- Mãe, eu sempre te vejo com esses sete livros de Harry Potter. Você gosta deles, não é? - perguntou um filho curioso.
- Gosto muito, meu filho. É uma história muito bonita, que poucas pessoas entendem de verdade. - respondeu a mãe com um grande sorriso.
- Pois é, muitas vezes já te vi lendo esses livros em voz alta quando você está triste.
- Sim. Porque o que há dentro destes livros, é um mundo muito bonito, que me faz esquecer minhas tristezas e as maldades desse mundo real. Quem dera se ele existisse de verdade. Mas pelo menos está no meu coração há muito tempo. Foi através deles que eu conheci a verdadeira magia.
- Nossa, que legal! Há quanto tempo você tem esses livros? - o menino senta-se no colo da mãe e corre os olhos pelas capas coloridas.
- Bastante tempo. Eu era uma criança como você, tinha 6 anos. - a mãe abraça o filho, e seus olhos brilham ao encontrar os livros; ela os folheia aleatoriamente. Eles estavam impecáveis, apesar do tempo.
- Faz bastante tempo, então. Você aprendeu alguma coisa? Você sempre me ensina que devo ser bom, guardar coisas bonitas no coração…
- Sim! Aprendi um monte de coisas, que tento te ensinar todos os dias, entre elas isso que você disse. Mas muitas outras coisas também, que percebi com o passar dos anos. - os olhos da mãe se enchem de lágrimas, mas elas não eram de tristeza, e sim de emoção e saudade.
- O que mais, mãezinha? Não chore… Não gosto de te ver assim.
- Não estou triste, estou emocionada de poder falar de tudo isso com você; significa muito pra mim. Mas por que você mesmo não descobre o resto? Posso te emprestar os livros.
- Sério? Que bom! Lê comigo, então? - o menino pegou o primeiro livro, muito ansioso.
- Com certeza. Vamos fazer isso juntos. Vou poder rever grandes amigos, e você vai conhecer pessoas muito especiais, que sempre fizeram parte da minha vida. Vou ter o prazer de te apresentar os verdadeiros valores da vida, a verdadeira magia, na minha segunda casa.
26 de junho de 2011
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
A verdadeira magia
A verdadeira magia nos faz sermos capazes de ir a qualquer lugar e fazer qualquer coisa. Nos ajuda a ver o mundo de outra maneira. Um jeito bonito, onde podemos ser o que quisermos, e tornarmos nossos sonhos realidade, por mais que o mundo real queira nos privar disso. Um mundo onde a bondade e o amor superam a opressão. Onde a criatividade e habilidade podem ser usados para o bem.
Onde a coragem coloca o coração acima do empecilho; onde a inteligência é um dom raro que merece ser dividido com toda a humanidade. Onde livros têm valor, realmente ensinam o que mais importa na vida, que são mais que conhecimentos, e sim lições de vida também. Eu conheci livros assim, eu conheci um mundo assim. Isso só foi possível porque uma mulher o imaginou, escreveu e realizou. Eu o vi, eu estive lá.
A imaginação pode construir um mundo novo, e o homem pode realizá-lo. É o que eu sonho pra mim e pros meus filhos, é o que vou ensiná-los, é o que aprendi. Essa mulher me ensinou, mesmo sem querer, que não tenho que ter vergonha de sonhar, porque eu posso realizar tudo isso. A verdadeira magia é a imaginação.
28 de julho de 2011
Onde a coragem coloca o coração acima do empecilho; onde a inteligência é um dom raro que merece ser dividido com toda a humanidade. Onde livros têm valor, realmente ensinam o que mais importa na vida, que são mais que conhecimentos, e sim lições de vida também. Eu conheci livros assim, eu conheci um mundo assim. Isso só foi possível porque uma mulher o imaginou, escreveu e realizou. Eu o vi, eu estive lá.
A imaginação pode construir um mundo novo, e o homem pode realizá-lo. É o que eu sonho pra mim e pros meus filhos, é o que vou ensiná-los, é o que aprendi. Essa mulher me ensinou, mesmo sem querer, que não tenho que ter vergonha de sonhar, porque eu posso realizar tudo isso. A verdadeira magia é a imaginação.
28 de julho de 2011
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Solidão
Às vezes é bom ficar sozinho. É claro que tem gente que simplesmente não pode ficar sozinho por um motivo ou outro, muitas vezes doenças ou medo, mas não há como negar que ficar só tem seu lado bom. Mas o pior disso tudo é quando a pessoa sabe que não está sozinha, mas se sente assim; mas vamos voltar ao lado bom disso.
Quando se está só, nem que seja na sala, mesmo sabendo-se que tem outra pessoa que está dentro de casa, temos oportunidade de desfrutar de momentos de liberdade que são muito valiosos para algumas pessoas, mesmo que seja por curtos momentos. São momentos em que encontramos a tão desejada paz para fazermos aquilo que temos vontade ou necessidade.
Pode ser ler um bom livro, trabalhar, ficar em silêncio, fazer deveres de casa, escrever, usar a internet ou qualquer outra coisa: muitas vezes para executar esse tipo de função com maestria necessitamos de silêncio e quietude, e a solidão nos traz isso; é também nessas horas que podemos pensar em nossas vidas e avaliar se as escolhas e/ou planos que temos feito são viáveis ou não.
É POR ISSO QUE FICO TÃO FELIZ QUANDO DESCUBRO QUE VOU FICAR ALGUM TEMPO SOZINHA AQUI NA MINHA CASA (NA SALA), MESMO QUE SÓ SEJA ASSIM PORQUE MINHA MÃE QUER!
O problema desse tipo de situação é quando por um motivo ou outro nos sentimos sozinhos, mesmo sabendo que existem muitas pessoas ao nosso redor. Palavras não nos convencem, atos não nos consolam, e somente alguém ou alguma coisa em específico pode nos tirar dessa “fossa”.
Se está passando por algo assim, nunca se esqueça de que a pessoa ou coisa que pode te salvar pode estar do seu lado, algo pelo qual você esperou a vida toda… e que a solidão também tem seu lado bom se bem aproveitada!
30 de maio de 2010
Quando se está só, nem que seja na sala, mesmo sabendo-se que tem outra pessoa que está dentro de casa, temos oportunidade de desfrutar de momentos de liberdade que são muito valiosos para algumas pessoas, mesmo que seja por curtos momentos. São momentos em que encontramos a tão desejada paz para fazermos aquilo que temos vontade ou necessidade.
Pode ser ler um bom livro, trabalhar, ficar em silêncio, fazer deveres de casa, escrever, usar a internet ou qualquer outra coisa: muitas vezes para executar esse tipo de função com maestria necessitamos de silêncio e quietude, e a solidão nos traz isso; é também nessas horas que podemos pensar em nossas vidas e avaliar se as escolhas e/ou planos que temos feito são viáveis ou não.
É POR ISSO QUE FICO TÃO FELIZ QUANDO DESCUBRO QUE VOU FICAR ALGUM TEMPO SOZINHA AQUI NA MINHA CASA (NA SALA), MESMO QUE SÓ SEJA ASSIM PORQUE MINHA MÃE QUER!
O problema desse tipo de situação é quando por um motivo ou outro nos sentimos sozinhos, mesmo sabendo que existem muitas pessoas ao nosso redor. Palavras não nos convencem, atos não nos consolam, e somente alguém ou alguma coisa em específico pode nos tirar dessa “fossa”.
Se está passando por algo assim, nunca se esqueça de que a pessoa ou coisa que pode te salvar pode estar do seu lado, algo pelo qual você esperou a vida toda… e que a solidão também tem seu lado bom se bem aproveitada!
30 de maio de 2010
sábado, 17 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Sonho e coragem
Sarah estava com medo de que a pegassem fugindo de casa escondido, a despeito do sono e fome que sentia. Ela queria e precisava fugir de lá de alguma forma e por isso aproveitou a casa vazia e a meia-noite para fazê-lo. Enquanto arrumava suas coisas e o dinheiro que guardava em uma caixa, escreveu um bilhete de despedida, na esperança de que fosse lido.
Pai e mãe
Perdão pelo que vou fazer agora; não gostaria que tudo terminasse assim. Mas está na hora de eu escolher meu próprio caminho, e sozinha. Já faz muito tempo que eu planejava, mas agora vocês podem ver que eu cumpri a velha promessa que fiz quando tinha 15 anos. Estou indo embora daqui, por enquanto sem previsão de volta.
Vou usar o dinheiro que tenho aqui e o da minha poupança pra viajar pra longe; pra Londres, como é o meu sonho. Não se preocupem comigo, eu estou bem, isso vai me fazer bem. Eu posso perfeitamente trabalhar e ter meu sustento, pra unir o útil ao agradável.
Não fiquem chateados comigo; eu só preciso de um pouco de paz e um tempo pra mim. Espero que me entendam e não me procurem. Sei que tudo está acontecendo rápido demais, mas acreditem, é melhor assim. Aqui não é meu lar. Vou ficar na casa daquela minha amiga e viajar com ela.
Mostrem essa carta pras minhas amigas, e, por favor, cuidem bem do Zeus pra mim. Depois eu mando buscar ele, e desculpem por qualquer coisa. Enquanto eu não volto, não mexam em nada do que é meu aqui.
Sarah
Foi dolorido e estranho escrever aquela carta, porém necessário. Sarah não queria que seus pais fossem atrás dela; isso poderia provocar mais brigas que não dariam em nada, e eles não a deixariam fazer isso assim, de repente. Mas nem foi tão de repente assim, pois há algum tempo ela sonhava em fazer esta viagem com uma colega de curso.
Sarah olhou uma última vez para seu quarto e suas coisas, e rumou para a porta de entrada daquela casa que ela sabia, do fundo da alma, não ser sua casa de verdade. A verdadeira casa de Sarah sempre foi o mundo, pelo menos ela pensava assim. Pelo menos agora isso poderia se concretizar.
Ela fechou a porta atrás de si e caminhou com certa pressa à frente, sem olhar pra trás. Porque é preciso muita coragem para pensar mais em si mesma e no presente, sem ficar chafurdando no passado. Cruzando no jardim antes de chegar ao portão, pegou uma rosa, sua flor favorita. Quando murchasse, guardaria dentro de um de seus livros.
- Disso eu não abro mão. – ela disse. – Ai! – ela se espetou num espinho.
Sarah ficou pensando no que aquilo significava, e um pouco de medo tomou conta de sua mente confusa.
- Tenho que ter coragem, é isso. Sei que vou encontrar meu lugar no mundo e saber quem eu sou.
Ela começou a andar devagar na calçada depois de definitivamente abandonar sua casa, sempre evitando as partes mais escuras e os becos, por serem mais perigosos de madrugada. Parou num ponto de ônibus que a levasse pra perto da casa de sua colega, pra assim conversarem sobre o que aconteceria depois.
Muitas pessoas passavam na rua, e Sarah estava curiosa sobre onde elas estariam indo. Talvez para seus lares, depois de muitas horas de trabalho. Coisa que, na verdade, ela nunca teve. 1 hora da manhã, e nada de um ônibus. Sacou seu diário, sua caneta e um tinteiro, pra tentar se distrair escrevendo bobagens. Como se isso fosse atrair um ônibus.
Eram duas e meia da manhã, e ela acabou adormecendo enquanto esperava. Uma senhora muito amável a cutucou, com expressão preocupada.
- Moça, está tudo bem? Precisa de alguma coisa?
- Ah sim, tudo bem, obrigada. – respondeu Sarah, bocejando e limpando os óculos. – Acho que adormeci, porque faz muito tempo que estou esperando um ônibus. Não se preocupe.
- Certo. Posso sentar aqui e esperar também? Acabei de voltar de viagem. – perguntou a mulher.
- Claro, o banco é público. – disse Sarah sem muita emoção.
Durante mais ou menos meia hora elas conversaram sobre coisas banais e nem viram o tempo passar. A mulher foi embora sozinha, depois de avistar um carro preto do outro lado da rua. Despediram-se e Sarah seguiu ali esperando e pensando numa coisa que a mulher lhe dissera:
- Sarah, nunca deixe de buscar por aquilo que você quer, porque nada nesse mundo vai te impedir. Você tem o direito de descobrir qual é seu lugar e quem você é, não importa onde seja.
Era justamente isso que ela estava precisando, e sentiu que se lembraria disso pra sempre. Ficou espantada com o fato de uma desconhecida acabar lhe entendendo melhor do que ela mesma, sem que tivesse contado nada sobre sua vida. Talvez a mulher tenha visto a tristeza em seus olhos. Sarah desejava encontrar mais pessoas assim em seu caminho.
Três horas da manhã e nada do maldito ônibus aparecer. Ela estava com fome e frio, apesar de ser uma noite de verão. Talvez porque sua pressão tenha baixado muito… Sarah pegou seu celular para mandar uma mensagem para sua colega e, quando o abriu, haviam várias chamadas não atendidas do número de sua mãe.
- Coitada – ela suspirou -, mas ela precisa entender que por enquanto não vou voltar, e que o mundo é minha casa agora. Vou ignorar as próximas ligações também.
Ela buscou o número da moça e pensou em mandar mensagem, mas percebeu que com certeza ela só seria vista de manhã e por isso resolveu ligar apesar de ser madrugada.
- Vamos Luana, atende! – ela falou em direção ao bocal.
- HMM… Quem é? – perguntou uma voz sonolenta do outro lado.
