Há algo tão mágico em ser escritor. Não apenas porque tornamos o intocável em algo visível. Mas porque podemos ser muito bons mentirosos se assim desejarmos.
Podemos até ser do tipo que se distancia de sua obra porque a história que contamos não foi uma que vivemos (e é aí que entram o eu-lírico e o lugar de fala), mas as palavras que usamos não deixam de ser nossas. E é por elas que os outros nos reconhecem.
Acho que isso também acontece nos casos em que cantamos palavras que não são nossas, talvez apenas emprestadas, com paixão e personalidade o bastante para convencer o mundo do contrário... E assim ninguém nos esqueça. Todo escritor tem um pouco de ator, talvez...
27/11/2018
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