Alguns podem pensar que escrever é só um passatempo para mim. Que não significa nada esquecer palavras, ou estar bloqueado, e que é fácil ter que parar de escrever uma cena ou um poema quando se está na emoção do processo à meia noite para ter que ir para a cama sem querer. Não é só isso.
Posso não ganhar quase nenhum dinheiro com isso, mas minhas palavras são quem eu sou. É como respirar. Pessoas que não escrevem não sabem o que é isso. E mesmo os que não escrevem - se são decentes, mostram interesse, fazem perguntas. Não ficam nos monossílabos nem reviram os olhos.
terça-feira, 23 de julho de 2019
segunda-feira, 22 de julho de 2019
Child of the sun
Oh, shit! The sun is in Leo.
More than fitting time
for that kitten of mine
to go big and feral...
The mad time has come
for her to remember
a soul that burns like ember
can face what needs to be done.
Teeth and claws out
for the right reasons
shall take her along the seasons -
do you get what I'm talking about?
Because make no mistake,
behind hair and cute glasses
lies another among the wee lasses
that always bend before they break.
22/07/2019
More than fitting time
for that kitten of mine
to go big and feral...
The mad time has come
for her to remember
a soul that burns like ember
can face what needs to be done.
Teeth and claws out
for the right reasons
shall take her along the seasons -
do you get what I'm talking about?
Because make no mistake,
behind hair and cute glasses
lies another among the wee lasses
that always bend before they break.
22/07/2019
domingo, 21 de julho de 2019
Outra realidade
Tão melhor seria
se o tempo quase parasse
e eu olhasse
na tua face
e perguntasse
da tua vida, do teu dia
num para sempre sem medo
onde não há tão cedo
em que eu partiria...
Eu poderia nomear
o que importa
tanto quanto a mim,
que não está morta
e portanto não tem fim,
mas igual respirar...
Enquanto isso, o que é que eu faço
até que chegue
a vez em que te abraço
e o meu corpo não me negue
oferecer mais que só esse traço
tão torto
e, aqui eleita,
sendo feita
de perfeição imperfeita
tornar-me verdadeiro porto
para te dar ombro, ouvido e regaço...
21/07/2019
se o tempo quase parasse
e eu olhasse
na tua face
e perguntasse
da tua vida, do teu dia
num para sempre sem medo
onde não há tão cedo
em que eu partiria...
Eu poderia nomear
o que importa
tanto quanto a mim,
que não está morta
e portanto não tem fim,
mas igual respirar...
Enquanto isso, o que é que eu faço
até que chegue
a vez em que te abraço
e o meu corpo não me negue
oferecer mais que só esse traço
tão torto
e, aqui eleita,
sendo feita
de perfeição imperfeita
tornar-me verdadeiro porto
para te dar ombro, ouvido e regaço...
21/07/2019
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Love letters
A clever man,
an intense lover
whom you'll never forget -
he won't let that happen.
He knows pain,
how much passion can burn
and yearn
under scorching sun or heavy rain.
He is in your hands
and you are in his.
Even if it scares and offends,
that's just how it is.
From sunrise to sunset
perhaps since the dawn of time
he has loved like no other
and in a way that love is mine.
17/07/2019
an intense lover
whom you'll never forget -
he won't let that happen.
He knows pain,
how much passion can burn
and yearn
under scorching sun or heavy rain.
He is in your hands
and you are in his.
Even if it scares and offends,
that's just how it is.
From sunrise to sunset
perhaps since the dawn of time
he has loved like no other
and in a way that love is mine.
17/07/2019
sexta-feira, 12 de julho de 2019
On shapes
It is your gentle eye
which crowns my verse its queen
from the moment it chooses to lie
down and rest upon it, ever... Green.
Yes, you see,
that's how it is for me,
just as you say.
Vulnerable, exposed, alive,
brought back to life,
in a way.
It burns,
hurts and longs
just like my poems...
And your songs.
12/07/2019
which crowns my verse its queen
from the moment it chooses to lie
down and rest upon it, ever... Green.
Yes, you see,
that's how it is for me,
just as you say.
Vulnerable, exposed, alive,
brought back to life,
in a way.
It burns,
hurts and longs
just like my poems...
And your songs.
12/07/2019
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Memento mori
- Pra ser sincera, você está certo e não, não sou. Pelo menos não em parte. A gente sabe que fica nos assuntos mais óbvios por timidez, por falta do que dizer numa hora dessas. Mas eu gosto de fazer diferente de vez em quando. – Eu o vi sorrir e não pude não sorrir também. – Sendo assim, fale-me das estrelas...
Andrew gesticulava no tampo da mesa e em volta do copo de cerveja enquanto falava do iminente afastamento gravitacional da lua com relação à Terra e das estrelas umas das outras, o que em algum ponto do tempo fará com que tudo, inclusive nosso planeta, volte à estaca zero de frio e escuridão, com o sol nos engolindo até que ele próprio exploda. Houve um silêncio um pouco pesado depois que ele acabou a explicação.
- Não sou nenhum especialista no assunto, mas posso te recomendar um livro da cientista que descobriu tudo isso... – ele sussurrou levantando o olhar na minha direção.
- Claro, obrigada! Mas... Não parece triste que tudo o que temos simplesmente termine assim, escuro e gelado?
- Talvez, mas não seria tão diferente assim da morte de um ser humano ou de um animal. Perdemos consciência, os sentidos, a temperatura do corpo, e com isso nos desfazemos. Somos tomados por isso. Com a morte do calor a coisa seria em larga escala. Mas não se preocupe. Independentemente do que disse antes, é provável que nenhum de nós esteja aqui quando isso acontecer. Pelo menos não como nos vemos hoje, ou talvez de jeito nenhum.
- O que não te impede de achar que morrer no meio do apocalipse enquanto faz amor seja romântico, certo? – senti meu rosto corar outra vez.
- Não. Se a morte e também o amor forem as minhas únicas certezas naquele momento, não. Aos meus olhos, estar apaixonado, principalmente quando somos correspondidos, e também o sexo, em suas devidas diferenças e semelhanças, são em si mesmos tipos de morte e de renascimento. Não somos mais os mesmos depois disso. E se o mundo acabasse agora, é assim que eu escolheria partir.
- Memento mori. Carpe diem.
- Exatamente! – ah, aquele sorriso... – Vem coisa muito pior a caminho. E já que vamos mesmo morrer e nenhuma das nossas preocupações ou tristezas fará sentido ou continuará existindo, talvez o que nos resta seja simplesmente desfrutar. Beber café, comer um doce, amar alguém. Vale viver por isso.
- É verdade. Com certeza vale a pena viver por chocolate! – Andrew concordou efusivamente. Eu também sabia o que era de certa forma morrer depois de uma paixão.
Aos poucos mudamos de assunto e ficando mais confortáveis perto um do outro. Para ser honesta, muito porque era ele quem fazia com que isso acontecesse. Dono de um lindo carisma, bom humor e articulação, senso de abertura, a maneira suave de falar, seu... Calor. Até quando Andrew colocou um pedaço de papel dentro da minha mão com o título do livro de astrofísica a que havia se referido mais cedo e beijou meu rosto em despedida, tudo nele era quente e agradável.
Porém só consegui de fato ter noção de que achar isso fazia sentido e de entender os termos técnicos que ele havia timidamente usado quando o rapaz se afastou de mim na porta do bar. Embora fosse uma noite de verão, de repente eu estava sozinha, gelada, encolhida sobre mim mesma e tremendo. Como se o sol tivesse se apagado...
Andrew gesticulava no tampo da mesa e em volta do copo de cerveja enquanto falava do iminente afastamento gravitacional da lua com relação à Terra e das estrelas umas das outras, o que em algum ponto do tempo fará com que tudo, inclusive nosso planeta, volte à estaca zero de frio e escuridão, com o sol nos engolindo até que ele próprio exploda. Houve um silêncio um pouco pesado depois que ele acabou a explicação.
- Não sou nenhum especialista no assunto, mas posso te recomendar um livro da cientista que descobriu tudo isso... – ele sussurrou levantando o olhar na minha direção.
- Claro, obrigada! Mas... Não parece triste que tudo o que temos simplesmente termine assim, escuro e gelado?
- Talvez, mas não seria tão diferente assim da morte de um ser humano ou de um animal. Perdemos consciência, os sentidos, a temperatura do corpo, e com isso nos desfazemos. Somos tomados por isso. Com a morte do calor a coisa seria em larga escala. Mas não se preocupe. Independentemente do que disse antes, é provável que nenhum de nós esteja aqui quando isso acontecer. Pelo menos não como nos vemos hoje, ou talvez de jeito nenhum.
- O que não te impede de achar que morrer no meio do apocalipse enquanto faz amor seja romântico, certo? – senti meu rosto corar outra vez.
- Não. Se a morte e também o amor forem as minhas únicas certezas naquele momento, não. Aos meus olhos, estar apaixonado, principalmente quando somos correspondidos, e também o sexo, em suas devidas diferenças e semelhanças, são em si mesmos tipos de morte e de renascimento. Não somos mais os mesmos depois disso. E se o mundo acabasse agora, é assim que eu escolheria partir.
- Memento mori. Carpe diem.
- Exatamente! – ah, aquele sorriso... – Vem coisa muito pior a caminho. E já que vamos mesmo morrer e nenhuma das nossas preocupações ou tristezas fará sentido ou continuará existindo, talvez o que nos resta seja simplesmente desfrutar. Beber café, comer um doce, amar alguém. Vale viver por isso.
- É verdade. Com certeza vale a pena viver por chocolate! – Andrew concordou efusivamente. Eu também sabia o que era de certa forma morrer depois de uma paixão.
Aos poucos mudamos de assunto e ficando mais confortáveis perto um do outro. Para ser honesta, muito porque era ele quem fazia com que isso acontecesse. Dono de um lindo carisma, bom humor e articulação, senso de abertura, a maneira suave de falar, seu... Calor. Até quando Andrew colocou um pedaço de papel dentro da minha mão com o título do livro de astrofísica a que havia se referido mais cedo e beijou meu rosto em despedida, tudo nele era quente e agradável.
Porém só consegui de fato ter noção de que achar isso fazia sentido e de entender os termos técnicos que ele havia timidamente usado quando o rapaz se afastou de mim na porta do bar. Embora fosse uma noite de verão, de repente eu estava sozinha, gelada, encolhida sobre mim mesma e tremendo. Como se o sol tivesse se apagado...
domingo, 7 de julho de 2019
The push
Out is coming the woman
in what I write
from what I hear from your mouth of man
in its every delight.
All that is passionate, burns and plays,
so vulnerable in many ways
but with so much care...
And now that you are not afraid anymore
I shall say that neither am I
to write the truth on the floor
and look love in the eye.
05/07/2019
in what I write
from what I hear from your mouth of man
in its every delight.
All that is passionate, burns and plays,
so vulnerable in many ways
but with so much care...
And now that you are not afraid anymore
I shall say that neither am I
to write the truth on the floor
and look love in the eye.
05/07/2019
sábado, 6 de julho de 2019
A trap
I just hope
it isn't too much to ask
that within the infinite scope
of colors in your eyes
I would never find lies
or a monster beneath a beauty's mask...
29/06/2019
it isn't too much to ask
that within the infinite scope
of colors in your eyes
I would never find lies
or a monster beneath a beauty's mask...
29/06/2019
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Souvenir
All the things that we keep
and whisper only to the dark
are the ones that leave a mark,
they have a voice that cuts deep...
Such as how willing I was to die
for us when it felt best,
my hair spreaded over your breast -
no one would be luckier than I.
Or how my hand is now where yours was
as though the earthly thing you had to give
could ever be or feel holier
than the forever in your lips' pause
which, unlike the touch from that water,
offered me much more things to believe.
02 de julho de 2019
and whisper only to the dark
are the ones that leave a mark,
they have a voice that cuts deep...
Such as how willing I was to die
for us when it felt best,
my hair spreaded over your breast -
no one would be luckier than I.
Or how my hand is now where yours was
as though the earthly thing you had to give
could ever be or feel holier
than the forever in your lips' pause
which, unlike the touch from that water,
offered me much more things to believe.
02 de julho de 2019
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Senti sem ti
Sem ti os invernos são compridos
como teus olhares e lindos cílios.
Tão mais quentes os verões
que o amor em fogo de Camões!
Na primavera a umidade
cobre meu corpo e saudade
e o cantar das folhas do outono
nunca tem voz de barítono...
28/06/2019
como teus olhares e lindos cílios.
Tão mais quentes os verões
que o amor em fogo de Camões!
Na primavera a umidade
cobre meu corpo e saudade
e o cantar das folhas do outono
nunca tem voz de barítono...
28/06/2019
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Lirismo
Perto do coração,
debaixo do braço,
na ponta dos dedos,
onde todo amante deveria estar...
Mais do que a Eva de Adão,
na paz do regaço
onde não existem segredos
e que se fez lar...
Ali estão ele e o violão.
27/06/2019
debaixo do braço,
na ponta dos dedos,
onde todo amante deveria estar...
Mais do que a Eva de Adão,
na paz do regaço
onde não existem segredos
e que se fez lar...
Ali estão ele e o violão.
27/06/2019
terça-feira, 2 de julho de 2019
Personificação
Quando falta a palavra
diante da pressão do mundo,
até não restar mais nada
as pessoas cavam fundo...
Enquanto irmãs não se entendem,
viram cada vez mais estranhas
e a isso se rendem,
deixam erguerem-se montanhas...
Naquele canto permanecem os amantes
donos voluntários de sua sina
de não conseguirem ficarem distantes,
pois não é agora que a história termina...
27/06/2019
diante da pressão do mundo,
até não restar mais nada
as pessoas cavam fundo...
Enquanto irmãs não se entendem,
viram cada vez mais estranhas
e a isso se rendem,
deixam erguerem-se montanhas...
Naquele canto permanecem os amantes
donos voluntários de sua sina
de não conseguirem ficarem distantes,
pois não é agora que a história termina...
27/06/2019
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Dripping through
I am as vulnerable as you are,
for although we are fully dressed
so much is still exposed
both by choice and circunstance
with all their risks
just like necks and wrists
out in the open air,
in advance.
As we play our parts
you are in my thoughts, rhymes and cards
and you may never know
about the many words
in your language of love and decency
you have taught me in a row
to be wielded as shields
and the most just swords.
I hope one day to look at you and me
only to see that I was forged in fire -
that we conquered our desire
of result, perpetuity
and legacy
as it ought to be.
If only you knew it is already happening...
26/06/2019
for although we are fully dressed
so much is still exposed
both by choice and circunstance
with all their risks
just like necks and wrists
out in the open air,
in advance.
As we play our parts
you are in my thoughts, rhymes and cards
and you may never know
about the many words
in your language of love and decency
you have taught me in a row
to be wielded as shields
and the most just swords.
I hope one day to look at you and me
only to see that I was forged in fire -
that we conquered our desire
of result, perpetuity
and legacy
as it ought to be.
If only you knew it is already happening...
26/06/2019
domingo, 30 de junho de 2019
História de peixe
Vou até lá todos os fins de tarde para espairecer, olhar para as ondas e os pássaros e os barcos. Porque é gostoso enterrar os pés em algum pedaço fofo de areia. Porque moro perto, então, por que não? É isso o que geralmente se faz quando se vai à praia principalmente quando não há praticamente ninguém mais ocupando a longa orla...
HAH! Quem sou eu para mentir para mim mesma? A praia é linda, o vazio é acolhedor, ver a lua subir junto com as ondas é magnífico. Mas não era apenas isso que me chamava até lá vez após vez em que eu permaneço no mais absoluto dos transes. A lua pode ser das mulheres, ser a rainha do céu escuro e das emoções. Porém jamais eu imaginava pousar os olhos em alguém que em terra pudesse ser como ela no firmamento. Que brilhasse tão lindamente sob tal luz, como prata pura. Ou do sol como uma brasa.
Como em todas as outras ocasiões, acabei chegando bem a tempo de sentar, me acomodar e logo ouvir outros passos sincopados na parte onde a água bate e volta alguns metros adiante, quando achava que ele não mais viria. O sol se pondo, e ele chegando... Pés descalços numa corrida sem pressa; ora quase sem som na areia molhada e dura, ora adicionando melodia à harmonia incessante da maré ao serem tocados pela água e espalhá-la.
A mesma cena repetida quase que com exatidão. Ele passa por mim a trote constante, sem que aparentemente repare que eu estou ali e que o sigo com os olhos até onde eles podem alcançar do outro lado, encolhida num canto e abraçando as pernas. Quando não mais consigo vê-lo, tento prestar atenção nos sons do mar, na maresia... Mas não sem que aquele homem esteja presente de alguma forma; que eu me pegue ansiando por saber seu nome e pedindo em pensamentos que na volta ele fique comigo para apreciar aquela imensidão.