- Luana, é a Sarah. Desculpa ligar a essa hora, mas eu decidi sair de casa pra viajar contigo e não tenho pra onde ir. Providenciei meu visto britânico semana passada mesmo. Tem como eu ficar na tua casa por enquanto e a gente resolver isso?
- Bom você me pegou de surpresa aqui, mas eu não vou te deixar aí sozinha. Vou falar com a minha irmã e te ligo de volta… Enquanto isso, tenta dar um jeito de vir aqui.
- Que bom! Obrigada mesmo. Olha, não passa nenhum ônibus por aqui, acho que vou ter que chamar um táxi… – disse Sarah com sarcasmo.
- É melhor. – houve uma pausa – Bom, vou falar com ela, boa sorte.
- Thank you for everything, sweetie. – agradeceu ela em inglês.
- You are very welcome! – respondeu Luana entre risos.
Sarah tinha um sorriso no rosto, apesar do cansaço. Não teria forças pra segurar o telefone no ouvido de novo, por isso discou o número da empresa de táxi e ligou no alto-falante.
- Alô? Eu preciso de um táxi no centro, no primeiro ponto de ônibus na frente da farmácia de esquina…
- OK. Em breve um veículo estará aí. – respondeu uma voz feminina, que desligou.
De repente, ela se deu conta de que não precisava ter esperado todo aquele tempo por um ônibus, podendo ter pedido um táxi assim que saiu de casa. Mas que naquilo também teve uma vantagem: ela pôde pensar um pouco mais em sua vida, e conheceu aquela desconhecida e bondosa senhora que lhe dissera todas aquelas coisas tocantes.
Afinal, nada nesse mundo acontece por acaso.
Depois de alguns minutos, o esperado táxi chegou. Sarah saltou do banco e entrou.
- Na frente do hospital militar, por favor. – indicou ela ao motorista.
Ela olhava distraidamente pela janela, e quando avistou os homens de farda na frente de um enorme portão, seu coração disparou, por saber que chegara ao seu destino. Exatamente no mesmo segundo, seu telefone tocou.
- Alô, Sarah? Tem um táxi aqui na frente, é você?
- Sim, acabei de chegar. O que foi que tua irmã falou?
- Eu contei teu caso e ela deixou. Pode dormir aqui o tempo que precisar. – ela riu. – Até me espantei com a boa vontade.
- Ah, por Atena, que lindo! Muito obrigada mesmo. Vou pagar o coitado do motorista e subir aí. – respondeu Sarah.
- OK. É o terceiro andar.
Pago o motorista, Sarah saiu do carro com suas coisas e correu até o prédio buscando o apartamento. Como não queria interfonar e acordar o resto dos moradores dali, mandou um toque rápido ao telefone da outra. Alguns segundos depois, a porta se abriu e elas falavam aos sussurros.
- Luana, ah, que bom te ver. – ela abraçou a colega.
- Que doideira, vem comigo e me conta essa história direito… – Luana puxou Sarah pela mão e ela assentiu enquanto era levada a um quarto cheio de pôsteres da banda Paramore, cuja porta foi trancada.
Sarah bufou e atirou-se na cama de Luana. Uma lágrima caiu de seu olho e ele contou tudo o que aconteceu, sem meias-palavras.
- Uau Sirka! Muita coragem da tua parte sair assim de casa.
- Pois é. Consegui praticar minha palavra favorita. Eu tenho dinheiro pra viajar e quero fazê-lo o mais rápido possível. Nosso pacto ainda tá de pé?
- Claro! Falei com meus pais e esse meu amigo que mora em Londres, tá tudo certo. Também tenho dinheiro, eles me ajudaram nisso, e com o visto. Daqui a mais ou menos um mês nós podemos ir sem pepino. – disse Luana com um grande sorriso.
- Pelos deuses, que bom! – Sarah pulou da cama e reprimiu um grito maior.
- Mas seus pais sabem onde você tá, o que você quer?
- Como já disse, deixei um bilhete pra eles explicando tudo, e nem quero que me procurem. Preciso me virar sozinha agora, ir pra bem longe daqui, e realizar o nosso sonho contigo. – ela pegou a mão de Luana e elas sorriram juntas.
- É isso mesmo… Imagina nós duas, no meio daquele tanto de gente, naquelas ruas maravilhosas, tirando fotos no Big Ben e indo na plataforma 9 e ¾… Ai, caramba.
E a cada dia, Sarah e Luana aguardavam a chance de irem juntas pra Inglaterra, até que ele chegou.
Elas fizeram tudo o que queriam, juntas como prometeram uma para a outra. Até que inesperadamente encontraram as pessoas às quais deveram sua infância, lhes agradecendo por tudo. Isso foi o que deixou as amigas mais felizes, uma lembrança guardada pra sempre com fotos.
- Conseguimos, né Sirka? – perguntou Luana enquanto bebia café num pub londrino.
- Sim, com certeza. E de uma coisa eu sei: precisei desse lugar diferente e cheio de neblina pra lavar minha alma. Precisei fugir e realizar meu sonho pra me entender de verdade. E agora eu sei quem eu sou; e meu lugar é aqui, com você, na nossa Londres, perto do nosso trio. – respondeu Sarah com lágrimas nos olhos.
- Bom, se isso te faz feliz, eu também fico feliz. Porque, como você já me disse um monte de vezes, nós sempre podemos tornar nossos sonhos realidade com coragem.
E assim, as amigas seguiram bebendo café, e acima de tudo, com um sorriso verdadeiro no rosto.
agosto de 2011
Pai e mãe
Perdão pelo que vou fazer agora; não gostaria que tudo terminasse assim. Mas está na hora de eu escolher meu próprio caminho, e sozinha. Já faz muito tempo que eu planejava, mas agora vocês podem ver que eu cumpri a velha promessa que fiz quando tinha 15 anos. Estou indo embora daqui, por enquanto sem previsão de volta.
Vou usar o dinheiro que tenho aqui e o da minha poupança pra viajar pra longe; pra Londres, como é o meu sonho. Não se preocupem comigo, eu estou bem, isso vai me fazer bem. Eu posso perfeitamente trabalhar e ter meu sustento, pra unir o útil ao agradável.
Não fiquem chateados comigo; eu só preciso de um pouco de paz e um tempo pra mim. Espero que me entendam e não me procurem. Sei que tudo está acontecendo rápido demais, mas acreditem, é melhor assim. Aqui não é meu lar. Vou ficar na casa daquela minha amiga e viajar com ela.
Mostrem essa carta pras minhas amigas, e, por favor, cuidem bem do Zeus pra mim. Depois eu mando buscar ele, e desculpem por qualquer coisa. Enquanto eu não volto, não mexam em nada do que é meu aqui.
Sarah
Foi dolorido e estranho escrever aquela carta, porém necessário. Sarah não queria que seus pais fossem atrás dela; isso poderia provocar mais brigas que não dariam em nada, e eles não a deixariam fazer isso assim, de repente. Mas nem foi tão de repente assim, pois há algum tempo ela sonhava em fazer esta viagem com uma colega de curso.
Sarah olhou uma última vez para seu quarto e suas coisas, e rumou para a porta de entrada daquela casa que ela sabia, do fundo da alma, não ser sua casa de verdade. A verdadeira casa de Sarah sempre foi o mundo, pelo menos ela pensava assim. Pelo menos agora isso poderia se concretizar.
Ela fechou a porta atrás de si e caminhou com certa pressa à frente, sem olhar pra trás. Porque é preciso muita coragem para pensar mais em si mesma e no presente, sem ficar chafurdando no passado. Cruzando no jardim antes de chegar ao portão, pegou uma rosa, sua flor favorita. Quando murchasse, guardaria dentro de um de seus livros.
- Disso eu não abro mão. – ela disse. – Ai! – ela se espetou num espinho.
Sarah ficou pensando no que aquilo significava, e um pouco de medo tomou conta de sua mente confusa.
- Tenho que ter coragem, é isso. Sei que vou encontrar meu lugar no mundo e saber quem eu sou.
Ela começou a andar devagar na calçada depois de definitivamente abandonar sua casa, sempre evitando as partes mais escuras e os becos, por serem mais perigosos de madrugada. Parou num ponto de ônibus que a levasse pra perto da casa de sua colega, pra assim conversarem sobre o que aconteceria depois.
Muitas pessoas passavam na rua, e Sarah estava curiosa sobre onde elas estariam indo. Talvez para seus lares, depois de muitas horas de trabalho. Coisa que, na verdade, ela nunca teve. 1 hora da manhã, e nada de um ônibus. Sacou seu diário, sua caneta e um tinteiro, pra tentar se distrair escrevendo bobagens. Como se isso fosse atrair um ônibus.
Eram duas e meia da manhã, e ela acabou adormecendo enquanto esperava. Uma senhora muito amável a cutucou, com expressão preocupada.
- Moça, está tudo bem? Precisa de alguma coisa?
- Ah sim, tudo bem, obrigada. – respondeu Sarah, bocejando e limpando os óculos. – Acho que adormeci, porque faz muito tempo que estou esperando um ônibus. Não se preocupe.
- Certo. Posso sentar aqui e esperar também? Acabei de voltar de viagem. – perguntou a mulher.
- Claro, o banco é público. – disse Sarah sem muita emoção.
Durante mais ou menos meia hora elas conversaram sobre coisas banais e nem viram o tempo passar. A mulher foi embora sozinha, depois de avistar um carro preto do outro lado da rua. Despediram-se e Sarah seguiu ali esperando e pensando numa coisa que a mulher lhe dissera:
- Sarah, nunca deixe de buscar por aquilo que você quer, porque nada nesse mundo vai te impedir. Você tem o direito de descobrir qual é seu lugar e quem você é, não importa onde seja.
Era justamente isso que ela estava precisando, e sentiu que se lembraria disso pra sempre. Ficou espantada com o fato de uma desconhecida acabar lhe entendendo melhor do que ela mesma, sem que tivesse contado nada sobre sua vida. Talvez a mulher tenha visto a tristeza em seus olhos. Sarah desejava encontrar mais pessoas assim em seu caminho.
Três horas da manhã e nada do maldito ônibus aparecer. Ela estava com fome e frio, apesar de ser uma noite de verão. Talvez porque sua pressão tenha baixado muito… Sarah pegou seu celular para mandar uma mensagem para sua colega e, quando o abriu, haviam várias chamadas não atendidas do número de sua mãe.
- Coitada – ela suspirou -, mas ela precisa entender que por enquanto não vou voltar, e que o mundo é minha casa agora. Vou ignorar as próximas ligações também.
Ela buscou o número da moça e pensou em mandar mensagem, mas percebeu que com certeza ela só seria vista de manhã e por isso resolveu ligar apesar de ser madrugada.
- Vamos Luana, atende! – ela falou em direção ao bocal.
- HMM… Quem é? – perguntou uma voz sonolenta do outro lado.
- Luana, é a Sarah. Desculpa ligar a essa hora, mas eu decidi sair de casa pra viajar contigo e não tenho pra onde ir. Providenciei meu visto britânico semana passada mesmo. Tem como eu ficar na tua casa por enquanto e a gente resolver isso?
- Bom você me pegou de surpresa aqui, mas eu não vou te deixar aí sozinha. Vou falar com a minha irmã e te ligo de volta… Enquanto isso, tenta dar um jeito de vir aqui.
- Que bom! Obrigada mesmo. Olha, não passa nenhum ônibus por aqui, acho que vou ter que chamar um táxi… – disse Sarah com sarcasmo.
- É melhor. – houve uma pausa – Bom, vou falar com ela, boa sorte.
- Thank you for everything, sweetie. – agradeceu ela em inglês.
- You are very welcome! – respondeu Luana entre risos.
Sarah tinha um sorriso no rosto, apesar do cansaço. Não teria forças pra segurar o telefone no ouvido de novo, por isso discou o número da empresa de táxi e ligou no alto-falante.
- Alô? Eu preciso de um táxi no centro, no primeiro ponto de ônibus na frente da farmácia de esquina…
- OK. Em breve um veículo estará aí. – respondeu uma voz feminina, que desligou.
De repente, ela se deu conta de que não precisava ter esperado todo aquele tempo por um ônibus, podendo ter pedido um táxi assim que saiu de casa. Mas que naquilo também teve uma vantagem: ela pôde pensar um pouco mais em sua vida, e conheceu aquela desconhecida e bondosa senhora que lhe dissera todas aquelas coisas tocantes.
Afinal, nada nesse mundo acontece por acaso.
Depois de alguns minutos, o esperado táxi chegou. Sarah saltou do banco e entrou.
- Na frente do hospital militar, por favor. – indicou ela ao motorista.
Ela olhava distraidamente pela janela, e quando avistou os homens de farda na frente de um enorme portão, seu coração disparou, por saber que chegara ao seu destino. Exatamente no mesmo segundo, seu telefone tocou.
- Alô, Sarah? Tem um táxi aqui na frente, é você?
- Sim, acabei de chegar. O que foi que tua irmã falou?
- Eu contei teu caso e ela deixou. Pode dormir aqui o tempo que precisar. – ela riu. – Até me espantei com a boa vontade.
- Ah, por Atena, que lindo! Muito obrigada mesmo. Vou pagar o coitado do motorista e subir aí. – respondeu Sarah.
- OK. É o terceiro andar.
