quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Fibromialgia III

 Não sei se somos amigos
ou inimigos
e isso dói.

Foi a tua vontade
e não culpa minha
mas ainda dói.

Não sei se me ama
ou se hoje me odeia
e eu confesso, me dói.

Não sei se se foi
e se um dia volta
nem se quero, e me dói.

Talvez haja o que perdoar
e mais ainda a nunca esquecer
e ah, como dói.

Me pergunto se foi amor
ou apenas desejo
e isso dói.

Tolos demais,
intensos demais
e por isso dói.

Vivi tão pouco
mas aprendi muito;
isso dói.

Não sei o que sentir
ou o que vale a pena saber
mas sei que me dói.

Porque tudo o que fomos,
podíamos ter sido
e quero, de alguma forma, cada vez mais ser...

É o que mais dói.
 
30/09/2026 

sábado, 26 de setembro de 2026

Tudo o que eu espero é estar crescendo com a vida

Espero estar aprendendo a falar o que me incomoda e o que me faz feliz. Espero estar reconhecendo e expressando o que eu quero. Espero estar sabendo identificar quem há de me acompanhar nos restos de tempo que tenho. Espero estar canalizando minha raiva com inteligência para construir minha vida. Espero estar me perdoando.

Espero estar aos poucos relaxando nos lugares que me propiciam esse milagre. Espero estar entendendo o poder das palavras que digo e deixo de dizer. Espero estar enxergando e amando as pessoas pelo que elas são, não por quem eu gostaria que fossem. Espero estar apreciando mais o fato de estar viva e o que de bom a vida tem a oferecer.

Espero estar me lembrando que o amor de ninguém vale jogar fora meu amor-próprio. Espero estar abandonando o que não mais me serve e toda a vergonha que não me pertença. Espero não estar mais tentando caber onde eu não tenho lugar, nem me rendendo sem lutar. Espero estar fazendo diferente com os erros e tomando nas mãos tudo de meu que for possível.

Espero estar vendo o valor de um silêncio antes de algo dito sem pensar. Espero estar sentindo o amor nas menores coisas, assim como onde ele não está. Espero estar perdendo o medo da vida, da morte, do amor e de tudo o que ainda considero fraqueza. Espero estar menos uma criança assustada, um objeto ou um espectro e mais como um ser humano inteiro dentro da sua pequenez, que não deixa de aprender nem foge da dor e da responsabilidade.

Espero estar fazendo o que vim aqui para fazer.

26/09/2026 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fantasmas

Perdoa o que faz falta,
coisa tão boba como essa - 
outro corpo que talvez me aqueça
desta ânsia que ainda me mata.
 
Seja pela boca que me cala
daquilo que não faz mais sentido
quando percorre feito pétala
a fronteira entre o grito
e o não dito.
 
Ou pela mão que segura
passado e presente numa só pele
porque não importa o que me descabele
se na hora certa arranca a armadura.
 
E até pela paz do rosto
escondido entre os seios
sem querer parecer composto
já que conhece bem os meios
pelos quais o pressuposto
se torna o som mais augusto.
 
14/09/2026 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Os dias continuam os mesmos e ainda assim tanto já mudou

 Eu ainda moro na mesma cidade, na mesma casa, com os meus pais. Ainda não sei cozinhar. Não tive filhos, nunca me casei. Tenho dificuldade de achar trabalho fixo, ou pelo menos, recorrente. Ainda tenho tempo demais nas mãos por causa disso. Ainda escrevo poesia e diários também, ao sabor da inspiração e um pouco de silêncio mental.

Eu ainda fico muitos dias seguidos sem sair de casa. Anseio pelo amor pleno que não pude viver. Ainda sou aquela que tem poucos amigos próximos, que estão cada vez mais difíceis de manter. Ainda penso em sair daqui e construir uma vida mais independente e livre dentro das minhas limitações.