O magnetismo era tamanho que eu observava as ocasionais aves em par se encontrando ou se recolhendo aos ninhos e os barcos se afastando enquanto a noite chegava pintando o horizonte de aquarela escura pelo que parecia uma eternidade. Com o coração acelerado pela agora costumeira perspectiva daquela silhueta atravessando os raios de lua devagar, desta vez num relaxado caminhar. Mesmo assim ele parecia perdido demais dentro de si para levantar os olhos para mim e eu pudesse ver suas cores; e eu tímida demais para fazer sequer uma mínima abordagem. Sendo assim, tudo o que havia naquela praia exceto o homem sabiam do que eu sentia e que aquilo já estava além do que eu conseguisse explicar.
Foi após vários dias de autonegação que consegui admitir a mim mesma a loucura de estar atraída por alguém que não conhecia a não ser pela aparência e o hábito de frequentarmos a praia na mesma hora. Isso porque durante a madrugada eu também o vejo nos meus sonhos. Posso jurar em nome de toda fé que eu gostaria de ter de verdade que ouço uma voz passar por cima do ruído marinho e da rua se referindo a mim. “Venha comigo”, ela diz, e algo me faz ter certeza de que vem daquele que atravessa a orla, embora nunca tenhamos nos falado... No fundo eu sabia que só podia ser o desejo mexendo com o meu juízo, porque era isso o que eu queria.
Naquela mesma noite, no entanto, algo mudou. Em vez de seguir seu caminho de volta para onde quer que seja e cada vez mais me fazer morrer de vontade de beijá-lo, eu o vi brevemente olhar na minha direção penteando o cabelo com os dedos. Senti meu coração parar no segundo em que o homem virou de costas para mim; o corpo recortado contra a luz branca e baça e os pés acariciando a espuma do final das cristas. Depois de alguns minutos, ele veio na minha direção de mãos nos bolsos e como se tivesse todo o tempo do mundo. E eu ali, paralisada. Mas eu não fugiria.
- Venha comigo. Sem medo. Eu juro. – Sussurrou o homem, agora de cócoras na minha frente e gesticulando como quem tem a intenção de pegar a mão da outra pessoa.
- Mas como... – eu balbuciei sem acreditar enquanto minha mão era de fato tomada e beijada mais de uma vez, com um calor e suavidade a que me falta idioma para descrever. Como se aquilo já fosse coisa nossa.
Ele olhou para mim e eu entendi por sua linguagem corporal e breve afastamento que sabia que eu estava confusa, então eu simplesmente voltei para casa. Quem ele era? Como ele sabia? O que ele quer de mim? O mesmo que eu? Era apenas passageiro? Foi o que me passou pela cabeça enquanto eu tentava seguir com o resto do dia sem o mínimo de concentração e achando que estava ficando louca. Não podia ser verdade.
- Eu te espero. – é o que me lembro de ter ouvido também, apesar de não ter memória dos lábios se movendo. Talvez fosse apenas o vento e o mar.
Deitei-me na cama com o que tinha ocorrido mais cedo ainda fresco na memória e sem conseguir deixar de pensar que foi gostoso, ainda que improvável. Era cedo porque de repente eu me senti muito, muito cansada, então logo peguei no sono... Quando estava prestes a fechar os olhos, de novo senti na cabeça como se dedos mais leves do que os da minha própria mãe ou talvez até de Maria me afagassem aqui e ali, movendo mechas de cabelo aleatórias, mas não como o frio que no inverno vinha pela fresta da janela do quarto. Era sempre quando eu dormia de costas para a porta. O gesto de alguém sentado perto o suficiente da cama para esticar o braço e me alcançar mesmo encolhida em posição fetal.
Dentro do que eu tinha certeza que era um nível de subconsciência e, portanto, de sonho, pois me lembro de ter dormido, virei-me para o outro lado com os olhos fechados para não perder o sono, mas acabei os abrindo. E lá estava aquela silhueta contra o escuro, sei lá como. Poderia ter me assustado, mas não foi o que aconteceu; talvez por já ser familiar como a praia. Eu quis me levantar, mas ele me conteve e me deitei novamente. Ficamos nos olhando por um longo tempo até que fui eu quem quebrou o lindo silêncio.
- Ei... Tu vieste. – O homem apenas concordou com a cabeça.
- Eu disse que te esperaria. E sim, é tudo verdade. Tudo o que tu achavas ser só conjetura.
- Mesmo? Como assim? A gente nunca conversou, nunca se olhou... Achei até que pudesse estar te incomodando quando me abordaste.
- Eu apenas sei. Sei do que importa. – O mais doce dos sorrisos abriu os lábios dele e eu mal consegui manter contato visual.
- Então... O que queres de mim? Estou sonhando?
- Sei o que quero. A pergunta que fica é... se queres também. Se queres o que vez ou outra te chamo a fazer. Ficar comigo de verdade e morar longe daqui. – O homem deu uma risada abafada. – A vida em si é um grande e belo sonho, meu amor.
- Tantos são enganados por propostas assim. – eu engoli em seco diante da verdade e novamente ele concordou.
- Já ouvi e testemunhei muitas dessas histórias. Mas não me incluo entre as laranjas podres. – Senti seus dedos puxarem meu rosto para cima na penumbra e logo depois o calor úmido e salgado de sua respiração contra minha mandíbula. – Basta fechar os olhos outra vez para pagar para ver.
Por incrível que pareça, realmente pensei nas minhas perspectivas antes de aceitar o convite. Tantas coisas aconteceram comigo nos últimos anos... Acho que nada mais me sobrou do que eu era antes e eu provavelmente não tinha mais nada a perder. Bem devagar, com os olhos dele, bem de perto, como a última coisa que vi, fechei os meus, adormecendo novamente.
E acordei na areia, debaixo das estrelas, por causa do barulho do mar, e com ele ao meu lado. Não sei quanto tempo se passou, nem como cheguei até ali; mas pelo sorriso do homem ele provavelmente havia me trazido. Resolvi apenas confiar no que acontecia uma vez na vida e apenas perguntei o porquê da praia novamente.
- Porque foi aqui que nos conhecemos... E porque é daqui que eu venho. – o homem murmurou, olhando com afeto para o horizonte adiante. Provavelmente viu pontos de interrogação na minha expressão, porque deu de ombros e acrescentou: - Nasci nestas areias e venho do fundo deste mar. Literalmente.
Guardei breve silêncio e, quando achei que ele fosse perguntar se eu estava duvidando, apenas pedi que me levasse para onde ele quisesse. Se fosse o oceano, tudo bem. Ainda que eu não desejasse morrer, se aquela era minha hora, pelo menos não iria sozinha. Diante do que eu testemunhava naquele momento nada parecia impossível. Ele sentou-se perto de mim na areia e me envolveu com os braços, enquanto de novo eu abaixava as pálpebras; muito por conta do conforto que vinha daquilo, do quanto parecia familiar.
E desde então as sereias cantam e invejam a felicidade de seu príncipe, de seu rei... E a minha. De todas as histórias do sal e da folha que apenas ele conhece e me conta. Da ferocidade da alegria em seu sorriso e da suavidade em seu semblante quando está comigo ou fala de mim. Da minha honra, da minha certeza, do meu amor. De tudo o que deixou de ter peso na fundura.
HAH! Quem sou eu para mentir para mim mesma? A praia é linda, o vazio é acolhedor, ver a lua subir junto com as ondas é magnífico. Mas não era apenas isso que me chamava até lá vez após vez em que eu permaneço no mais absoluto dos transes. A lua pode ser das mulheres, ser a rainha do céu escuro e das emoções. Porém jamais eu imaginava pousar os olhos em alguém que em terra pudesse ser como ela no firmamento. Que brilhasse tão lindamente sob tal luz, como prata pura. Ou do sol como uma brasa.
Como em todas as outras ocasiões, acabei chegando bem a tempo de sentar, me acomodar e logo ouvir outros passos sincopados na parte onde a água bate e volta alguns metros adiante, quando achava que ele não mais viria. O sol se pondo, e ele chegando... Pés descalços numa corrida sem pressa; ora quase sem som na areia molhada e dura, ora adicionando melodia à harmonia incessante da maré ao serem tocados pela água e espalhá-la.
A mesma cena repetida quase que com exatidão. Ele passa por mim a trote constante, sem que aparentemente repare que eu estou ali e que o sigo com os olhos até onde eles podem alcançar do outro lado, encolhida num canto e abraçando as pernas. Quando não mais consigo vê-lo, tento prestar atenção nos sons do mar, na maresia... Mas não sem que aquele homem esteja presente de alguma forma; que eu me pegue ansiando por saber seu nome e pedindo em pensamentos que na volta ele fique comigo para apreciar aquela imensidão.
O magnetismo era tamanho que eu observava as ocasionais aves em par se encontrando ou se recolhendo aos ninhos e os barcos se afastando enquanto a noite chegava pintando o horizonte de aquarela escura pelo que parecia uma eternidade. Com o coração acelerado pela agora costumeira perspectiva daquela silhueta atravessando os raios de lua devagar, desta vez num relaxado caminhar. Mesmo assim ele parecia perdido demais dentro de si para levantar os olhos para mim e eu pudesse ver suas cores; e eu tímida demais para fazer sequer uma mínima abordagem. Sendo assim, tudo o que havia naquela praia exceto o homem sabiam do que eu sentia e que aquilo já estava além do que eu conseguisse explicar.
Foi após vários dias de autonegação que consegui admitir a mim mesma a loucura de estar atraída por alguém que não conhecia a não ser pela aparência e o hábito de frequentarmos a praia na mesma hora. Isso porque durante a madrugada eu também o vejo nos meus sonhos. Posso jurar em nome de toda fé que eu gostaria de ter de verdade que ouço uma voz passar por cima do ruído marinho e da rua se referindo a mim. “Venha comigo”, ela diz, e algo me faz ter certeza de que vem daquele que atravessa a orla, embora nunca tenhamos nos falado... No fundo eu sabia que só podia ser o desejo mexendo com o meu juízo, porque era isso o que eu queria.
Naquela mesma noite, no entanto, algo mudou. Em vez de seguir seu caminho de volta para onde quer que seja e cada vez mais me fazer morrer de vontade de beijá-lo, eu o vi brevemente olhar na minha direção penteando o cabelo com os dedos. Senti meu coração parar no segundo em que o homem virou de costas para mim; o corpo recortado contra a luz branca e baça e os pés acariciando a espuma do final das cristas. Depois de alguns minutos, ele veio na minha direção de mãos nos bolsos e como se tivesse todo o tempo do mundo. E eu ali, paralisada. Mas eu não fugiria.
- Venha comigo. Sem medo. Eu juro. – Sussurrou o homem, agora de cócoras na minha frente e gesticulando como quem tem a intenção de pegar a mão da outra pessoa.
- Mas como... – eu balbuciei sem acreditar enquanto minha mão era de fato tomada e beijada mais de uma vez, com um calor e suavidade a que me falta idioma para descrever. Como se aquilo já fosse coisa nossa.
Ele olhou para mim e eu entendi por sua linguagem corporal e breve afastamento que sabia que eu estava confusa, então eu simplesmente voltei para casa. Quem ele era? Como ele sabia? O que ele quer de mim? O mesmo que eu? Era apenas passageiro? Foi o que me passou pela cabeça enquanto eu tentava seguir com o resto do dia sem o mínimo de concentração e achando que estava ficando louca. Não podia ser verdade.
- Eu te espero. – é o que me lembro de ter ouvido também, apesar de não ter memória dos lábios se movendo. Talvez fosse apenas o vento e o mar.
Deitei-me na cama com o que tinha ocorrido mais cedo ainda fresco na memória e sem conseguir deixar de pensar que foi gostoso, ainda que improvável. Era cedo porque de repente eu me senti muito, muito cansada, então logo peguei no sono... Quando estava prestes a fechar os olhos, de novo senti na cabeça como se dedos mais leves do que os da minha própria mãe ou talvez até de Maria me afagassem aqui e ali, movendo mechas de cabelo aleatórias, mas não como o frio que no inverno vinha pela fresta da janela do quarto. Era sempre quando eu dormia de costas para a porta. O gesto de alguém sentado perto o suficiente da cama para esticar o braço e me alcançar mesmo encolhida em posição fetal.
Dentro do que eu tinha certeza que era um nível de subconsciência e, portanto, de sonho, pois me lembro de ter dormido, virei-me para o outro lado com os olhos fechados para não perder o sono, mas acabei os abrindo. E lá estava aquela silhueta contra o escuro, sei lá como. Poderia ter me assustado, mas não foi o que aconteceu; talvez por já ser familiar como a praia. Eu quis me levantar, mas ele me conteve e me deitei novamente. Ficamos nos olhando por um longo tempo até que fui eu quem quebrou o lindo silêncio.
- Ei... Tu vieste. – O homem apenas concordou com a cabeça.
- Eu disse que te esperaria. E sim, é tudo verdade. Tudo o que tu achavas ser só conjetura.
- Mesmo? Como assim? A gente nunca conversou, nunca se olhou... Achei até que pudesse estar te incomodando quando me abordaste.
- Eu apenas sei. Sei do que importa. – O mais doce dos sorrisos abriu os lábios dele e eu mal consegui manter contato visual.
- Então... O que queres de mim? Estou sonhando?
- Sei o que quero. A pergunta que fica é... se queres também. Se queres o que vez ou outra te chamo a fazer. Ficar comigo de verdade e morar longe daqui. – O homem deu uma risada abafada. – A vida em si é um grande e belo sonho, meu amor.
- Tantos são enganados por propostas assim. – eu engoli em seco diante da verdade e novamente ele concordou.
- Já ouvi e testemunhei muitas dessas histórias. Mas não me incluo entre as laranjas podres. – Senti seus dedos puxarem meu rosto para cima na penumbra e logo depois o calor úmido e salgado de sua respiração contra minha mandíbula. – Basta fechar os olhos outra vez para pagar para ver.
Por incrível que pareça, realmente pensei nas minhas perspectivas antes de aceitar o convite. Tantas coisas aconteceram comigo nos últimos anos... Acho que nada mais me sobrou do que eu era antes e eu provavelmente não tinha mais nada a perder. Bem devagar, com os olhos dele, bem de perto, como a última coisa que vi, fechei os meus, adormecendo novamente.
E acordei na areia, debaixo das estrelas, por causa do barulho do mar, e com ele ao meu lado. Não sei quanto tempo se passou, nem como cheguei até ali; mas pelo sorriso do homem ele provavelmente havia me trazido. Resolvi apenas confiar no que acontecia uma vez na vida e apenas perguntei o porquê da praia novamente.
- Porque foi aqui que nos conhecemos... E porque é daqui que eu venho. – o homem murmurou, olhando com afeto para o horizonte adiante. Provavelmente viu pontos de interrogação na minha expressão, porque deu de ombros e acrescentou: - Nasci nestas areias e venho do fundo deste mar. Literalmente.
Guardei breve silêncio e, quando achei que ele fosse perguntar se eu estava duvidando, apenas pedi que me levasse para onde ele quisesse. Se fosse o oceano, tudo bem. Ainda que eu não desejasse morrer, se aquela era minha hora, pelo menos não iria sozinha. Diante do que eu testemunhava naquele momento nada parecia impossível. Ele sentou-se perto de mim na areia e me envolveu com os braços, enquanto de novo eu abaixava as pálpebras; muito por conta do conforto que vinha daquilo, do quanto parecia familiar.
E desde então as sereias cantam e invejam a felicidade de seu príncipe, de seu rei... E a minha. De todas as histórias do sal e da folha que apenas ele conhece e me conta. Da ferocidade da alegria em seu sorriso e da suavidade em seu semblante quando está comigo ou fala de mim. Da minha honra, da minha certeza, do meu amor. De tudo o que deixou de ter peso na fundura.
23/06/2019
sábado, 29 de junho de 2019
Feito fênix
O que é que contigo eu faço
quando reduzes o compasso
para enfatizar a melodia...
Que não deixa mais que pedaço
de onde ao final me refaço
e recebo o novo dia?
23/06/2019
quando reduzes o compasso
para enfatizar a melodia...
Que não deixa mais que pedaço
de onde ao final me refaço
e recebo o novo dia?
23/06/2019
sexta-feira, 28 de junho de 2019
A song for a friend
Loving at all, at the end of the day,
shall always be worth the pain.
My heart remains in my hand,
ready for what may cross its way.
Even melancholy has so much to understand
as to why I'd do it all over again...
Maybe as a lioness, maybe a she-wolf,
always like girls do,
if not a woman just yet.