Pago o motorista, Sarah saiu do carro com suas coisas e correu até o prédio buscando o apartamento. Como não queria interfonar e acordar o resto dos moradores dali, mandou um toque rápido ao telefone da outra. Alguns segundos depois, a porta se abriu e elas falavam aos sussurros.
- Luana, ah, que bom te ver. – ela abraçou a colega.
- Que doideira, vem comigo e me conta essa história direito… – Luana puxou Sarah pela mão e ela assentiu enquanto era levada a um quarto cheio de pôsteres da banda Paramore, cuja porta foi trancada.
Sarah bufou e atirou-se na cama de Luana. Uma lágrima caiu de seu olho e ele contou tudo o que aconteceu, sem meias-palavras.
- Uau Sirka! Muita coragem da tua parte sair assim de casa.
- Pois é. Consegui praticar minha palavra favorita. Eu tenho dinheiro pra viajar e quero fazê-lo o mais rápido possível. Nosso pacto ainda tá de pé?
- Claro! Falei com meus pais e esse meu amigo que mora em Londres, tá tudo certo. Também tenho dinheiro, eles me ajudaram nisso, e com o visto. Daqui a mais ou menos um mês nós podemos ir sem pepino. – disse Luana com um grande sorriso.
- Pelos deuses, que bom! – Sarah pulou da cama e reprimiu um grito maior.
- Mas seus pais sabem onde você tá, o que você quer?
- Como já disse, deixei um bilhete pra eles explicando tudo, e nem quero que me procurem. Preciso me virar sozinha agora, ir pra bem longe daqui, e realizar o nosso sonho contigo. – ela pegou a mão de Luana e elas sorriram juntas.
- É isso mesmo… Imagina nós duas, no meio daquele tanto de gente, naquelas ruas maravilhosas, tirando fotos no Big Ben e indo na plataforma 9 e ¾… Ai, caramba.
E a cada dia, Sarah e Luana aguardavam a chance de irem juntas pra Inglaterra, até que ele chegou.
Elas fizeram tudo o que queriam, juntas como prometeram uma para a outra. Até que inesperadamente encontraram as pessoas às quais deveram sua infância, lhes agradecendo por tudo. Isso foi o que deixou as amigas mais felizes, uma lembrança guardada pra sempre com fotos.
- Conseguimos, né Sirka? – perguntou Luana enquanto bebia café num pub londrino.
- Sim, com certeza. E de uma coisa eu sei: precisei desse lugar diferente e cheio de neblina pra lavar minha alma. Precisei fugir e realizar meu sonho pra me entender de verdade. E agora eu sei quem eu sou; e meu lugar é aqui, com você, na nossa Londres, perto do nosso trio. – respondeu Sarah com lágrimas nos olhos.
- Bom, se isso te faz feliz, eu também fico feliz. Porque, como você já me disse um monte de vezes, nós sempre podemos tornar nossos sonhos realidade com coragem.
E assim, as amigas seguiram bebendo café, e acima de tudo, com um sorriso verdadeiro no rosto.
agosto de 2011
domingo, 11 de janeiro de 2015
Encontro
Pegou a minha mão
e me deu esperança
na estrada mais tortuosa.
Olhou pra mim
e viu o que os outros não veem,
o que nem eu consigo ver.
Percorre minha escuridão
tocando minha alma desgastada
no silêncio acolhedor
de quem está disposto a ouvir
e a conhecer de verdade
o que preciso entender e escondo
por baixo das lágrimas e sorrisos falsos.
Me ama,
mesmo eu estando aos pedacinhos
e me abraça
quando eu mais sinto saudade e medo
e preciso de calor.
Tem o meu coração
mais do que qualquer outro,
com todas as suas mágoas e ressentimentos...
Lhe devo muito
porque mudou a minha vida
ao abrir meus olhos.
e me deu esperança
na estrada mais tortuosa.
Olhou pra mim
e viu o que os outros não veem,
o que nem eu consigo ver.
Percorre minha escuridão
tocando minha alma desgastada
no silêncio acolhedor
de quem está disposto a ouvir
e a conhecer de verdade
o que preciso entender e escondo
por baixo das lágrimas e sorrisos falsos.
Me ama,
mesmo eu estando aos pedacinhos
e me abraça
quando eu mais sinto saudade e medo
e preciso de calor.
Tem o meu coração
mais do que qualquer outro,
com todas as suas mágoas e ressentimentos...
Lhe devo muito
porque mudou a minha vida
ao abrir meus olhos.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Carta a um psicólogo que hei de conhecer
Talvez eu precise mesmo de ajuda. Não sei o que está acontecendo comigo e nem quando começou. Estou nervosa, ansiosa, me desespero pela mínima coisinha e morro de vontade de chorar quase o tempo todo; até meu corpo já está dando sinais de que tem algo errado.
Me sinto culpada pelas coisas ruins que acontecem comigo. Não tenho noção do que está e não está sob meu controle. Sou uma leoa, mas que no momento está acuada por uma ameaça que nem mesmo consegue identificar. Até suas garras estão fracas e quebradiças.
Sempre fui uma pessoa positiva, mas realista; porém ultimamente não tenho conseguido controlar os pensamentos ruins que chegam; até a morte, algo tão certo e teoricamente natural, tem me assustado. Tenho medo de ficar louca, essa é a verdade.
Tenho medo de perder a capacidade de agir para conquistar meus objetivos, de desistir de mim mesma. De deixar de gostar de coisas que amo. Me sinto solitária e confusa, cheia de coisas de muito tempo acumuladas dentro de mim. E entendo que todo o problema está na minha maior inimiga: minha mente.
É como se eu estivesse dividida em duas: uma metade corajosa e otimista, e outra obscura e assustada, que no fundo deseja acabar com tudo, deixar as coisas como estão e que vê apenas o lado ruim. E que tem exercido muita força sobre a primeira, algo quase incontrolável. Sempre fui um bocado estressada, mas realmente não estou conseguindo lidar com isso.
E pra completar, me mudei há pouco tempo. Aqui eu estou estudando o que realmente quero e tenho amigos, mas estou muito, muito confusa.
E agora?
10 de maio de 2014
Me sinto culpada pelas coisas ruins que acontecem comigo. Não tenho noção do que está e não está sob meu controle. Sou uma leoa, mas que no momento está acuada por uma ameaça que nem mesmo consegue identificar. Até suas garras estão fracas e quebradiças.
Sempre fui uma pessoa positiva, mas realista; porém ultimamente não tenho conseguido controlar os pensamentos ruins que chegam; até a morte, algo tão certo e teoricamente natural, tem me assustado. Tenho medo de ficar louca, essa é a verdade.
Tenho medo de perder a capacidade de agir para conquistar meus objetivos, de desistir de mim mesma. De deixar de gostar de coisas que amo. Me sinto solitária e confusa, cheia de coisas de muito tempo acumuladas dentro de mim. E entendo que todo o problema está na minha maior inimiga: minha mente.
É como se eu estivesse dividida em duas: uma metade corajosa e otimista, e outra obscura e assustada, que no fundo deseja acabar com tudo, deixar as coisas como estão e que vê apenas o lado ruim. E que tem exercido muita força sobre a primeira, algo quase incontrolável. Sempre fui um bocado estressada, mas realmente não estou conseguindo lidar com isso.
E pra completar, me mudei há pouco tempo. Aqui eu estou estudando o que realmente quero e tenho amigos, mas estou muito, muito confusa.
E agora?
10 de maio de 2014
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
domingo, 4 de janeiro de 2015
sábado, 3 de janeiro de 2015
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Eu o amei
Por muito tempo, por conta de decepções anteriores, eu meio que me fechei para o amor. Aquele amor de verdade mesmo, que rasga a gente por dentro e se alastra feito incêndio em mato ressecado. Achava que jamais conseguiria sentir a mesma coisa de novo. Mas quão tola e jovem eu era... Ainda não entendia que a cada vez é uma sensação completamente diferente. Que deixa uma lição diferente.
Tudo começou na festa de aniversário de um dos nossos colegas. Por acaso do destino minha melhor amiga também fora convidada, assim passou boa parte da festa comigo. Comentei com ela que achava o dito cujo um sujeito bem-apessoado, pois até hoje certamente ainda possui o mesmo mistério nos olhos muito azuis e um magnetismo difícil de ignorar.
Por sugestão/insistência dela, mesmo sabendo que havia outra no caminho, mexi os pauzinhos para ver o que acontecia. E a resposta esperada veio. Nem sei por quê acabei chorando por causa disso. Talvez porque tudo em mim seja intenso. Mas o estrago já estava feito e eu me deixei levar. Como era bom sentir essa adrenalina outra vez.
Com o tempo tentei me aproximar, descobrir mais sobre ele, conquistar uma amizade para quem sabe haver algo mais numa próxima oportunidade. Vi que ele era diferente daquela outra pessoa de muitas maneiras e que isso era algo bom. Seus defeitos não pareciam me incomodar e suas aparentes qualidades me fascinavam aos poucos. Acabei me apaixonando e apenas um ano depois consegui admitir isso a mim mesma.
Confessei coisas que nunca imaginei a ouvidos que nunca estiveram disponíveis; vi profundidade e verdade em olhos que nunca nem se quer me olhavam de volta; beleza e encanto num sorriso que quase nunca era aberto para mim; umas poucas vezes consegui apertar cordialmente uma mão que nunca seguraria a minha. Achei que ele era e poderia ser para mim o que nunca foi. Mas isso não era o mais importante. Mesmo eu sentindo ciúmes de todas que em minha cabeça ocupavam meu lugar e sabendo muito bem que jamais seria uma delas...
Eu o amei.
Amei a ponto de me satisfazer com uma amizade que nunca existiu. Continuar vendo nele seu lado bom, mesmo quando o ruim se sobressaía. A ponto de perdoá-lo por cada atitude mesquinha e pretenciosa. Querer que ele fosse feliz onde quer que estivesse. Afinal, ainda era e é jovem e tem muito a aprender. Todos nós temos.
Eu fui burra o bastante em me deixar chorar por algo que sabia que aconteceria, das coisas horríveis e mesquinhas que me disse e fez, até usando outras pessoas e seus sentimentos... Foi quando no outro dia ele fingiu que não me via que eu tive certeza de que ele não merecia nem um pingo de nada do que lhe fora oferecido de minha parte.
Foi no último segundo que dividimos juntos, só eu e ele, que eu o perdoei de verdade em meu coração; na verdade, nunca tinha guardado mágoas, não sou esse tipo de pessoa. E o agradeci. Agradeci por ter me ensinado que eu poderia amar de novo e que cada vez é diferente e até melhor. Que eu não preciso e não devo me culpar por aquilo que sinto. Que eu mereço isso.
Espero que ele tenha aprendido algumas coisinhas comigo também.... E que sirva de lição para o resto da sua vida. Fico feliz por ele estar alcançando as coisas que almeja aos poucos e certamente está se tornando um homem admirável. Desejo que ele ame de volta como deseja ser amado; como eu o amei. Que ele seja uma pessoa melhor por aqueles que ama.
De uma coisa ele com certeza não pode duvidar: de mim nunca existiu falta de amor.
Tudo começou na festa de aniversário de um dos nossos colegas. Por acaso do destino minha melhor amiga também fora convidada, assim passou boa parte da festa comigo. Comentei com ela que achava o dito cujo um sujeito bem-apessoado, pois até hoje certamente ainda possui o mesmo mistério nos olhos muito azuis e um magnetismo difícil de ignorar.
Por sugestão/insistência dela, mesmo sabendo que havia outra no caminho, mexi os pauzinhos para ver o que acontecia. E a resposta esperada veio. Nem sei por quê acabei chorando por causa disso. Talvez porque tudo em mim seja intenso. Mas o estrago já estava feito e eu me deixei levar. Como era bom sentir essa adrenalina outra vez.
Com o tempo tentei me aproximar, descobrir mais sobre ele, conquistar uma amizade para quem sabe haver algo mais numa próxima oportunidade. Vi que ele era diferente daquela outra pessoa de muitas maneiras e que isso era algo bom. Seus defeitos não pareciam me incomodar e suas aparentes qualidades me fascinavam aos poucos. Acabei me apaixonando e apenas um ano depois consegui admitir isso a mim mesma.
Confessei coisas que nunca imaginei a ouvidos que nunca estiveram disponíveis; vi profundidade e verdade em olhos que nunca nem se quer me olhavam de volta; beleza e encanto num sorriso que quase nunca era aberto para mim; umas poucas vezes consegui apertar cordialmente uma mão que nunca seguraria a minha. Achei que ele era e poderia ser para mim o que nunca foi. Mas isso não era o mais importante. Mesmo eu sentindo ciúmes de todas que em minha cabeça ocupavam meu lugar e sabendo muito bem que jamais seria uma delas...
Eu o amei.
Amei a ponto de me satisfazer com uma amizade que nunca existiu. Continuar vendo nele seu lado bom, mesmo quando o ruim se sobressaía. A ponto de perdoá-lo por cada atitude mesquinha e pretenciosa. Querer que ele fosse feliz onde quer que estivesse. Afinal, ainda era e é jovem e tem muito a aprender. Todos nós temos.
Eu fui burra o bastante em me deixar chorar por algo que sabia que aconteceria, das coisas horríveis e mesquinhas que me disse e fez, até usando outras pessoas e seus sentimentos... Foi quando no outro dia ele fingiu que não me via que eu tive certeza de que ele não merecia nem um pingo de nada do que lhe fora oferecido de minha parte.
