendo as verdades que aprendi nos livros e com o mundo e escrever tudo o que sinto. Libertar minhas lágrimas de raiva e tristeza, ter um tempo só para mim. Livre para buscar a felicidade enquanto cresço, já que não tenho opção.
Quero ser tudo o que eu puder ser, dizendo as verdades que aprendi nos livros e com o mundo e escrever tudo o que sinto. Libertar minhas lágrimas de raiva e tristeza, ter um tempo só para mim. Livre para buscar a felicidade enquanto cresço, já que não tenho opção.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
25/02/2016
Será que vou aguentar esperar mais tempo antes de me livrar de tanta toxicidade? Será que mais uma vez vou ter de baixar a cabeça para as circunstâncias e deixar que no fim das contas os outros decidam minha vida, enquanto fico de mãos atadas? Será que por mais um tempo conseguirei cozinhar minha raiva, minha mágoa, que ficarão entaladas em mim como espinhas de peixe na garganta, que só o pão da sagrada liberdade fará descer?
quarta-feira, 18 de maio de 2016
25/02/2016
É triste perceber que algumas partes de mim estão simplesmente morrendo. Primeiro eu perdi minha fé. E agora parece que minha capacidade até de acreditar no amor, de certa forma.
Porque o fato de eu ver pena nos olhos da maioria das pessoas ultimamente e ter sentido como se uma parte de mim não conseguisse conceber o fato de que ele me ama como eu o amo (como se isso só devesse acontecer em meus devaneios) só pode ser um indicativo de que há algo errado.
Eu não quero ser assim. Quero amar e ser amada como todo mundo. Quero acreditar que viverei outros tipos de amor com plenitude, como ele deseja para mim. Quero poder andar por aí e enxergá-lo nas pessoas e nas coisas. Saber aproveitá-lo.
Porque o fato de eu ver pena nos olhos da maioria das pessoas ultimamente e ter sentido como se uma parte de mim não conseguisse conceber o fato de que ele me ama como eu o amo (como se isso só devesse acontecer em meus devaneios) só pode ser um indicativo de que há algo errado.
Eu não quero ser assim. Quero amar e ser amada como todo mundo. Quero acreditar que viverei outros tipos de amor com plenitude, como ele deseja para mim. Quero poder andar por aí e enxergá-lo nas pessoas e nas coisas. Saber aproveitá-lo.
terça-feira, 17 de maio de 2016
Meu lábio cortado
com espinhos afiados
na mordida do arrependimento
do dito e não dito.
Palavras pesadas, que só ferem,
são pronunciadas.
A luz cega meus olhos
a cada amanhecer; a noite
é meu guia…
Tenho tudo a temer
porque minha alma anda presa
num corpo morto e tenta sobreviver.
Sem brilho vejo tudo,
nada é o que parece ser
Verdade, liberdade, paz…
Mentira entalhada,
alienada
enquanto os demônios
estão soltos,
nesse mundo cão
Sem chão
Veneno com gosto de vinho
ao alcance da mão nos supermercados
derrete as vísceras dos desajustados.
Gosto doce, açucarado,
o mal disfarçado.
A vida é um fardo!
Fique surdo e mudo
para não ser julgado.
O caos não é belo,
é sujeira embaixo do tapete
causada por corrupções diárias
com sangue inocente derramado
a vermelhidão, o teu
que suja minhas mãos desde grito
que silenciou tudo
A culpa é minha.
Sonihely Castro e Letícia B. Silva
com espinhos afiados
na mordida do arrependimento
do dito e não dito.
Palavras pesadas, que só ferem,
são pronunciadas.
A luz cega meus olhos
a cada amanhecer; a noite
é meu guia…
Tenho tudo a temer
porque minha alma anda presa
num corpo morto e tenta sobreviver.
Sem brilho vejo tudo,
nada é o que parece ser
Verdade, liberdade, paz…
Mentira entalhada,
alienada
enquanto os demônios
estão soltos,
nesse mundo cão
Sem chão
Veneno com gosto de vinho
ao alcance da mão nos supermercados
derrete as vísceras dos desajustados.
Gosto doce, açucarado,
o mal disfarçado.
A vida é um fardo!
Fique surdo e mudo
para não ser julgado.
O caos não é belo,
é sujeira embaixo do tapete
causada por corrupções diárias
com sangue inocente derramado
a vermelhidão, o teu
que suja minhas mãos desde grito
que silenciou tudo
A culpa é minha.
Sonihely Castro e Letícia B. Silva
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Tremor de frio
É estranha
a despedida,
mesmo quando
não é
um adeus.
Por isso
eu demoro
a partida,
pela tua
presença aqui...
Nem mesmo
meu corpo
quer deixar
a paz,
o conforto.
Tu te
foste embora
e levaste
teu calor,
tua mão.
Assim, o
frio voltou
a envolver
meu corpo,
meu coração...
E aqui
fiquei com
aquela falta,
querendo silêncio.
O silêncio
da intimidade
da nossa
parceira solidão;
de fora.
Que aos
poucos permite
que possamos
doar os
nossos ouvidos.
Mas é
um consolo
saber que
mesmo quando
há "barulho"
que parece
sem sentido,
tempo gasto,
ainda é
tempo amado.
Tempo passado
bem junto,
na saudade
sempre presente,
mas suportável;
o contato
comigo basta
para te
fazer feliz,
fazer sorrir.
Mesmo quando
não escavamos
as profundezas
de nossas
velhas almas...
Traz aqui
teu amor,
teu carinho,
porque eu
estou gelada.
a despedida,
mesmo quando
não é
um adeus.
Por isso
eu demoro
a partida,
pela tua
presença aqui...
Nem mesmo
meu corpo
quer deixar
a paz,
o conforto.
Tu te
foste embora
e levaste
teu calor,
tua mão.
Assim, o
frio voltou
a envolver
meu corpo,
meu coração...
E aqui
fiquei com
aquela falta,
querendo silêncio.
O silêncio
da intimidade
da nossa
parceira solidão;
de fora.
Que aos
poucos permite
que possamos
doar os
nossos ouvidos.
Mas é
um consolo
saber que
mesmo quando
há "barulho"
que parece
sem sentido,
tempo gasto,
ainda é
tempo amado.
Tempo passado
bem junto,
na saudade
sempre presente,
mas suportável;
o contato
comigo basta
para te
fazer feliz,
fazer sorrir.
Mesmo quando
não escavamos
as profundezas
de nossas
velhas almas...
Traz aqui
teu amor,
teu carinho,
porque eu
estou gelada.
domingo, 15 de maio de 2016
29/12/2014
Não quero me colocar na posição de vítima. Exceto por ele, certamente, mesmo que não digam, pessoas para as quais eu desabafo acabam pensando coisas do tipo “puxa, ela está botando toda a culpa nos pais, isso é péssimo!” ou “pobrezinha, olha o que eles estão fazendo com ela”. Isso é a última coisa de que eu preciso.
A maioria delas me dá esses conselhos baratos que no fim das contas não me ajudarão em nada. Até mesmo ele já me sugeriu tentar conversar com meus pais sobre o que sinto, mas hoje ele entende que não vai funcionar.
Pelo menos não agora e não no contexto em que estamos inseridos. Os padrões certamente se repetirão e só vai aumentar o tamanho da bola de neve. Eu já tentei fazê-lo, e a quê isso me levou? Mais introspecção.
Não estou dizendo que quero deixar as coisas como estão. Elas são ruins, não podemos todos morrer sem ter um dia resolvido pelo menos parte dessas questões. Mas isso só acontecerá quando pudermos nos ver por ângulos diferentes. Quando nos afastarmos um pouco e tivermos tempo de qualidade conosco mesmos.
Eu quero entendê-los. Eu quero me entender, ter paz de espírito. Espero pelo dia em que conseguirei tal façanha mais que tudo no mundo. Enquanto ele não chega, tento encontrar meios de suportar o resto do melhor modo possível.
A maioria delas me dá esses conselhos baratos que no fim das contas não me ajudarão em nada. Até mesmo ele já me sugeriu tentar conversar com meus pais sobre o que sinto, mas hoje ele entende que não vai funcionar.
Pelo menos não agora e não no contexto em que estamos inseridos. Os padrões certamente se repetirão e só vai aumentar o tamanho da bola de neve. Eu já tentei fazê-lo, e a quê isso me levou? Mais introspecção.
Não estou dizendo que quero deixar as coisas como estão. Elas são ruins, não podemos todos morrer sem ter um dia resolvido pelo menos parte dessas questões. Mas isso só acontecerá quando pudermos nos ver por ângulos diferentes. Quando nos afastarmos um pouco e tivermos tempo de qualidade conosco mesmos.
Eu quero entendê-los. Eu quero me entender, ter paz de espírito. Espero pelo dia em que conseguirei tal façanha mais que tudo no mundo. Enquanto ele não chega, tento encontrar meios de suportar o resto do melhor modo possível.
sábado, 14 de maio de 2016
Queimar a dois
Apesar da dor,
eu ainda acredito no nosso amor
porque sei que por onde a gente for
ainda existirá o ardor
que nos une mesmo quando a vida é cruel.
eu ainda acredito no nosso amor
porque sei que por onde a gente for
ainda existirá o ardor
que nos une mesmo quando a vida é cruel.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
03/07/2011
Enquanto minha mente se mantiver jovem, me sentirei jovem e feliz. É claro que busco a felicidade, mas acredito que os momentos tristes existem pra nos mostrar o quanto somos frágeis e precisamos uns dos outros, e ao mesmo tempo fortes e capazes de trilhar outros caminhos por nós mesmos.
É nessas horas que conhecemos nossas fraquezas e buscamos maneiras de superá-las.
Durante muitas vezes pensei que a tristeza fosse me derrubar e que a alegria não fosse me dar a mão. Mas aí entendi que ela estava apenas fazendo seu trabalho; que não ficaria para sempre porque o mundo é muito grande para que tudo se concentre numa pessoa só.
É nessas horas que conhecemos nossas fraquezas e buscamos maneiras de superá-las.
Durante muitas vezes pensei que a tristeza fosse me derrubar e que a alegria não fosse me dar a mão. Mas aí entendi que ela estava apenas fazendo seu trabalho; que não ficaria para sempre porque o mundo é muito grande para que tudo se concentre numa pessoa só.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Alguns anos depois, a quem pode ter me amado
Eu sei que já faz um tempo e que como dizem talvez não seja bom ficar remexendo no passado, mas enfim. Peguei-me pensando em como as coisas teriam sido se houvessem acontecido de outra forma. Gosto de deixar tudo esclarecido e o girar dos ponteiros ajuda nisso. Talvez o que me motivou foi o fato de que desde aquela despedida em que ouvi de ti apenas algumas palavras de forma indireta, nunca mais nos vimos porque a vida quis assim.
Provavelmente, mesmo se eu te perguntasse sobre isso hoje, conhecendo teu jeito, ou tentarias mudar de assunto ou talvez eu nem teria como saber se estás sendo sincero comigo... Claro que sei que existe mais em ti além daquela superfície debochada e até previsível (eu conseguia ver isso), mas como não quis insistir, tudo neste parágrafo é apenas uma suposição.