That is how I know I love
and wish to write you and love you
ever, from the day we met...
23/06/2019
shall always be worth the pain.
My heart remains in my hand,
ready for what may cross its way.
Even melancholy has so much to understand
as to why I'd do it all over again...
Maybe as a lioness, maybe a she-wolf,
always like girls do,
if not a woman just yet.
That is how I know I love
and wish to write you and love you
ever, from the day we met...
23/06/2019
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Flirt or fight?
I
You throw my words at me
with a twist of your own!
II
Maybe I do,
maybe so it might be.
But only because I love you;
by now you should have known!
19/06/2019
You throw my words at me
with a twist of your own!
II
Maybe I do,
maybe so it might be.
But only because I love you;
by now you should have known!
19/06/2019
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Within reach
Oh, muse that I much adore -
onto thine wise hands
I plead thee to take my words!
Thou shalt not know my face or my voice
just yet -
but what more could I ask for
than the thought of thy eyes in rejoice
for what I can now give and matters most?
Read me as careful plans,
a charming table being set
if you don't mind -
for I hope one day to be just as kind.
18/06/2019
onto thine wise hands
I plead thee to take my words!
Thou shalt not know my face or my voice
just yet -
but what more could I ask for
than the thought of thy eyes in rejoice
for what I can now give and matters most?
Read me as careful plans,
a charming table being set
if you don't mind -
for I hope one day to be just as kind.
18/06/2019
terça-feira, 25 de junho de 2019
Finaleira
Não sei se rio ou se choro;
se mordo um gemido,
fecho os olhos e imploro;
no fim me rendo e relaxo
nos teus braços feito bicho guaxo
antes da sua hora impelido.
17/06/2019
se mordo um gemido,
fecho os olhos e imploro;
no fim me rendo e relaxo
nos teus braços feito bicho guaxo
antes da sua hora impelido.
17/06/2019
segunda-feira, 24 de junho de 2019
Causa e consequência
O sorriso tão doce
que me causa dor de dente.
Os olhos tão gentis
que me derretem de repente.
Minha musa mais querida
que me dá a poesia mais linda,
mais louca, mais faminta.
Meu bem também é poeta
ainda que não lhe dê na veneta,
ondeado na ponta da caneta.
17/06/2019
que me causa dor de dente.
Os olhos tão gentis
que me derretem de repente.
Minha musa mais querida
que me dá a poesia mais linda,
mais louca, mais faminta.
Meu bem também é poeta
ainda que não lhe dê na veneta,
ondeado na ponta da caneta.
17/06/2019
domingo, 23 de junho de 2019
Coberta
No mundo de mim e de fora
desde ontem e mesmo agora
na frente do fogo há frio
por meu e dele que é vazio.
Se agora meu coração parece gelado,
como será quando tudo tiver acabado
e se afastarem todas essas estrelas
para longe de nós e das coisas belas?
Mas quando em mim tu te embrulhas
nas mais intencionais ternuras
como se eu ainda fosse criança,
de repente não importa a descrença.
E por um momento me deixo ficar
jurando que hei de sempre cantar
e ser livre como azul passarinho
grato pelo cuidado, pelo carinho.
16/06/2019
desde ontem e mesmo agora
na frente do fogo há frio
por meu e dele que é vazio.
Se agora meu coração parece gelado,
como será quando tudo tiver acabado
e se afastarem todas essas estrelas
para longe de nós e das coisas belas?
Mas quando em mim tu te embrulhas
nas mais intencionais ternuras
como se eu ainda fosse criança,
de repente não importa a descrença.
E por um momento me deixo ficar
jurando que hei de sempre cantar
e ser livre como azul passarinho
grato pelo cuidado, pelo carinho.
16/06/2019
sábado, 22 de junho de 2019
At your own peril
I was born a lioness,
I was made queen,
I am a miracle,
I hold a force,
I have always been sublime.
I can be forgetful, though.
But I won't deny my wildness,
won't let you write my final scene
or my name in your chronicle.
I will scream even after I get hoarse,
I will take what is meant to be mine.
That's how a flower shall grow.
16/06/2019
I was made queen,
I am a miracle,
I hold a force,
I have always been sublime.
I can be forgetful, though.
But I won't deny my wildness,
won't let you write my final scene
or my name in your chronicle.
I will scream even after I get hoarse,
I will take what is meant to be mine.
That's how a flower shall grow.
16/06/2019
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Acasos
Confiei meu coração, lágrimas e vida
a um homem que eu mal conhecia
e ganhei de presente, sem dívida,
um amor para honrar até o último dia...
15/06/2019
a um homem que eu mal conhecia
e ganhei de presente, sem dívida,
um amor para honrar até o último dia...
15/06/2019
quinta-feira, 20 de junho de 2019
Rotineiro
A gente se diverte
na verdade de um flerte
e cansa, cansa, como cansa
até que volta para casa
e para o calor da brasa
onde a vida fica mansa...
10/06/2019
na verdade de um flerte
e cansa, cansa, como cansa
até que volta para casa
e para o calor da brasa
onde a vida fica mansa...
10/06/2019
quarta-feira, 19 de junho de 2019
Little things
How sweet that you know me so well
and from my eyes alone you can tell
that a flower, just like the seeds
as the only things which were left
held enough for the moment's needs
as our agreement, our sacred heft.
Sweeter than the tiny drop of wine
remain of your pleasure, all of mine.
10/06/2019
and from my eyes alone you can tell
that a flower, just like the seeds
as the only things which were left
held enough for the moment's needs
as our agreement, our sacred heft.
Sweeter than the tiny drop of wine
remain of your pleasure, all of mine.
10/06/2019
terça-feira, 18 de junho de 2019
Contrasting
I don't think I would mind
you sometimes towering over me
when I'd bend to the stars in the sky
and those you have in your eye
as well as many other beauties one can see
if only they bother to look and find...
09/06/2019
you sometimes towering over me
when I'd bend to the stars in the sky
and those you have in your eye
as well as many other beauties one can see
if only they bother to look and find...
09/06/2019
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Double antithesis
The stroke of her hand's blessing,
her free ways of just dancing.
His eyes closed and mouth open in the staying,
for the tips of the boots know his swaying.
Flames of hair spin in their burning
just like curls are not afraid of falling.
Without monarch, the manners of a king,
for it is to the lady you should be bowing.
The world isn't yet prepared for such a thing
in all its godly human feeling
as the crossing of storms when they sing
to break that old glass ceiling
that hovers over soft purring.
09/06/2019
her free ways of just dancing.
His eyes closed and mouth open in the staying,
for the tips of the boots know his swaying.
Flames of hair spin in their burning
just like curls are not afraid of falling.
Without monarch, the manners of a king,
for it is to the lady you should be bowing.
The world isn't yet prepared for such a thing
in all its godly human feeling
as the crossing of storms when they sing
to break that old glass ceiling
that hovers over soft purring.
09/06/2019
domingo, 16 de junho de 2019
Memoirs
You know you're a poet to the bone
when years pass without him
and you know him from eyes alone.
09/06/2019
when years pass without him
and you know him from eyes alone.
09/06/2019
sábado, 15 de junho de 2019
Coisa de sonho
Foi-me dado o beijo
quando quis o homem,
mas não o sentir.
Hoje em mero lampejo
de amor de ontem
o sinto num quase, noutro desvair.
09/06/2019
quando quis o homem,
mas não o sentir.
Hoje em mero lampejo
de amor de ontem
o sinto num quase, noutro desvair.
09/06/2019
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Subtleties
I wish that at fifteen I was this wise
and could already see that
underneath, above and beyond the disguise
you can bet
that a real prince
in no time should convince
he deserves the highest place
where to keep his wit and his humble grace...
08/06/2019
and could already see that
underneath, above and beyond the disguise
you can bet
that a real prince
in no time should convince
he deserves the highest place
where to keep his wit and his humble grace...
08/06/2019
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Dois
Eu devolvo o beijo
nas costas da mão
com elas a beijar o rosto, o queixo
e os olhos da minha canção.
08/06/2019
nas costas da mão
com elas a beijar o rosto, o queixo
e os olhos da minha canção.
08/06/2019
quarta-feira, 12 de junho de 2019
Mel perfumado
I
Amado mel
que desliza para dentro,
num espalho chega ao centro
para tocar o céu
e dos lábios escorre
feito luz do farol do alto da torre,
tão doce que meu corpo cede
quando vem a sede.
II
Perfume sempre ao lado
e sobre a pulsação
pela ponta dos dedos
ou direta liquidez sem segredos
a não ser o que ficou guardado
na penteadeira do coração,
que a pele escolhe
e lentamente absorve
até que tudo se enterre
e nada sobre.
08/06/2019
Amado mel
que desliza para dentro,
num espalho chega ao centro
para tocar o céu
e dos lábios escorre
feito luz do farol do alto da torre,
tão doce que meu corpo cede
quando vem a sede.
II
Perfume sempre ao lado
e sobre a pulsação
pela ponta dos dedos
ou direta liquidez sem segredos
a não ser o que ficou guardado
na penteadeira do coração,
que a pele escolhe
e lentamente absorve
até que tudo se enterre
e nada sobre.
08/06/2019
terça-feira, 11 de junho de 2019
Tirana
Em todo o desejo
dentro de um bom cortejo
é melhor que ele se faça
com graça,
pompa e discrição,
mas não com menos paixão.
08/06/2019
dentro de um bom cortejo
é melhor que ele se faça
com graça,
pompa e discrição,
mas não com menos paixão.
08/06/2019
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Um prazer
Sou apenas mais um entre os poetas
cujas ambições mais secretas
acabam em rimas em outras bocas,
mas, como nenhuma
tu me tocas
com o som delas na tua...
08/06/2019
cujas ambições mais secretas
acabam em rimas em outras bocas,
mas, como nenhuma
tu me tocas
com o som delas na tua...
08/06/2019
domingo, 9 de junho de 2019
Por direito
Podes até dizer que não,
meu coração,
mas és realeza
pela beleza
de seres dono, motivo e voz
de cada verso que fale de nós.
08/06/2019
meu coração,
mas és realeza
pela beleza
de seres dono, motivo e voz
de cada verso que fale de nós.
08/06/2019
sábado, 8 de junho de 2019
Às sombras
Aqui a gente
se entende,
se despe
e de outro corpo se veste.
Passa por qualquer teste
porque não mente
e tem terreno para ser amante
quando em outra terra parece distante.
07/06/2019
se entende,
se despe
e de outro corpo se veste.
Passa por qualquer teste
porque não mente
e tem terreno para ser amante
quando em outra terra parece distante.
07/06/2019
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Aulas de etiqueta
De menina saudosa,
mansamente dengosa,
que não quer te perder.
Que te dá o teu devido valor
maior que ouro branco ou linda flor
e aprende contigo, como tem que ser.
De mulher sem bobagem
ou medo do cru e selvagem
dentro de si, se quiseres ver.
05/06/2019
mansamente dengosa,
que não quer te perder.
Que te dá o teu devido valor
maior que ouro branco ou linda flor
e aprende contigo, como tem que ser.
De mulher sem bobagem
ou medo do cru e selvagem
dentro de si, se quiseres ver.
05/06/2019
quinta-feira, 6 de junho de 2019
Novembro
Ao longo do décimo primeiro,
lá do fundo, tiro certeiro,
eu te encontro, enfim.
Será que foi mesmo assim?
Talvez dizer eu devesse
que presente como esse
esperou pela nossa vez.
E lá, naquele penúltimo mês...
Se apresenta, se curva, e vem
e tal graça é algo que quero também
quando finalmente entendo seu idioma...
Do qual ínfima nota se lia no meu próprio estranho aroma.
lá do fundo, tiro certeiro,
eu te encontro, enfim.
Será que foi mesmo assim?
Talvez dizer eu devesse
que presente como esse
esperou pela nossa vez.
E lá, naquele penúltimo mês...
Se apresenta, se curva, e vem
e tal graça é algo que quero também
quando finalmente entendo seu idioma...
Do qual ínfima nota se lia no meu próprio estranho aroma.
05/06/2019
domingo, 2 de junho de 2019
Vernáculo
Certas palavras deixam de ser apenas palavras, dependendo de quem as diz. Deixam de ser meros sons que se ouve - ou mesmo perdem o seu superficial e original significado. Para virar música, adquirir outro peso ou um peso que antes não estava ali.
O "meu amor" hoje enche a minha boca mais do que nunca. Não só porque te amo, mas porque contigo ele sai fácil; porque não é algo que tenho que guardar para mim por falta de retorno e principalmente de consideração, como um eco jogado fora ou que simplesmente se perde no ar junto com tantas doçuras que hoje, à sua maneira, são nossas. Porque tu também me amas, simplesmente.
Ser "Pequena" diante de ti nunca me diminuiu; do contrário, desde sempre só me engrandece a ponto de caber em teus braços e coração não me deixar não querer algo maior tanto quanto as aves anseiam pelo céu. Um dos grandes sinais do teu amor.
A tua "linda" só é assim pela generosidade dos teus olhos e por quem ela é e deseja continuar a ser por estar contigo. A "menina" não me ofende na tua voz por não deixar de ser quem eu ainda sou de muitas maneiras. E porque, ao teu lado, não há problema em sê-lo... A "mulher" que trouxeste é tão grande, tão quente, sublime e suave pelo ar e contra as paredes, como nenhum homem até agora havia posto diante de mim. Em tudo o que ela é, pode ser e merece. Mesmo que eu quase nunca me sinta assim...
Toda a melodia que só pertence a nós dois e aos ouvidos um do outro, no meio dos sorrisos e caretas de afeição. Como nomes que nos demos em nossos corações e que transbordam pelos lábios com suavidade - no lugar das convenções ou andando de mãos dadas com elas como as maiores verdades, mesmo que depois possam ser repetidas por qualquer outra pessoa.
5 de abril de 2019
O "meu amor" hoje enche a minha boca mais do que nunca. Não só porque te amo, mas porque contigo ele sai fácil; porque não é algo que tenho que guardar para mim por falta de retorno e principalmente de consideração, como um eco jogado fora ou que simplesmente se perde no ar junto com tantas doçuras que hoje, à sua maneira, são nossas. Porque tu também me amas, simplesmente.
Ser "Pequena" diante de ti nunca me diminuiu; do contrário, desde sempre só me engrandece a ponto de caber em teus braços e coração não me deixar não querer algo maior tanto quanto as aves anseiam pelo céu. Um dos grandes sinais do teu amor.
A tua "linda" só é assim pela generosidade dos teus olhos e por quem ela é e deseja continuar a ser por estar contigo. A "menina" não me ofende na tua voz por não deixar de ser quem eu ainda sou de muitas maneiras. E porque, ao teu lado, não há problema em sê-lo... A "mulher" que trouxeste é tão grande, tão quente, sublime e suave pelo ar e contra as paredes, como nenhum homem até agora havia posto diante de mim. Em tudo o que ela é, pode ser e merece. Mesmo que eu quase nunca me sinta assim...
Toda a melodia que só pertence a nós dois e aos ouvidos um do outro, no meio dos sorrisos e caretas de afeição. Como nomes que nos demos em nossos corações e que transbordam pelos lábios com suavidade - no lugar das convenções ou andando de mãos dadas com elas como as maiores verdades, mesmo que depois possam ser repetidas por qualquer outra pessoa.
5 de abril de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
13/05/2019
Se é assim que tu te apresentas à tua maneira e é isso que me encanta... Quem sou eu para não fazer o mesmo, ainda que tenha pensado em me "fingir de forte"? Eu não me censuro ou me arrependo; pois a ideia, apenas a honra da vossa presença e atenção foi muito mais pungente.
É verdade que alguns ciclos se repetirão - alguns ruins, alguns bons, outros, necessários. Mas sabemos que ainda há muito a ser feito e, se for do vosso agrado, prestarei-me com parte dos meus rastros a prestigiar os que da mão que me recebeu vieram.
- trecho do meu diário
É verdade que alguns ciclos se repetirão - alguns ruins, alguns bons, outros, necessários. Mas sabemos que ainda há muito a ser feito e, se for do vosso agrado, prestarei-me com parte dos meus rastros a prestigiar os que da mão que me recebeu vieram.
- trecho do meu diário
sexta-feira, 31 de maio de 2019
Cracking codes
Is this what you are saying
to me?
Do I have to be sort of high on meds
after sleepless nights
soaking the sheets in bed -
with the hands shaking,
the guts almost turning,
to be able to see
this on clear lights?
To know that in the yesterday I read
while pretty okay
but confused
the real words of the day
at one place squeezed,
not as powder spread?
30/05/2019
to me?
Do I have to be sort of high on meds
after sleepless nights
soaking the sheets in bed -
with the hands shaking,
the guts almost turning,
to be able to see
this on clear lights?
