segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Os dias continuam os mesmos e ainda assim tanto já mudou

 Eu ainda moro na mesma cidade, na mesma casa, com os meus pais. Ainda não sei cozinhar. Não tive filhos, nunca me casei. Tenho dificuldade de achar trabalho fixo, ou pelo menos, recorrente. Ainda tenho tempo demais nas mãos por causa disso. Ainda escrevo poesia e diários também, ao sabor da inspiração e um pouco de silêncio mental.

Eu ainda fico muitos dias seguidos sem sair de casa. Anseio pelo amor pleno que não pude viver. Ainda sou aquela que tem poucos amigos próximos, que estão cada vez mais difíceis de manter. Ainda penso em sair daqui e construir uma vida mais independente e livre dentro das minhas limitações.

Ainda tenho os mesmos hobbies e escrevo sobre as mesmas coisas. Vivo lendo e estudando. Chocolate ainda é o doce que mais me satisfaz. Meu tipo para homens segue essencialmente o mesmo e brigo com a minha mãe do mesmo jeito de sempre. O parasita do Romantismo e do coração mole não foi embora da minha corrente sanguínea e do meu cérebro.

Mas tenho cada vez mais certeza de que o melhor para todos nós é que eu não more mais com eles. Sei que não quero ter filhos, mas também que um relacionamento decente e ter vida fora dele devem ser minhas prioridades. Penso em cozinhar e no que gostaria de comer. Sei no que quero trabalhar, o quanto sou boa nisso e o quanto ainda posso melhorar, se me derem chance. Uso meu tempo para aprender e tentar não enlouquecer. Aquilo que eu escrevo está mais honesto e visceral do que nunca.

Prefiro ficar em casa do que ir a lugares só por ir e estar com gente que me esgota, mas os dias de sol e as pessoas certas com certeza me renovam. Entendo que cada amor que eu vivo, ainda que de longe, é um aprendizado. Que mais vale um amigo leal e que me levanta e não desiste de mim do que muitos que nunca viram a minha sombra. De pouco em pouco estou entendendo como posso garantir o meu futuro.

Os temas se repetem, mas com cada vez mais consciência e profundidade. Tenho noção do que me interessa e das minhas facilidades, mas isso não me impede de ir atrás de coisas novas. Nenhum bolo de chocolate no mundo vai ser igual ao da minha avó. O meu tipo para homens inclui também as mulheres. Sei bem por que brigo com a minha mãe, e não quero viver o resto da vida assim. Meu Romantismo hoje convive com uma combinação estranha de paranoia e noção realista de que as relações dão trabalho.

Eu posso achar que não, mas, ao que parece, estou mesmo crescendo. 

14/08/2026 

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