Faz sentido que as minhas verdades mais fundas estejam espalhadas em pedaços aleatórios de papel e pelos mais diversos cadernos. É quase como estar bêbado e desabafar no primeiro ombro que se encontra, exceto que os do meu caso são sempre do tipo confiável (ou pelo menos é como eu os vejo).
Faz sentido porque a honestidade pedida para ocasiões como esta obriga-me a de certa forma montar um quebra-cabeças com as palavras certas e do jeito certo, para que o importante possa ser entendido. Os textos estão espalhados porque os próprios pensamentos estão.
Eu sei que o amor é algo que mereço como todo mundo e que sei que quero para mim, mesmo que diga que não... Só não quero que desejar ou mesmo ter isso me faça esquecer quem sou.
Às vezes olho à minha volta e parece que isso não vai acontecer... Claro que deve ser a dupla Solidão e Idealização sussurrando bobagens, mas, cara, se acontecer não pode ser só para preencher um vazio. Amar assim é crueldade e falsidade com todas as partes.
Parece que tenho mesmo que aprender a ser sozinha e me conhecer antes de estar com alguém, para que tudo aconteça pelas razões certas.
Your hands and words on me
are the silk you have over your body.
Soft, warm, fresh, shiny,
somewhat slippery.
To them, all I can say, all I can be
is the silence and moan of a tragedy.
Por que as pessoas não se permitem sentir as coisas? Não digo isso como forma de julgamento. É que para mim, em que sentimentos e sensações formam tudo o que conheço pelo que sou, não entendo por que as pessoas se pseudo-entorpecem desse jeito.
Quanto mais se reprime, menos se entende. Porque menos se enxerga. Aprendi isso ao longo dos anos, especialmente no caso da raiva e da frustração. Mas as coisas boas, também. É o que pude perceber quando tudo veio à tona.
You and me
so look like the sea
and the shore
in a slide
from side to side
by the beach
but always out of reach,
wanting more
and certainly not on someone else
or just anywhere.
Where did you go
with my soul,
will you ever come back
before it grows old
and loses its mold?
Without your light
not even the moon feels right,
the nights are always deep black.
I don't ask for much
more than you here,
in just a touch.
Faz sentido se arrepender de não ter publicado um livro? Faz. Faz sentido se arrepender de TER PUBLICADO um livro, porque anos depois disso tu percebe que ele deveria ter ficado na gaveta? FAZ SIM SENHOR. Faz parte dos erros que a gente comete pra melhorar como escritor.
Faz sentido porque de nada adianta a gente deixar para trás uma coisa com a qual não está satisfeito. Algo que poderia ser melhorado e até mesmo substituído, só para dizer que fez.
Na minha roupa, procuro teu cheiro
junto do meu como um inteiro.
Eu me abraço, talvez para fingir que o calor
que vem de mim é o mesmo do teu amor.
Puxo tua voz do fundo da memória
como se não tivesse outra escolha.
Faço o meu toque parecer não outro
se não o teu, que não está morto.
Esqueço que conheço teu jogo
só para aprender tudo de novo,
porque sei que voltas logo.