To know that in the yesterday I read
while pretty okay
but confused
the real words of the day
at one place squeezed,
not as powder spread?
30/05/2019
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Amor de leoa
Eu sou apenas uma gatinha assustada implorando por atenção. Eu vou te trazer minha caça como presente aos teus pés - para te agradar e que afagues minha cabeça dizendo o quão boa eu sou por isso.
Eu devolverei tua proteção com carinho e lealdade, amor ronronado e intenso, então não se assuste... Rainhas se dedicam a bons reis e a outras que se carregam com dignidade.
Eu o cortejarei com todo o meu baralho na mesa; tudo o que eu seria capaz de te oferecer, basta que queiras. E, apesar de tudo o que me falta e das minhas falhas centradas, tu estás em meu pensamento mais vezes do que imaginas porque não consigo ser de outro jeito.
Ainda que às vezes eu esqueça disso, tentarei lembrar-te que és tesouro - seja em tinta ou no afago mais privado. Quando parecer que não me importo mais com nada, olha-me bem e de novo eu conseguirei verbalizar meu pagamento pela generosidade.
Não me deixe machucar-te... Pois, com o tempo e o conforto, a mesma pata macia que te acaricia coloca as unhas para fora e te arranha... E a mesma boca que te mima e despeja amor é a que pode dizer as coisas mais crueis, ainda que não tenha a intenção. Talvez eu deva aprender com o perdão e com tudo o que não sei expressar.
E, ainda que me doa, sinta-se livre para ir embora. A liberdade de espírito e corpo é o que mais me falta e, sendo assim, o que mais desejo a qualquer um. Mas não brinque comigo, pois gosto de justiça num mundo em que isso parece fazer falta. Não quero que meu fogo te queime, mas que seja um conforto enquanto eu aprendo a me amar te amando - não porque me preenches, mas porque me fascinas.
10/05/2019
Eu devolverei tua proteção com carinho e lealdade, amor ronronado e intenso, então não se assuste... Rainhas se dedicam a bons reis e a outras que se carregam com dignidade.
Eu o cortejarei com todo o meu baralho na mesa; tudo o que eu seria capaz de te oferecer, basta que queiras. E, apesar de tudo o que me falta e das minhas falhas centradas, tu estás em meu pensamento mais vezes do que imaginas porque não consigo ser de outro jeito.
Ainda que às vezes eu esqueça disso, tentarei lembrar-te que és tesouro - seja em tinta ou no afago mais privado. Quando parecer que não me importo mais com nada, olha-me bem e de novo eu conseguirei verbalizar meu pagamento pela generosidade.
Não me deixe machucar-te... Pois, com o tempo e o conforto, a mesma pata macia que te acaricia coloca as unhas para fora e te arranha... E a mesma boca que te mima e despeja amor é a que pode dizer as coisas mais crueis, ainda que não tenha a intenção. Talvez eu deva aprender com o perdão e com tudo o que não sei expressar.
E, ainda que me doa, sinta-se livre para ir embora. A liberdade de espírito e corpo é o que mais me falta e, sendo assim, o que mais desejo a qualquer um. Mas não brinque comigo, pois gosto de justiça num mundo em que isso parece fazer falta. Não quero que meu fogo te queime, mas que seja um conforto enquanto eu aprendo a me amar te amando - não porque me preenches, mas porque me fascinas.
10/05/2019
quarta-feira, 29 de maio de 2019
Convite
Quem por acaso eu seria
se não nos desse a alegria
de um dia
simplesmente me deixar
encontrar
e a gentileza me levar
a descansar
no verde brilhante desta poesia?
29/05/2019
se não nos desse a alegria
de um dia
simplesmente me deixar
encontrar
e a gentileza me levar
a descansar
no verde brilhante desta poesia?
29/05/2019
terça-feira, 28 de maio de 2019
Nós, Emilias
Feitio de chama alerta
ansiando pela mão certa
que conheça o sorriso da contemplação
da falta e fulgor do ser
e saiba se aquecer
no que se recusa a não arder,
não se curva a outra intenção.
26/05/2019
ansiando pela mão certa
que conheça o sorriso da contemplação
da falta e fulgor do ser
e saiba se aquecer
no que se recusa a não arder,
não se curva a outra intenção.
26/05/2019
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Singela
A maravilha
da flor que avistaste,
pegaste
pela haste,
de lado jogaste
e me deste
quando vieste
e me encontraste
te faz outra buganvília.
26/05/2019
da flor que avistaste,
pegaste
pela haste,
de lado jogaste
e me deste
quando vieste
e me encontraste
te faz outra buganvília.
26/05/2019
domingo, 26 de maio de 2019
Última pousada
Tu és mais rei de ti
que eu dona de mim, até aqui.
A quem importa que não sejam deuses e, sim, cantores,
contanto que feches os olhos e ores;
que sobre mim caias no sono
em completo abandono?
Sei que nenhum mal me alcançará no fundo deste solo
feito do cheiro do teu colo...
26/05/2019
que eu dona de mim, até aqui.
A quem importa que não sejam deuses e, sim, cantores,
contanto que feches os olhos e ores;
que sobre mim caias no sono
em completo abandono?
Sei que nenhum mal me alcançará no fundo deste solo
feito do cheiro do teu colo...
26/05/2019
sábado, 25 de maio de 2019
Maneiras de trovador
Três ou quatro beijos de adeus
a uma dama,
daquela azul sombra
que vem até aqui e mesmo agora me chama,
na mão eu hoje guardo
como rainhas aos luxos seus
e certos versos vêm da pena de um só bardo,
de quem meu coração sempre lembra.
25/05/2019
a uma dama,
daquela azul sombra
que vem até aqui e mesmo agora me chama,
na mão eu hoje guardo
como rainhas aos luxos seus
e certos versos vêm da pena de um só bardo,
de quem meu coração sempre lembra.
25/05/2019
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Chastity belt
Try turning me into a machine,
a breeder for your plasure
and profit on display...
You wait for the beautiful day
when just for good measure
screams the most awaken beast you've ever seen...
24/05/2019
a breeder for your plasure
and profit on display...
You wait for the beautiful day
when just for good measure
screams the most awaken beast you've ever seen...
24/05/2019
quinta-feira, 23 de maio de 2019
Female end of discussion
The monters you create
of you
in your debate
of "with them, what to do?"
are the ones we kill
because we can
and we will,
we are not like certain men.
22/05/2019
of you
in your debate
of "with them, what to do?"
are the ones we kill
because we can
and we will,
we are not like certain men.
22/05/2019
quarta-feira, 22 de maio de 2019
De barbitúricos
Ah, minha Flor Bela,
sempre tão intensa!
Não há como escapar da tua crença,
de amar ou odiar tal fina entretela.
Ora a princesa vestida de saudade
vivendo sozinha o mais puro amor,
ora a louca que grita sua felicidade
para que todo o Mato saiba, se preciso for.
E eu, que chorei cada verso de mágoa
nos teus tantos trocados olhares
à cidade e à charneca sempre verde
sei bem aonde no fim deságua
toda rima que quase se perde
por só a desgraçados desejares!
09/05/2019
sempre tão intensa!
Não há como escapar da tua crença,
de amar ou odiar tal fina entretela.
Ora a princesa vestida de saudade
vivendo sozinha o mais puro amor,
ora a louca que grita sua felicidade
para que todo o Mato saiba, se preciso for.
E eu, que chorei cada verso de mágoa
nos teus tantos trocados olhares
à cidade e à charneca sempre verde
sei bem aonde no fim deságua
toda rima que quase se perde
por só a desgraçados desejares!
09/05/2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
Effects
One was a dog's sniff on the neck,
the hand on the throat now relaxed.
The other was a warm, kind embrace
which took me yet again, surprised.
One kissed its bold way over my back
with every hunger within its grace,
another invited me for a slow dance
made of free birds together in trance.
One strokes winter's wounds on my feet
in the long while they sting, then heal.
Another blows into my fire and its heat
as we two prepared the evening's meal...
One smiles as my dead skin begins to shed
and I am again as white as that very wall
where the other one taught me how to call
not one's deity's name, but his, instead.
And how could any soul ever dare to guess
that in the same way my fellow wild beast
eyed its way into this life and this room
rhymed rosy lips involved me, in the least,
only to rearrange the worst of an old mess
and not really fear the world's coming doom?
So no, I am not crazy enough to let him go;
prince and wolf are just the same, you know.
20/05/2019
the hand on the throat now relaxed.
The other was a warm, kind embrace
which took me yet again, surprised.
One kissed its bold way over my back
with every hunger within its grace,
another invited me for a slow dance
made of free birds together in trance.
One strokes winter's wounds on my feet
in the long while they sting, then heal.
Another blows into my fire and its heat
as we two prepared the evening's meal...
One smiles as my dead skin begins to shed
and I am again as white as that very wall
where the other one taught me how to call
not one's deity's name, but his, instead.
And how could any soul ever dare to guess
that in the same way my fellow wild beast
eyed its way into this life and this room
rhymed rosy lips involved me, in the least,
only to rearrange the worst of an old mess
and not really fear the world's coming doom?
So no, I am not crazy enough to let him go;
prince and wolf are just the same, you know.
20/05/2019
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Recomeço
Deixa mover de baixo essas águas
entre as tuas palavras e pausas.
Dá-me todo sopro de respiração,
o vibrar das cordas do coração.
Mostra-me os tais grandes finais
que se repetem até por demais...
Deitemo-nos no pó deste deserto
que deixa nosso amor encoberto.
Diga-me de que estás apaixonado
como que num beijo sussurrado.
16/05/2019
entre as tuas palavras e pausas.
Dá-me todo sopro de respiração,
o vibrar das cordas do coração.
Mostra-me os tais grandes finais
que se repetem até por demais...
Deitemo-nos no pó deste deserto
que deixa nosso amor encoberto.
Diga-me de que estás apaixonado
como que num beijo sussurrado.
16/05/2019
domingo, 19 de maio de 2019
Em cheia
Sete noites em seguida
aos olhos do sol despida
como a mulher mais linda
só por um sorriso de menino
dono de todo desatino
e vontade de animal ferino
em que criança vira madame
e não há em céu, mar e terra quem reclame
da canção do seu enxame.
16/05/2019
aos olhos do sol despida
como a mulher mais linda
só por um sorriso de menino
dono de todo desatino
e vontade de animal ferino
em que criança vira madame
e não há em céu, mar e terra quem reclame
da canção do seu enxame.
16/05/2019
sábado, 18 de maio de 2019
S/A
Caro A.,
Não via a hora de te escrever e contar sobre estar aqui, e também de saber notícias suas! Precisava dividir isso com alguém e tudo agora de alguma forma me remete a você. Você sabe que não estou aqui por vontade própria e sim por circunstâncias de que não exatamente gostaria. Tudo aconteceu tão rápido... Sei que isso é temporário, mas parece que vai durar para sempre. Posso até não considerar aquele lugar como minha casa e eu agora entendo que fazer o que fiz é o remédio quando não há alternativa, mas me parece errado estar assim em um lugar que de maneira nenhuma realmente te pertence.
É tudo muito estranho aqui, não só por não ser minha casa, e não consigo me sentir bem. É tão gótico e surreal. O silêncio faz com que eu me pergunte se os vizinhos e crianças são reais; mesmo que provavelmente estejam fora no trabalho ou na escola a maior parte do tempo. Logo eu que achava que por um lado seria bom e eu poderia trabalhar e pensar em paz no que fazer! Mas aqui ele é tão grande que qualquer som assusta. Olho pela janela da sala de estar e, durante o pôr-do-sol, as folhas da árvore grande que fica no gramado em frente brilham com uma sonhadora luz dourada...
De frente para esta casa fica uma área que chamam de bosque com pelo menos um banco de madeira podre e suja logo à vista, mas sei de mais um mais para dentro. Me disseram que não é muito pequeno, nem muito grande e sei que faz uma curva à esquerda, porém parece não ter fim durante a noite. Além de apenas algumas pessoas e durante o dia, nunca vi ninguém entrar lá. O bosque em especial me faz pensar em você, mas nada nisso a não ser seu nome me traz conforto – independentemente da miríade de coisas possivelmente tão maiores e mais velhas que nós que o povo diz que se esconde nos bosques que você mesmo me apresentou há um tempo.
Não sei dizer o que acontece, mas de quando em vez os cachorros de uma das casas ao lado uivam e choram todos juntos no que soa como o lamento mais triste durante minutos intermináveis. Até o que me comprometi em ajudar a cuidar parece dividir a tristeza em algumas ocasiões. Há casas aqui de todos os tipos e as grandes e antigas me fazem achar que foram construídas para que seus moradores nunca ou quase nunca tivessem que sair pela porta. Em anexo, na foto que te envio junto com esta missiva, está a lua cheia peculiarmente posicionada quase que exatamente entre o muro da casa onde estou e a de um vizinho. As folhas que espiam no canto são as da árvore brilhante.
A ruela em que esta casa está situada dentro do complexo é um beco sem saída, cujo paredão de tijolos se ergue duas casas e um campinho de futebol à direita de quem está aqui, com algumas das árvores do bosque quase lhe fazendo carinho. Mesmo nos fins de semana o movimento parece miragem; e olhe que por ora já vi a troca de duas estações enquanto estou aqui. Às vezes, quando olho para a tal área arborizada durante a noite (seja pela janela ou de fato parada do lado de fora), vejo um vazio negro e impenetrável ou uns poucos raios de lua entre as árvores bagunçadas...
Mais de uma pessoa, talvez pela falta de portões em frente ao gramado, já entrou nesta casa ou se aproximou dela sem se anunciar. Literalmente do nada. Até mesmo a dona original desta construção que parece tão mal-acabada, como se fosse uma assombração. Desde o momento em que pus os pés neste complexo e cruzei os olhos com um dos zeladores eu soube que seria bizarro ficar aqui; muito por causa de seus olhos muito grandes e de um sorriso que me parece bastante errado naquele rosto, bem como sua voz.
Eu nunca vivi assim, em território cercado de paredes a este nível. Parece um silencioso mundo separado em que me sinto ainda mais deslocada. É como se até o tempo passasse mais devagar aqui (e quase não sair também não ajuda). Sei que foi o único que pude encontrar, mas às vezes me questiono se foi a coisa certa a fazer. Você sabe o quanto sou ruim em tomar decisões e a capacidade de meus impulsos em me deixar ainda mais perdida... Só queria ficar longe, só um pouquinho... Felizmente o velho piano da proprietária ainda consegue me consolar. Foi até uma surpresa ver que uma casa estranha como esta pudesse ter um – mas, de qualquer forma, tudo aqui parece diferente.
Deve ser a solidão alimentando as minhas paranoias, mas esse lugar me parece cheio de negatividade (ou será eu sendo conduzida pela minha própria?) e que acho que a hora de eu voltar e encarar as coisas pode estar chegando. Não que algo literal e físico tenha acontecido comigo, mas alguns boatos que ouvi mesmo num contexto como este me fazem ousar imaginar o grau de nojeira a que o ser humano pode chegar. Juro que estou me cuidando o máximo que posso! Apenas não achava que seria tão desconfortável, talvez até mais do que o que me fez vir para cá. Não fui feita para estar onde estou. Você sabe aquilo que minha alma mais anseia e de todos os sentidos da frase anterior.
O loop a que estou presa estando aqui parece mais estreito e repetitivo do que nunca. Venha me buscar, meu amor. Por favor. Chega disto. Só você mesmo para olhar para mim com tanto carinho, com o coração tão aberto e vazio de julgamento; apenas desejando que eu faça o que tem de ser feito dentro das minhas possibilidades, como eu mesma te desejo e você bem sabe... Coragem e iniciativa são o que nos levarão adiante, mas tudo o que preciso agora é estar ao teu lado de novo; estar em casa. Apenas venha, o mais rápido que puder – o sabá terminou.
De quem muito te ama,
S.
P.S.: Não tenho como te agradecer o suficiente por ter me apoiado nesta empreitada louca – mas sei que tenho de voltar para a realidade e não sucumbir às minhas infelicidades/frustrações para que alguma coisa finalmente aconteça. Eu precisava tentar respirar outro ar, mas tudo o que sei é que o daqui não me fez bem. Pode ser que os meus pais nunca entendam o que fiz, mas não cabe a eles querer adivinhar o que se passa na minha ou na sua cabeça. Fico te devendo muito pelo resto da vida e pretendo te devolver em dobro, se for possível.