Foi no último segundo que dividimos juntos, só eu e ele, que eu o perdoei de verdade em meu coração; na verdade, nunca tinha guardado mágoas, não sou esse tipo de pessoa. E o agradeci. Agradeci por ter me ensinado que eu poderia amar de novo e que cada vez é diferente e até melhor. Que eu não preciso e não devo me culpar por aquilo que sinto. Que eu mereço isso.
Espero que ele tenha aprendido algumas coisinhas comigo também.... E que sirva de lição para o resto da sua vida. Fico feliz por ele estar alcançando as coisas que almeja aos poucos e certamente está se tornando um homem admirável. Desejo que ele ame de volta como deseja ser amado; como eu o amei. Que ele seja uma pessoa melhor por aqueles que ama.
De uma coisa ele com certeza não pode duvidar: de mim nunca existiu falta de amor.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Para o ano que vem... e todos os outros
Pro ano que está chegando, desejo que lágrimas se tornem sorrisos; obstáculos se tornem oportunidades; que nas quedas eu levante mais forte; que eu saiba ver o sol que está escondido na tempestade; que de pedras eu construa castelos; que eu não tenha medo dos espinhos.
Que meus erros se transformem em acertos e aprendizado; que meus medos não me impeçam de ter coragem; que minhas palavras possam cativar as pessoas à minha volta; que eu possa cuidar do coração daqueles que amo; que eu tenha sensibilidade para encontrar a paz dentro de mim; que o passado não me impeça de seguir em frente.
Que talvez eu encontre o amor que há em cada sorriso; que minha raiva se transforme em calmaria; que eu perceba onde a luz equivale ao mal.
É o que eu desejo para mim e para todos! :)
Que meus erros se transformem em acertos e aprendizado; que meus medos não me impeçam de ter coragem; que minhas palavras possam cativar as pessoas à minha volta; que eu possa cuidar do coração daqueles que amo; que eu tenha sensibilidade para encontrar a paz dentro de mim; que o passado não me impeça de seguir em frente.
Que talvez eu encontre o amor que há em cada sorriso; que minha raiva se transforme em calmaria; que eu perceba onde a luz equivale ao mal.
É o que eu desejo para mim e para todos! :)
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Convivência
E acho que o que realmente dá certo é quando tu convive com a pessoa e vê como ela lida com as coisas. E na convivência tu acabar gostando da pessoa. Por isso acho que é isso que tu tem que fazer.
Conhecer pessoas novas e deixar as coisas acontecerem conforme vocês convivem.
Não tenho experiência com namorados, mas se tem uma coisa que aprendi é que não adianta esperar que o príncipe bata na tua porta. Primeiro, porque ele não existe. Segundo, se tu não busca, nada acontece… Eu, por exemplo, vou conhecer outras pessoas, principalmente se me mudar, e quem sabe eu não encontre alguém ou “alguéns”.
Letícia Bolzon Silva
02/09/2014
Conhecer pessoas novas e deixar as coisas acontecerem conforme vocês convivem.
Não tenho experiência com namorados, mas se tem uma coisa que aprendi é que não adianta esperar que o príncipe bata na tua porta. Primeiro, porque ele não existe. Segundo, se tu não busca, nada acontece… Eu, por exemplo, vou conhecer outras pessoas, principalmente se me mudar, e quem sabe eu não encontre alguém ou “alguéns”.
Letícia Bolzon Silva
02/09/2014
domingo, 28 de dezembro de 2014
Carta que recebi de Deus
Eu sei que seu coração está ferido, que você está se sentindo triste, magoada e sozinha. Mas não se preocupe, tudo passa. O tempo passa, os amores passam, pessoas entram e saem de nossas vidas todos os dias. Mas o que importa de verdade é quem você é, o que a vida fez você se tornar na essência; porque, como você mesma disse, “A vida é muito mais do que corações partidos, tristezas e medo.”
Então minha filha, escuta teu pai Zeus e confia na vontade do tempo que, apesar das mazelas e armadilhas, também colocou pessoas puras em teu caminho. Um dia, as respostas vão chegar e muitas coisas vão mudar. Só te resta esperar e viver, porque você é forte e já passou por coisas muito piores. Acredite em si mesma e no caráter que a vida te deu. Não abandone seus ideais; lute por eles sempre. Vai passar, minha filha. Você não está sozinha.
Basta que você continue passando por cima do que te machuca sem perder o sorriso ou esconder a lágrima quando ela vem. Controle os impulsos.
13/05/2011
13/05/2011
sábado, 27 de dezembro de 2014
BELEZA II
Talvez eu seja bela
Mesmo com a cara limpa
O cabelo jogado no rosto
A roupa velha e amassada
Olheiras
Restos de acne da adolescência
E marcas de cansaço.
É assim que estou a maior parte do tempo
Esta sou eu, o que você vê agora.
Você diz que sou bonita
De um jeito simples e lindo...
Acho que acredito em você.
Mesmo com a cara limpa
O cabelo jogado no rosto
A roupa velha e amassada
Olheiras
Restos de acne da adolescência
E marcas de cansaço.
É assim que estou a maior parte do tempo
Esta sou eu, o que você vê agora.
Você diz que sou bonita
De um jeito simples e lindo...
Acho que acredito em você.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
BELEZA I
Espero poder ver em mim
A beleza que você diz que tenho
Principalmente quando
Inevitavelmente
Meu cabelo branquear
Minha pele enrugar
E não for jovem como antes...
Espero poder ainda saber sorrir
Quando minha mocidade esvanecer
E certas coisas se tornarem ainda
Mais difíceis do que são hoje...
Que eu ainda veja a beleza das coisas
Quando meus olhos ficarem cansados.
A beleza que você diz que tenho
Principalmente quando
Inevitavelmente
Meu cabelo branquear
Minha pele enrugar
E não for jovem como antes...
Espero poder ainda saber sorrir
Quando minha mocidade esvanecer
E certas coisas se tornarem ainda
Mais difíceis do que são hoje...
Que eu ainda veja a beleza das coisas
Quando meus olhos ficarem cansados.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Muitas razões fazem com que eu fique horas sentada na frente de um computador. Quase nenhuma delas ocorre por minha própria vontade. Por isso eu não dispenso, quando tenho a oportunidade, de botar a caneta no papel, estar perto de um amigo sem nada disso por perto, virar a página de um livro… Viver o mundo concreto.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
domingo, 21 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Lembranças
Hoje eu vi um filme muito bonito, chamado “Lembranças”. Ele realmente mexeu comigo, pois em vários aspectos eu me sinto exatamente como o protagonista Tyler e sua irmãzinha Caroline. Não tenho palavras pra explicar, apesar de não ter irmãos; porém sei que tenho muitas coisas em comum com eles.
Eu sinceramente gostaria de ter tido um irmão, de uns 11 anos a mais que eu.
Com certeza ele se sentiria da mesma forma que eu, de um jeito muito parecido com Tyler e Caroline. Ele seria meu melhor amigo, se importaria comigo acima de qualquer coisa. Certamente ele me levaria pro colégio todos os dias, leria histórias pra mim.
Me protegeria de tudo o que me fizesse mal, e seria meu abrigo quando eu estivesse triste. Nós dividiríamos nossa solidão. Meu irmão seria meu herói. Se eu o perdesse, principalmente numa tragédia, não sei se seria capaz de superar totalmente, como eu já superei outras vezes.
Eu amaria este cara mais que tudo no mundo, como Caroline e Tyler se amaram até o fim, apesar da perda que tiveram.
Letícia Bolzon Silva
29/07/2011
Eu sinceramente gostaria de ter tido um irmão, de uns 11 anos a mais que eu.
Com certeza ele se sentiria da mesma forma que eu, de um jeito muito parecido com Tyler e Caroline. Ele seria meu melhor amigo, se importaria comigo acima de qualquer coisa. Certamente ele me levaria pro colégio todos os dias, leria histórias pra mim.
Me protegeria de tudo o que me fizesse mal, e seria meu abrigo quando eu estivesse triste. Nós dividiríamos nossa solidão. Meu irmão seria meu herói. Se eu o perdesse, principalmente numa tragédia, não sei se seria capaz de superar totalmente, como eu já superei outras vezes.
Eu amaria este cara mais que tudo no mundo, como Caroline e Tyler se amaram até o fim, apesar da perda que tiveram.
Letícia Bolzon Silva
29/07/2011
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Sobre Deus
Não devia haver religiões no mundo. Essa é só mais uma palavra idiota para separar a humanidade e é por isso que existem as guerras santas.
Mas Deus não quer o mal das pessoas. Independentemente se ele existe ou não ou do nome que tenha; a crença do outro não é melhor ou pior que a sua.
Deus é uma coisa só. Acredite mais em si mesmo, pois o maior Deus está aí dentro de você e só você pode mudar o mundo um pouco a cada dia.
Letícia Bolzon Silva
29/12/2011
29/12/2011
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Eu sou minha poesia
O eu que estou descobrindo aos poucos
Que talvez seja o que realmente sou
O que fui, poderei ser ou mesmo deseje
Está nas minhas palavras.
Está nos rios de tinta
Ora calma, ora revolta
Que percorrem a palidez
De subsolos de papel
E às vezes se tornam ondas
No mar da poesia.
Tentando nomear o que não consigo entender
E o que preciso entender.
Busque meus velhos diários espalhados,
Livros lidos, canções ouvidas
E forme sua opinião sobre mim
No final de tudo.
Se estiver disposto,
Ande pelos mesmos caminhos que um dia
Estiveram sob meus pés,
Navegue nas mesmas águas turvas
Que me afogam
E quem sabe veja com clareza
O que hoje luto para vislumbrar
Por estar no meu âmago...
Que talvez seja o que realmente sou
O que fui, poderei ser ou mesmo deseje
Está nas minhas palavras.
Está nos rios de tinta
Ora calma, ora revolta
Que percorrem a palidez
De subsolos de papel
E às vezes se tornam ondas
No mar da poesia.
Tentando nomear o que não consigo entender
E o que preciso entender.
Busque meus velhos diários espalhados,
Livros lidos, canções ouvidas
E forme sua opinião sobre mim
No final de tudo.
Se estiver disposto,
Ande pelos mesmos caminhos que um dia
Estiveram sob meus pés,
Navegue nas mesmas águas turvas
Que me afogam
E quem sabe veja com clareza
O que hoje luto para vislumbrar
Por estar no meu âmago...
domingo, 14 de dezembro de 2014
sábado, 13 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
O que aprendi
É muito estranho perceber que tudo o que aprendi sobre a vida real não veio dos meus pais, pelo menos não diretamente.
É estranho me dar conta de que, todos esses anos, tudo o que eles me ensinaram foi apenas como me comportar perante a hipocrisia da sociedade em que vivo para que tudo pareça perfeito.
Não tenho como te dizer que eles são espelhos pra mim, de verdade. Acredito que foi a vida que me fez quem eu sou. A vida me mostrou como ela é, que ela não é um mar de rosas. Eu aprendi sozinha como as coisas funcionam. Apanhei muito, e já não tenho mais medo.
A vida me mostrou seu lado bom e ruim, e os valores mais importantes.
É estranho me dar conta de que, todos esses anos, tudo o que eles me ensinaram foi apenas como me comportar perante a hipocrisia da sociedade em que vivo para que tudo pareça perfeito.
Não tenho como te dizer que eles são espelhos pra mim, de verdade. Acredito que foi a vida que me fez quem eu sou. A vida me mostrou como ela é, que ela não é um mar de rosas. Eu aprendi sozinha como as coisas funcionam. Apanhei muito, e já não tenho mais medo.
A vida me mostrou seu lado bom e ruim, e os valores mais importantes.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
O amor e suas faces
Algumas pessoas podem não entender, mas existem muitos tipos de amor. Muitos deles são confundidos e mal-interpretados, o que é uma pena. O amor é a mais poderosa de todas as magias; vence qualquer tipo de maldade quando é verdadeiro e puro.
Sim, o amor tem sido banalizado por algumas pessoas, mas ele existe, e é muito bom poder falar de amor de um jeito comum a todos; de certa forma poder compartilhar um pouco deste sentimento tão nobre que tem sido esquecido nos tempos atuais.
Ninguém pode dizer que outra pessoa não conhece o amor, até porque todos somos amados antes mesmo de surgirmos no mundo, em meio à dor. O amor e a dor são inseparáveis, vividos por cada um de acordo com suas experiências pessoais. Já diz Gabriel Chalita: “O amor mais amado surge depois de uma dor prolongada: amor de mãe!”. Não importa a idade, sexo, cor ou coisa do gênero: todos nós já experimentamos pelo menos uma forma de amor.
A própria amizade é um amor! Porque o amor não se explica, se sente, em todas as suas formas. Só as pessoas de coração mais puro o conhecem de verdade, e podem vivê-lo plenamente, não se deixando levar pelas maldades do mundo. Superando a ignorância, o ódio e o julgamento. Valorizando as coisas mais simples.
Sim, o amor tem sido banalizado por algumas pessoas, mas ele existe, e é muito bom poder falar de amor de um jeito comum a todos; de certa forma poder compartilhar um pouco deste sentimento tão nobre que tem sido esquecido nos tempos atuais.