Ainda tenho os mesmos hobbies e escrevo sobre as mesmas coisas. Vivo lendo e estudando. Chocolate ainda é o doce que mais me satisfaz. Meu tipo para homens segue essencialmente o mesmo e brigo com a minha mãe do mesmo jeito de sempre. O parasita do Romantismo e do coração mole não foi embora da minha corrente sanguínea e do meu cérebro.

Mas tenho cada vez mais certeza de que o melhor para todos nós é que eu não more mais com eles. Sei que não quero ter filhos, mas também que um relacionamento decente e ter vida fora dele devem ser minhas prioridades. Penso em cozinhar e no que gostaria de comer. Sei no que quero trabalhar, o quanto sou boa nisso e o quanto ainda posso melhorar, se me derem chance. Uso meu tempo para aprender e tentar não enlouquecer. Aquilo que eu escrevo está mais honesto e visceral do que nunca.

Prefiro ficar em casa do que ir a lugares só por ir e estar com gente que me esgota, mas os dias de sol e as pessoas certas com certeza me renovam. Entendo que cada amor que eu vivo, ainda que de longe, é um aprendizado. Que mais vale um amigo leal e que me levanta e não desiste de mim do que muitos que nunca viram a minha sombra. De pouco em pouco estou entendendo como posso garantir o meu futuro.

Os temas se repetem, mas com cada vez mais consciência e profundidade. Tenho noção do que me interessa e das minhas facilidades, mas isso não me impede de ir atrás de coisas novas. Nenhum bolo de chocolate no mundo vai ser igual ao da minha avó. O meu tipo para homens inclui também as mulheres. Sei bem por que brigo com a minha mãe, e não quero viver o resto da vida assim. Meu Romantismo hoje convive com uma combinação estranha de paranoia e noção realista de que as relações dão trabalho.

Eu posso achar que não, mas, ao que parece, estou mesmo crescendo. 

14/09/2026 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Sou mesmo uma boa pessoa ou é assim que eu quero que me enxerguem?

Eu me importo mesmo com o sofrimento e a alegria dos outros? Sou movida mesmo pelas tristezas deles? Tenho interesse genuíno em fazer companhia e favores a eles, independentemente do que acontecer depois? Sinto amor verdadeiro e sou capaz de demonstrá-lo de verdade? As conquistas de quem eu amo realmente me alegram?

Eu sei mesmo conversar? Sei ouvir? Tenho inteligência emocional ou só sei falar de forma profunda e rebuscada? Estou mesmo ajudando ou só querendo consertar tudo e todos? Sei acolher quem erra ou só apontar os erros e defeitos? Sei mesmo perdoar ou no fim das contas guardo rancor por tudo? Quero só compreensão ou intimidade genuína?

Sou mesmo otimista ou só mais uma iludida? Estou respeitando meu destino ou insistindo no que não tem futuro? Tenho capital cultural e refinamento ou sou só mais uma metida? Sou resiliente ou apenas teimosa? Tenho talento ou só sou esforçada? Sinto real empatia e simpatia ou só falo o que as pessoas querem ouvir? Reconheço meus erros ou só invento desculpas e aponto para o outro lado?

Amo as pessoas pelo que elas são ou pelo que fazem por mim? Me importo com o que elas sentem ou só por como me fazem sentir? Sou responsável e justa ou quero parecer boazinha e obediente? Sei ser abrigo ou apenas desterro? Consigo conviver com o diferente ou sou só mais uma alienada e egoísta? Amadureci cedo ou só fiquei fria e amargurada? Sou atraente mesmo ou só quero me sentir assim?

Sei ser eu mesma ou só mostrar o que quero que vejam?

 

01/09/2026 

Perdoa, por favor, tudo o que eu não deixei de ser

Perdoa por eu ainda me importar tanto com o que os outros pensam. Perdoa eu precisar do verão e de roupas decotadas para lembrar que sou mul...