Olhos fechados em solidão. Silêncio, a carícia de mãos trêmulas e um tanto frias mesmo para uma tarde quente de outono. O produto da carícia em eco pelo aposento de distribuição engraçada, talvez atravessando a janela pela qual, pela primeira vez em algum tempo, não se pegou espiando. Apesar dos medos e ansiedades, nada mais do que o momento dentro do breve transe da Marcha Turca de Mozart. Tão centrada no agora, mesmo ali, como tantas vezes sente dificuldade em fazer, que não notou o que acontecia ao seu redor. De foco não na precisão do que estava fazendo, mas no simples fazer e do que ele era capaz.
S. não notou o sorriso de A. diante da quietude envolta pela música ao chegar ao aposento. Nem quando ele jogou a mochila que tinha nas mãos no sofá – sua cor de sangue um contraste peculiar com a costumeira neutralidade de suas roupas – e se aproximou suavemente do piano enquanto a peça aos poucos chegava ao fim. Querendo talvez dar um susto nela, A. escondeu uma das mãos às costas e com a outra gentilmente afagou o cabelo da moça.
- Fermata. – sussurrou ele exatamente quando a última tecla com a última nota foi pressionada e tal pressão ainda se fez sentir por alguns longos segundos. Pelo jeito o susto não acontecera, porque tudo o que S. fez foi abrir os olhos devagar e puxar a longa mão pousada sobre sua cabeça para que ficasse contra o rosto, como se aquilo fosse a coisa mais familiar e íntima do mundo. O que de fato era, em sua medida...
- Amado! – S. exclamou ao virar-se no banco do piano e atirar os braços ao pescoço do outro. Sendo muito alto e um tanto tímido, ele sorriu com afeto e dobrou o corpo para retribuir ao gesto, o rosto semi-escondido numa mistura do próprio cabelo e do dela.
- Desculpe chegar assim. Acho que meu aviso de que eu viria não te alcançou a tempo. Até cheguei a bater na porta, mas o piano provavelmente abafou o som. – A. levou a mão à cabeça, fez uma careta e instintivamente coçou entre as raízes do cocuruto. – Mozart, hein? Se eu não desejasse tanto fazer as coisas de ouvido e passasse mais tempo com as teclas, tocaria melhor...
- Melhor que seja você do que qualquer um. Muito obrigada mesmo por vir me buscar. E sim, era Mozart. – Exclamou S. ao jogar-se novamente no banquinho, enxugando uma lágrima que ameaçava cair do canto do olho. – Por favor, sente-se! Você deve estar cansado por causa do terreno acidentado. Há uma cadeira logo ali.
Tudo o que A. fez foi sussurrar “com prazer” antes de apanhar a cadeira e colocá-la de frente para a moça, respeitando quase um metro de espaço pessoal. Sentou-se com as pernas cruzadas e mãos nos bolsos da jaqueta; estudava a amiga ternamente, buscando seus olhos. Depois de algum tempo, ele viu S. morder o lábio, suspirar e deixar escapar um trêmulo “estou com medo”. A. assentiu com a cabeça e trouxe o tronco para frente no assento.
- Tudo bem ter medo. – murmurou o rapaz. – Você já esteve aí antes. Você sabe que medo é esse. Tente limpar sua mente e você vai saber como enfrentá-lo. – ele tomou a mão pequenina de S. numa das palmas compridas e cobriu-a com sua outra.
- Eu sei. – respondeu S., deixando a mão permanecer entre as dele. Depois de algum tempo em silêncio ela pousou os olhos nele e perguntou: - Gostaria de um chá? Tenho mel, se você quiser colocar um pouco. E umas torradas e biscoitos.
- Uma xícara quentinha entre as mãos... Eu te acompanho, muito obrigado. – ambos se levantaram para procurar entre os armários que rangiam; S. apanhou um xale depois de reclamar entre os dentes que a casa era muito fria.
Enquanto a infusão acontecia, A. apertou novamente a mão da moça.
- O que você acha de bebermos o chá no bosque? Pode ser ali no banco da frente... Queria conhecer o que te dá medo e por enquanto não está tão frio. O silêncio eu já senti: definitivamente não é como o do campo. A não ser que te deixe desconfortável.
S. pensou em abrir a boca quando os cachorros do vizinho iniciaram uma onda de uivo coletivo que dava a impressão de que estavam sendo torturados, ou que eram pessoas lamentando a perda de um ente querido. Gesticulou para que A. esperasse um pouco e foi buscar um pedaço de papel onde pudesse escrever uma resposta sem precisar gritar. Enquanto isso, ele sentou-se meio de lado ao piano, brevemente exercitou uma escala e fez um pouco de festa para o cachorro no fundo do pátio.
Respirou fundo com a caneta na mão, tentando ponderar se seus medos faziam mesmo sentido – se havia de fato, se não uma coisa, uma energia ali que a fazia estremecer. Concluiu que de qualquer forma precisaria encontrar um método de purificação que que ele provavelmente lhe estava sendo oferecido bem naquele momento.
“Quer saber? Aceito. Obrigada por estar aqui, por cruzar esta fronteira comigo.” Foi o que ela rabiscou e mostrou a ele. Então, com latas de biscoito, uma garrafa térmica e canecas enroscados nos braços e mãos, os dois atravessaram a ruela deserta até o emaranhado de árvores sem olhar para trás e a princípio sentaram-se no banco logo à entrada da clareira.
Por algum tempo falaram sobre tudo e nada enquanto bebericavam o chá e comiam. Depois, A. levantou-se e espiou por entre o emaranhado de árvores, instigando S. a acompanhá-lo. O rapaz descansou os utensílios ao lado de um tronco e deixou-se cair com as costas contra ele. S. pegou-se olhando em volta de si antes de se posicionar na terra sem se importar com a sujeira que aquilo faria em suas roupas.
- Estava com saudade... – sussurrou A. ao afastar um cacho caído aos olhos pela cabeça inclinada.
- Ah, eu também, você sabe disso. – S. indicou as próprias pernas esticadas à frente. – Venha, deite-se aqui. Queria te ver direito, sem fugir. – sentiu um pouco de hesitação, que logo desapareceu quando ele deu de ombros e descansou a cabeça sobre os joelhos dela.
- Sei que você não foge porque quer. Mas eu te acho, como agora, como sempre. É questão de treino. – sorriu A.
- É verdade. E sempre encontra o que mais importa, como só outro homem na minha vida é capaz de fazer. Porém eu falo sério: chega de me esquivar do que é bom para mim. Além do mais, ouvi falar em algum lugar que o caráter de um homem pode ser deduzido pelo modo como ele aperta a mão de uma mulher. A julgar pelo seu, é um abraço de respeito, carinho e igualdade. É justo que eu me deixe levar pelo sono que vejo nos seus olhos. – ambos riram; A. brevemente cobriu o rosto com as mãos noutro cacoete de timidez.
- Eu agradeço, mas... Pareço sonolento e te causo sono? Eu ando quase sempre cansado, envolvido em mil coisas, é verdade... – diante da pergunta, a moça apenas fez que não e roçou os dedos entre os cachos dele como se fossem solo fofo e revirado.
- O “sono” é uma gentileza que você carrega. Fico grata por confiar em mim o bastante para descansar em meu colo. Há tanto tempo não afago nada mais que a mim mesma ou o cão desta casa que esqueço que consigo fazê-lo. Claro que o cão conta, mas você entende o que quero dizer.
- Ah, obrigado! – S. sorriu ao ver A. corar de leve. – Os cães e sua honestidade... – ele virou-se de lado, com o rosto na direção dela, o cabelo comprido um tanto amassado.
Ela pensou um pouco e confessou que gostava da mistura de vulnerabilidade e força que A. parecia ter. E de como aquilo se manifestava tanto em palavras quanto no simbolismo do pouco de corpo que ele deixava exposto à vista por hábito deliberado nas camisas mal abotoadas e, às vezes, mangas enroladas. A fragilidade física de pescoço, mãos, olhos, pulsos e o espaço perto do coração abertos a dentes, garras e quase toda a intempérie. E, no entanto, sua altura e estrutura óssea o tornavam imponente, mas não de uma forma intimidadora. Que tal amostra de vulnerabilidade não eliminava, mas destacava a discrição com que tratava a própria vida para com quem não tinha intimidades.
Enquanto o sol se punha, os primeiros raios de lua os alcançavam e ele absorvia as palavras, A. efusivamente agradeceu pelo que ouviu e enfatizou a doçura e coragem de quem as dizia; algo que poderia ser encontrado e deveria ser exercitado em toda a humanidade. Que era bonito S. ver algo assim no que para ele era apenas um costume, bem como sua maneira de demonstrar afeto.
O cantar dos grilos veio com o leve frio da noite; A. virou-se de barriga para cima e, olhando para o céu, suavemente começou a cantarolar uma melodia que S. logo identificou. Ele acenou com a cabeça para que ela o acompanhasse, se quisesse. Lágrimas felizes lhe chegaram quando ele cantou de novo dia e nova vida. Foi com isso martelando em mente que S. olhou em volta e percebeu que não tinha mais medo do lugar. Ao voltarem para dentro eles arrumaram as malas dela, fizeram o jantar e partiram no dia seguinte.
Não via a hora de te escrever e contar sobre estar aqui, e também de saber notícias suas! Precisava dividir isso com alguém e tudo agora de alguma forma me remete a você. Você sabe que não estou aqui por vontade própria e sim por circunstâncias de que não exatamente gostaria. Tudo aconteceu tão rápido... Sei que isso é temporário, mas parece que vai durar para sempre. Posso até não considerar aquele lugar como minha casa e eu agora entendo que fazer o que fiz é o remédio quando não há alternativa, mas me parece errado estar assim em um lugar que de maneira nenhuma realmente te pertence.
É tudo muito estranho aqui, não só por não ser minha casa, e não consigo me sentir bem. É tão gótico e surreal. O silêncio faz com que eu me pergunte se os vizinhos e crianças são reais; mesmo que provavelmente estejam fora no trabalho ou na escola a maior parte do tempo. Logo eu que achava que por um lado seria bom e eu poderia trabalhar e pensar em paz no que fazer! Mas aqui ele é tão grande que qualquer som assusta. Olho pela janela da sala de estar e, durante o pôr-do-sol, as folhas da árvore grande que fica no gramado em frente brilham com uma sonhadora luz dourada...
De frente para esta casa fica uma área que chamam de bosque com pelo menos um banco de madeira podre e suja logo à vista, mas sei de mais um mais para dentro. Me disseram que não é muito pequeno, nem muito grande e sei que faz uma curva à esquerda, porém parece não ter fim durante a noite. Além de apenas algumas pessoas e durante o dia, nunca vi ninguém entrar lá. O bosque em especial me faz pensar em você, mas nada nisso a não ser seu nome me traz conforto – independentemente da miríade de coisas possivelmente tão maiores e mais velhas que nós que o povo diz que se esconde nos bosques que você mesmo me apresentou há um tempo.
Não sei dizer o que acontece, mas de quando em vez os cachorros de uma das casas ao lado uivam e choram todos juntos no que soa como o lamento mais triste durante minutos intermináveis. Até o que me comprometi em ajudar a cuidar parece dividir a tristeza em algumas ocasiões. Há casas aqui de todos os tipos e as grandes e antigas me fazem achar que foram construídas para que seus moradores nunca ou quase nunca tivessem que sair pela porta. Em anexo, na foto que te envio junto com esta missiva, está a lua cheia peculiarmente posicionada quase que exatamente entre o muro da casa onde estou e a de um vizinho. As folhas que espiam no canto são as da árvore brilhante.
A ruela em que esta casa está situada dentro do complexo é um beco sem saída, cujo paredão de tijolos se ergue duas casas e um campinho de futebol à direita de quem está aqui, com algumas das árvores do bosque quase lhe fazendo carinho. Mesmo nos fins de semana o movimento parece miragem; e olhe que por ora já vi a troca de duas estações enquanto estou aqui. Às vezes, quando olho para a tal área arborizada durante a noite (seja pela janela ou de fato parada do lado de fora), vejo um vazio negro e impenetrável ou uns poucos raios de lua entre as árvores bagunçadas...
Mais de uma pessoa, talvez pela falta de portões em frente ao gramado, já entrou nesta casa ou se aproximou dela sem se anunciar. Literalmente do nada. Até mesmo a dona original desta construção que parece tão mal-acabada, como se fosse uma assombração. Desde o momento em que pus os pés neste complexo e cruzei os olhos com um dos zeladores eu soube que seria bizarro ficar aqui; muito por causa de seus olhos muito grandes e de um sorriso que me parece bastante errado naquele rosto, bem como sua voz.
Eu nunca vivi assim, em território cercado de paredes a este nível. Parece um silencioso mundo separado em que me sinto ainda mais deslocada. É como se até o tempo passasse mais devagar aqui (e quase não sair também não ajuda). Sei que foi o único que pude encontrar, mas às vezes me questiono se foi a coisa certa a fazer. Você sabe o quanto sou ruim em tomar decisões e a capacidade de meus impulsos em me deixar ainda mais perdida... Só queria ficar longe, só um pouquinho... Felizmente o velho piano da proprietária ainda consegue me consolar. Foi até uma surpresa ver que uma casa estranha como esta pudesse ter um – mas, de qualquer forma, tudo aqui parece diferente.
Deve ser a solidão alimentando as minhas paranoias, mas esse lugar me parece cheio de negatividade (ou será eu sendo conduzida pela minha própria?) e que acho que a hora de eu voltar e encarar as coisas pode estar chegando. Não que algo literal e físico tenha acontecido comigo, mas alguns boatos que ouvi mesmo num contexto como este me fazem ousar imaginar o grau de nojeira a que o ser humano pode chegar. Juro que estou me cuidando o máximo que posso! Apenas não achava que seria tão desconfortável, talvez até mais do que o que me fez vir para cá. Não fui feita para estar onde estou. Você sabe aquilo que minha alma mais anseia e de todos os sentidos da frase anterior.
O loop a que estou presa estando aqui parece mais estreito e repetitivo do que nunca. Venha me buscar, meu amor. Por favor. Chega disto. Só você mesmo para olhar para mim com tanto carinho, com o coração tão aberto e vazio de julgamento; apenas desejando que eu faça o que tem de ser feito dentro das minhas possibilidades, como eu mesma te desejo e você bem sabe... Coragem e iniciativa são o que nos levarão adiante, mas tudo o que preciso agora é estar ao teu lado de novo; estar em casa. Apenas venha, o mais rápido que puder – o sabá terminou.
De quem muito te ama,
S.
P.S.: Não tenho como te agradecer o suficiente por ter me apoiado nesta empreitada louca – mas sei que tenho de voltar para a realidade e não sucumbir às minhas infelicidades/frustrações para que alguma coisa finalmente aconteça. Eu precisava tentar respirar outro ar, mas tudo o que sei é que o daqui não me fez bem. Pode ser que os meus pais nunca entendam o que fiz, mas não cabe a eles querer adivinhar o que se passa na minha ou na sua cabeça. Fico te devendo muito pelo resto da vida e pretendo te devolver em dobro, se for possível.
Olhos fechados em solidão. Silêncio, a carícia de mãos trêmulas e um tanto frias mesmo para uma tarde quente de outono. O produto da carícia em eco pelo aposento de distribuição engraçada, talvez atravessando a janela pela qual, pela primeira vez em algum tempo, não se pegou espiando. Apesar dos medos e ansiedades, nada mais do que o momento dentro do breve transe da Marcha Turca de Mozart. Tão centrada no agora, mesmo ali, como tantas vezes sente dificuldade em fazer, que não notou o que acontecia ao seu redor. De foco não na precisão do que estava fazendo, mas no simples fazer e do que ele era capaz.
S. não notou o sorriso de A. diante da quietude envolta pela música ao chegar ao aposento. Nem quando ele jogou a mochila que tinha nas mãos no sofá – sua cor de sangue um contraste peculiar com a costumeira neutralidade de suas roupas – e se aproximou suavemente do piano enquanto a peça aos poucos chegava ao fim. Querendo talvez dar um susto nela, A. escondeu uma das mãos às costas e com a outra gentilmente afagou o cabelo da moça.
- Fermata. – sussurrou ele exatamente quando a última tecla com a última nota foi pressionada e tal pressão ainda se fez sentir por alguns longos segundos. Pelo jeito o susto não acontecera, porque tudo o que S. fez foi abrir os olhos devagar e puxar a longa mão pousada sobre sua cabeça para que ficasse contra o rosto, como se aquilo fosse a coisa mais familiar e íntima do mundo. O que de fato era, em sua medida...
- Amado! – S. exclamou ao virar-se no banco do piano e atirar os braços ao pescoço do outro. Sendo muito alto e um tanto tímido, ele sorriu com afeto e dobrou o corpo para retribuir ao gesto, o rosto semi-escondido numa mistura do próprio cabelo e do dela.