Ninguém pode dizer que outra pessoa não conhece o amor, até porque todos somos amados antes mesmo de surgirmos no mundo, em meio à dor. O amor e a dor são inseparáveis, vividos por cada um de acordo com suas experiências pessoais. Já diz Gabriel Chalita: “O amor mais amado surge depois de uma dor prolongada: amor de mãe!”. Não importa a idade, sexo, cor ou coisa do gênero: todos nós já experimentamos pelo menos uma forma de amor.
A própria amizade é um amor! Porque o amor não se explica, se sente, em todas as suas formas. Só as pessoas de coração mais puro o conhecem de verdade, e podem vivê-lo plenamente, não se deixando levar pelas maldades do mundo. Superando a ignorância, o ódio e o julgamento. Valorizando as coisas mais simples.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Adolescência
A adolescência é paradoxal. Ao mesmo tempo horrível e maravilhosa, se é que você me entende. A fase mais conturbada da vida de qualquer pessoa, por isso os adultos nunca nos entendem totalmente, por mais abertos que sejam (até porque já tiveram essa idade e passaram por praticamente as mesmas coisas). Agora eu entendo; talvez seja a mudança de geração e essa coisa de outras tecnologias todos os dias.
O que mais intriga os adultos e mesmo adolescentes em geral não são as rápidas mudanças físicas, e sim as mudanças psicológicas que vêm mais rápido ainda. O modo de agir, falar e pensar sobre o mundo, as coisas, as pessoas e sobre si mesmo. O caráter e personalidade estão em plena formação; o que me faz crer que essas são as mudanças mais relevantes, e deviam ser tratadas como tal.
Todo adolescente deseja se sentir aceito, igual e ao mesmo tempo diferente, na eterna busca por uma identidade. Passando por todo tipo de obstáculo e julgamento imposto pela sociedade. Procura-se viver intensamente, e tudo toma um tamanho gigantesco; seja um sentimento, uma palavra, um gesto ou um silêncio.
A cabeça vira um turbilhão, a visão de mundo de cada um muda completamente. Coisas que amávamos já não fazem diferença, enquanto coisas que achávamos sem graça já não saem de nossas vidas. Nunca se está satisfeito, sempre se quer mais, do mundo, de nós mesmos e das pessoas à nossa volta. A opinião alheia não tem nenhuma importância pra alguns e é essencial para outros. Tudo acontece ao mesmo tempo. Somos curiosos por natureza, por isso muitos se perdem logo cedo num caminho sem volta: as drogas.
Muitos tentam parecer duros como pedra, quando na verdade são frágeis como cristal.
Todo tipo de sentimento nos invade com intensidade ainda maior. Gostamos de ficar sozinhos (justamente por aos poucos as ligações com nossos pais estarem diminuindo), mas ao mesmo tempo apenas pensar na solidão permanente nos destrói por dentro. Quando menos se espera, descobrimos o tal do amor. Muitas vezes somos feridos por causa dele. Caímos e nos levantamos muitas vezes. Sorrimos e choramos mais vezes ainda, buscando a simplicidade.
O maior desejo de alguém nessa fase da vida é encontrar a si mesmo. Encontrar segurança em pessoas importantes pra nós (amigos, por exemplo). Não ter medo de dizer aquilo que sente, seja o que for; basta que haja uma oportunidade. Buscamos um pouquinho de felicidade, que não tem idade.
Nos preenchemos de sonhos e acreditamos neles, enquanto a realidade de que o tempo passou se mostra sem piedade.
É uma fase muito bonita da vida, que determina que tipo de pessoa seremos no futuro. Mas acredite, não é fácil.
O que mais intriga os adultos e mesmo adolescentes em geral não são as rápidas mudanças físicas, e sim as mudanças psicológicas que vêm mais rápido ainda. O modo de agir, falar e pensar sobre o mundo, as coisas, as pessoas e sobre si mesmo. O caráter e personalidade estão em plena formação; o que me faz crer que essas são as mudanças mais relevantes, e deviam ser tratadas como tal.
Todo adolescente deseja se sentir aceito, igual e ao mesmo tempo diferente, na eterna busca por uma identidade. Passando por todo tipo de obstáculo e julgamento imposto pela sociedade. Procura-se viver intensamente, e tudo toma um tamanho gigantesco; seja um sentimento, uma palavra, um gesto ou um silêncio.
A cabeça vira um turbilhão, a visão de mundo de cada um muda completamente. Coisas que amávamos já não fazem diferença, enquanto coisas que achávamos sem graça já não saem de nossas vidas. Nunca se está satisfeito, sempre se quer mais, do mundo, de nós mesmos e das pessoas à nossa volta. A opinião alheia não tem nenhuma importância pra alguns e é essencial para outros. Tudo acontece ao mesmo tempo. Somos curiosos por natureza, por isso muitos se perdem logo cedo num caminho sem volta: as drogas.
Muitos tentam parecer duros como pedra, quando na verdade são frágeis como cristal.
Todo tipo de sentimento nos invade com intensidade ainda maior. Gostamos de ficar sozinhos (justamente por aos poucos as ligações com nossos pais estarem diminuindo), mas ao mesmo tempo apenas pensar na solidão permanente nos destrói por dentro. Quando menos se espera, descobrimos o tal do amor. Muitas vezes somos feridos por causa dele. Caímos e nos levantamos muitas vezes. Sorrimos e choramos mais vezes ainda, buscando a simplicidade.
O maior desejo de alguém nessa fase da vida é encontrar a si mesmo. Encontrar segurança em pessoas importantes pra nós (amigos, por exemplo). Não ter medo de dizer aquilo que sente, seja o que for; basta que haja uma oportunidade. Buscamos um pouquinho de felicidade, que não tem idade.
Nos preenchemos de sonhos e acreditamos neles, enquanto a realidade de que o tempo passou se mostra sem piedade.
É uma fase muito bonita da vida, que determina que tipo de pessoa seremos no futuro. Mas acredite, não é fácil.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Sobre a inspiração
A gente reclama de falta de inspiração: das palavras que não escrevemos, dos versos e melodias que não compusemos, dos quadros que não pintamos, das esculturas que não fizemos, daquilo que não demonstramos através da arte.
Mas a verdade é que o problema está em nós mesmos, nós nos sabotamos, deixamos que o lixo da vida encha nossas mentes e impeça o que realmente importa de surgir. Já temos tudo de que precisamos para produzir maravilhas, basta que cavemos para poder ver.
Mas a verdade é que o problema está em nós mesmos, nós nos sabotamos, deixamos que o lixo da vida encha nossas mentes e impeça o que realmente importa de surgir. Já temos tudo de que precisamos para produzir maravilhas, basta que cavemos para poder ver.
domingo, 7 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
Novos usos
Todos somos quebrados. Todos nós.
Segundo a teoria do Corpo sem Órgãos, embora nosso corpo seja um conjunto de sistemas interligados, de certa forma vivemos e devemos viver para que ele não se torne algo instrumentalizado que tenha uma utilidade determinada pela cega sociedade.
Segundo este pequeno pedaço da filosofia, talvez a chave para nossa infelicidade e fraqueza de espírito esteja no fato de que o corpo é tratado como algo com função para além de si mesmo, uma função social.
Somos cobrados para agir assim, para nos encaixarmos em padrões que nós mesmos não vemos o quanto são nocivos e paralisantes. Acabamos vivendo como os outros desejam, e não de acordo com aquilo que consideramos o melhor para nós. Limitamos nossas capacidades de percepção das coisas, mesmo as mais simples e físicas.
E a própria sociedade não vê e apenas replica o discurso. É como se ninguém pensasse.
O corpo humano é essa “máquina” (im)perfeita que não deveria ser vista assim. Somos a maior maravilha da natureza e como é que vivemos? Querendo ser máquinas, porque vivemos em um mundo de indústrias e capital; se produz coisas em série e nosso corpo deve ser tratado assim: senta assim, assado, não faz isso, não faça aquilo.
O que prova que estamos longe da verdadeira evolução. Nos concentramos na evolução tecnológica e não a humana. Ela fica bem distante e é muito importante na educação. A capacidade de agir, de pensar, de mudar. O mundo é muito grande e nós ficamos aqui, parados, esperando as coisas acontecerem.
Mas nada acontece. Temos que ir atrás, mas o mundo não quer que o façamos.
Ana Virginia Panerai e Letícia Bolzon Silva
Segundo a teoria do Corpo sem Órgãos, embora nosso corpo seja um conjunto de sistemas interligados, de certa forma vivemos e devemos viver para que ele não se torne algo instrumentalizado que tenha uma utilidade determinada pela cega sociedade.
Segundo este pequeno pedaço da filosofia, talvez a chave para nossa infelicidade e fraqueza de espírito esteja no fato de que o corpo é tratado como algo com função para além de si mesmo, uma função social.
Somos cobrados para agir assim, para nos encaixarmos em padrões que nós mesmos não vemos o quanto são nocivos e paralisantes. Acabamos vivendo como os outros desejam, e não de acordo com aquilo que consideramos o melhor para nós. Limitamos nossas capacidades de percepção das coisas, mesmo as mais simples e físicas.
E a própria sociedade não vê e apenas replica o discurso. É como se ninguém pensasse.
O corpo humano é essa “máquina” (im)perfeita que não deveria ser vista assim. Somos a maior maravilha da natureza e como é que vivemos? Querendo ser máquinas, porque vivemos em um mundo de indústrias e capital; se produz coisas em série e nosso corpo deve ser tratado assim: senta assim, assado, não faz isso, não faça aquilo.
O que prova que estamos longe da verdadeira evolução. Nos concentramos na evolução tecnológica e não a humana. Ela fica bem distante e é muito importante na educação. A capacidade de agir, de pensar, de mudar. O mundo é muito grande e nós ficamos aqui, parados, esperando as coisas acontecerem.
Mas nada acontece. Temos que ir atrás, mas o mundo não quer que o façamos.
Ana Virginia Panerai e Letícia Bolzon Silva
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
domingo, 23 de novembro de 2014
sábado, 22 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Sobre a música
A música é tudo na minha vida. Quando me faltam as palavras, ela diz o que estou sentindo, e sempre foi minha companhia nas horas de solidão (que não são poucas). Eu acredito nela como as pessoas acreditam na oração.
Ela me traz inspiração, me fazendo entender que a vida é muito mais do que a gente supõe que seja ou que nossos olhos possam ver. Eu acredito que ela venha do coração… De onde saem as palavras, melodias e tudo o mais.
É a minha catarse.
Ela me traz inspiração, me fazendo entender que a vida é muito mais do que a gente supõe que seja ou que nossos olhos possam ver. Eu acredito que ela venha do coração… De onde saem as palavras, melodias e tudo o mais.
É a minha catarse.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
Olá!
Sim, faz muito tempo que não posto nada, não é mesmo? Mas a falta de tempo e inspiração é o que tem me impedido de escrever versos. O que tenho escrito ultimamente passa longe disto, mas nem por isto vou abandonar meus queridos seguidores daqui.
Então vamos fazer o seguinte?
Sempre que possível vou postar algum texto meu, qualquer que seja o gênero, para manter o blog atualizado. Nem que para isso precise copiá-los de outros sites onde já foram publicados, com a respectiva data do outro local. Até será bom, espalhará mais o meu trabalho :) Neste tempo em que estive ausente escrevi muito, pensei muito e até publiquei um livro, que será divulgado aqui!
Por isso agradeço desde já a presença e fidelidade de todos aqueles que leem minhas palavras; o feedback de vocês é muito importante para mim. Sem esquecer da paciência, é claro.
Um abraço a todos!
Então vamos fazer o seguinte?
Sempre que possível vou postar algum texto meu, qualquer que seja o gênero, para manter o blog atualizado. Nem que para isso precise copiá-los de outros sites onde já foram publicados, com a respectiva data do outro local. Até será bom, espalhará mais o meu trabalho :) Neste tempo em que estive ausente escrevi muito, pensei muito e até publiquei um livro, que será divulgado aqui!
Por isso agradeço desde já a presença e fidelidade de todos aqueles que leem minhas palavras; o feedback de vocês é muito importante para mim. Sem esquecer da paciência, é claro.
Um abraço a todos!
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
terça-feira, 11 de novembro de 2014
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
sábado, 8 de novembro de 2014
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Sobre respeito
Eu sei que desde pequena fui ensinada a respeitar os outros. Mas acontece que ele deve vir de ambos os lados e a questão da idade nesse sentido é praticamente irrelevante.
Claro que muitas vezes começo brigas terríveis e desnecessárias, simplesmente porque sei ser bem grossa com as pessoas. Mas isso não acontece sempre e elas interpretam assim…
Se eu não tenho razão em dizer coisas rudes, que conceito de respeito é esse que alguns me cobram onde tenho que ficar quieta quando as palavras são dirigidas a mim? É difícil de entender.
Letícia Bolzon Silva
Claro que muitas vezes começo brigas terríveis e desnecessárias, simplesmente porque sei ser bem grossa com as pessoas. Mas isso não acontece sempre e elas interpretam assim…
Se eu não tenho razão em dizer coisas rudes, que conceito de respeito é esse que alguns me cobram onde tenho que ficar quieta quando as palavras são dirigidas a mim? É difícil de entender.