Se fosse diferente e tu me dissesses que era verdade, que independentemente da imaturidade de certas pessoas para com os sentimentos dos outros tu um dia me amaste, te agradeço outra e infinitas vezes a consideração que tiveste comigo diante daquilo tudo; como eu procurei ter contigo.
Se for verdade, eu repito o que disse naquela época; mesmo que hoje talvez não haja muito ou nada que possamos fazer quanto a isso. Mesmo que ele tenha feito aquilo para debochar de nós e para ter certeza de que estava livre de mim, eu não me permiti entrar no jogo para te usar e simplesmente tapar um buraco. Até foi bom, porque descobri do quê mais ele era capaz.
Foi porque eu vi uma possibilidade de me dar uma chance, pela primeira e talvez única vez em muito tempo eu amaria alguém que sentia o mesmo, me abriria para isso (feliz ou infelizmente eu me apaixono com facilidade).
Talvez eu nunca saiba o que te levou a esconder o que sentias por tanto tempo, se foi mesmo o caso, ou por que a opinião dos outros parecia tão importante para ti como fui levada pensar (o que me faz questionar se tu não tinhas vergonha de mim e do que eles pensariam de ti se estivesses comigo; seja pelo meu jeito mesmo ou até o fato de eu estar numa cadeira de rodas, o que de qualquer forma eu dispenso e acho particularmente horrível, mas espero que não).
Se tu tivesses tido coragem de enfrentar teus medos, quaisquer que tenham sido, eu teria aberto meu coração, ido atrás do que poderíamos ter oferecido um ao outro. Se tu tiveres mesmo me amado e tivesse tomado alguma atitude quanto a isso, eu teria investido em ti e honrado teu amor.
Eu teria tomado teu carinho como meu e te ofertado tudo de bom e ruim que tinha e tenho. Eu teria sido tua companheira, teria amadurecido contigo enquanto estivéssemos juntos; estava sendo sincera naqueles poemas todos que lembro-me que respeitosamente devolveste a mim com as faces coradas e pedidos de desculpa sussurrados.
Não sei se isso importa agora, mas se um dia tu me amaste, se tivesse sido diferente, a gente teria sido feliz pelo tempo que tivesse durado, pelo menos de minha parte. Tenho certeza que sim. É uma pena, não vou negar.
Sinto-me lisonjeada pelo teu amor, se um dia ele existiu. E te desejo coragem para ires atrás do que quiseres. E que possas dar a alguém que valorize, como eu teria, o que o teu medo guardou, porque por aquele rapaz na época eu já não sentia mais nada. Que não te arrependas do que sentiste e sentes, mesmo quando não dá certo. Que a natureza faça com que a fêmea do quero-quero também queira o macho que a corteja para que tudo fique bem.
Mesmo se não fui o objeto real de tua afeição, meu desejo segue o mesmo.
Provavelmente, mesmo se eu te perguntasse sobre isso hoje, conhecendo teu jeito, ou tentarias mudar de assunto ou talvez eu nem teria como saber se estás sendo sincero comigo... Claro que sei que existe mais em ti além daquela superfície debochada e até previsível (eu conseguia ver isso), mas como não quis insistir, tudo neste parágrafo é apenas uma suposição.
Se fosse diferente e tu me dissesses que era verdade, que independentemente da imaturidade de certas pessoas para com os sentimentos dos outros tu um dia me amaste, te agradeço outra e infinitas vezes a consideração que tiveste comigo diante daquilo tudo; como eu procurei ter contigo.
Se for verdade, eu repito o que disse naquela época; mesmo que hoje talvez não haja muito ou nada que possamos fazer quanto a isso. Mesmo que ele tenha feito aquilo para debochar de nós e para ter certeza de que estava livre de mim, eu não me permiti entrar no jogo para te usar e simplesmente tapar um buraco. Até foi bom, porque descobri do quê mais ele era capaz.
Foi porque eu vi uma possibilidade de me dar uma chance, pela primeira e talvez única vez em muito tempo eu amaria alguém que sentia o mesmo, me abriria para isso (feliz ou infelizmente eu me apaixono com facilidade).
Talvez eu nunca saiba o que te levou a esconder o que sentias por tanto tempo, se foi mesmo o caso, ou por que a opinião dos outros parecia tão importante para ti como fui levada pensar (o que me faz questionar se tu não tinhas vergonha de mim e do que eles pensariam de ti se estivesses comigo; seja pelo meu jeito mesmo ou até o fato de eu estar numa cadeira de rodas, o que de qualquer forma eu dispenso e acho particularmente horrível, mas espero que não).
Se tu tivesses tido coragem de enfrentar teus medos, quaisquer que tenham sido, eu teria aberto meu coração, ido atrás do que poderíamos ter oferecido um ao outro. Se tu tiveres mesmo me amado e tivesse tomado alguma atitude quanto a isso, eu teria investido em ti e honrado teu amor.
Eu teria tomado teu carinho como meu e te ofertado tudo de bom e ruim que tinha e tenho. Eu teria sido tua companheira, teria amadurecido contigo enquanto estivéssemos juntos; estava sendo sincera naqueles poemas todos que lembro-me que respeitosamente devolveste a mim com as faces coradas e pedidos de desculpa sussurrados.
Não sei se isso importa agora, mas se um dia tu me amaste, se tivesse sido diferente, a gente teria sido feliz pelo tempo que tivesse durado, pelo menos de minha parte. Tenho certeza que sim. É uma pena, não vou negar.
Sinto-me lisonjeada pelo teu amor, se um dia ele existiu. E te desejo coragem para ires atrás do que quiseres. E que possas dar a alguém que valorize, como eu teria, o que o teu medo guardou, porque por aquele rapaz na época eu já não sentia mais nada. Que não te arrependas do que sentiste e sentes, mesmo quando não dá certo. Que a natureza faça com que a fêmea do quero-quero também queira o macho que a corteja para que tudo fique bem.
Mesmo se não fui o objeto real de tua afeição, meu desejo segue o mesmo.
terça-feira, 10 de maio de 2016
quarta-feira, 4 de maio de 2016
terça-feira, 3 de maio de 2016
14/01/15
A noite passada foi uma das piores que já passei na vida. Talvez a pior de todas.
Nunca tinha sentido nada como aquilo antes… O dia inteiro eu engoli aquela vontade louca de chorar que vinha lá de dentro e nada tem a ver com a tpm. Acho até que estou acostumada com ela; acaba na maior parte das vezes se libertando quando estou no silêncio do quarto, as luzes apagadas.
É como se o que costumo chamar de pesadelo decidisse me atacar com mais força justamente nessa hora, a hora em que eu devia sossegar e dormir. Foi o que aconteceu outra vez, mas numa proporção muito maior do que antes.
Quando o que quer que me faça chorar é muito grande e difícil de suportar, como em contextos assim, os espasmos de choro são mais profundos e duram mais tempo… Desta vez, o que eu sentia era diamantino. Eu não conseguia me acalmar sozinha; chorava cada vez mais alto a ponto de gritar.
Nunca tinha sentido nada como aquilo antes… O dia inteiro eu engoli aquela vontade louca de chorar que vinha lá de dentro e nada tem a ver com a tpm. Acho até que estou acostumada com ela; acaba na maior parte das vezes se libertando quando estou no silêncio do quarto, as luzes apagadas.
É como se o que costumo chamar de pesadelo decidisse me atacar com mais força justamente nessa hora, a hora em que eu devia sossegar e dormir. Foi o que aconteceu outra vez, mas numa proporção muito maior do que antes.
Quando o que quer que me faça chorar é muito grande e difícil de suportar, como em contextos assim, os espasmos de choro são mais profundos e duram mais tempo… Desta vez, o que eu sentia era diamantino. Eu não conseguia me acalmar sozinha; chorava cada vez mais alto a ponto de gritar.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
02/01/2015
É difícil decidir o que é mais assustador: descobrir e saber lidar com os defeitos dos outros ou os nossos. Se dar conta de que até mesmo as pessoas que mais amamos não possuem apenas grandes virtudes, que nos fizeram admirá-las, mas também muitas coisas ruins.
Se eu, que estou a cada dia vendo isso nas pessoas à minha volta e até em mim mesma, já me sinto confusa, imagina para eles, que convivem comigo? Leva tempo para absorvermos o fato de que ninguém tem a obrigação de corresponder às expectativas de ninguém, que ninguém é perfeito. E é muito complicado perceber que herdamos os defeitos que abominamos em nossos pais.
E um grande problema é que aqueles que mais deveriam entender isso simplesmente esperam o topo de tudo.
Um dia eu já quis que uma pessoa mudasse, mas aí entendi que era furada. Estava só desejando que ela entrasse numa espécie de padrão para que não brigássemos. Tolice minha. Ela mesma muitas vezes engolia coisas que não gostava em mim pelo simples fato de nos gostarmos, até porque me conhece há certo tempo. Só agora eu entendo que esta é a única coisa a fazer.
Claro que ela ainda é jovem e muita coisa muda porque o mundo obriga, mas neste contexto não há outra solução.
Com certeza quando eu viver minha própria vida de verdade, com a minha casa e as minhas escolhas, vou conseguir mudar o que deve ser mudado e aceitar o que faz parte de mim. Aceitar mais facilmente as falhas dos outros e até as deles e as minhas, pois embora nada seja um mar de rosas, vou ficar longe de um ciclo vicioso que esfrega tudo nas caras uns dos outros.
Se eu, que estou a cada dia vendo isso nas pessoas à minha volta e até em mim mesma, já me sinto confusa, imagina para eles, que convivem comigo? Leva tempo para absorvermos o fato de que ninguém tem a obrigação de corresponder às expectativas de ninguém, que ninguém é perfeito. E é muito complicado perceber que herdamos os defeitos que abominamos em nossos pais.
E um grande problema é que aqueles que mais deveriam entender isso simplesmente esperam o topo de tudo.
Um dia eu já quis que uma pessoa mudasse, mas aí entendi que era furada. Estava só desejando que ela entrasse numa espécie de padrão para que não brigássemos. Tolice minha. Ela mesma muitas vezes engolia coisas que não gostava em mim pelo simples fato de nos gostarmos, até porque me conhece há certo tempo. Só agora eu entendo que esta é a única coisa a fazer.
Claro que ela ainda é jovem e muita coisa muda porque o mundo obriga, mas neste contexto não há outra solução.
Com certeza quando eu viver minha própria vida de verdade, com a minha casa e as minhas escolhas, vou conseguir mudar o que deve ser mudado e aceitar o que faz parte de mim. Aceitar mais facilmente as falhas dos outros e até as deles e as minhas, pois embora nada seja um mar de rosas, vou ficar longe de um ciclo vicioso que esfrega tudo nas caras uns dos outros.
domingo, 1 de maio de 2016
sábado, 30 de abril de 2016
O estalo
A morte levou o meu melhor
Tirou de mim, de repente
A mais bela e viva flor
Que já viveu sob o sol poente.
E assim, desde então
Tento entender o movimento
Que meu Romântico coração
Não aceita como em si mesmo um evento.