- Desculpe chegar assim. Acho que meu aviso de que eu viria não te alcançou a tempo. Até cheguei a bater na porta, mas o piano provavelmente abafou o som. – A. levou a mão à cabeça, fez uma careta e instintivamente coçou entre as raízes do cocuruto. – Mozart, hein? Se eu não desejasse tanto fazer as coisas de ouvido e passasse mais tempo com as teclas, tocaria melhor...
- Melhor que seja você do que qualquer um. Muito obrigada mesmo por vir me buscar. E sim, era Mozart. – Exclamou S. ao jogar-se novamente no banquinho, enxugando uma lágrima que ameaçava cair do canto do olho. – Por favor, sente-se! Você deve estar cansado por causa do terreno acidentado. Há uma cadeira logo ali.
Tudo o que A. fez foi sussurrar “com prazer” antes de apanhar a cadeira e colocá-la de frente para a moça, respeitando quase um metro de espaço pessoal. Sentou-se com as pernas cruzadas e mãos nos bolsos da jaqueta; estudava a amiga ternamente, buscando seus olhos. Depois de algum tempo, ele viu S. morder o lábio, suspirar e deixar escapar um trêmulo “estou com medo”. A. assentiu com a cabeça e trouxe o tronco para frente no assento.
- Tudo bem ter medo. – murmurou o rapaz. – Você já esteve aí antes. Você sabe que medo é esse. Tente limpar sua mente e você vai saber como enfrentá-lo. – ele tomou a mão pequenina de S. numa das palmas compridas e cobriu-a com sua outra.
- Eu sei. – respondeu S., deixando a mão permanecer entre as dele. Depois de algum tempo em silêncio ela pousou os olhos nele e perguntou: - Gostaria de um chá? Tenho mel, se você quiser colocar um pouco. E umas torradas e biscoitos.
- Uma xícara quentinha entre as mãos... Eu te acompanho, muito obrigado. – ambos se levantaram para procurar entre os armários que rangiam; S. apanhou um xale depois de reclamar entre os dentes que a casa era muito fria.
Enquanto a infusão acontecia, A. apertou novamente a mão da moça.
- O que você acha de bebermos o chá no bosque? Pode ser ali no banco da frente... Queria conhecer o que te dá medo e por enquanto não está tão frio. O silêncio eu já senti: definitivamente não é como o do campo. A não ser que te deixe desconfortável.
S. pensou em abrir a boca quando os cachorros do vizinho iniciaram uma onda de uivo coletivo que dava a impressão de que estavam sendo torturados, ou que eram pessoas lamentando a perda de um ente querido. Gesticulou para que A. esperasse um pouco e foi buscar um pedaço de papel onde pudesse escrever uma resposta sem precisar gritar. Enquanto isso, ele sentou-se meio de lado ao piano, brevemente exercitou uma escala e fez um pouco de festa para o cachorro no fundo do pátio.
Respirou fundo com a caneta na mão, tentando ponderar se seus medos faziam mesmo sentido – se havia de fato, se não uma coisa, uma energia ali que a fazia estremecer. Concluiu que de qualquer forma precisaria encontrar um método de purificação que que ele provavelmente lhe estava sendo oferecido bem naquele momento.
“Quer saber? Aceito. Obrigada por estar aqui, por cruzar esta fronteira comigo.” Foi o que ela rabiscou e mostrou a ele. Então, com latas de biscoito, uma garrafa térmica e canecas enroscados nos braços e mãos, os dois atravessaram a ruela deserta até o emaranhado de árvores sem olhar para trás e a princípio sentaram-se no banco logo à entrada da clareira.
Por algum tempo falaram sobre tudo e nada enquanto bebericavam o chá e comiam. Depois, A. levantou-se e espiou por entre o emaranhado de árvores, instigando S. a acompanhá-lo. O rapaz descansou os utensílios ao lado de um tronco e deixou-se cair com as costas contra ele. S. pegou-se olhando em volta de si antes de se posicionar na terra sem se importar com a sujeira que aquilo faria em suas roupas.
- Estava com saudade... – sussurrou A. ao afastar um cacho caído aos olhos pela cabeça inclinada.
- Ah, eu também, você sabe disso. – S. indicou as próprias pernas esticadas à frente. – Venha, deite-se aqui. Queria te ver direito, sem fugir. – sentiu um pouco de hesitação, que logo desapareceu quando ele deu de ombros e descansou a cabeça sobre os joelhos dela.
- Sei que você não foge porque quer. Mas eu te acho, como agora, como sempre. É questão de treino. – sorriu A.
- É verdade. E sempre encontra o que mais importa, como só outro homem na minha vida é capaz de fazer. Porém eu falo sério: chega de me esquivar do que é bom para mim. Além do mais, ouvi falar em algum lugar que o caráter de um homem pode ser deduzido pelo modo como ele aperta a mão de uma mulher. A julgar pelo seu, é um abraço de respeito, carinho e igualdade. É justo que eu me deixe levar pelo sono que vejo nos seus olhos. – ambos riram; A. brevemente cobriu o rosto com as mãos noutro cacoete de timidez.
- Eu agradeço, mas... Pareço sonolento e te causo sono? Eu ando quase sempre cansado, envolvido em mil coisas, é verdade... – diante da pergunta, a moça apenas fez que não e roçou os dedos entre os cachos dele como se fossem solo fofo e revirado.
- O “sono” é uma gentileza que você carrega. Fico grata por confiar em mim o bastante para descansar em meu colo. Há tanto tempo não afago nada mais que a mim mesma ou o cão desta casa que esqueço que consigo fazê-lo. Claro que o cão conta, mas você entende o que quero dizer.
- Ah, obrigado! – S. sorriu ao ver A. corar de leve. – Os cães e sua honestidade... – ele virou-se de lado, com o rosto na direção dela, o cabelo comprido um tanto amassado.
Ela pensou um pouco e confessou que gostava da mistura de vulnerabilidade e força que A. parecia ter. E de como aquilo se manifestava tanto em palavras quanto no simbolismo do pouco de corpo que ele deixava exposto à vista por hábito deliberado nas camisas mal abotoadas e, às vezes, mangas enroladas. A fragilidade física de pescoço, mãos, olhos, pulsos e o espaço perto do coração abertos a dentes, garras e quase toda a intempérie. E, no entanto, sua altura e estrutura óssea o tornavam imponente, mas não de uma forma intimidadora. Que tal amostra de vulnerabilidade não eliminava, mas destacava a discrição com que tratava a própria vida para com quem não tinha intimidades.
Enquanto o sol se punha, os primeiros raios de lua os alcançavam e ele absorvia as palavras, A. efusivamente agradeceu pelo que ouviu e enfatizou a doçura e coragem de quem as dizia; algo que poderia ser encontrado e deveria ser exercitado em toda a humanidade. Que era bonito S. ver algo assim no que para ele era apenas um costume, bem como sua maneira de demonstrar afeto.
O cantar dos grilos veio com o leve frio da noite; A. virou-se de barriga para cima e, olhando para o céu, suavemente começou a cantarolar uma melodia que S. logo identificou. Ele acenou com a cabeça para que ela o acompanhasse, se quisesse. Lágrimas felizes lhe chegaram quando ele cantou de novo dia e nova vida. Foi com isso martelando em mente que S. olhou em volta e percebeu que não tinha mais medo do lugar. Ao voltarem para dentro eles arrumaram as malas dela, fizeram o jantar e partiram no dia seguinte.
10/05/2019
sexta-feira, 17 de maio de 2019
11/04/2019
Talvez os nossos silêncios já existam, na medida em que nada é dito ou precisa ser dito quando nossas mãos estão juntas.
No eco de cada desculpa que não deveria ser pedida e de cada palavra deixada no ar da distância para ser devolvida quando o tempo e o coração acharem melhor.
Na quietude das salas que se prestam a ouvir só as nossas vozes.
No eco de cada desculpa que não deveria ser pedida e de cada palavra deixada no ar da distância para ser devolvida quando o tempo e o coração acharem melhor.
Na quietude das salas que se prestam a ouvir só as nossas vozes.
quinta-feira, 16 de maio de 2019
Mini-resenha de "Quando o risco vale a pena"!
Então, pessoal. Sabe quando se divulga um trabalho nosso para alguém que de uma forma ou outra acompanha aquilo que a gente faz, e se pergunta o que a pessoa acha daquilo, mas ao mesmo tempo nem imagina que ela tenha de fato tido contato com a obra e que se importou de tirar um tempinho para ler e fazer um comentário?
Pois bem. Aconteceu comigo! Um tempo atrás eu falei sobre o meu livro de estreia na poesia num comentário num dos vídeos da Janaína do canal do Youtube/blog Nina e Suas Letras (com quem retomei contato desde que tirei as teias deste humilde bloguinho e fiquei sabendo que agora faz vídeos sobre literatura. Não seja bobx e vá lá dar um conferes!). E não é que dona Nina resolveu ler minha poesia no último mês de abril? Se não sou avisada, nem fico sabendo (risos), me pegou mesmo desprevenida, mas lisonjeada.
"Quando o risco vale a pena" acabou como uma das leituras da Nina para abril, entre outras que estão incluídas no vídeo abaixo:
Muito obrigada pelo carinho e sinceridade, Nina! E por mencionar o vídeo (eu não necessariamente assisto os vídeos na ordem em que eles são postados, então o aviso não estragou a surpresa, viu?). Fico muito feliz com os comentários e a divulgação. Quem sabe um dia não venham outros poemas publicados... Parabéns pelo teu trabalho, um beijo :)
Pois bem. Aconteceu comigo! Um tempo atrás eu falei sobre o meu livro de estreia na poesia num comentário num dos vídeos da Janaína do canal do Youtube/blog Nina e Suas Letras (com quem retomei contato desde que tirei as teias deste humilde bloguinho e fiquei sabendo que agora faz vídeos sobre literatura. Não seja bobx e vá lá dar um conferes!). E não é que dona Nina resolveu ler minha poesia no último mês de abril? Se não sou avisada, nem fico sabendo (risos), me pegou mesmo desprevenida, mas lisonjeada.
"Quando o risco vale a pena" acabou como uma das leituras da Nina para abril, entre outras que estão incluídas no vídeo abaixo:
Muito obrigada pelo carinho e sinceridade, Nina! E por mencionar o vídeo (eu não necessariamente assisto os vídeos na ordem em que eles são postados, então o aviso não estragou a surpresa, viu?). Fico muito feliz com os comentários e a divulgação. Quem sabe um dia não venham outros poemas publicados... Parabéns pelo teu trabalho, um beijo :)
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Algumas regalias
Amor, se o que queres que eu diga
sejam versos improvisados
para dentro dos teus lindos lábios
nas minhas noites ou nos nossos dias
ou teu nome suspirado a cada palavra que ouço
pois amo como soam na tua voz de moço,
talvez de bom grado eu consiga
te reservar algumas regalias...
09/05/2019
sejam versos improvisados
para dentro dos teus lindos lábios
nas minhas noites ou nos nossos dias
ou teu nome suspirado a cada palavra que ouço
pois amo como soam na tua voz de moço,
talvez de bom grado eu consiga
te reservar algumas regalias...
09/05/2019
terça-feira, 14 de maio de 2019
Bush song
Beware of my thorn,
handle me with care.
Remember, please, that I was born
for the touch of your hand, cold and bare.
I may not offer you safe shadow,
for I am not as sturdy as a tower...
But if you come see me at the meadow,
for your hair I might have a white flower.
If need be, let me fall and die and burn,
smoke and spread the quickest fire.
Have my warmth and sweetness in return
for the chance to rid you of evil and liar.
09/05/2019
handle me with care.
Remember, please, that I was born
for the touch of your hand, cold and bare.
I may not offer you safe shadow,
for I am not as sturdy as a tower...
But if you come see me at the meadow,
for your hair I might have a white flower.
If need be, let me fall and die and burn,
smoke and spread the quickest fire.
Have my warmth and sweetness in return
for the chance to rid you of evil and liar.
09/05/2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Ao peixinho
Filho, não faz mal que não creia
que desde aquela lua cheia
da tua cabeça na minha mão
eu te guardo da tempestade mais feia
e tu carregas a minha paixão.
Pois todos têm este charme
capaz do maior desarme
e sabem da vida o que é bom
para a alma e para a carne
e respeitam o seu dom.
Eu te recebo em todo o teu voltar
ansioso para o mar,
um homem refeito
pelo cheiro da terra do lar
te apertando contra o peito.
08/05/2019
que desde aquela lua cheia
da tua cabeça na minha mão
eu te guardo da tempestade mais feia
e tu carregas a minha paixão.
Pois todos têm este charme
capaz do maior desarme
e sabem da vida o que é bom
para a alma e para a carne
e respeitam o seu dom.
Eu te recebo em todo o teu voltar
ansioso para o mar,
um homem refeito
pelo cheiro da terra do lar
te apertando contra o peito.
08/05/2019
domingo, 12 de maio de 2019
Lured in
I know he'll always call me back
as I felt he would,
and just like that I followed his track
for his and my own good
into the sea, the city and the wood.
No fear, eyes closed
and a smile on my face.
neck and soul exposed
as should always be the case,
touch, voice and word treasured.
My love, I could cut him open
if I made the wrong move
by teeth, claw and untruth spoken
but not a thing would change in him or up above
as a rose cannot be a foxglove.
I roar as I hear his howl
saying he's to stay and never run
and then the earth holds our taken bow
of the moon worshipped by the sun,
crashing dance of two in one.
08/05/2019
as I felt he would,
and just like that I followed his track
for his and my own good
into the sea, the city and the wood.
No fear, eyes closed
and a smile on my face.
neck and soul exposed
as should always be the case,
touch, voice and word treasured.
My love, I could cut him open
if I made the wrong move
by teeth, claw and untruth spoken
but not a thing would change in him or up above
as a rose cannot be a foxglove.
I roar as I hear his howl
saying he's to stay and never run
and then the earth holds our taken bow
of the moon worshipped by the sun,
crashing dance of two in one.
08/05/2019
sábado, 11 de maio de 2019
Anseios
Se tu estivesses aqui
eu tomaria todas as rimas
que tu me sussurras
na minha pena e voz
e as beijaria em ti.
Elas seriam tuas meninas,
as filhas da pureza das juras
que só pertencem a nós.
Eu te mostraria os únicos belos cortes
que alguém pode ter nos dedos
e fazem nascer rainhas e reis
de sangues azuis, negros, vermelhos...
Os que marcam tantas vidas e mortes,
sabem dos nossos segredos,
nos mantém jovens ou deixam velhos,
eu te poria a par das leis.
Se deste coração sou senhora e governante
desde sempre e amo como uma,
se apenas tu soubesses que o que parece que falta
é que fiques aqui, amante...
Vem e este amor perfuma,
nos eleva à patente mais alta!
07/05/2019
eu tomaria todas as rimas
que tu me sussurras
na minha pena e voz
e as beijaria em ti.
Elas seriam tuas meninas,
as filhas da pureza das juras
que só pertencem a nós.
Eu te mostraria os únicos belos cortes
que alguém pode ter nos dedos
e fazem nascer rainhas e reis
de sangues azuis, negros, vermelhos...
Os que marcam tantas vidas e mortes,
sabem dos nossos segredos,
nos mantém jovens ou deixam velhos,
eu te poria a par das leis.
Se deste coração sou senhora e governante
desde sempre e amo como uma,
se apenas tu soubesses que o que parece que falta
é que fiques aqui, amante...
Vem e este amor perfuma,
nos eleva à patente mais alta!
07/05/2019
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Mantra
Sussurro teu nome
ao pé do ouvido
como a nenhum outro
por prazer.
Pelo prazer que consome
o simples estar contigo,
a água benta do bebedouro
do que tens a dizer.
Já que não importa se mereço,
é o som do que cai no meu regaço,
o estalo desta chama.
Porque ele é fim e também começo
que eu de todo abraço
como a teu corpo, nesta cama.
07/05/2019
ao pé do ouvido
como a nenhum outro
por prazer.
Pelo prazer que consome
o simples estar contigo,
a água benta do bebedouro
do que tens a dizer.
Já que não importa se mereço,
é o som do que cai no meu regaço,
o estalo desta chama.
Porque ele é fim e também começo
que eu de todo abraço
como a teu corpo, nesta cama.
07/05/2019
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Ladrilhos
O caminho dos teus beijos
no meio
entre um e outro seio
até meu umbigo
fica comigo,
é uma gota de perfume
com a qual eu talvez nunca me acostume.
Perfume, é claro,
o mais caro
veneno dos desejos
da tua boca feita flor
para nada menos que canções de amor.
07/05/2019
no meio
entre um e outro seio
até meu umbigo
fica comigo,
é uma gota de perfume
com a qual eu talvez nunca me acostume.
