Já que já estás lá fora
e não posso murmurar
ao teu ouvido
a pergunta que me devora,
faz-me rir, tira-me o ar
mas dá à loucura um sentido...
O que eu não daria
ao que me prestaria
para ser tão tosca
quanto uma mosca
só para ver tua cara
perante si mesmo, poema
que me queima e não sara...
Teu olho, tua mão, teu ouvido gosta?
Será que com tanto que entreguei
por acaso roubei
da tua boca
mesmo sem ver
coisa mais bela e louca
e impossível de descrever
que a espuma que lambe a costa?
3 de outubro de 2019
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
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