A genialidade faz de mim um deus
Que virou a ampulheta da natureza
E do perecido fez outra vida.
Mas também à sanidade deu adeus
Ao contemplar minha baixeza
Na absurda monstruosidade surgida.
Tirou de mim, de repente
A mais bela e viva flor
Que já viveu sob o sol poente.
E assim, desde então
Tento entender o movimento
Que meu Romântico coração
Não aceita como em si mesmo um evento.
A genialidade faz de mim um deus
Que virou a ampulheta da natureza
E do perecido fez outra vida.
Mas também à sanidade deu adeus
Ao contemplar minha baixeza
Na absurda monstruosidade surgida.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
O frio interno
Depois de dias de um calor fora do normal e chuvas irritantemente quase incessantes, o inverno parece ter chegado mais cedo por aqui. Por um lado é bom, pois traz de volta ao céu, agora azulado como os olhos do rapaz por quem um dia fui apaixonada, o calor do sol, mesmo que o vento
que veio com ele seja gelado. Apesar de eu quase não sair de casa, ter mais luz natural vinda das janelas com certeza é um consolo.
O frio intenso chegou de repente e meu corpo não gostou; meus pés estão mais gelados, acho que já fiquei um pouco doente e sinto mais do que nunca o frio rastejar pelas minhas pernas e penetrar em meu coração, meus ossos. e me lembra de que o vazio que sinto sempre esteve aqui; antes eu
nem tinha consciência dele. Agora que nos conhecemos, às vezes fica mais forte do que eu, como uma fera melhor alimentada assim como a minha raiva, que moram na jaula do meu subconsciente.
Às vezes eu consigo domá-los. E eu outra vez espero sobreviver conseguindo sentir o sangue correr nas veias a outro inverno que nunca poderei amar e que só deixa tudo mais latente.
terça-feira, 26 de abril de 2016
Lembra quando, no Alto da minha arrogância, eu te dizia que tu deverias mudar ou do contrário as pessoas acabariam se afastando? Pois eu não entendia que não faz sentido mudar simplesmente porque alguém disse. Nem que esse é um processo lento e constante. Muito menos que o que eu te dizia acontecia comigo também. Quem sou eu pra falar?
segunda-feira, 25 de abril de 2016
domingo, 24 de abril de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de abril de 2016
27/12/2014
Se tem uma coisa com a qual eu realmente preciso lidar é a culpa, esta sensação horrível que me mata por dentro a cada dia e que não sei de onde vem.
Com o passar do tempo eu criei uma paranoia que faz com que, por exemplo, eu me sinta culpada por toda e qualquer coisa ruim ou desconfortável que acontece comigo. E ela é só um dos aspectos.
Talvez ela se origine de coisas que eu achava que não me afetavam, mas que na verdade tenha guardado para mim bem no fundo, no meu inconsciente. As pequenas coisas ditas pelas outras pessoas, tipo “você está com x porque deixou de fazer ou fez y ou z”.
Ele está certo. Tenho que fazer uma faxina. Me livrar de todo o lixo e ver o que ainda posso aproveitar. Não posso me deixar afetar tanto assim pelas situações e pessoas. Tenho que amenizar todo este peso antes que ele me ponha no chão.
Com o passar do tempo eu criei uma paranoia que faz com que, por exemplo, eu me sinta culpada por toda e qualquer coisa ruim ou desconfortável que acontece comigo. E ela é só um dos aspectos.
Talvez ela se origine de coisas que eu achava que não me afetavam, mas que na verdade tenha guardado para mim bem no fundo, no meu inconsciente. As pequenas coisas ditas pelas outras pessoas, tipo “você está com x porque deixou de fazer ou fez y ou z”.
Ele está certo. Tenho que fazer uma faxina. Me livrar de todo o lixo e ver o que ainda posso aproveitar. Não posso me deixar afetar tanto assim pelas situações e pessoas. Tenho que amenizar todo este peso antes que ele me ponha no chão.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
A doença das relações
Algumas coisas simplesmente mudam a ponto de se acabarem. E não há muito que, quase sempre, a gente possa fazer por elas.
É, eu acho, como uma pessoa com uma doença terminal que decide viver seus últimos momentos em casa, perto das suas coisas, daquilo que lhe é cômodo e familiar.
O que se pode fazer, no mais, é aliviar a dor quando ela vier, aproveitar o tempo que resta, tentando reter as partes boas que sobrarem e esperar que a Grande Cadela, a Magra, como dizia Erico Veríssimo, venha aprontar a última das suas sacanagens.
Acho que já me acostumei com esse tipo de morte, a das relações. De certa forma, até espero por elas, em alguns casos. O tempo vem com seu hálito de doença e infecta o que parecia imune, incólume. Mas nada escapa da mão do tempo, não é mesmo? De um jeito ou de outro tudo o tem como seu algoz final e definitivo…
O assunto se esvai, os silêncios aumentam, as diferenças maiores se sentam ao sofá também. Isso porque a Vida e o Tempo põem cada um pro seu lado. Em muitas das vezes, primeiro fisicamente, ou não, depende. Depois, o que é mais triste em ambas ocasiões, porque acontece mais devagar e que é mais palpável, as mentes e almas também se distanciam ao ponto de não haver nada além de estranheza e desconforto quando se tenta verificar se a paciente tem chance de melhora.
Claro que muitas vezes os sintomas acabam mesmo negligenciados de um lado ou outro, o que permite que a enfermidade atinja seu pico. Mas de vez em quando, por mais saudável que tenha sido, sua vida é curta e simplesmente expira.
Não posso negar que é triste. Tem coisas que não são mesmo feitas para durar para sempre. Mas nem por isso necessariamente não produzem boas memórias. São essas que prefiro guardar. Quero mesmo é me preocupar com aqueles que ainda não estão doentes e os que não estão em estado grave, para que não piorem. E também os que nasceram em ambientes contaminados. Não deixar que nossas casmurrices nos aborreçam.
Afinal, o que eles precisam e posso oferecer agora e sempre é um cobertor, uma sopa, um comprimido e um cafuné. Se não melhoram de todo, pelo menos não pioram. E até quem sabe renasçam ao receberem um sopro de ar fresco…
É, eu acho, como uma pessoa com uma doença terminal que decide viver seus últimos momentos em casa, perto das suas coisas, daquilo que lhe é cômodo e familiar.
O que se pode fazer, no mais, é aliviar a dor quando ela vier, aproveitar o tempo que resta, tentando reter as partes boas que sobrarem e esperar que a Grande Cadela, a Magra, como dizia Erico Veríssimo, venha aprontar a última das suas sacanagens.
Acho que já me acostumei com esse tipo de morte, a das relações. De certa forma, até espero por elas, em alguns casos. O tempo vem com seu hálito de doença e infecta o que parecia imune, incólume. Mas nada escapa da mão do tempo, não é mesmo? De um jeito ou de outro tudo o tem como seu algoz final e definitivo…
O assunto se esvai, os silêncios aumentam, as diferenças maiores se sentam ao sofá também. Isso porque a Vida e o Tempo põem cada um pro seu lado. Em muitas das vezes, primeiro fisicamente, ou não, depende. Depois, o que é mais triste em ambas ocasiões, porque acontece mais devagar e que é mais palpável, as mentes e almas também se distanciam ao ponto de não haver nada além de estranheza e desconforto quando se tenta verificar se a paciente tem chance de melhora.
Claro que muitas vezes os sintomas acabam mesmo negligenciados de um lado ou outro, o que permite que a enfermidade atinja seu pico. Mas de vez em quando, por mais saudável que tenha sido, sua vida é curta e simplesmente expira.
Não posso negar que é triste. Tem coisas que não são mesmo feitas para durar para sempre. Mas nem por isso necessariamente não produzem boas memórias. São essas que prefiro guardar. Quero mesmo é me preocupar com aqueles que ainda não estão doentes e os que não estão em estado grave, para que não piorem. E também os que nasceram em ambientes contaminados. Não deixar que nossas casmurrices nos aborreçam.
Afinal, o que eles precisam e posso oferecer agora e sempre é um cobertor, uma sopa, um comprimido e um cafuné. Se não melhoram de todo, pelo menos não pioram. E até quem sabe renasçam ao receberem um sopro de ar fresco…
terça-feira, 5 de abril de 2016
sábado, 26 de março de 2016
quinta-feira, 24 de março de 2016
Embora seja maduro olhar para os sentimentos e saber diferenciá-los entre si, não é saudável ficar analisando demais e esquecer de simplesmente senti-los. E também de que sim, independentemente dos nossos defeitos, se nos esforçamos para ser pessoas melhores todos os dias, as pessoas que nos amam entendem certas coisas.
terça-feira, 22 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
quinta-feira, 17 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
26/12/2014
Não é que eu não seja grata aos meus pais. Eu sou, e muito. Sei bem do monte de coisas que eles fizeram por mim. Posso não ser a melhor filha do mundo; não ser das mais carinhosas e muitas vezes dizer e fazer coisas bem cruéis. Mas não quer dizer que eu não os ame.
O meu jeito e as coisas acumuladas em mim fazem com que eu não diga. E também porque, querendo ou não, no fim das contas nós três somos tóxicos uns aos outros. As pequenas coisas ditas e feitas a cada dia por cada um fazem com que nos machuquemos de muitas maneiras.
Também não é que eu não goste de ficar perto deles ou mesmo vá deixar de me importar um dia. Mas eu preciso sair daqui, não morar mais sob o mesmo teto assim que puder. Só quando isso acontecer eu conseguirei ver as coisas por um ângulo diferente e quem sabe entender a eles e a mim mesma. Essa sensação de sufocamento e pressão é o que realmente me mata.
Isso até mesmo faz com que minha condição de dependência física pareça um pouco pior para mim.
Claro que nada é perfeito e talvez isso da condição ainda dure um tempo, mas independentemente disso, só o fato de eu estar em outro lugar, com outras pessoas, já torna tudo bem razoável. As brigas e tudo mais que vem com ela acontecerão em outros contextos e isso certamente me ajudará a entender o que preciso mudar em mim e o que já é meu, entre outras questões.
O meu jeito e as coisas acumuladas em mim fazem com que eu não diga. E também porque, querendo ou não, no fim das contas nós três somos tóxicos uns aos outros. As pequenas coisas ditas e feitas a cada dia por cada um fazem com que nos machuquemos de muitas maneiras.
Também não é que eu não goste de ficar perto deles ou mesmo vá deixar de me importar um dia. Mas eu preciso sair daqui, não morar mais sob o mesmo teto assim que puder. Só quando isso acontecer eu conseguirei ver as coisas por um ângulo diferente e quem sabe entender a eles e a mim mesma. Essa sensação de sufocamento e pressão é o que realmente me mata.
Isso até mesmo faz com que minha condição de dependência física pareça um pouco pior para mim.