Perfume, é claro,
o mais caro
veneno dos desejos
da tua boca feita flor
para nada menos que canções de amor.
07/05/2019
quarta-feira, 8 de maio de 2019
Sob o carvalho
Musgo!
Roça meu ombro,
nos meus dedos e enreda
e nos esconde...
Me acaricia
até chegar o dia
num piscar nunca brusco
em que de cima do monte
você me veste
para outro mundo que não este
onde não temo a queda.
02/05/2019
Roça meu ombro,
nos meus dedos e enreda
e nos esconde...
Me acaricia
até chegar o dia
num piscar nunca brusco
em que de cima do monte
você me veste
para outro mundo que não este
onde não temo a queda.
02/05/2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
On Andrew and devotion
Since I am pumped for #WastelandBaby, here comes a thread of thoughts I've been having over Hozier and his writing style, so don't mind me.
I noticed from the beginning that his songs tend to deal with love and desire related to devotion, I love that. Even his "I am idealizing this person" kind of songs carry a lot of that. Makes sense with him thinking of love like "I love you so by extension I hate the rest".
Of love as a violent act against the world because the person you love is all that matters. I quite like how he uses female references and pronouns for the sake of rhyme scheme so also this SHE could be me, you, anyone, no one, everyone, no matter their gender.
The people he describes are always sublime, that's so gothic and so absolutely how every woman should be seen as (or lover, you get the gist). Something not divine but that you look at and just stand in awe of. He also sometimes connects love and devotion with salvation.
His persona views his lover as someone sometimes more worth of worship in all their humanity than god, especially when sex is seen as sinful and/or nothing but a power play.
I don't care if the stories themselves arent his because the words are and if he chooses to tell this kind of story and with such care for imagery construction and the use of vocabulary... that says a lot.
He has stated time and again that making love/making babies/loving somebody is one of the most important things a person can do so. Yeah. I guess that's why his material resonates so much with me.
27/02/2019
I noticed from the beginning that his songs tend to deal with love and desire related to devotion, I love that. Even his "I am idealizing this person" kind of songs carry a lot of that. Makes sense with him thinking of love like "I love you so by extension I hate the rest".
Of love as a violent act against the world because the person you love is all that matters. I quite like how he uses female references and pronouns for the sake of rhyme scheme so also this SHE could be me, you, anyone, no one, everyone, no matter their gender.
The people he describes are always sublime, that's so gothic and so absolutely how every woman should be seen as (or lover, you get the gist). Something not divine but that you look at and just stand in awe of. He also sometimes connects love and devotion with salvation.
His persona views his lover as someone sometimes more worth of worship in all their humanity than god, especially when sex is seen as sinful and/or nothing but a power play.
I don't care if the stories themselves arent his because the words are and if he chooses to tell this kind of story and with such care for imagery construction and the use of vocabulary... that says a lot.
He has stated time and again that making love/making babies/loving somebody is one of the most important things a person can do so. Yeah. I guess that's why his material resonates so much with me.
27/02/2019
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Poisonous
Let me confess
that I love it,
that I am a mess
and I crave it.
You and your freedom -
in drinking just a bit,
but a drop of it,
I'd embrace martyrdom.
30/04/2019
that I love it,
that I am a mess
and I crave it.
You and your freedom -
in drinking just a bit,
but a drop of it,
I'd embrace martyrdom.
30/04/2019
domingo, 5 de maio de 2019
Fadiga
Cansa, cara.
Cansa se ver envelhecendo em posição sentada
e ver que, mesmo por trás da bolha
que nunca foi minha escolha
o mundo parece tão previsível quanto uma escara,
parece que as pessoas não aprendem nada...
Cansa
ser o tempo todo a criaturinha mansa,
sem voz, sempre menina
e “nossa, que inteligente!”
repetindo para si mesma com o olhar para cima
que sim, é atraente,
poeta, mulher e leonina.
Cansa
que não percebam que algumas coisas não mudarão
e que até eu tive de aceitar;
que outras, não, eu não acho bonito ou engraçado
e não ousem rir amarelo, porque saberão;
nem toda pequenez é motivo de festança
e só cabe a mim me consertar,
eu sou o meu próprio fardo.
Como cansa
a infantilidade do tom e pergunta
de quem sempre vê criança,
mas juro que com o tempo a gente acostuma
porque a chance disso acontecer é tão maior que só uma,
às vezes várias destas vindo de forma conjunta
como os lugares que até espero que bem não receba
quem viva, coma, beije, beba,
menstrue ou não, conheça ou padeça dos espermas,
mas não anda com as tuas pernas.
Ninguém sabe como a alguns cansa
quando só querer viver vira teste
sempre para nós, mas mais para o mundo
a cada segundo
servindo de lembrete ou lembrança
ou dádiva celeste.
Cansa se ver envelhecendo em posição sentada
e ver que, mesmo por trás da bolha
que nunca foi minha escolha
o mundo parece tão previsível quanto uma escara,
parece que as pessoas não aprendem nada...
Cansa
ser o tempo todo a criaturinha mansa,
sem voz, sempre menina
e “nossa, que inteligente!”
repetindo para si mesma com o olhar para cima
que sim, é atraente,
poeta, mulher e leonina.
Cansa
que não percebam que algumas coisas não mudarão
e que até eu tive de aceitar;
que outras, não, eu não acho bonito ou engraçado
e não ousem rir amarelo, porque saberão;
nem toda pequenez é motivo de festança
e só cabe a mim me consertar,
eu sou o meu próprio fardo.
Como cansa
a infantilidade do tom e pergunta
de quem sempre vê criança,
mas juro que com o tempo a gente acostuma
porque a chance disso acontecer é tão maior que só uma,
às vezes várias destas vindo de forma conjunta
como os lugares que até espero que bem não receba
quem viva, coma, beije, beba,
menstrue ou não, conheça ou padeça dos espermas,
mas não anda com as tuas pernas.
Ninguém sabe como a alguns cansa
quando só querer viver vira teste
sempre para nós, mas mais para o mundo
a cada segundo
servindo de lembrete ou lembrança
ou dádiva celeste.
30/04/2019
sábado, 4 de maio de 2019
Cortes
Sua Majestade, herdeiro da maré,
sopro de maresia.
Imperador dos bosques
que te abriram os braços
como um dia eu o fiz
e dono dos beijos do sol
que te igualam em fogo amado
a quem te trouxe aqui
em faces e batidas melenas...
Empresta-me teu ouvido!
Tu, com teu amor aprendido e declarado
pela beleza no que há
de selvagemente honesto
nos sons alados que ouves
e que te foram dados antes da palavra
e à quietude suave onde a chance te perde,
a mesma que o destino parece
ter dado aos teus olhos...
Atenta-te de corpo e gesto ao meu lamento!
Tu, partido por tantos desejado
em suas distâncias,
que anseia pelo amor de todo inocente
chegado às tuas mãos suaves -
senhor de honra e humilde orgulho
que não teme frio, fundura ou chama
pelo que tu e o povo merecem,
o que ainda não foi dito
com leveza e força em par
em terra, água doce e no mar...
Guarda-me um lugar aos teus pés!
Tu, que veneras eco e coração
vindo e trazido de mulher,
nunca acima ou abaixo
mas em círculo concebido
que reconhece e completa
em abraço de aceitação
nos mais doces termos,
como tu, vestidos de lua...
Toma minha pequenez entre as palmas!
Tu, que sem palavras guias
aqueles que caminham a teu lado
sob a neblina da busca
pela efêmera imortalidade
e a justeza de plebeus e príncipes,
a memória dos sinceros e leais
e do preço que eles pagam...
Põe gentileza neste meu corpo, nestes meus lábios!
Mestre dos toques etéreos ao nada,
dos dentes cerrados e muitas vozes
em que mesmo as palavras alheias
parecem que sempre te pertenceram.
Mesmo as minhas, que são nossas
por estarem no mel da tua língua...
Recebe-me de volta ao teu regaço!
Contempla teu beijo na minha mão e no meu verso!
26/04/2019
sopro de maresia.
Imperador dos bosques
que te abriram os braços
como um dia eu o fiz
e dono dos beijos do sol
que te igualam em fogo amado
a quem te trouxe aqui
em faces e batidas melenas...
Empresta-me teu ouvido!
Tu, com teu amor aprendido e declarado
pela beleza no que há
de selvagemente honesto
nos sons alados que ouves
e que te foram dados antes da palavra
e à quietude suave onde a chance te perde,
a mesma que o destino parece
ter dado aos teus olhos...
Atenta-te de corpo e gesto ao meu lamento!
Tu, partido por tantos desejado
em suas distâncias,
que anseia pelo amor de todo inocente
chegado às tuas mãos suaves -
senhor de honra e humilde orgulho
que não teme frio, fundura ou chama
pelo que tu e o povo merecem,
o que ainda não foi dito
com leveza e força em par
em terra, água doce e no mar...
Guarda-me um lugar aos teus pés!
Tu, que veneras eco e coração
vindo e trazido de mulher,
nunca acima ou abaixo
mas em círculo concebido
que reconhece e completa
em abraço de aceitação
nos mais doces termos,
como tu, vestidos de lua...
Toma minha pequenez entre as palmas!
Tu, que sem palavras guias
aqueles que caminham a teu lado
sob a neblina da busca
pela efêmera imortalidade
e a justeza de plebeus e príncipes,
a memória dos sinceros e leais
e do preço que eles pagam...
Põe gentileza neste meu corpo, nestes meus lábios!
Mestre dos toques etéreos ao nada,
dos dentes cerrados e muitas vozes
em que mesmo as palavras alheias
parecem que sempre te pertenceram.
Mesmo as minhas, que são nossas
por estarem no mel da tua língua...
Recebe-me de volta ao teu regaço!
Contempla teu beijo na minha mão e no meu verso!
26/04/2019
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Ingenuidade
Tão estranho
conhecer o amor
e mesmo depois de tal banho
sentir que não se sabe amar, minha flor...
25/04/2019
conhecer o amor
e mesmo depois de tal banho
sentir que não se sabe amar, minha flor...
25/04/2019
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Tesouro
Eu não preciso de luxo,
só daquele homem por perto
se assim ele quiser -
com tudo de errado e certo
na menina e na mulher.
De vai e vem em cada repuxo,
já que aqui permanecemos
pelo que pode nos tocar -
ora os versos que lemos e gememos,
ora as nossas mãos e as do mar.
De olhos que com a chuva chovam
de promessas suaves de amor
sussurradas num canto -
não por algum vazio e ônus da dor
e sim, nas respostas, o que há de santo.
De paciências e vozes que sorriam
ao bonito que é grande sendo pequeno
dentro do doce e da lembrança -
que sabem aquilo que prepara o terreno
para cada nova bonança.
25/04/2019
só daquele homem por perto
se assim ele quiser -
com tudo de errado e certo
na menina e na mulher.
De vai e vem em cada repuxo,
já que aqui permanecemos
pelo que pode nos tocar -
ora os versos que lemos e gememos,
ora as nossas mãos e as do mar.
De olhos que com a chuva chovam
de promessas suaves de amor
sussurradas num canto -
não por algum vazio e ônus da dor
e sim, nas respostas, o que há de santo.
De paciências e vozes que sorriam
ao bonito que é grande sendo pequeno
dentro do doce e da lembrança -
que sabem aquilo que prepara o terreno
para cada nova bonança.
25/04/2019
quarta-feira, 1 de maio de 2019
(Con)tato
No escuro
eu não minto
e esta é sua graça.
Te procuro,
adoro
e acho
em cada poro,
cada cacho,
por instinto
que revele e desfaça.
23/04/2019
eu não minto
e esta é sua graça.
Te procuro,
adoro
e acho
em cada poro,
cada cacho,
por instinto
que revele e desfaça.
23/04/2019
terça-feira, 30 de abril de 2019
14/07/2017
(...)
Saber que isso foi algo
que partiu somente de mim
e que se fez tão grande e complexo
dentro de sua simples mediocridade
me aquece este coração gelado que
vez ou outra é derretido na quentura
das lágrimas.
(...)
- trecho do meu diário
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Moved by Andrew's Movement
I’ve been slowly building a post pointing out which aspects regarding love, passion and devotion I notice throughout Hozier’s album “Wasteland, Baby!”. But truth is, the song Movement alone has impacted me in such a way as listener and poet myself that it doesn’t stop growing on me with each listen to the point of making me cry sometimes. So in the end I think it deserves its own post, because I could go on and on talking solely about this track and my regular posts would get even longer than the normal. Anyway, bear with me. :)
Through a series of fantastic metaphors, I sense a persona in complete state of awe and admiration for its object of affection; in which that person is so small against the bigger picture of the universe, yet gigantic and sublime by itself. Therefore, whether in motion of any sort or absolutely still, they always manage to shake the narrator to the core. Something beyond explanation.
Like Jonah, tiny compared to the ocean and the whale’s belly, but grand in his gift as prophet and his ability to prevail in life through stillness, faith and patience. Like the smooth water from a pool, able to be a mirror through which the narrator sees itself; and when whatever touches it and it moves, the waves themselves are a thing of grace to be beheld and cherished simply for what they are.
Like a willow tree, someone who is by nature imponent, especially once it reaches its true, final form; that may be battered by the wildest winds during storms or sweetly sway under the softest breezes, but whose roots keep it firm and strong on the ground in the end because that’s how things are. No matter how much the lyrical persona may try to compare its lover’s gracefulness, strength and delicacy to that of some of the best dancers in the world, it knows it won’t do them enough justice.
Like Atlas, who must stand still a lot because of the weight he carries on his shoulders. Because even in his sleep he is still strong, he is powerful, he is a titan, he does what needs to be done. He goes on with is burden throughout eternity without ever losing his dignity. Someone who reminds the narrator of all it can be and all it thought it had lost; who remains unapologetic no matter how flawed.
A person who can be as dark, scary and potentially destructive as the clouds that bring the storms, but that are fascinating and gracious and which change everything once they arrive. Literally a force of nature. A creature that makes you question everything you thought you believed in; who makes you see things as you’ve never had before. One that, like the birds-of-paradise, has colors like no other being and, as a bird, can do things others never will be able to, or at least not in the same way.
All I know is that the more I listen to this song, the more baffled I feel with what Andrew did here and I can’t even begin to imagine how it must feel/sound to be acknowledged and admired in such a degree by someone you love and respect. Just the metaphors by themselves and the way they were written and delivered are something I had never come across. I wouldnt know what to say. And of course it is how I wish everyone to be seen, for the fascinating universe that they are!
And let’s not even talk about the harmonies and instrumentation; it’s a track that from day one takes my breath away every single time. It’s a perfect match for the huge comparisons it presents to describe this precious being in all their grandeur both under the persona’s eyes and just for what it is. A beloved that shall be able to make it seem like time was suspended under its pull and echo from the heart long after either of them is gone. You just know it. At least I do, and it’s just beautiful.
15/04/2019
- postagem original aqui
Through a series of fantastic metaphors, I sense a persona in complete state of awe and admiration for its object of affection; in which that person is so small against the bigger picture of the universe, yet gigantic and sublime by itself. Therefore, whether in motion of any sort or absolutely still, they always manage to shake the narrator to the core. Something beyond explanation.
Like Jonah, tiny compared to the ocean and the whale’s belly, but grand in his gift as prophet and his ability to prevail in life through stillness, faith and patience. Like the smooth water from a pool, able to be a mirror through which the narrator sees itself; and when whatever touches it and it moves, the waves themselves are a thing of grace to be beheld and cherished simply for what they are.
Like a willow tree, someone who is by nature imponent, especially once it reaches its true, final form; that may be battered by the wildest winds during storms or sweetly sway under the softest breezes, but whose roots keep it firm and strong on the ground in the end because that’s how things are. No matter how much the lyrical persona may try to compare its lover’s gracefulness, strength and delicacy to that of some of the best dancers in the world, it knows it won’t do them enough justice.
Like Atlas, who must stand still a lot because of the weight he carries on his shoulders. Because even in his sleep he is still strong, he is powerful, he is a titan, he does what needs to be done. He goes on with is burden throughout eternity without ever losing his dignity. Someone who reminds the narrator of all it can be and all it thought it had lost; who remains unapologetic no matter how flawed.
A person who can be as dark, scary and potentially destructive as the clouds that bring the storms, but that are fascinating and gracious and which change everything once they arrive. Literally a force of nature. A creature that makes you question everything you thought you believed in; who makes you see things as you’ve never had before. One that, like the birds-of-paradise, has colors like no other being and, as a bird, can do things others never will be able to, or at least not in the same way.
All I know is that the more I listen to this song, the more baffled I feel with what Andrew did here and I can’t even begin to imagine how it must feel/sound to be acknowledged and admired in such a degree by someone you love and respect. Just the metaphors by themselves and the way they were written and delivered are something I had never come across. I wouldnt know what to say. And of course it is how I wish everyone to be seen, for the fascinating universe that they are!
