Talvez a razão pela qual eu até hoje me desculpe direta ou indiretamente contigo quando tu me vês chorar tenha a ver com a minha infância.
Hoje eu percebo que em boa parte das vezes em que eu chorei quando criança, não foi por simples manha… Tenho a sensação de que desde a mais tenra idade eu já estava dividida entre o que eu queria e o medo de desapontar os adultos se não pendesse para o outro lado, entre outros motivos.
E a vida toda eu fui de uma forma ou outra punida por chorar, por demonstrar fraqueza… Embora eu seja tão sensível e seja tão fácil para mim liberar a represa quando os botões certos da emoção são apertados, é difícil que eu não me sinta envergonhada quando isso acontece num lugar onde eu não consiga me esconder; onde eu ocupe espaço e chame atenção.
Mas desde o começo tu jamais me julgaste pelas minhas lágrimas, e apesar do meu medo, tomou-as como parte de quem sou… Ainda quero poder aceitar a nós dois como tu até hoje me aceitas; mesmo as partes que não conhecemos ainda, um do outro e de nós mesmos.
domingo, 26 de junho de 2016
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