Claro que nada é perfeito e talvez isso da condição ainda dure um tempo, mas independentemente disso, só o fato de eu estar em outro lugar, com outras pessoas, já torna tudo bem razoável. As brigas e tudo mais que vem com ela acontecerão em outros contextos e isso certamente me ajudará a entender o que preciso mudar em mim e o que já é meu, entre outras questões.
domingo, 13 de março de 2016
O que incomoda
Acho que lido bem com a minha deficiência e as limitações que ela traz, que felizmente são apenas físicas. Não me culpo por isso; até porque não foi escolha minha (e nada do tipo o é para ninguém) e ela não me impede de viver uma vida relativamente normal.
Mas é claro que algumas coisas me incomodam. Sempre incomodaram e só percebi isso agora.
Como por exemplo, eu depender da ajuda de pessoas para muitas coisas, ter que conviver com falta de acessibilidade em quase todo lugar (o que acho que me incomodaria mesmo se eu não fosse deficiente)… Sem contar a ignorância e o preconceito que hoje percebo nos olhos das pessoas.
Claro que me incomoda não poder andar, correr ou dançar. E tudo ser um pouco mais difícil ou trabalhoso de muitas maneiras. Às vezes até para sair sozinha com alguém eu tenho que me esforçar por causa da superproteção e preguiça da minha mãe. E é difícil se sentir normal vivendo assim.
Porque não é sempre que eu consigo me impor.
Minha situação é mutável e me incomoda, mas a verdade é que não tenho pressa. Quando tiver que ser, será.
Mas é claro que algumas coisas me incomodam. Sempre incomodaram e só percebi isso agora.
Como por exemplo, eu depender da ajuda de pessoas para muitas coisas, ter que conviver com falta de acessibilidade em quase todo lugar (o que acho que me incomodaria mesmo se eu não fosse deficiente)… Sem contar a ignorância e o preconceito que hoje percebo nos olhos das pessoas.
Claro que me incomoda não poder andar, correr ou dançar. E tudo ser um pouco mais difícil ou trabalhoso de muitas maneiras. Às vezes até para sair sozinha com alguém eu tenho que me esforçar por causa da superproteção e preguiça da minha mãe. E é difícil se sentir normal vivendo assim.
Porque não é sempre que eu consigo me impor.
Minha situação é mutável e me incomoda, mas a verdade é que não tenho pressa. Quando tiver que ser, será.
sábado, 12 de março de 2016
03/01/2015
Vivo o paradoxo de querer ter o mundo na mão e ao mesmo tempo morrer de medo de sair de onde estou, de perto de tudo o que conheço e sempre tive… Mesmo sabendo que todo mundo está indo embora e o lugar onde estou nada ter a me oferecer em termos de trabalho, vida social e oportunidades em geral. Este medo estranho e sem sentido faz com que eu acabe não abrindo a cabeça como deveria.
Acho que grande parte disso se origina do modo como fui criada, até mesmo minha preguiça. De muitas maneiras dependente dos pais e os tendo por perto o tempo todo, observando cada movimento meu. Onde eu vou, algum deles vai junto. Até para fazer coisas normais e que fazem com que eu me sinta normal, como por exemplo, passar algumas horas sozinha com outra pessoa, exigem grande esforço e negociação da minha parte.
Muitas vezes sou chamada de anti-social por eles por quase não sair de casa. Mas eles não enxergam a minha dificuldade, até porque todo mundo tem sua vida e coisas para fazer, então é complicado achar alguém disponível para conversar. Quando surge a oportunidade, eu a agarro com unhas e dentes.
Acho que grande parte disso se origina do modo como fui criada, até mesmo minha preguiça. De muitas maneiras dependente dos pais e os tendo por perto o tempo todo, observando cada movimento meu. Onde eu vou, algum deles vai junto. Até para fazer coisas normais e que fazem com que eu me sinta normal, como por exemplo, passar algumas horas sozinha com outra pessoa, exigem grande esforço e negociação da minha parte.
Muitas vezes sou chamada de anti-social por eles por quase não sair de casa. Mas eles não enxergam a minha dificuldade, até porque todo mundo tem sua vida e coisas para fazer, então é complicado achar alguém disponível para conversar. Quando surge a oportunidade, eu a agarro com unhas e dentes.
sexta-feira, 11 de março de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
quarta-feira, 9 de março de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
A volta para casa
Na curva do
teu pescoço escondo
minhas lágrimas amargas.
Ao teu silêncio
entrego meus medos
e tantas dúvidas.
Em teu abraço
guardo minha alma
e corpo cansados,
maltratados pelos invernos
nublados e tristes...
Em tua mão
encosto a minha
e entrego meu
coração ainda sonhador
e que tenta
muito se conhecer...
teu pescoço escondo
minhas lágrimas amargas.
Ao teu silêncio
entrego meus medos
e tantas dúvidas.
Em teu abraço
guardo minha alma
e corpo cansados,
maltratados pelos invernos
nublados e tristes...
Em tua mão
encosto a minha
e entrego meu
coração ainda sonhador
e que tenta
muito se conhecer...
sábado, 5 de março de 2016
05/02/2015
Às vezes me pego pensando em como as coisas seriam se eu pudesse andar e voluntariamente morasse sozinha, sem depender da ajuda física de ninguém. Se eu pensaria de forma diferente sobre as coisas e, principalmente, o meu conceito de solidão.
Talvez eu não me sentisse perdida e estranha por estar com certas pessoas e não com outras e conseguisse me perguntar, em meio à obrigação diária e loucura: “o que quero fazer hoje?”.
Se fosse o caso, gostaria de ver meus momentos solitários sempre como vejo de vez em quando: como algo bom, que merece ser desfrutado e usado a meu favor. Felizmente existem pessoas que veem com bons olhos, como algo normal, esses instantes em que faço algo só para mim e não me rendo à regra do politicamente correto.
Talvez eu não me sentisse perdida e estranha por estar com certas pessoas e não com outras e conseguisse me perguntar, em meio à obrigação diária e loucura: “o que quero fazer hoje?”.
Se fosse o caso, gostaria de ver meus momentos solitários sempre como vejo de vez em quando: como algo bom, que merece ser desfrutado e usado a meu favor. Felizmente existem pessoas que veem com bons olhos, como algo normal, esses instantes em que faço algo só para mim e não me rendo à regra do politicamente correto.
sexta-feira, 4 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
As canções que eu ouvia durante a adolescência e com as quais achava que me identificava pelo simples sentimento de rebeldia e desajuste se encaixam muito melhor com a minha vida agora. Porque agora eu entendo o real significado que elas têm para mim, mesmo depois de tanto tempo. Entendo como realmente me sinto. Tudo o que eu venho engolindo todos esses anos.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
As perdas
Não sei o que é mais estranho. Desde que comecei a realmente perder entes queridos e entender o conceito da morte, da perda e do luto, tem sido mais ou menos assim: depois de remoídas todas as fases do luto com maior ou menor intensidade, a sensação é que com o tempo eu sigo em frente como se nada houvesse acontecido, embora eu saiba que isso não é verdade; acho que essa é a definição da expressão ‘fulano (a) está vivo no meu coração’. Talvez porque as lembranças sejam o que sobre e elas sempre estejam lá, no fundo da gente, talvez não tão sólidas, mas sempre ao alcance da mão.
É como se de certa forma eu agisse como se aquela pessoa ainda estivesse fisicamente viva. E aí vem o bizarro: de vez em quando, aparece algum detalhezinho, uma coisinha qualquer que traz para as memórias uma cor e textura diferente, que não se pode ver, mas se pode sentir, a da saudade.
Com a saudade, vem o lembrete da perda real, que ela realmente aconteceu e que não tem volta, e às vezes dói, não importando quão maduro a gente seja. E aí só nos resta deixar que doa, como quando a gente mexe numa feridinha que está querendo sarar, porque uma hora ou outra a casquinha nasce de novo.
A perda é uma facada na alma que as recordações em geral cicatrizam. Cicatriza, mas não some. Fica pra sempre. Nós muitas vezes nem notamos, mas segue no mesmo lugar, do mesmo tamanho. Só não sangra, embora fique dolorida nos tempos tempestuosos. E como o sol sempre vem, esperamos que o tempo melhore e possamos ir vivendo.
É como se de certa forma eu agisse como se aquela pessoa ainda estivesse fisicamente viva. E aí vem o bizarro: de vez em quando, aparece algum detalhezinho, uma coisinha qualquer que traz para as memórias uma cor e textura diferente, que não se pode ver, mas se pode sentir, a da saudade.
Com a saudade, vem o lembrete da perda real, que ela realmente aconteceu e que não tem volta, e às vezes dói, não importando quão maduro a gente seja. E aí só nos resta deixar que doa, como quando a gente mexe numa feridinha que está querendo sarar, porque uma hora ou outra a casquinha nasce de novo.
A perda é uma facada na alma que as recordações em geral cicatrizam. Cicatriza, mas não some. Fica pra sempre. Nós muitas vezes nem notamos, mas segue no mesmo lugar, do mesmo tamanho. Só não sangra, embora fique dolorida nos tempos tempestuosos. E como o sol sempre vem, esperamos que o tempo melhore e possamos ir vivendo.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Vida crua
Eu cozinho
minha raiva
a fogo
bem lento.
Temperada com
o ressentimento
de estar,
no fim,
de mãos
completamente atadas...
E não
conseguir saber
quanto tempo
ainda aguento
esperar para...
Agarrar a
vida cozida
que mais
me apetece
já fria
minha raiva
a fogo
bem lento.
Temperada com
o ressentimento
de estar,
no fim,
de mãos
completamente atadas...
E não
conseguir saber
quanto tempo
ainda aguento
esperar para...
Agarrar a
vida cozida
que mais
me apetece
já fria
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
30/12/2014
Talvez eu seja mesmo uma lutadora de algum modo, como ele diz. Não só pela minha condição e tentativa de viver uma vida o mais normal possível, mas provavelmente porque eu ainda tenho esperança.
Esperanças de que as coisas mudem e eu não sinta a dor que sinto hoje.
No fundo, em muitos aspectos, não me sinto boa o bastante. Talvez justamente por eu guardar dentro de mim essas pequenas coisas ditas pelos meus pais que são simplesmente excruciantes. Algumas mais particularmente ofensivas.
Eu vivi a vida inteira fazendo e sendo o que os outros esperavam de mim e isso só me tornou uma pessoa insegura e medrosa para muitas das escolhas que hoje tenho a oportunidade e até mesmo a obrigação de fazer.
Eu não percebia que mesmo mais jovem do que hoje eu já deveria ter começado a me impor para lutar pela minha própria vida. E hoje é claro que ninguém vai tirar isso de mim. Mesmo com as dificuldades que eu ainda enfrento para fazê-lo. Não quero que os anos passem por mim sem que eu tenha sentido que vivi de verdade uma única vez que seja.
Esperanças de que as coisas mudem e eu não sinta a dor que sinto hoje.
No fundo, em muitos aspectos, não me sinto boa o bastante. Talvez justamente por eu guardar dentro de mim essas pequenas coisas ditas pelos meus pais que são simplesmente excruciantes. Algumas mais particularmente ofensivas.
Eu vivi a vida inteira fazendo e sendo o que os outros esperavam de mim e isso só me tornou uma pessoa insegura e medrosa para muitas das escolhas que hoje tenho a oportunidade e até mesmo a obrigação de fazer.