Letícia Bolzon Silva
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Todos os dias eu tenho que botar na cabeça que não sou diferente de ninguém, mas em certas coisas eu sou sim completamente diferente dos outros. Essas diferenças fazem com que eu muitas vezes me sinta só no meio da multidão; agora que sou consciente disso, isso faz com que eu não me sinta normal… Não de todo.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
sábado, 1 de novembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
domingo, 5 de outubro de 2014
É muito simples
Quero ser amada. Quero amar de volta. Quero me sentir completa, apesar dos pedaços espalhados no chão. Quero morrer de amor e nascer de novo. Quero me sentir protegida nos braços de alguém.
Quero não precisar guardar tantos segredos. Quero me sentir viva como nunca. Não quero mais pensar que sou uma idiota por falar de amor. Quero sorrir de verdade.
Letícia Bolzon Silva
sábado, 20 de setembro de 2014
Sobre ser gaúcho
Hoje é 20 de setembro, um dia muito importante para nós, que nascemos aqui no Rio Grande do Sul. Porque apesar de termos teoricamente perdido a guerra, não deixamos de ter bravura e amor por aquilo que somos, pelo lugar de onde viemos.
Gaúcho de verdade não é aquele que anda pilchado o ano inteiro (ou pior, apenas na Semana Farroupilha), mas aquele acima de qualquer coisa não esquece de onde veio; que leva as tradições consigo por onde passa; que tem dentro de si a coragem daqueles que lutaram na guerra de todos os lados, não desistindo de seus ideais; aquele que recebe quem chega com simpatia e naturalidade e sempre com um mate amargo e quentinho pra começar a conversa.
Aquele que aprecia a boa música e literatura local; que não se abate nas adversidades e sabe dizer palavras bonitas com sua natural dicção perfeita, apesar da simplicidade de muitos de seus modos; aquele que valoriza as coisas simples da vida, como comer um bom churrasco ao lado de amigos de longa data. Aquele que canta com orgulho o hino do seu Estado, e não tem vergonha de dizer que é gaúcho!
Letícia Bolzon Silva
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Detalhes
O tom de voz, a maneira de falar, o jeito de olhar. A risada, o jeito de sorrir, o formato dos dentes, da boca. A cor dos olhos e sua possível variegação, o formato e os cílios. As rugas, covinhas, tatuagens, manchinhas, o formato do rosto, do nariz, o tom da pele.
A cor do cabelo, o formato, o comprimento, a distribuição. Os ombros, as clavículas, o peso, a altura. Os antebraços, tendões, ossos em geral, veias, pêlos. Mãos, dedos, unhas. Costas, cintura, quadris. Músculos, pernas, pés.
Eu me atenho aos detalhes, às coisas que ninguém percebe. Porque as menores coisas muitas vezes são as mais belas, interessantes e importantes.
A cor do cabelo, o formato, o comprimento, a distribuição. Os ombros, as clavículas, o peso, a altura. Os antebraços, tendões, ossos em geral, veias, pêlos. Mãos, dedos, unhas. Costas, cintura, quadris. Músculos, pernas, pés.
Eu me atenho aos detalhes, às coisas que ninguém percebe. Porque as menores coisas muitas vezes são as mais belas, interessantes e importantes.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Sobre melhorar
Claro que sempre tento melhorar, mas para falar a verdade não tento fazê-lo por causa da opinião dos outros. Ela praticamente não me afeta.
Ninguém é obrigado a gostar daquilo que lê. Acho que o que mais importa é que ponho meu coração no que faço, ficando bonito ou não para os outros.
O que escrevo tem significado para mim e serve para os outros me conhecerem, se souberem ler as entrelinhas. Este é meu objetivo.
Ninguém é obrigado a gostar daquilo que lê. Acho que o que mais importa é que ponho meu coração no que faço, ficando bonito ou não para os outros.
O que escrevo tem significado para mim e serve para os outros me conhecerem, se souberem ler as entrelinhas. Este é meu objetivo.
domingo, 14 de setembro de 2014
VI
Oi, meu querido.
O fato de essas cartas serem essencialmente egoístas e falarem basicamente de mim e de toda a escuridão, não significa que eu não me preocupe contigo, muito pelo contrário. Nunca se esqueça de que se você estiver bem, eu estarei também.
Quanto mais velha fico, mais compreendo que tenho um enorme número de defeitos terríveis, que me fazem machucar a mim mesma e aos outros sem que eu nem perceba. O que me questiono com relação a eles é se devo aceitá-los como parte de quem sou (quem é que eu sou mesmo?) ou se devo combatê-los de alguma forma, e como fazer isso.
Talvez isso e o fato de nada ser perfeito (quanto mais convivemos, maior a probabilidade de brigarmos e magoarmos uns aos outros) seja a razão de eu morrer de medo de ser cruel, acabar te perdendo e ficar te repetindo isso vezes infinitas.
Mas sei que nada disso é racional; independentemente do que aconteça, o que sentimos, o que construímos, é bem mais forte. Só não quero estragar tudo… Ainda mais porque o que sinto quando estou contigo é diferente de tudo o que já vivi.
Nada em mim tem sido sensato; é difícil sentir essa vontade de chorar e desistir de tudo.
Esta era para ser outra carta melhor, enfim. Obrigada por tudo, eu te amo.
Da tua irmã.
O fato de essas cartas serem essencialmente egoístas e falarem basicamente de mim e de toda a escuridão, não significa que eu não me preocupe contigo, muito pelo contrário. Nunca se esqueça de que se você estiver bem, eu estarei também.
Quanto mais velha fico, mais compreendo que tenho um enorme número de defeitos terríveis, que me fazem machucar a mim mesma e aos outros sem que eu nem perceba. O que me questiono com relação a eles é se devo aceitá-los como parte de quem sou (quem é que eu sou mesmo?) ou se devo combatê-los de alguma forma, e como fazer isso.
Talvez isso e o fato de nada ser perfeito (quanto mais convivemos, maior a probabilidade de brigarmos e magoarmos uns aos outros) seja a razão de eu morrer de medo de ser cruel, acabar te perdendo e ficar te repetindo isso vezes infinitas.
Mas sei que nada disso é racional; independentemente do que aconteça, o que sentimos, o que construímos, é bem mais forte. Só não quero estragar tudo… Ainda mais porque o que sinto quando estou contigo é diferente de tudo o que já vivi.
Nada em mim tem sido sensato; é difícil sentir essa vontade de chorar e desistir de tudo.
Esta era para ser outra carta melhor, enfim. Obrigada por tudo, eu te amo.
Da tua irmã.
sábado, 13 de setembro de 2014
V
Oi, amor.
Esta é mais uma noite em que a insônia me faz companhia e eu resolvo te escrever outra vez. Escrevo por amor, por saudade, por necessidade. Talvez até para compensar as palavras que não surgiram para contar minhas histórias (seja pelo motivo que for).
Devagar algumas coisas estão entrando nos eixos, outras ainda estão longe de serem resolvidas. Para que tenhas uma noção, até mesmo o ato de terminar a leitura de um livro qualquer tem sido uma tarefa difícil; não tenho conseguido manter a concentração corretamente.
O nível de tensão por conta das guerras internas e externas atingiu um ponto tão crítico, que ontem, perto da hora do almoço, eu simplesmente desabei a chorar. Uma das partes envolvidas se sentiu um pouco ofendida e quis meio que se desculpar por estar aqui, coisas assim.
Mas o problema não é esse. É o barulho, é a discussão, é a falta de controle de um lado e do outro. De gente ansiosa que tenta acalmar quem está na pressão, acaba se metendo e não ajudando em nada quem na verdade precisa de paciência. E de quem na tentativa de que o outro fique quieto, só põe ainda mais gasolina no incêndio.
Realmente não aguentei mais e tive que dar um basta de algum jeito. Ninguém consegue ficar assim por muito tempo, pena que as pessoas não percebem isso. Chegou até a me dar uma tremedeira… Mas agora passou, pelo menos por enquanto. Espero que não se repita.
Andei preparando o terreno para botar as cartas na mesa assim que puder. Tomara que meus pais consigam entender e respeitem isso. E não adianta argumentar que o tempo passa, as coisas acontecerão quando tiverem que acontecer. O ponteiro gira onde quer que estejamos.
Assim eu sigo, dormente e ao mesmo tempo em estado de alerta. Na fronteira entre razão e emoção. Tentando solucionar as questões que ainda não possuem resposta. Respirando tranquila e ao mesmo tempo com o coração disparado pelo medo.
Torço para que estejas bem. Não vejo a hora de terminar o que precisa de um fim e de ouvir notícias tuas. Sinto saudade do meu irmão mais velho, rs. Te amo muito.
Da tua irmã.
Esta é mais uma noite em que a insônia me faz companhia e eu resolvo te escrever outra vez. Escrevo por amor, por saudade, por necessidade. Talvez até para compensar as palavras que não surgiram para contar minhas histórias (seja pelo motivo que for).
Devagar algumas coisas estão entrando nos eixos, outras ainda estão longe de serem resolvidas. Para que tenhas uma noção, até mesmo o ato de terminar a leitura de um livro qualquer tem sido uma tarefa difícil; não tenho conseguido manter a concentração corretamente.
O nível de tensão por conta das guerras internas e externas atingiu um ponto tão crítico, que ontem, perto da hora do almoço, eu simplesmente desabei a chorar. Uma das partes envolvidas se sentiu um pouco ofendida e quis meio que se desculpar por estar aqui, coisas assim.
Mas o problema não é esse. É o barulho, é a discussão, é a falta de controle de um lado e do outro. De gente ansiosa que tenta acalmar quem está na pressão, acaba se metendo e não ajudando em nada quem na verdade precisa de paciência. E de quem na tentativa de que o outro fique quieto, só põe ainda mais gasolina no incêndio.
Realmente não aguentei mais e tive que dar um basta de algum jeito. Ninguém consegue ficar assim por muito tempo, pena que as pessoas não percebem isso. Chegou até a me dar uma tremedeira… Mas agora passou, pelo menos por enquanto. Espero que não se repita.
Andei preparando o terreno para botar as cartas na mesa assim que puder. Tomara que meus pais consigam entender e respeitem isso. E não adianta argumentar que o tempo passa, as coisas acontecerão quando tiverem que acontecer. O ponteiro gira onde quer que estejamos.
Assim eu sigo, dormente e ao mesmo tempo em estado de alerta. Na fronteira entre razão e emoção. Tentando solucionar as questões que ainda não possuem resposta. Respirando tranquila e ao mesmo tempo com o coração disparado pelo medo.
Torço para que estejas bem. Não vejo a hora de terminar o que precisa de um fim e de ouvir notícias tuas. Sinto saudade do meu irmão mais velho, rs. Te amo muito.
Da tua irmã.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
IV
Olá, querido.
Sinto falta do teu abraço. De como ele é diferente dos outros, de tudo o que já experimentei. É uma coisa natural para ti e para mim não tanto, mas é bom mesmo assim. Muito bom. Chego até a me abraçar na cama durante a noite, especialmente quando estou com medo, para ver se reproduzo a mesma sensação.
Sinto falta do modo como pegas minha mão, apertando de leve, com carinho, percorrendo os dedos, as veias salientes. De como isso quer dizer que tu te importas. Ou de como inocentemente repousas a tua em meu joelho, apenas para descansá-la. Ou ainda do formigamento agradável de quando acariciaste meu rosto daquela vez.
Sinto falta dos teus olhos, do perfeito tom de castanho que eles têm, do jeito amoroso como me olhas, mesmo quando eu choro. Da luz que eles adquirem quando nos encontramos pessoalmente depois de muito tempo. Com os anos desenvolvi uma espécie de receio em olhar as pessoas nos olhos, mas acho que contigo isso ainda pode mudar.
Sinto falta de ouvir a tua voz, muito embora meus monólogos muitas vezes te impeçam de falar (não tenha medo de me interromper e/ou mudar de assunto!). Tenho certeza de que com o tempo ainda desenvolveremos um código em que o silêncio será suficiente. Talvez isto já esteja acontecendo.
Sinto falta do teu sorriso e de como tu me fazes sorrir. De como consigo ao teu lado encontrar esses fachos de luz no meio da escuridão profunda. De perceber que por baixo das bobagens que falamos, estamos tentando nos entender, tocar nos assuntos sérios de um jeito que não doa tanto.
Até do teu perfume eu tenho saudade; tu tens cheiro de casa. De estar contigo, do tempo que tiras apenas para me ver ou escrever para mim quando poderia estar com qualquer um, fazendo qualquer coisa. Não sabes o quanto isso me faz feliz. Até nem sei por quê às vezes choro quando conversamos. Enfim.
Tudo é tão simples e tão bom, que mesmo sabendo que a distância não impede que cuidemos um do outro,essas coisas realmente fazem diferença para mim. Talvez para que eu tenha certeza de que são reais. Sei que contigo também é assim.
Eu te amo muito! Quero uma massagem nas costas assim que possível, se não for incômodo, rs.
Da tua irmã, tua neguinha.
Sinto falta do teu abraço. De como ele é diferente dos outros, de tudo o que já experimentei. É uma coisa natural para ti e para mim não tanto, mas é bom mesmo assim. Muito bom. Chego até a me abraçar na cama durante a noite, especialmente quando estou com medo, para ver se reproduzo a mesma sensação.
Sinto falta do modo como pegas minha mão, apertando de leve, com carinho, percorrendo os dedos, as veias salientes. De como isso quer dizer que tu te importas. Ou de como inocentemente repousas a tua em meu joelho, apenas para descansá-la. Ou ainda do formigamento agradável de quando acariciaste meu rosto daquela vez.