And let’s not even talk about the harmonies and instrumentation; it’s a track that from day one takes my breath away every single time. It’s a perfect match for the huge comparisons it presents to describe this precious being in all their grandeur both under the persona’s eyes and just for what it is. A beloved that shall be able to make it seem like time was suspended under its pull and echo from the heart long after either of them is gone. You just know it. At least I do, and it’s just beautiful.
15/04/2019
- postagem original aqui
domingo, 28 de abril de 2019
Aborto espontâneo
Certas coisas a gente mata
antes que nasça
por ser um tudo no fim sem nada,
para não ser só mais uma ilusão.
Pega pelos chifres e quebra a pata
por amor à pessoa amada
porque aqui não compensa a sensação
e, se a gente deixa, simplesmente passa.
Não tem de se tornar tempestade
que toma conta e não se evita
embora um dia termine,
não sem deixar algum estrago.
Arranca-se na raiz da verdade
sem pena, jogada a esmo no lago
que seria em si plena, mas desdita
ao vácuo de que se destine.
21/04/2019
antes que nasça
por ser um tudo no fim sem nada,
para não ser só mais uma ilusão.
Pega pelos chifres e quebra a pata
por amor à pessoa amada
porque aqui não compensa a sensação
e, se a gente deixa, simplesmente passa.
Não tem de se tornar tempestade
que toma conta e não se evita
embora um dia termine,
não sem deixar algum estrago.
Arranca-se na raiz da verdade
sem pena, jogada a esmo no lago
que seria em si plena, mas desdita
ao vácuo de que se destine.
21/04/2019
sábado, 27 de abril de 2019
Film clichés
Why is it always the slow death
at the arms of a lover
with a smothered last breath
and not the other?
Why the one from which you burn
with a kiss of goodbye
but can never return
after another try?
Why the one with the longest wait,
the cause of the deepest despair,
and not the most welcomed weight
which at once blows and shortens the air?
16/04/2019
at the arms of a lover
with a smothered last breath
and not the other?
Why the one from which you burn
with a kiss of goodbye
but can never return
after another try?
Why the one with the longest wait,
the cause of the deepest despair,
and not the most welcomed weight
which at once blows and shortens the air?
16/04/2019
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Suspiro
As palavras doem.
Pois quem as ouviria
se fez de ninguém.
Pois, à minha revelia,
em si mesmas, doem.
Ao vazio eu canto
o que é quase pranto
mas em que ainda insisto
pelo eco frio
em cujo pio
se perca
e quem sabe se entenda,
seja bem quisto.
13/04/2019
Pois quem as ouviria
se fez de ninguém.
Pois, à minha revelia,
em si mesmas, doem.
Ao vazio eu canto
o que é quase pranto
mas em que ainda insisto
pelo eco frio
em cujo pio
se perca
e quem sabe se entenda,
seja bem quisto.
13/04/2019
quinta-feira, 25 de abril de 2019
O amor que ouves
Diga-me o que queres,
como amas as tuas mulheres...
Educa meus ouvidos
ao tempo de outros gemidos.
Ao tempo lânguido de como desejo ser amada
no escuro da noite ou antes de sua chegada.
13/04/2019
como amas as tuas mulheres...
Educa meus ouvidos
ao tempo de outros gemidos.
Ao tempo lânguido de como desejo ser amada
no escuro da noite ou antes de sua chegada.
13/04/2019
quarta-feira, 24 de abril de 2019
Humility
Like most poets, I'm just a fool.
Despite my name, I don't claim any rule
over sounds that are not mine,
I just love this noise
and how it seems to grant me poise.
Yet today I take the gold
you dug from your mouth's shrine
with pleasure
to adorn not the skin, but my chamber's treasure,
the one you had foretold.
13/04/2019
Despite my name, I don't claim any rule
over sounds that are not mine,
I just love this noise
and how it seems to grant me poise.
Yet today I take the gold
you dug from your mouth's shrine
with pleasure
to adorn not the skin, but my chamber's treasure,
the one you had foretold.
13/04/2019
terça-feira, 23 de abril de 2019
Breve retorno
Antes que se deite,
saiba que também és deleite.
Talvez tão mais doce
que a posse
de um pedaço
do lar
que aqui fora
não se pode achar
tão fácil
quanto por isso
caberes no meu abraço...
11/04/2019
saiba que também és deleite.
Talvez tão mais doce
que a posse
de um pedaço
do lar
que aqui fora
não se pode achar
tão fácil
quanto por isso
caberes no meu abraço...
11/04/2019
segunda-feira, 22 de abril de 2019
02/04/2019
Não é porque não o expresso em palavras que ele não existe. Não é porque acabou e portanto não durou para sempre que não tenha sido real. Não é porque alguns falam dele com tanta facilidade que eu tenha mentido quando disse as palavras. Não é porque elas me saem mais confortavelmente em tinta e sons que não são meus que elas possuem menos significado, ou que tenham sido ditas em vão.
domingo, 21 de abril de 2019
Gênesis
Feita na quietude,
no silêncio
da solidão,
em casa,
com a mão
esperando a hora certa
em que desperta
e bate asa,
canta,
não é mais nossa,
mas o que o mundo quiser e possa.
11/04/2019
no silêncio
da solidão,
em casa,
com a mão
esperando a hora certa
em que desperta
e bate asa,
canta,
não é mais nossa,
mas o que o mundo quiser e possa.
11/04/2019
sábado, 20 de abril de 2019
Jeito de amar
Todos os que amei
e não me amaram
me ensinaram
sobre o amor.
Principalmente a dar valor
a segredo guardado,
a quem podia ter sido amado
e tarde demais reparei.
A quem se faz presente
amando até o que não sabe
até o momento em que se abre
do jeito que vier, meu bem.
09/04/2019
e não me amaram
me ensinaram
sobre o amor.
Principalmente a dar valor
a segredo guardado,
a quem podia ter sido amado
e tarde demais reparei.
A quem se faz presente
amando até o que não sabe
até o momento em que se abre
do jeito que vier, meu bem.
09/04/2019
sexta-feira, 19 de abril de 2019
09/04/2019
Sabe por que que parece que o amor e a amizade verdadeiros acabaram? Porque as pessoas estão escancaradamente narcisistas e cheias de dedos. E as companhias certas, que nos fazem crescer, estão perdidas nesse mar. Por isso a solidão às vezes tão grande.
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Método
Tudo o que dizes
com o coração
é maior que todos os deslizes
por ser ponte
que te traz à frente
e nos aproxima
na repetição
como de uma oração,
te elevando muito mais acima...
09/04/2019
com o coração
é maior que todos os deslizes
por ser ponte
que te traz à frente
e nos aproxima
na repetição
como de uma oração,
te elevando muito mais acima...
09/04/2019
quarta-feira, 17 de abril de 2019
08/04/2019
Eu aprendi que produzir arte
e espalhá-la
é uma grande aposta
de "diga-me como seus olhos
olham através do meu espelho"
e esta é a parte divertida.
terça-feira, 16 de abril de 2019
Vácuo milenar
Tive certeza
do vazio e descrença
da minha geração
quando a ouvi no quarto em escuridão
na voz de uma amiga de infância
que se pergunta o que hoje nos sobra
na discrepância
de lutar pelo que a vida cobra
e ao mesmo tempo sentir o vazio.
O vazio de dedos apontados
por causa de caminhos que não eram os esperados
mas não cabe a ninguém julgar
pois cada um tem o seu.
Na minha medida,
o sentimento também é meu,
mas eu nos olho e tenho orgulho.
Somos flor que cresce e cresceu em pedregulho,
no caos e na sua beleza.
Eu tenho toda a certeza
de que o amor e a verdade
estão mais perto do que a gente pensa;
não são causa assim tão perdida.
Quem foi embora virou memória,
mas, querida, estamos aqui agora!
09/04/2019
do vazio e descrença
da minha geração
quando a ouvi no quarto em escuridão
na voz de uma amiga de infância
que se pergunta o que hoje nos sobra
na discrepância
de lutar pelo que a vida cobra
e ao mesmo tempo sentir o vazio.
O vazio de dedos apontados
por causa de caminhos que não eram os esperados
mas não cabe a ninguém julgar
pois cada um tem o seu.
Na minha medida,
o sentimento também é meu,
mas eu nos olho e tenho orgulho.
Somos flor que cresce e cresceu em pedregulho,
no caos e na sua beleza.
Eu tenho toda a certeza
de que o amor e a verdade
estão mais perto do que a gente pensa;
não são causa assim tão perdida.
Quem foi embora virou memória,
mas, querida, estamos aqui agora!
09/04/2019
segunda-feira, 15 de abril de 2019
08/04/2019
Saudade aparece do nada, até quando a gente acha que já superou, que talvez já não esteja mais doendo tanto. Sempre dói justamente pela memória, por causa do "ah, queria que tu estivesse aqui" pra chorar ou pra rir da piada ou da lembrança comigo. Ainda mais quando a pessoa que se foi realmente poderia ter ficado mais um pouco.
domingo, 14 de abril de 2019
07/04/2019
(...)
Já que ainda estou na fronteira,
minha missão por enquanto
é provavelmente falar sobre
o que é andar com um pé
de cada lado, entre o idioma
que sempre foi meu e a
beleza de outro que compreendo,
mas que ainda não absorvi.
- trecho do meu diário
sábado, 13 de abril de 2019
Movimento circular
Mulher,
eu aceito teu desafio
a sangue frio.
Vem com teu poder
de dar coração
a uma canção.
E eu tentarei prever
o início e o final
do abstrato desigual.
07/04/2019
eu aceito teu desafio
a sangue frio.
Vem com teu poder
de dar coração
a uma canção.
E eu tentarei prever
o início e o final
do abstrato desigual.
07/04/2019
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Chamamento
Eu amo como o amor perdura
na tua boca, na tua tinta,
nessa língua sucinta
cheia de ternura...
Como ele sussurra
e meus olhos se fecham
e sobre mim ele desliza,
me circunda...
Mel, criança pequena
que vem e eu sempre volto
apesar do coração solto,
sem nunca fazer cena...
07/04/2019
na tua boca, na tua tinta,
nessa língua sucinta
cheia de ternura...
Como ele sussurra
e meus olhos se fecham
e sobre mim ele desliza,
me circunda...
Mel, criança pequena
que vem e eu sempre volto
apesar do coração solto,
sem nunca fazer cena...
07/04/2019
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Dedication
I just wish, who am I to demand?
But the rest of it is on your hand.
This bleedy heart, still beating.
Yes, love, I'll take it.
A chalice of tears, leaking.
Yes, honey, I'll drink it.
The holy bread
and the sacred wine
that remain in your stead
once we are fed
and recline.
This is what you give
in order to die
for every lie
but still live.
With a smile, I cry.
That is why.
It is for the sacrifice
that we roll the dice
and bet for the sky.
07/04/2019
But the rest of it is on your hand.
This bleedy heart, still beating.
Yes, love, I'll take it.
A chalice of tears, leaking.
Yes, honey, I'll drink it.
The holy bread
and the sacred wine
that remain in your stead
once we are fed
and recline.
This is what you give
in order to die
for every lie
but still live.
With a smile, I cry.
That is why.
It is for the sacrifice
that we roll the dice
and bet for the sky.
07/04/2019
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Yet another Armageddon
The flames lick us a fate.
Forcing us into a new birth
of ashes under cold, dark water
with all the things that still matter
in this wretched Earth.
Is it already too late?
While wait and fear
may make most drown,
we shall not let those before us down.
I the watcher, you the seer.
No one should abdicate.
Once all this becomes dust
and behind us approaches despair,
a chant, a song, a noise, a prayer
is gonna let us survive, for we must.
Is anyone left to cross the gate?
Layer upon layer, here we are again,
nothing inside our hearts but the notion
of the power in the smallest revolution
at the hands of the right woman and man.
06/04/2019
Forcing us into a new birth
of ashes under cold, dark water
with all the things that still matter
in this wretched Earth.
Is it already too late?
While wait and fear
may make most drown,
we shall not let those before us down.
I the watcher, you the seer.
No one should abdicate.
Once all this becomes dust
and behind us approaches despair,
a chant, a song, a noise, a prayer
is gonna let us survive, for we must.
Is anyone left to cross the gate?
Layer upon layer, here we are again,
nothing inside our hearts but the notion
of the power in the smallest revolution
at the hands of the right woman and man.
06/04/2019
terça-feira, 9 de abril de 2019
Ruído branco
No canto das aves
amenas
em coro
não sei se escuto
teu choro
tentando ser mudo
ou se o confundo
com as tristezas graves
que ficam debaixo das penas.
06/04/2019
amenas
em coro
não sei se escuto
teu choro
tentando ser mudo
ou se o confundo
com as tristezas graves
que ficam debaixo das penas.
06/04/2019
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Inundação
Me banhar,
afundar,
afogar,
apaziguar
até enrugar
nas tuas águas
um tanto frias aos lábios
feitas de tréguas
que não têm horário...
06/04/2019
afundar,
afogar,
apaziguar
até enrugar
nas tuas águas
um tanto frias aos lábios
feitas de tréguas
que não têm horário...
06/04/2019
domingo, 7 de abril de 2019
Dos lábios
Não os cubra,
muito menos nesta penumbra.
Em todo o seu áspero e pálido
doce gosto
e falta de hábito.
Seu calor tão claro
contra todo o resto suposto
que possa ter sido raro.
04/04/2019
muito menos nesta penumbra.
Em todo o seu áspero e pálido
doce gosto
e falta de hábito.
Seu calor tão claro
contra todo o resto suposto
que possa ter sido raro.
04/04/2019
sábado, 6 de abril de 2019
Canções
Teu nome repetido
em qualquer boca
não passa de gemido
até a hora em que me toca
e se torna dom
que o vento carrega em luz
desde o altar onde eu o pus
cheio de sangue e som.
04/04/2019
em qualquer boca
não passa de gemido
até a hora em que me toca
e se torna dom
que o vento carrega em luz
desde o altar onde eu o pus
cheio de sangue e som.
04/04/2019
sexta-feira, 5 de abril de 2019
Imperturbável
Como outras tantas,
quem me dera
a quimera
de ser o ser que tu cantas.
Que aos teus olhos eu seja tão vaga
mas tão forte
quanto a chama que não se apaga
nem mesmo à onda de maior porte.
E se não puder sê-la,
um dia encontrá-la em mim
ou talvez conhecê-la no fim de uma ruela
que não parece ter fim.
Para que minha alma devota
aprenda uma nova oração
deixada na ponteira de uma bota
para o fim do sermão.
04/04/2019
quem me dera
a quimera
de ser o ser que tu cantas.
Que aos teus olhos eu seja tão vaga
mas tão forte
quanto a chama que não se apaga
nem mesmo à onda de maior porte.
E se não puder sê-la,
um dia encontrá-la em mim
ou talvez conhecê-la no fim de uma ruela
que não parece ter fim.
Para que minha alma devota
aprenda uma nova oração
deixada na ponteira de uma bota
para o fim do sermão.
04/04/2019
quinta-feira, 4 de abril de 2019
Pausa
Talvez a vida
tenha que ser vivida
como quem tenta surfar
a nova onda do filme francês.
Dotado de tempo e ciência
das demoras e com paciência
ler as falas de um olhar,
cada um à sua vez.
Em que todo caminho
é feito de mão dada, devagarzinho -
poemas somem e só há o amar
com tudo o que por ele se fez.
04/04/2019
tenha que ser vivida
como quem tenta surfar
a nova onda do filme francês.
Dotado de tempo e ciência
das demoras e com paciência
ler as falas de um olhar,
cada um à sua vez.
Em que todo caminho
é feito de mão dada, devagarzinho -
poemas somem e só há o amar
com tudo o que por ele se fez.
04/04/2019
quarta-feira, 3 de abril de 2019
Imperfeito
Perdoa
a minha tolice de não te amar
pelas razões certas...
Que fazem com que tudo se mova
mais gracioso que o ar
aos olhos mais alertas...
E se vier a chuva,
ensina-me a escutar -
deixemos as portas abertas...
03/04/2019
a minha tolice de não te amar
pelas razões certas...
Que fazem com que tudo se mova
mais gracioso que o ar
aos olhos mais alertas...
E se vier a chuva,
ensina-me a escutar -
deixemos as portas abertas...
03/04/2019
terça-feira, 2 de abril de 2019
01/04/2019
Mesmo com toda a prática
do mundo,
uma pessoa só consegue
ver se está melhorando
ao colocar isso
à prova.
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A vida é feita de muitos medos e de várias coragens também
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