Eu não percebia que mesmo mais jovem do que hoje eu já deveria ter começado a me impor para lutar pela minha própria vida. E hoje é claro que ninguém vai tirar isso de mim. Mesmo com as dificuldades que eu ainda enfrento para fazê-lo. Não quero que os anos passem por mim sem que eu tenha sentido que vivi de verdade uma única vez que seja.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
domingo, 31 de janeiro de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
10 de janeiro de 2015
Tecnicamente, sou filha única. Só tecnicamente. Só soube que tinha uma irmã gêmea fraterna que faleceu pouco depois de nascermos aos 11 anos de idade, porque uma colega me questionou se minha irmã estudava no colégio público que frequentei, quando na verdade a pessoa era eu.
Se alguém me pergunta se me sinto mal por causa dela, na verdade não sinto nada. Como vou sentir falta de alguém que nem conheci e só soube da existência vários anos depois? Mas é claro que fico chateada pelos meus pais. É muito difícil perder um filho.
É muita pressão, é como se uma bomba fosse estourar a qualquer minuto. Detesto essa sensação de opressão e expectativas de perfeição.
O fato de eu ter e ao mesmo tempo não ter irmãos nunca havia me afetado como o faz há algum tempo. Eu observava meus amigos que possuem irmãos e até mesmo meus pais, vindos de famílias grandes, e achava interessantíssima essa coisa de ter outra pessoa na mesma casa, mais nova ou mais velha, que divide tantas coisas contigo. A fronteira entre amor e ódio, brigas e similares.
Eu ainda observo e fico fascinada com o quão peculiar isso é. Isso passou a me afetar porque eu entendi o tamanho da minha solidão. Não que necessariamente ser um dos filhos signifique que uma pessoa não se sinta solitária, mas eu sei lá. Ter alguém com quem rir, brincar, conversar e até brigar por outras razões parece algo que me agradaria.
Me pego pensando em como as coisas seriam se minha irmã estivesse aqui. Se teríamos nascido sem nenhuma deficiência e poderíamos andar, ir a festas juntas, correr… Como ela seria na aparência, se seríamos amigas… Se ela faria diferença na minha vida ou seria só mais uma pessoa.
Se ela sentiria o mesmo que eu. Se a presença dela nos faria mais livres em vez de me prender na gaiola da superproteção.
Se alguém me pergunta se me sinto mal por causa dela, na verdade não sinto nada. Como vou sentir falta de alguém que nem conheci e só soube da existência vários anos depois? Mas é claro que fico chateada pelos meus pais. É muito difícil perder um filho.
É muita pressão, é como se uma bomba fosse estourar a qualquer minuto. Detesto essa sensação de opressão e expectativas de perfeição.
O fato de eu ter e ao mesmo tempo não ter irmãos nunca havia me afetado como o faz há algum tempo. Eu observava meus amigos que possuem irmãos e até mesmo meus pais, vindos de famílias grandes, e achava interessantíssima essa coisa de ter outra pessoa na mesma casa, mais nova ou mais velha, que divide tantas coisas contigo. A fronteira entre amor e ódio, brigas e similares.
Eu ainda observo e fico fascinada com o quão peculiar isso é. Isso passou a me afetar porque eu entendi o tamanho da minha solidão. Não que necessariamente ser um dos filhos signifique que uma pessoa não se sinta solitária, mas eu sei lá. Ter alguém com quem rir, brincar, conversar e até brigar por outras razões parece algo que me agradaria.
Me pego pensando em como as coisas seriam se minha irmã estivesse aqui. Se teríamos nascido sem nenhuma deficiência e poderíamos andar, ir a festas juntas, correr… Como ela seria na aparência, se seríamos amigas… Se ela faria diferença na minha vida ou seria só mais uma pessoa.
Se ela sentiria o mesmo que eu. Se a presença dela nos faria mais livres em vez de me prender na gaiola da superproteção.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
As janelas destrancadas
Ele entrou outra vez naquele lugar bagunçado, empoeirado, com portas empenadas e goteiras, sentou-se e ficou em silêncio… Também disse que algum dia a moça teria de arregaçar as mangas e limpar aquilo tudo e principalmente não deixar que ninguém depositasse lixo, para não piorar as coisas.
Depois de um tempo, foi a vez dele a convidar para seu território, o que a deixou feliz e diminuiu sua sensação de egoísmo ao se ver disposta a entrar de todo, quando na verdade de alguma forma sempre acabava só no portal sem nem entender por quê. Era algo próximo e ao mesmo tempo distante… Ela se sentia mal porque era como se uma minúscula parte de si não achasse que deveria. Tanto convidá-lo como aceitar seu convite, seu amor sem restrição nenhuma.
Aquilo precisava mudar… E antes que ela percebesse, mudou, e agora precisava continuar assim.
Aquele lugar também tinha sua tormenta, que também levaria tempo para ser arrumada, mas era aconchegante à sua maneira. O sol escaldante que aos poucos se punha como uma coberta dourada fazia com que ela usasse os óculos de sol comuns dele sobre os olhos míopes, pois os seus com grau embutido não estavam à mão. Apesar do contorno desfocado das coisas, ela o podia ouvir e sentir perto dela, feliz por se notar realmente disponível para ele como ele sempre fora para ela.
Ela o via ali, aos borrões, sentado em posição de Buda num velho e duro banco de praça, à sombra de uma grande árvore. E se via olhando diretamente para ele, para o castanho dos olhos que sabia que estava lá. Como para ter certeza de que aquilo realmente estava acontecendo, trocou o nublado do óculo escuro pela nitidez suja dos de grau por um breve instante.
E lá estavam eles, iluminados por uma bela faísca de fogo. Ela já o estava enxergando mesmo sem ver. Por fora e por dentro, pelas janelas daquela alma leve e amiga na qual na verdade já havia adentrado. E ele a via também, pelas janelinhas surradas que ela nem se lembrava de ter aberto de vez, apesar das frestas.
Talvez o medo dela não fosse de ver o que os olhos dos outros mostravam, mesmo os dele, mas sim de deixar que os seus próprios deixassem algo escapar, mesmo para ele, que há tempos havia chegado tão fundo. O medo da completa intimidade e aceitação que aquela pequena parte dela sentia mesmo sem querer.
Apesar de terem entrado logo pelas portas da alma um do outro, ambos se viram conseguindo espiar pelas janelas. Ela permitindo que as suas fossem perscrutadas de mansinho e também apreciando o que via pelas dele como jamais o fez antes. Para ter um apanhado do lado de dentro e uma vez dentro, apreciar o jardim do lado de fora. O dela, por sinal, andava seco e judiado, mas tinha esperança de outra vez ver flores e árvores de fruto. Ele sabia bem disso.
- Eu estou olhando pros teus olhos… - ela disse, ainda surpresa.
- Sim, está. Eu estou aqui. E tu também olhaste para mim aquela hora, quando me falaste aquelas coisas…
- É mesmo? Eu nem tinha percebido…
Ele apenas sorriu, sem desviar o olhar. Ela ficou feliz. Algum golpe de vento deve ter aberto os trincos.
Depois de um tempo, foi a vez dele a convidar para seu território, o que a deixou feliz e diminuiu sua sensação de egoísmo ao se ver disposta a entrar de todo, quando na verdade de alguma forma sempre acabava só no portal sem nem entender por quê. Era algo próximo e ao mesmo tempo distante… Ela se sentia mal porque era como se uma minúscula parte de si não achasse que deveria. Tanto convidá-lo como aceitar seu convite, seu amor sem restrição nenhuma.
Aquilo precisava mudar… E antes que ela percebesse, mudou, e agora precisava continuar assim.
Aquele lugar também tinha sua tormenta, que também levaria tempo para ser arrumada, mas era aconchegante à sua maneira. O sol escaldante que aos poucos se punha como uma coberta dourada fazia com que ela usasse os óculos de sol comuns dele sobre os olhos míopes, pois os seus com grau embutido não estavam à mão. Apesar do contorno desfocado das coisas, ela o podia ouvir e sentir perto dela, feliz por se notar realmente disponível para ele como ele sempre fora para ela.
Ela o via ali, aos borrões, sentado em posição de Buda num velho e duro banco de praça, à sombra de uma grande árvore. E se via olhando diretamente para ele, para o castanho dos olhos que sabia que estava lá. Como para ter certeza de que aquilo realmente estava acontecendo, trocou o nublado do óculo escuro pela nitidez suja dos de grau por um breve instante.
E lá estavam eles, iluminados por uma bela faísca de fogo. Ela já o estava enxergando mesmo sem ver. Por fora e por dentro, pelas janelas daquela alma leve e amiga na qual na verdade já havia adentrado. E ele a via também, pelas janelinhas surradas que ela nem se lembrava de ter aberto de vez, apesar das frestas.
Talvez o medo dela não fosse de ver o que os olhos dos outros mostravam, mesmo os dele, mas sim de deixar que os seus próprios deixassem algo escapar, mesmo para ele, que há tempos havia chegado tão fundo. O medo da completa intimidade e aceitação que aquela pequena parte dela sentia mesmo sem querer.
Apesar de terem entrado logo pelas portas da alma um do outro, ambos se viram conseguindo espiar pelas janelas. Ela permitindo que as suas fossem perscrutadas de mansinho e também apreciando o que via pelas dele como jamais o fez antes. Para ter um apanhado do lado de dentro e uma vez dentro, apreciar o jardim do lado de fora. O dela, por sinal, andava seco e judiado, mas tinha esperança de outra vez ver flores e árvores de fruto. Ele sabia bem disso.
- Eu estou olhando pros teus olhos… - ela disse, ainda surpresa.
- Sim, está. Eu estou aqui. E tu também olhaste para mim aquela hora, quando me falaste aquelas coisas…
- É mesmo? Eu nem tinha percebido…
Ele apenas sorriu, sem desviar o olhar. Ela ficou feliz. Algum golpe de vento deve ter aberto os trincos.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Cansaço
De viver num ciclo vicioso que parece que nunca vai terminar. De, mesmo sem perceber, deixar que outros determinem o modo que quero viver. De acabar vendo pena nos olhos de quase todo mundo porque sinto que incomodo. De me pegar duvidando até das coisas mais sólidas. De chorar, de sentir raiva, de permitir que o que alguns dizem nas entrelinhas determine como vejo a mim mesma e meu comportamento.
Da autopiedade, da tortura que parte de fora e de mim mesma, de me desculpar por tudo o que não precisa de desculpas. De não ter espaço para pensar nas coisas com cuidado e ter que ficar me provando pros outros fazendo coisas das quais tenho pouca certeza se quero. Da minúscula parte de mim que acha que o o amor que recebo só devia existir nos meus sonhos. Do medo dos olhos das pessoas.
Da autopiedade, da tortura que parte de fora e de mim mesma, de me desculpar por tudo o que não precisa de desculpas. De não ter espaço para pensar nas coisas com cuidado e ter que ficar me provando pros outros fazendo coisas das quais tenho pouca certeza se quero. Da minúscula parte de mim que acha que o o amor que recebo só devia existir nos meus sonhos. Do medo dos olhos das pessoas.
domingo, 24 de janeiro de 2016
XII
Olá, meu irmão.