Sinto falta dos teus olhos, do perfeito tom de castanho que eles têm, do jeito amoroso como me olhas, mesmo quando eu choro. Da luz que eles adquirem quando nos encontramos pessoalmente depois de muito tempo. Com os anos desenvolvi uma espécie de receio em olhar as pessoas nos olhos, mas acho que contigo isso ainda pode mudar.
Sinto falta de ouvir a tua voz, muito embora meus monólogos muitas vezes te impeçam de falar (não tenha medo de me interromper e/ou mudar de assunto!). Tenho certeza de que com o tempo ainda desenvolveremos um código em que o silêncio será suficiente. Talvez isto já esteja acontecendo.
Sinto falta do teu sorriso e de como tu me fazes sorrir. De como consigo ao teu lado encontrar esses fachos de luz no meio da escuridão profunda. De perceber que por baixo das bobagens que falamos, estamos tentando nos entender, tocar nos assuntos sérios de um jeito que não doa tanto.
Até do teu perfume eu tenho saudade; tu tens cheiro de casa. De estar contigo, do tempo que tiras apenas para me ver ou escrever para mim quando poderia estar com qualquer um, fazendo qualquer coisa. Não sabes o quanto isso me faz feliz. Até nem sei por quê às vezes choro quando conversamos. Enfim.
Tudo é tão simples e tão bom, que mesmo sabendo que a distância não impede que cuidemos um do outro,essas coisas realmente fazem diferença para mim. Talvez para que eu tenha certeza de que são reais. Sei que contigo também é assim.
Eu te amo muito! Quero uma massagem nas costas assim que possível, se não for incômodo, rs.
Da tua irmã, tua neguinha.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
III
Olá, meu bem.
É muito terapêutico te escrever essas linhas, pois a disciplina de pôr palavras no papel é algo que tento exercitar sempre que possível; ainda mais na situação em que sabes que me encontro. Tentar nomear o que ainda não tem nome é a única maneira de fazer com que eu não acabe enlouquecendo pela falta de controle da minha própria mente.
Sempre tive uma escuridão muito grande dentro de mim; na verdade só percebi isso agora. Acumulei muitas coisas ruins durante a vida toda, vindas de ações, palavras, pressões sofridas, traumas, pensamentos… Mas conseguia seguir em frente, porque sempre havia algo maior adiante. Eu conseguia esquecer. Pelo menos era o que eu imaginava.
Confesso que isso é tão forte que realmente me paralisa. De vez em quando não tenho vontade de fazer nada, nem mesmo coisas que gosto. Nessas horas algo me diz para ficar deitada, imóvel, e chorar até os olhos arderem, só para ver se assim toda essa porcaria vai embora logo.
Eu sei que isso não resolve as coisas, mas as pessoas não têm noção do quanto é difícil. Nunca pensei que um dia chegaria a esse ponto. Me pego pensando em desistir, largar tudo. Não exatamente em morrer, porque talvez até da morte eu tenha medo, mas algo muito parecido com isso.
Agora tem tanta coisa acontecendo… E tudo o que eu achava que tinha conseguido superar está vindo com força total, tudo acumulado e transbordando. Sinto-me mais do que nunca frágil e insegura, alguém que perdeu todo o controle que um dia já teve sobre mente, corpo e espírito. Pensamentos horríveis me acometem durante a noite e até de dia; a mínima coisinha me assusta e sinto vontade de chorar quase o tempo todo. Aquele choro doído, do fundo mesmo, que te tira o ar.
Há alguns dias o status quo com revira-voltas e bate-boca tem me deixado nervosa a ponto de querer gritar para que todo mundo fique quieto, porque para mim já basta a minha própria psique destruída com a qual lidar. Mas ainda bem que parece que a tensão externa vai diminuir um pouco. Sei que isso soa egoísta, mas sabes melhor do que ninguém o que realmente quero dizer.
Por isso o que temos é tão incrível. Tu fazes umas perguntas certeiras, me arranca informações, me fazes dar nome aos bois. Tudo isso porque queres saber quem eu sou, e eu também quero, eu preciso saber. Tu vês em mim coisas que eu nem sei se fazem mesmo parte de mim. E isso é fantástico. Tu realmente cavocas em coisas que eu não tenho coragem nem de tocar.
A linguagem que desenvolvemos é realmente fora do comum! Quero um dia poder retribuir um pouquinho de tudo isso.
Por hoje é isso. Até amanhã, eu te amo.
Da tua irmã.
É muito terapêutico te escrever essas linhas, pois a disciplina de pôr palavras no papel é algo que tento exercitar sempre que possível; ainda mais na situação em que sabes que me encontro. Tentar nomear o que ainda não tem nome é a única maneira de fazer com que eu não acabe enlouquecendo pela falta de controle da minha própria mente.
Sempre tive uma escuridão muito grande dentro de mim; na verdade só percebi isso agora. Acumulei muitas coisas ruins durante a vida toda, vindas de ações, palavras, pressões sofridas, traumas, pensamentos… Mas conseguia seguir em frente, porque sempre havia algo maior adiante. Eu conseguia esquecer. Pelo menos era o que eu imaginava.
Confesso que isso é tão forte que realmente me paralisa. De vez em quando não tenho vontade de fazer nada, nem mesmo coisas que gosto. Nessas horas algo me diz para ficar deitada, imóvel, e chorar até os olhos arderem, só para ver se assim toda essa porcaria vai embora logo.
Eu sei que isso não resolve as coisas, mas as pessoas não têm noção do quanto é difícil. Nunca pensei que um dia chegaria a esse ponto. Me pego pensando em desistir, largar tudo. Não exatamente em morrer, porque talvez até da morte eu tenha medo, mas algo muito parecido com isso.
Agora tem tanta coisa acontecendo… E tudo o que eu achava que tinha conseguido superar está vindo com força total, tudo acumulado e transbordando. Sinto-me mais do que nunca frágil e insegura, alguém que perdeu todo o controle que um dia já teve sobre mente, corpo e espírito. Pensamentos horríveis me acometem durante a noite e até de dia; a mínima coisinha me assusta e sinto vontade de chorar quase o tempo todo. Aquele choro doído, do fundo mesmo, que te tira o ar.
Há alguns dias o status quo com revira-voltas e bate-boca tem me deixado nervosa a ponto de querer gritar para que todo mundo fique quieto, porque para mim já basta a minha própria psique destruída com a qual lidar. Mas ainda bem que parece que a tensão externa vai diminuir um pouco. Sei que isso soa egoísta, mas sabes melhor do que ninguém o que realmente quero dizer.
Por isso o que temos é tão incrível. Tu fazes umas perguntas certeiras, me arranca informações, me fazes dar nome aos bois. Tudo isso porque queres saber quem eu sou, e eu também quero, eu preciso saber. Tu vês em mim coisas que eu nem sei se fazem mesmo parte de mim. E isso é fantástico. Tu realmente cavocas em coisas que eu não tenho coragem nem de tocar.
A linguagem que desenvolvemos é realmente fora do comum! Quero um dia poder retribuir um pouquinho de tudo isso.
Por hoje é isso. Até amanhã, eu te amo.
Da tua irmã.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
II
Olá, meu coração.
Aqui estou eu de novo. Já tem virado rotina para mim te escrever cartas, mesmo sabendo que elas jamais serão enviadas. Tenho escrito todos os dias, pois tenho coisas demais dentro de mim, que precisam sair de alguma forma.
E como sabes minhas tentativas de escrever um diário que me fosse realmente útil falharam sem piedade. Talvez eu devesse ter feito como Anne Frank, que fez de seu diário uma amiga imaginária para a qual relatava coisas.
Talvez eu prefira escrever assim, como se tu fosses mesmo ler essas linhas, porque tu tens alguma coisa que me faz confiar o suficiente para dizer coisas que não me confesso nem mesmo olhando no espelho. E aquilo que é real e concreto muitas vezes é bem mais interessante do que todo o resto.
É incrível como o stress crônico detona a gente. Talvez o meu caso seja genético mesmo. Meu pai vive com os nervos à flor da pele e praticamente todo o lado da minha família que vem da minha mãe são pura ansiedade, nervosismo e “encheção de saco”.
Como se já não bastasse o que venho enfrentando sozinha, todos esses demônios internos acumulados que vêm se acumulando com o tempo, agora tem os problemas dos outros que se incluem no pacote e fazem com que haja barulho, brigas e coisa do gênero.
Sei que não é culpa de ninguém, só que é desconfortável viver assim, não estou acostumada a tanto movimento e loucura vinda de fora. Se já era difícil lidar com tudo sem ninguém mais por perto, imagina assim. E as diferenças entre nós, como por exemplo pessoas que acham que têm o controle de tudo (inclusive de coisas que podem e devem se resolver sozinhas) ajudam muito a atiçar os nervos.
Tudo o que eu desejo é essa solidão de volta, porque pelo menos com ela eu consigo pensar em paz nas coisas que tenho que resolver, as escolhas que tenho que fazer. Assim como mapear o que gera essa paranóia que vem me matando por dentro nos últimos tempos. Cada um no seu canto, sabe?
Outro dia tento te contar mais sobre o que está acontecendo na minha mente. Vou tentar usar minhas poucas horas de real sossego no status quo para te escrever de novo. Desde já te agradeço a paciência e o amor de sempre (até porque paciência é algo que tenho que desenvolver; tomara que as pessoas que eu encontrar pelo caminho me ajudem com isso).
Te amo e morro de saudade. Vem logo me dar um abraço! Tu tens meu coração e sei que cuida muito bem dele.
Da tua irmã.
Aqui estou eu de novo. Já tem virado rotina para mim te escrever cartas, mesmo sabendo que elas jamais serão enviadas. Tenho escrito todos os dias, pois tenho coisas demais dentro de mim, que precisam sair de alguma forma.
E como sabes minhas tentativas de escrever um diário que me fosse realmente útil falharam sem piedade. Talvez eu devesse ter feito como Anne Frank, que fez de seu diário uma amiga imaginária para a qual relatava coisas.
Talvez eu prefira escrever assim, como se tu fosses mesmo ler essas linhas, porque tu tens alguma coisa que me faz confiar o suficiente para dizer coisas que não me confesso nem mesmo olhando no espelho. E aquilo que é real e concreto muitas vezes é bem mais interessante do que todo o resto.
É incrível como o stress crônico detona a gente. Talvez o meu caso seja genético mesmo. Meu pai vive com os nervos à flor da pele e praticamente todo o lado da minha família que vem da minha mãe são pura ansiedade, nervosismo e “encheção de saco”.
Como se já não bastasse o que venho enfrentando sozinha, todos esses demônios internos acumulados que vêm se acumulando com o tempo, agora tem os problemas dos outros que se incluem no pacote e fazem com que haja barulho, brigas e coisa do gênero.
Sei que não é culpa de ninguém, só que é desconfortável viver assim, não estou acostumada a tanto movimento e loucura vinda de fora. Se já era difícil lidar com tudo sem ninguém mais por perto, imagina assim. E as diferenças entre nós, como por exemplo pessoas que acham que têm o controle de tudo (inclusive de coisas que podem e devem se resolver sozinhas) ajudam muito a atiçar os nervos.
Tudo o que eu desejo é essa solidão de volta, porque pelo menos com ela eu consigo pensar em paz nas coisas que tenho que resolver, as escolhas que tenho que fazer. Assim como mapear o que gera essa paranóia que vem me matando por dentro nos últimos tempos. Cada um no seu canto, sabe?
Outro dia tento te contar mais sobre o que está acontecendo na minha mente. Vou tentar usar minhas poucas horas de real sossego no status quo para te escrever de novo. Desde já te agradeço a paciência e o amor de sempre (até porque paciência é algo que tenho que desenvolver; tomara que as pessoas que eu encontrar pelo caminho me ajudem com isso).
Te amo e morro de saudade. Vem logo me dar um abraço! Tu tens meu coração e sei que cuida muito bem dele.
Da tua irmã.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
I
Oi, irmão.
Espero que esteja tudo bem contigo. Não se preocupe, tenho certeza de que andas ocupado (eu também, anda tudo uma bagunça, só pra variar) e sei que pensas em mim como penso em ti.
Mesmo que só daqui a algum tempo venhas a ler essas linhas, não pude resistir a escrever outra vez. Como sabes, consigo expressar melhor as coisas escrevendo do que falando. Sempre foi assim.
Enfim, guri. As guerras internas e externas estão se misturando… Mesmo que eu tente disfarçar a ansiedade e loucura vem de todos os lados e a impressão que tenho é de que estou dentro de uma panela de pressão prestes a estourar.
Sobre essas outras coisas nem vale a pena eu te contar, só sei que a tensão é permanente. Por causa disso percebi que a convivência social realmente gera conflito; o problema é quando não se sabe o que fazer com ele.
Tomara que a poeira baixe um pouco e logo; porque preciso do mínimo de paz possível para contar aos meus pais sobre minhas decisões, para que eles não pensem que elas são só por impulso e que as respeitem.
Agradeço desde já teu apoio, tu sabes o quanto é importante para mim tomar as rédeas da minha vida, apesar do medo do futuro.
