Perdoa o que faz falta,
coisa tão boba como essa -
outro corpo que talvez me aqueça
desta ânsia que ainda me mata.
Seja pela boca que me cala
daquilo que não faz mais sentido
quando percorre feito pétala
a fronteira entre o grito
e o não dito.
Ou pela mão que segura
passado e presente numa só pele
porque não importa o que me descabele
se na hora certa arranca a armadura.
E até pela paz do rosto
escondido entre os seios
sem querer parecer composto
já que conhece bem os meios
pelos quais o pressuposto
se torna o som mais augusto.
14/09/2026
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