Não sei como aconteceu, mas de alguma forma maravilhosamente difícil de entender, eu passei a confiar em ti praticamente de olhos fechados.
O que foi isso que de repente me fez me abrir tanto em tão pouco tempo e hoje me tornou alguém que passou a olhar de verdade para si mesma, por mais doloroso que seja?
Será que foi aquele pôr-de-sol na varanda, a rua vazia, o calor do verão, o vento manso sussurrando segredos que nenhum de nós conhecia ainda? Será que foi a solidão, que naquele dia não era tão doída, por ser compartilhada e cheia dos nossos sonhos?
Talvez um pouco de tudo isso. Os meus versos tolos, porém sinceros, teu ouvido tranquilo e paciente na cadeira ao lado... Teu abraço apertadinho e carinhoso, tua mão que até hoje me puxa gentilmente de volta à clareza. Foi quando isso aconteceu que entendi que era por isso que eu procurava e nem sabia. E agora é algo nosso, nossa forma de expressar esse carinho, esse amor que nasceu tão rápido e tão aos poucos.
Não é só meu corpo que abraças quando nos vemos. O aperto (às vezes mais forte) dos teus braços não me sufoca. Pelo contrário, deixa que minha alma respire. Não é só minha mão que guardas entre as tuas, mas também meu coração. Agora eu sei que um toque pode dizer muito, e do quanto eu precisava disso...
Agora chegamos bem perto do âmago um do outro, não é?
Seja lá o que tenha me trazido tanta paz de espírito, me alegra que seja recíproco. Minha lealdade é tua para além desta vida; obrigada por algo tão bonito e natural.
Da tua irmãzinha.
Não sei como aconteceu, mas de alguma forma maravilhosamente difícil de entender, eu passei a confiar em ti praticamente de olhos fechados.
O que foi isso que de repente me fez me abrir tanto em tão pouco tempo e hoje me tornou alguém que passou a olhar de verdade para si mesma, por mais doloroso que seja?
Será que foi aquele pôr-de-sol na varanda, a rua vazia, o calor do verão, o vento manso sussurrando segredos que nenhum de nós conhecia ainda? Será que foi a solidão, que naquele dia não era tão doída, por ser compartilhada e cheia dos nossos sonhos?
Talvez um pouco de tudo isso. Os meus versos tolos, porém sinceros, teu ouvido tranquilo e paciente na cadeira ao lado... Teu abraço apertadinho e carinhoso, tua mão que até hoje me puxa gentilmente de volta à clareza. Foi quando isso aconteceu que entendi que era por isso que eu procurava e nem sabia. E agora é algo nosso, nossa forma de expressar esse carinho, esse amor que nasceu tão rápido e tão aos poucos.
Não é só meu corpo que abraças quando nos vemos. O aperto (às vezes mais forte) dos teus braços não me sufoca. Pelo contrário, deixa que minha alma respire. Não é só minha mão que guardas entre as tuas, mas também meu coração. Agora eu sei que um toque pode dizer muito, e do quanto eu precisava disso...
Agora chegamos bem perto do âmago um do outro, não é?
Seja lá o que tenha me trazido tanta paz de espírito, me alegra que seja recíproco. Minha lealdade é tua para além desta vida; obrigada por algo tão bonito e natural.
Da tua irmãzinha.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Aos 9 anos
Quando olho para trás hoje, percebo que a morte do meu avô foi um divisor de águas na minha vida. Não apenas por eu ter apenas nove anos à época ou porque o amava. Mas também porque tal fato abriu meus olhos para muitas circunstâncias.
A morte do meu avô, repentina como foi, me deu consciência da minha própria mortalidade. Da loucura que é ter alguém de que se gosta perto de si, e no segundo seguinte, encontrar o luto e ter de se bastar apenas com as memórias. Manter esse alguém vivo nessas lembranças e dentro de nós.
Claro que outros parentes haviam falecido ao longo da minha vida e até antes de eu nascer. Como ainda era muito jovem, a morte não me parecia nada especial, muito menos o passar do tempo. As ausências não me afetavam. Mas desta vez foi diferente; o fim de alguém tão próximo de mim me mostrou que um dia, querendo ou não, o mesmo acontecerá comigo.
Eu fui crescendo e, por mais que eu tenha deixado de realmente pensar na morte da maneira assustadora com que o fiz antes, ela passou na verdade a me intrigar.
A partir do momento em que nascemos, começamos a morrer; uma reação química de cada vez. Todos os dias nos olhamos no espelho e algo muda, algo vem e também se perde.
A perda do meu avô me fez perceber que o tempo realmente passa. De que na verdade eu nunca soube o que realmente fazer com a minha vida; que ela não é fácil e que talvez eu nem mesmo sei quem sou. Eu notei que tinha paixões, sonhos e esperanças, mas que elas não parecem ser o suficiente para me fazer sentir viva e útil.
Entendi que não tenho uma vida totalmente minha e que não sei quando vou poder ir atrás dela. Me fez querer ser alguém melhor, por mim e pelos outros. Prestei atenção em padrões e depois de anos consegui admitir a mim mesma que há anos me sinto sufocada e preciso de liberdade.
Liberdade e espaço para fazer escolhas com mais sabedoria e não desistir daquilo que desejo. Que para crescer de verdade, como o mundo cobra, preciso ter a chance de cometer erros e encarar as consequências sem me torturar, muito menos com gente que me torture por eles. Que eu consiga conviver com outras pessoas e elas me façam querer ser menos egoísta, menos cruel...
A morte do meu avô, repentina como foi, me deu consciência da minha própria mortalidade. Da loucura que é ter alguém de que se gosta perto de si, e no segundo seguinte, encontrar o luto e ter de se bastar apenas com as memórias. Manter esse alguém vivo nessas lembranças e dentro de nós.
Claro que outros parentes haviam falecido ao longo da minha vida e até antes de eu nascer. Como ainda era muito jovem, a morte não me parecia nada especial, muito menos o passar do tempo. As ausências não me afetavam. Mas desta vez foi diferente; o fim de alguém tão próximo de mim me mostrou que um dia, querendo ou não, o mesmo acontecerá comigo.
Eu fui crescendo e, por mais que eu tenha deixado de realmente pensar na morte da maneira assustadora com que o fiz antes, ela passou na verdade a me intrigar.
A partir do momento em que nascemos, começamos a morrer; uma reação química de cada vez. Todos os dias nos olhamos no espelho e algo muda, algo vem e também se perde.
A perda do meu avô me fez perceber que o tempo realmente passa. De que na verdade eu nunca soube o que realmente fazer com a minha vida; que ela não é fácil e que talvez eu nem mesmo sei quem sou. Eu notei que tinha paixões, sonhos e esperanças, mas que elas não parecem ser o suficiente para me fazer sentir viva e útil.
Entendi que não tenho uma vida totalmente minha e que não sei quando vou poder ir atrás dela. Me fez querer ser alguém melhor, por mim e pelos outros. Prestei atenção em padrões e depois de anos consegui admitir a mim mesma que há anos me sinto sufocada e preciso de liberdade.
Liberdade e espaço para fazer escolhas com mais sabedoria e não desistir daquilo que desejo. Que para crescer de verdade, como o mundo cobra, preciso ter a chance de cometer erros e encarar as consequências sem me torturar, muito menos com gente que me torture por eles. Que eu consiga conviver com outras pessoas e elas me façam querer ser menos egoísta, menos cruel...
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
15/01/2015
Ainda vai chegar o dia em que vou me livrar de tudo o que não serve para mim. Que não sentirei mais toda esta raiva oprimida que me faz ser cruel com as pessoas. Que todas essas crenças maléficas enfiadas em minha cabeça ao longo do tempo sumirão e me sentirei mais livre. Sem tantas inseguranças. Com condições de pensar de verdade no que quero para mim.
Em que conseguirei ser aquilo que sou e não o que esperam de mim. Em que poderei dizer o que penso e fazer o que minha cabeça e coração mandarem sempre que necessário. Que entenderei que não é ruim mostrar fragilidade.
Em que conseguirei ser aquilo que sou e não o que esperam de mim. Em que poderei dizer o que penso e fazer o que minha cabeça e coração mandarem sempre que necessário. Que entenderei que não é ruim mostrar fragilidade.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
30/01/15
Apesar de escrever poemas e ter tido a coragem de começar a divulgá-los na internet aos treze anos de idade, bem como os pensamentos aleatórios que passei a registrar a partir dos quinze e ter publicado um livro aos dezoito, não me considero uma escritora, como minha mãe e outras pessoas muitas vezes enchem a boca para falar.
Talvez as coisas tenham acontecido desta forma porque eu sinta certa necessidade não de me mostrar e vangloriar, mas de que os outros saibam quem sou e que de alguma maneira eu não me sinta sozinha no barco dos sentimentos misturados e loucos, porém sinceros. De que, como já tinha escrito antes, eu não seja esquecida, mesmo querendo ser só mais uma, invisível na multidão.
Mas não, não gosto do rótulo. Até porque sou muito mais do que isto e esta não é a carreira profissional que quero seguir depois de formada. Claro que fico feliz com o feedback positivo e até mesmo negativo que meus textos recebem de vez em quando, mas nem se nada disso fosse assim eu pararia de escrever.
Talvez eu tenha escrito meu romance e esteja pensando em suas continuações como uma maneira peculiar de expressar meu ponto de vista sobre certas coisas, principalmente relativas ao modo como penso que vivo, minhas insatisfações, o que sou e o que gostaria de ser. Como um catalisador de raiva e mágoa que os destinatários nem se deram o trabalho de perceber quando a coisa foi publicada.
Já nem sei mais a quê isto me levou e leva.
Por mais que às vezes me dê vontade de virar tudo de ponta cabeça e sumir com tudo o que já publiquei que já não esteja na mão de alguém e guardar minhas palavras só para mim, possivelmente este já seja um caminho sem volta. É impossível desfazer tudo agora, tem material demais por aí. Só me resta parar agora ou seguir com o baile.
Quanto mais o tempo passa, mais percebo que divulgando ou não, escrever seja meu destino. Como uma maneira de ser honesta comigo mesma e tentar dar nome para o indescritível. Cada vez mais sinto que, quem quer que eu seja hoje ou seja amanhã, esteja nas palavras que deixo pelos cantos, sejam elas lidas ou não. Eu dependo delas mais do que nunca.
O que eu escrevo não são só palavras. Sou eu. Mesmo quando até para mim pareça bobo e inútil. Concordo com Ed Sheeran quando diz que pior do que ser criticado é ser menosprezado. Em minha opinião, não sou escritora, mas alguém que depende bastante das palavras.
Talvez as coisas tenham acontecido desta forma porque eu sinta certa necessidade não de me mostrar e vangloriar, mas de que os outros saibam quem sou e que de alguma maneira eu não me sinta sozinha no barco dos sentimentos misturados e loucos, porém sinceros. De que, como já tinha escrito antes, eu não seja esquecida, mesmo querendo ser só mais uma, invisível na multidão.