Andei recebendo uns conselhos bem interessantes ultimamente, que espero conseguir seguir. São sobre eu ter paciência com os outros, como eu desejo que tenham comigo. Eu realmente preciso tentar praticar o necessário silêncio, ser mais racional como aquele rapaz que conhecemos… Torça por mim, me ajude!
Os fantasmas ainda vêm me perseguir quando eu menos espero. Só rezo para não acabar ficando louca, com os meus erros e medos sempre à espreita.
Por enquanto é só. Até a próxima carta. Sinto que ela virá em breve. Sinto saudades e te amo, obrigada por tudo.
Da tua irmã.
Espero que esteja tudo bem contigo. Não se preocupe, tenho certeza de que andas ocupado (eu também, anda tudo uma bagunça, só pra variar) e sei que pensas em mim como penso em ti.
Mesmo que só daqui a algum tempo venhas a ler essas linhas, não pude resistir a escrever outra vez. Como sabes, consigo expressar melhor as coisas escrevendo do que falando. Sempre foi assim.
Enfim, guri. As guerras internas e externas estão se misturando… Mesmo que eu tente disfarçar a ansiedade e loucura vem de todos os lados e a impressão que tenho é de que estou dentro de uma panela de pressão prestes a estourar.
Sobre essas outras coisas nem vale a pena eu te contar, só sei que a tensão é permanente. Por causa disso percebi que a convivência social realmente gera conflito; o problema é quando não se sabe o que fazer com ele.
Tomara que a poeira baixe um pouco e logo; porque preciso do mínimo de paz possível para contar aos meus pais sobre minhas decisões, para que eles não pensem que elas são só por impulso e que as respeitem.
Agradeço desde já teu apoio, tu sabes o quanto é importante para mim tomar as rédeas da minha vida, apesar do medo do futuro.
Andei recebendo uns conselhos bem interessantes ultimamente, que espero conseguir seguir. São sobre eu ter paciência com os outros, como eu desejo que tenham comigo. Eu realmente preciso tentar praticar o necessário silêncio, ser mais racional como aquele rapaz que conhecemos… Torça por mim, me ajude!
Os fantasmas ainda vêm me perseguir quando eu menos espero. Só rezo para não acabar ficando louca, com os meus erros e medos sempre à espreita.
Por enquanto é só. Até a próxima carta. Sinto que ela virá em breve. Sinto saudades e te amo, obrigada por tudo.
Da tua irmã.
sábado, 6 de setembro de 2014
Não quero incomodar...
Geralmente, quando reencontro alguém que gosto depois de muito tempo, não falo sobre o que está acontecendo dentro de mim; a menos que a pessoa seja direta no assunto.
Talvez porque eu confie em poucos; talvez porque sinta que a pessoa pode não entender do que estou falando (se nem eu entendo, que dirá os outros!), mesmo que se importe comigo.
Talvez porque eu queira esquecer tudo isso por um momento. Talvez porque o outro pode estar com um problema mais grave ou urgente que o meu.
Além do mais, eu não quero incomodar…
Letícia Bolzon Silva
Talvez porque eu confie em poucos; talvez porque sinta que a pessoa pode não entender do que estou falando (se nem eu entendo, que dirá os outros!), mesmo que se importe comigo.
Talvez porque eu queira esquecer tudo isso por um momento. Talvez porque o outro pode estar com um problema mais grave ou urgente que o meu.
Além do mais, eu não quero incomodar…
Letícia Bolzon Silva
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Eu e as palavras
Aprendi a ler e escrever sozinha ao quatro anos de idade e sempre estive rodeada de livros, que li várias e várias vezes. Conforme eu crescia é claro que muitas coisas mudaram, mas o meu amor pelas palavras sempre esteve presente através de revistas e coisas assim.
O peculiar é que foi depois da adolescência que passei a ler cada vez mais e gostar cada vez mais dos livros, tanto é que hoje em dia é o que sugiro como presente nas datas especiais e estou adquirindo e lendo cada vez mais exemplares. Parece que se não tenho um livro interessante para ler, me sinto vazia, incompleta; e um dos meus sonhos é ter uma grande biblioteca em casa.
Se não fossem os livros eu certamente teria tido uma infância muito sem graça, sem histórias para contar, não teria imaginação. Se não fossem os livros, possivelmente eu também não gostaria de escrever, não estaria contando minhas próprias histórias e tentando publicar meu primeiro livro. Se não fossem os livros, minha mentalidade seria limitada e eu não conheceria tanta gente, tantos mundos, tantas épocas, tantas palavras novas. Possivelmente eu seria bem diferente do que sou hoje. Não me vejo longe dos livros e ficarei muito feliz se meu trabalho for reconhecido e/ou meus filhos herdem meu amor pelas palavras.
Letícia Bolzon Silva
O peculiar é que foi depois da adolescência que passei a ler cada vez mais e gostar cada vez mais dos livros, tanto é que hoje em dia é o que sugiro como presente nas datas especiais e estou adquirindo e lendo cada vez mais exemplares. Parece que se não tenho um livro interessante para ler, me sinto vazia, incompleta; e um dos meus sonhos é ter uma grande biblioteca em casa.
Se não fossem os livros eu certamente teria tido uma infância muito sem graça, sem histórias para contar, não teria imaginação. Se não fossem os livros, possivelmente eu também não gostaria de escrever, não estaria contando minhas próprias histórias e tentando publicar meu primeiro livro. Se não fossem os livros, minha mentalidade seria limitada e eu não conheceria tanta gente, tantos mundos, tantas épocas, tantas palavras novas. Possivelmente eu seria bem diferente do que sou hoje. Não me vejo longe dos livros e ficarei muito feliz se meu trabalho for reconhecido e/ou meus filhos herdem meu amor pelas palavras.
Letícia Bolzon Silva
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Eu, toda errada
Eu sou única e ao mesmo tempo comum como todas as outras. Sou tudo o que eu posso ser e você vê o que eu decido mostrar. Meu cabelo não é perfeito, minha cabeça é confusa, meu coração não sabe o que quer.
Vivo de sonhos iluminados e realidades obscuras. Se quiser saber quem eu sou, experimente conviver comigo e me decifrar de verdade, mas não se assuste; eu gosto muito de surpresas, a vida é feita delas.
Sou várias em uma só. Mudo constantemente e permaneço a mesma. Tenho dentro de mim todo tipo de sentimento e tudo o que eu mais desejo é que não palavras, e sim minhas escolhas e a sensibilidade humana possam me definir.
Letícia Bolzon Silva
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Sobre escrever
Não acho que as pessoas se tornem escritoras ou algo assim. Acho que ser escritor é como ser gay. Você não adquire essa ideia de uma hora pra outra. Ela simplesmente está lá, em algum lugar no seu interior, e em algum momento desabrocha como uma flor.
E ser escritor não é necessariamente ter um livro publicado, nem mesmo estar na lista dos mais vendidos. Escreva bem, escreva mal, se você consegue de alguma forma colocar uma palavra depois da outra no papel e aquilo faz sentido na sua vida (mesmo que depois de um tempo você ria de si mesmo), você é um escritor.
Até mesmo se só uma pessoa, ou só você, ler o que estiver escrito. Entendi isso com o passar do tempo.
Letícia Bolzon Silva
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Não, eu não estou bem
Quando as pessoas me perguntam como estou, não sei o que responder. Acho que nunca soube, ainda mais agora. Às vezes, como desde sempre, tenho vontade de dar a resposta mais fácil, assim encerro o assunto e o baile segue, porque ‘estou bem’. Outras vezes tenho vontade de contar a verdade, de dizer como realmente me sinto.
Mas aí percebo que tudo isso levaria tempo demais.
Que mesmo que a pessoa se importe comigo e tente me ajudar, no fundo não vai dar em nada. Nenhum de nós vai saber o que fazer. Além do mais, os outros também têm seus problemas, com certeza não lhes agradaria fuçar na minha lama podre e acabar se sujando junto.
O que quer dizer que no fim, eu só posso contar com uns poucos, que se arriscam a ler as entrelinhas e não acreditar em tudo o que digo. E para as outras pessoas o que me resta é a resposta mais fácil.
Letícia Bolzon Silva
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
O vaso na sala (ou deveria ser elefante?)
Às vezes penso em mim mesma como um vidro ou vaso que veio de fábrica com uma rachadura de alto a baixo. Ela era fininha no começo, só possível notar se chegasse bem perto (e quase ninguém chegava). Com o tempo e manuseio, a tal rachadura foi aumentando, até chegar um ponto em que o vaso simplesmente se partiu em dois. As duas metades foram remendadas, mas é claro que o objeto nunca mais foi o mesmo.
O vaso nunca mais foi o mesmo não só porque estava remendado, mas porque ele era derrubado no chão com cada vez mais frequência. Ele parecia ser valioso demais para ter os pedaços simplesmente jogados no lixo, mas com o tempo ele percebeu que se quebrava em pedacinhos cada vez menores, que paradoxalmente ninguém notava ou tentava juntar.
E se não quisesse ser jogado no lixo em definitivo (vá saber, até porque as pessoas às vezes se cortam em seus cacos afiados), o vaso entendeu que teria que juntar todas essas partes sozinho. Conviver com as próprias rachaduras, porque elas sempre estariam lá. Ter esperança de que ainda o achassem bom o bastante. Digno de permanecer na estante mais bonita da sala.
Letícia Bolzon Silva
domingo, 22 de junho de 2014
TENTATIVA
Não escrevo poesia há tanto tempo
Que às vezes acho que desaprendi.
As palavras não se juntam como antes,
As rimas insistem em não combinar
Não consigo focar em um único assunto
Sobre o qual rimar
Ou pelo menos, tentar.
sexta-feira, 29 de março de 2013
AOS POUCOS
Que aos poucos surjam sorrisos no rosto
dos que hoje choram por dores
impossíveis de explicar.
Que a justiça seja feita
para que quem se foi
possa evoluir e descansar.
Que as feridas abertas que hoje sangram
por mais que de verdade nunca se curem
um dia parem de tanto latejar
e possam ao menos um pouquinho cicatrizar.
Que aos poucos a ausência sofrida
se torne lembrança de uma vida
que mesmo cedo ceifada
inutilmente sufocada
certamente foi bem vivida.
Que aos poucos os que ficaram
lembrem-se de que agora está tudo bem
cada um deles, à sua maneira, lhes olha
de um ponto bem mais além
e nunca lhes abandonarão.
Que aos poucos surja um mundo melhor
em que ainda existam boas lembranças
perduram os sonhos e verdadeiro amor
poesia e violões para tocar
com novas esperanças.
Que aos poucos, nas rodas de mate
em que nos contamos os causos
ainda sintamos a parte boa da saudade
sabendo quem somos de verdade
e que além de dividir a cuia
eles e nós ainda andamos os mesmos passos
embora de maneiras diferentes, sem deixarem de nos amar.
dos que hoje choram por dores
impossíveis de explicar.
Que a justiça seja feita
para que quem se foi
possa evoluir e descansar.
Que as feridas abertas que hoje sangram
por mais que de verdade nunca se curem
um dia parem de tanto latejar
e possam ao menos um pouquinho cicatrizar.
Que aos poucos a ausência sofrida
se torne lembrança de uma vida
que mesmo cedo ceifada
inutilmente sufocada
certamente foi bem vivida.
Que aos poucos os que ficaram
lembrem-se de que agora está tudo bem
cada um deles, à sua maneira, lhes olha
de um ponto bem mais além
e nunca lhes abandonarão.
Que aos poucos surja um mundo melhor
em que ainda existam boas lembranças
perduram os sonhos e verdadeiro amor
poesia e violões para tocar
com novas esperanças.
Que aos poucos, nas rodas de mate
em que nos contamos os causos
ainda sintamos a parte boa da saudade
sabendo quem somos de verdade
e que além de dividir a cuia
eles e nós ainda andamos os mesmos passos
embora de maneiras diferentes, sem deixarem de nos amar.
terça-feira, 17 de abril de 2012
EU, ASSIM
Eu, assim,
Com essas manias incorrigíveis
Meus cabelos bagunçados
Pernas finas e mão suadas.
Eu, assim,
Com meus sorrisos frágeis
Lágrimas mais frágeis ainda
O coração cheio de feridas
Que ainda teimam em machucar.
Eu, com meus anseios, desejos
Virtudes honrosas e defeitos
Ocultos no xadrez das camisas
E nos jeans escuros.
Eu, com minhas unhas esmaltadas
Velhos anéis de prata
Medos e escolhas.
Eu, com minhas carências, atitudes
Silêncios e versos simples.
Apesar de tudo isso
Tu me amas por quem eu sou
Mesmo que eu ainda não tenha certeza disso
Não me negas os abraços
Mesmo que às vezes eles sejam um pouco aflitos
Pedaço de mim
Meu irmão há muito tempo
Amor da minha vida
Que me traz o que tem de mais puro.
sábado, 7 de abril de 2012
A NOSSA SAUDADE
Mesmo à distância
Consigo sentir teu amor
E saber que é verdadeiro.
Me fazem falta os abraços
Que nos unem e confortam
Mas ao mesmo tempo posso senti-los
Todas as noites, antes de dormir
De um jeito indescritível.
Me fazem falta as palavras
Quando as ouço da tua voz
Mas posso te sentir bem perto
Quando meus olhos as leem.
Nunca esqueça que eu te amo
E vou estar sempre do teu lado
Mesmo longe assim
Posso te sentir pertinho
E nossa saudade não impede
Que estejamos lado a lado.
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