Mas não, não gosto do rótulo. Até porque sou muito mais do que isto e esta não é a carreira profissional que quero seguir depois de formada. Claro que fico feliz com o feedback positivo e até mesmo negativo que meus textos recebem de vez em quando, mas nem se nada disso fosse assim eu pararia de escrever.
Talvez eu tenha escrito meu romance e esteja pensando em suas continuações como uma maneira peculiar de expressar meu ponto de vista sobre certas coisas, principalmente relativas ao modo como penso que vivo, minhas insatisfações, o que sou e o que gostaria de ser. Como um catalisador de raiva e mágoa que os destinatários nem se deram o trabalho de perceber quando a coisa foi publicada.
Já nem sei mais a quê isto me levou e leva.
Por mais que às vezes me dê vontade de virar tudo de ponta cabeça e sumir com tudo o que já publiquei que já não esteja na mão de alguém e guardar minhas palavras só para mim, possivelmente este já seja um caminho sem volta. É impossível desfazer tudo agora, tem material demais por aí. Só me resta parar agora ou seguir com o baile.
Quanto mais o tempo passa, mais percebo que divulgando ou não, escrever seja meu destino. Como uma maneira de ser honesta comigo mesma e tentar dar nome para o indescritível. Cada vez mais sinto que, quem quer que eu seja hoje ou seja amanhã, esteja nas palavras que deixo pelos cantos, sejam elas lidas ou não. Eu dependo delas mais do que nunca.
O que eu escrevo não são só palavras. Sou eu. Mesmo quando até para mim pareça bobo e inútil. Concordo com Ed Sheeran quando diz que pior do que ser criticado é ser menosprezado. Em minha opinião, não sou escritora, mas alguém que depende bastante das palavras.
domingo, 17 de janeiro de 2016
Um coração
Como vai
esse coração
de passarinho?
Coração apaixonado
ou indeciso.
Que bate
rápido e
bem forte,
na velocidade
do voo
da emoção,
do instinto...
Que teme,
se esconde,
age devagar,
mas ainda
assim, deseja.
Esse coração
é de
um passarinho
não por
faltar grandeza,
mas por
transbordar leveza
e luz...
Então deixe
que gravite,
que aflore,
se entregue
ao desconhecido.
Pense bem,
mas não
se acanhe,
de qualquer
forma tu
não perdes
em nada...
Dói muito
se esconder
dos outros
e de
si mesmo!
Só saberás
as respostas
se olhares
aí dentro
e jogares
os dados...
esse coração
de passarinho?
Coração apaixonado
ou indeciso.
Que bate
rápido e
bem forte,
na velocidade
do voo
da emoção,
do instinto...
Que teme,
se esconde,
age devagar,
mas ainda
assim, deseja.
Esse coração
é de
um passarinho
não por
faltar grandeza,
mas por
transbordar leveza
e luz...
Então deixe
que gravite,
que aflore,
se entregue
ao desconhecido.
Pense bem,
mas não
se acanhe,
de qualquer
forma tu
não perdes
em nada...
Dói muito
se esconder
dos outros
e de
si mesmo!
Só saberás
as respostas
se olhares
aí dentro
e jogares
os dados...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
15/11/2011
Tenho que parar de viver num mundo de frases feitas e tentar escrever minha própria história. Sei que não ganho nada por chorar, mas o que posso fazer se é mais forte do que eu? Se choro é porque sou humana e tenho um coração.
Quero alguém que me mostre o caminho para que eu possa aprender a navegar na minha mente e entender as minhas emoções. Para que eu possa ir embora daqui com a certeza de que não vou mais chorar.
Quero alguém que me mostre o caminho para que eu possa aprender a navegar na minha mente e entender as minhas emoções. Para que eu possa ir embora daqui com a certeza de que não vou mais chorar.
domingo, 10 de janeiro de 2016
27/11/2011
Acredite, eu não queria me apaixonar, mas aconteceu.
Sei muito bem que você não é perfeito e que nunca seria meu; por isso tomei coragem pra escrever o que eu escrevi; porque o que eu sinto não importa. E mais uma vez você não entendeu que não te quero mal e que você nunca vai conseguir me magoar.
Mesmo que eu queira, mesmo que você tente. Não preciso que você me empurre, porque já estou afundando. Não se preocupe, eu vou conseguir sozinha, apesar de não ser fácil. Pelo menos você me deixou algo de bom: mostrou-me que eu ainda posso amar, mesmo que no final eu sofra de novo.
Desculpe por qualquer coisa, eu não queria que tudo tivesse terminado assim. Você não vai conseguir me fazer sofrer. O tempo vai me ajudar a te esquecer.
Sei muito bem que você não é perfeito e que nunca seria meu; por isso tomei coragem pra escrever o que eu escrevi; porque o que eu sinto não importa. E mais uma vez você não entendeu que não te quero mal e que você nunca vai conseguir me magoar.
Mesmo que eu queira, mesmo que você tente. Não preciso que você me empurre, porque já estou afundando. Não se preocupe, eu vou conseguir sozinha, apesar de não ser fácil. Pelo menos você me deixou algo de bom: mostrou-me que eu ainda posso amar, mesmo que no final eu sofra de novo.
Desculpe por qualquer coisa, eu não queria que tudo tivesse terminado assim. Você não vai conseguir me fazer sofrer. O tempo vai me ajudar a te esquecer.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
10/04/2015
O que tenho de mais valioso são minhas memórias e minhas palavras. São elas que talvez me façam existir para além das minhas tristezas e frustrações.
Outra coisa que me faz questionar o sentido de se viver é que, querendo ou não, depois que a gente se vai, também se vão justamente nossas recordações e sonhos.
Eu tenho medo de ser esquecida e que tenha sido só outra pessoa que ocupou esses lugares só por ocupar. Por mais dolorosas que sejam muitas das lembranças que carrego, são elas que fazem de mim quem quer que eu seja.
Por isso tenho vontade de transformar o que ainda é etéreo em coisas concretas. Encontrar razões para seguir em busca de um destino.
Criar novas memórias e torná-las eternas com as palavras. Que nesses momentos eu veja mais sentido em tudo. Que os maiores livros que eu escreva sejam estes diários bagunçados. Que eu tenha espaço e tempo para viver o que não vivi, e se isso não for possível, que pelo menos possa entender o que muda.
O tempo está passando e eu cresço rápido demais…
Outra coisa que me faz questionar o sentido de se viver é que, querendo ou não, depois que a gente se vai, também se vão justamente nossas recordações e sonhos.
Eu tenho medo de ser esquecida e que tenha sido só outra pessoa que ocupou esses lugares só por ocupar. Por mais dolorosas que sejam muitas das lembranças que carrego, são elas que fazem de mim quem quer que eu seja.
Por isso tenho vontade de transformar o que ainda é etéreo em coisas concretas. Encontrar razões para seguir em busca de um destino.
Criar novas memórias e torná-las eternas com as palavras. Que nesses momentos eu veja mais sentido em tudo. Que os maiores livros que eu escreva sejam estes diários bagunçados. Que eu tenha espaço e tempo para viver o que não vivi, e se isso não for possível, que pelo menos possa entender o que muda.
O tempo está passando e eu cresço rápido demais…
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
07/04/2015
Eu me pergunto se as coisas fazem sentido. Ou se um dia conseguirei dar sentido para minha vida. Se o que sinto e o que acontece à minha volta não é apenas um monte de ilusões.
Me pergunto se os sentimentos também não são apenas algo inventado e se a consciência que o ser humano tem de si e do resto é um presente ou uma maldição. Se estamos aqui apenas para agir como máquinas reprodutoras de ações e sensações.
De qualquer forma, com o tempo acho que conseguirei encontrar algo que não me faça sentir tão perdida e estranha.
Me pergunto se os sentimentos também não são apenas algo inventado e se a consciência que o ser humano tem de si e do resto é um presente ou uma maldição. Se estamos aqui apenas para agir como máquinas reprodutoras de ações e sensações.
De qualquer forma, com o tempo acho que conseguirei encontrar algo que não me faça sentir tão perdida e estranha.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
5 de abril de 2015
Não posso ficar me torturando ou não conseguirei fazer mais nada. Tenho que dar o meu melhor e pronto, em quantas tentativas forem necessárias. Não preciso provar nada para ninguém. Não sou perfeita.
Talvez eu me exija tanto porque, embora eu não tenha certeza de nada, tenho que arriscar em alguma coisa para ir atrás da independência e liberdade que quero e preciso. Mesmo que depois mude de ideia de novo.
Cada vez mais sinto que tenho que prestar atenção e pensar em mim. Eu só queria ter tempo de saber o que realmente quero. Quero morrer com a certeza de que vivi de verdade, fiz algo de útil e não fui esquecida. Nem que seja com papel e tinta espalhados pelos cantos.
Talvez eu me exija tanto porque, embora eu não tenha certeza de nada, tenho que arriscar em alguma coisa para ir atrás da independência e liberdade que quero e preciso. Mesmo que depois mude de ideia de novo.
Cada vez mais sinto que tenho que prestar atenção e pensar em mim. Eu só queria ter tempo de saber o que realmente quero. Quero morrer com a certeza de que vivi de verdade, fiz algo de útil e não fui esquecida. Nem que seja com papel e tinta espalhados pelos cantos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
28/01/2015
Tenho uma relação muito peculiar com Deus. Fui criada numa família católica que se diz praticante, mas hoje isto pouco significa para mim. Talvez por não gostar de dogmas e das pessoas que usam sua pseudo-fé para se fazerem donos da verdade e não respeitarem os outros. Talvez porque eu esteja tentando abrir minha cabeça para outras maneiras de ver o mundo. Talvez porque eu não tenha certeza de mais nada. Talvez porque acredite mais em bondade e respeito sem esperar recompensa nenhuma de ninguém.
Acho até que as circunstâncias me fizeram perder a fé que eu tinha. Se por um lado me fizeram ter uma visão mais realista e concreta das coisas, por outro me deram um aspecto espiritual que independe de religiões. Mas sinto que posso ter perdido a maior de todas as fés, que acho ser a que realmente existe e importa, acima de qualquer rótulo.
Se é que existe Deus e no fundo está dentro de cada um, principalmente porque temos de ter fé em nós mesmos, acho que foi isso o que eu perdi. Perdi minhas forças interiores e capacidade de controlar meus pensamentos, de me reerguer sozinha. Perdi a confiança e fé em mim mesma… Só agora eu entendo que talvez sempre tenha precisado de ajuda.
Preciso fazer alguma coisa por mim antes que fique completamente louca. Preciso de alguma coisa que me dê as respostas que existirem para minhas questões, algo que me dê esperança de que a dor vai passar e as coisas poderão melhorar de verdade. Para que eu não me sinta mais tão insatisfeita pelo que creio que me falta e mais grata pelo que já conquistei. Qualquer coisa.
Acho até que as circunstâncias me fizeram perder a fé que eu tinha. Se por um lado me fizeram ter uma visão mais realista e concreta das coisas, por outro me deram um aspecto espiritual que independe de religiões. Mas sinto que posso ter perdido a maior de todas as fés, que acho ser a que realmente existe e importa, acima de qualquer rótulo.
Se é que existe Deus e no fundo está dentro de cada um, principalmente porque temos de ter fé em nós mesmos, acho que foi isso o que eu perdi. Perdi minhas forças interiores e capacidade de controlar meus pensamentos, de me reerguer sozinha. Perdi a confiança e fé em mim mesma… Só agora eu entendo que talvez sempre tenha precisado de ajuda.
Preciso fazer alguma coisa por mim antes que fique completamente louca. Preciso de alguma coisa que me dê as respostas que existirem para minhas questões, algo que me dê esperança de que a dor vai passar e as coisas poderão melhorar de verdade. Para que eu não me sinta mais tão insatisfeita pelo que creio que me falta e mais grata pelo que já conquistei. Qualquer coisa.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
domingo, 13 de dezembro de 2015
Sei que sou cruel
Às vezes olho para minhas falhas e o quanto tem sido difícil conviver com elas e chego ao extremo de pensar se não seria melhor se o mundo fosse utópico e eu não precisasse conviver com ninguém. Assim eu não machucaria ninguém. Não me sentiria só no meio da multidão e ao mesmo tempo não me acharia tão carente e até mesmo chata. Justamente algumas das coisas que um dia achei que uma pessoa deveria mudar para as minhas conveniências.
Se eu não pretendo mudar por ninguém, por que um dia quis cobrar isso de alguém? Como sou dúbia e ridícula.
Certa vez alguém me disse que gostaria que as pessoas não tivessem família. Que nascêssemos por simples brotamento, como algumas espécies de plantas, e saíssemos a descobrir o mundo por nós mesmos. Seríamos simplesmente nós e nossas opiniões andando por este mundo gigante; que sem dúvida faria de nós o que somos. Num mundo assim, não herdaríamos modos de pensar, viver e agir de ninguém, sejam eles virtudes ou preconceitos. Eles seriam simplesmente algo que desenvolveríamos e praticaríamos com os outros membros da sociedade.
Concordo com ela. É por isso que fico imaginando quão louco deve ser ter filhos. Duas pessoas completamente diferentes tentando impor visões de vida a outro ser igualmente distinto que com o tempo decidirá o que fazer com tudo isso. O que me faz questionar se eu seria uma boa mãe…
Ninguém é uma ilha e muito menos igual aos outros. Por isso, não queria que meus aspectos ruins me incomodassem até mais que os deles, que na verdade só servem de espelho.
Se eu não pretendo mudar por ninguém, por que um dia quis cobrar isso de alguém? Como sou dúbia e ridícula.
Certa vez alguém me disse que gostaria que as pessoas não tivessem família. Que nascêssemos por simples brotamento, como algumas espécies de plantas, e saíssemos a descobrir o mundo por nós mesmos. Seríamos simplesmente nós e nossas opiniões andando por este mundo gigante; que sem dúvida faria de nós o que somos. Num mundo assim, não herdaríamos modos de pensar, viver e agir de ninguém, sejam eles virtudes ou preconceitos. Eles seriam simplesmente algo que desenvolveríamos e praticaríamos com os outros membros da sociedade.
Concordo com ela. É por isso que fico imaginando quão louco deve ser ter filhos. Duas pessoas completamente diferentes tentando impor visões de vida a outro ser igualmente distinto que com o tempo decidirá o que fazer com tudo isso. O que me faz questionar se eu seria uma boa mãe…
Ninguém é uma ilha e muito menos igual aos outros. Por isso, não queria que meus aspectos ruins me incomodassem até mais que os deles, que na verdade só servem de espelho.
sábado, 12 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Embora ache que no fim das contas as coisas acontecerão quando e como tiverem de acontecer e esteja tentando viver mais o hoje, pois ele nunca voltará, ainda faço meus planos, redireciono minhas decisões. Dou um empurrão no destino, por assim dizer. Algumas delas me deixam otimista de que realmente posso modificar minha história; de que ainda não desisti de mim mesma, apesar da ansiedade que vem junto se saberei lidar com tudo.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Perdi-me de mim
Sabe quando tu sentes que perdeu o controle da própria mente? Que tudo de ruim que tu acumulaste na vida resolveu explodir e te enlouquecer, e por isso qualquer coisa te apavora, te deixa com raiva e uma culpa que certamente não existe? É isso.
É incrível como um único pensamento obscuro pode te levar à beira da loucura em segundos.
Quando chega a noite e tudo silencia, meus fantasmas internos vêm me assustar. Enganei a mim mesma ao pensar que poderia lidar com tudo sozinha… Há anos me faço perguntas para as quais tenho medo de nunca achar respostas. O que me consola é que eu consigo dizer o que sinto, mesmo que não entenda.
O que tenho sentido pode ser classificado em adjetivos, muitos deles. Os piores que se possa imaginar. O problema é com os substantivos. É difícil tentar dar nome a algo tão complexo. Mas eu tento, porque quem sabe eu possa chamar isso pelo nome e finalmente mandar embora um dia.
Minha mente é uma armadilha da qual tenho medo de não conseguir sair. Eu só quero vencer esses traumas e demônios e seguir em frente. A verdade é que quanto mais velha fico, menos certezas tenho.
É incrível como um único pensamento obscuro pode te levar à beira da loucura em segundos.
Quando chega a noite e tudo silencia, meus fantasmas internos vêm me assustar. Enganei a mim mesma ao pensar que poderia lidar com tudo sozinha… Há anos me faço perguntas para as quais tenho medo de nunca achar respostas. O que me consola é que eu consigo dizer o que sinto, mesmo que não entenda.
O que tenho sentido pode ser classificado em adjetivos, muitos deles. Os piores que se possa imaginar. O problema é com os substantivos. É difícil tentar dar nome a algo tão complexo. Mas eu tento, porque quem sabe eu possa chamar isso pelo nome e finalmente mandar embora um dia.
Minha mente é uma armadilha da qual tenho medo de não conseguir sair. Eu só quero vencer esses traumas e demônios e seguir em frente. A verdade é que quanto mais velha fico, menos certezas tenho.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Tu podes achar que não, mas faz sentido eu achar que teu amor me é suficiente no fim das contas. Porque mesmo não podendo envolver meu coração de todas as formas, por já estar nele, muito daquilo que temos será e é o que busco nas outras formas de amor. Porque eu nunca senti algo tão grande, tão puro, e nunca pensei que ser amada desta mesma forma aconteceria de forma tão repentina, e no entanto, tão natural.
domingo, 6 de dezembro de 2015
13/02/2015
Se dinheiro não fosse um problema, eu faria muita coisa. Compraria muitos livros, viajaria a vários lugares. Construiria minha própria casa, com uma grande biblioteca e um escritório só para mim. Teria várias obras de arte nas paredes.
Além disso, compraria roupas novas, que tenham mais a ver com a minha personalidade, ou qualquer coisa assim. Acho até que estudaria no exterior. Aprenderia línguas novas e suas culturas. Publicaria todos os meus livros em grandes editoras nacionais e estrangeiras.
Iria a shows de boa música; compraria flores para mim mesma toda semana e teria empregados para me ajudar a cuidar da minha casa. Teria um jardim cheio de rosas e outras flores bonitas. Comeria muita comida japonesa!
Embora o dinheiro não compre a felicidade, eu o usaria para conseguir pelo menos um pouco dela.
Além disso, compraria roupas novas, que tenham mais a ver com a minha personalidade, ou qualquer coisa assim. Acho até que estudaria no exterior. Aprenderia línguas novas e suas culturas. Publicaria todos os meus livros em grandes editoras nacionais e estrangeiras.
Iria a shows de boa música; compraria flores para mim mesma toda semana e teria empregados para me ajudar a cuidar da minha casa. Teria um jardim cheio de rosas e outras flores bonitas. Comeria muita comida japonesa!
Embora o dinheiro não compre a felicidade, eu o usaria para conseguir pelo menos um pouco dela.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Não desistirei de arranhar as grades e fazer a rédea soltar. Até porque não me refiro a nada que fuja da minha consciência. Não que eu não goste de conviver com as pessoas mais velhas, mas sinto que me fará bem encontrar mais com gente da minha idade, com quem eu me sinta mais à vontade. Para rejuvenescer esta alma velha e desgastada.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Filha da madrugada
Tantas coisas acontecem na madrugada… Ela é intrigante, encantadora. Na escuridão do céu pode se ver o anúncio de um novo dia, de uma nova vida. Durante esse tempo, são prometidas juras de amor, canções são escritas, muitos pensamentos passam pela mente de muita gente.
É para a madrugada que segredos são revelados, medos são confessados e, às vezes sonhos construídos e inacabados. Palavras são silenciadas. Amo a madrugada por sua beleza e por acolher minhas lágrimas, dores, segredos e poesia.
É para a madrugada que segredos são revelados, medos são confessados e, às vezes sonhos construídos e inacabados. Palavras são silenciadas. Amo a madrugada por sua beleza e por acolher minhas lágrimas, dores, segredos e poesia.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Alma velha
Meu corpo ainda é jovem e forte, mas sinto que minha alma certamente é frágil e delicada. Às vezes acho que não pertenço a este lugar e muito menos a esta época… Que muito de mim vive um tempo que não vivi, em alguma paragem bem longe de onde estou agora. Olho para mim mesma aqui, tentando me colocar em palavras, trancada dentro de minha mente e de uma casa que nunca saberei se é realmente minha.
E me pego imaginando o que há lá fora, neste mundo tão grande, e o que ele tem a me oferecer. Se um dia poderei chegar perto de entender o que a vida quer de mim e o que posso fazer com ela. Esperando não perder uma das minhas maiores características: a minha esperança e capacidade de ver a beleza das pequenas coisas. O que é que fará com que eu me sinta completa mesmo quando estiver sozinha…
Talvez minha alma seja antiga porque eu preste atenção naquilo que ninguém percebe, dê importância a coisas que poucos ou nenhuma pessoa sequer conhece, fique abismada com a grandeza do universo e insignificância da raça humana. Porque queira deixar um rastro onde passo, nem que seja através das palavras. Por apreciar os instantes de silêncio para ouvir o que meu coração deseja.
E me pego imaginando o que há lá fora, neste mundo tão grande, e o que ele tem a me oferecer. Se um dia poderei chegar perto de entender o que a vida quer de mim e o que posso fazer com ela. Esperando não perder uma das minhas maiores características: a minha esperança e capacidade de ver a beleza das pequenas coisas. O que é que fará com que eu me sinta completa mesmo quando estiver sozinha…
Talvez minha alma seja antiga porque eu preste atenção naquilo que ninguém percebe, dê importância a coisas que poucos ou nenhuma pessoa sequer conhece, fique abismada com a grandeza do universo e insignificância da raça humana. Porque queira deixar um rastro onde passo, nem que seja através das palavras. Por apreciar os instantes de silêncio para ouvir o que meu coração deseja.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
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Os dias continuam os mesmos e ainda assim tanto já mudou
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Muitas vezes, ficamos tanto tempo estagnados numa condição que a possibilidade de mudança é encarada com um misto de estranheza ...
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